Literatura não é jogo de cartas marcadas

Rodrigo Lacerda

17/12/2015 – 18:02h

Ivani Cardoso – Fonte: Publishing perspectives/Contec Brasil

“O bom professor é aquele que diverte enquanto ensina. Sem humor, clareza, leveza, simpatia e um olhar prático (mostrar para que serve o conteúdo ensinado) não há salvação. Mas para brincar com o conteúdo é preciso dominá-lo profundamente”.

A definição é do escritor, professor, jornalista, tradutor e editor carioca Rodrigo Lacerda. Quando comenta o que é preciso fazer para incentivar a leitura na escola para os jovens, a resposta vem bem rápida: “O primeiro passo é não ter preconceitos contra o que eles gostam de ler, para que eles não nos devolvam o mesmo preconceito. O segundo passo é não apresentar a literatura como um jogo de cartas marcadas, regido por um cânone rígido, e sim apresentá-la como o que ela realmente é: um território fluido de afinidades eletivas, no qual eles terão sempre a liberdade de dizer Não gostei, mesmo que se trate de um grande autor consagrado ou de um clássico”, analisa.

Nascido no Rio de Janeiro em 1969, mas morando atualmente em São Paulo, Rodrigo venceu duas vezes o Prêmio Jabuti, além de ter sido ganhador dos prêmios da Academia Brasileira de Letras, Portugal Telecom, FNLIJ e Biblioteca Nacional. Seus projetos para o próximo ano são um livro de contos, que se chamará “Reserva Natural, e a continuação do livro juvenil “O Fazedor de Velhos.

Como tradutor, verteu para o português autores como William Faulkner, Alexandre Dumas, Raymond Carver, entre outros, tendo recebido o Prêmio Jabuti de Melhor Tradução de Língua Francesa, em 2009, e de Melhor Tradução, em 2010. Trabalhou em algumas das mais importantes editoras do Brasil, como a Nova Fronteira, a Editora da Universidade de São Paulo e a Cosac Naify. Atualmente, é membro do conselho editorial da Zahar. É doutorado pela Universidade de São Paulo em Teoria Literária e Literatura Comparada.

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