“A bela e a adormecida”

16/1/2016 – 12:31h

Dirigido para o público juvenil, livro reúne os contos de A bela adormecida e Branca de Neve, mas com uma história pouco convencional e de muito suspense.

Este lançamento vem da Editora Rocco e é dirigido para os jovens leitores brasileiros:A bela e a adormecida,” de Neil Gaiman, ilustrado por Chris Riddell. Para entendermos melhor o livro, vamos recorrer ao próprio autor que explica assim sua adaptação dos dois clássicos infantis: “A história de uma quase Branca de Neve e um tipo de Bela Adormecida com um toque de magia negra”.

Neil Gaiman é conhecido por roteirizar a história em quadrinhos “Sandman” nas décadas de 1980 e 1990, além de ter escrito bestsellers como “O oceano no fim do caminho” (2013), “O livro do cemitério” (2008) e “Deuses americanos”. (2001). Neste livro, ele mantém o estilo e reúne as protagonistas de A bela Adormecida e de A Branca de Neve numa única história sem príncipe encantado. Cabe à Branca de Neve beijar e despertar a princesa adormecida.

“Não tenho paciência com histórias em que mulheres são resgatadas por homens. Você não precisa ser salvo por um príncipe”, afirmou Gaiman ao jornal britânico The Telegraph.

Já o ilustrador Chris Riddell, também britânico, nomeado o nono Waterstones Children´s Laureate, para o período de 2015 a 2017, prefere definir seu trabalho de outra forma: “Durante o meu mandato quero usar o imediatismo e a universalidade das ilustrações para unir as pessoas e conduzi-las ao maravilhoso mundo dos livros”.

Esse mandato se refere ao papel concedido pela Livraria Waterstones, do Reino Unido, a cada dois anos, a um autor ou ilustrador infantil iminente. Digamos que, neste período, o escolhido pode reinar, ou seja, atuar de diversas formas pela promoção da leitura e dos livros entre as crianças.

Riddell tem extenso trabalho como ilustrador e é conhecido pela trilogia “Otolina no mar” (2010), “Otolina na escola” (2008) e “Otolina e a gata amarela” (2007). Ele é cartunista político do jornal The Observer.

Sinopse

A jornalista e fotógrafa Xandra Stefanel escreveu uma sinopse do livro especialmente para a Rede Brasil Atual, que reproduzimos a seguir:

“Era uma vez uma rainha que estava preparando os detalhes finais de seu casamento quando três anões lhe anunciaram que uma maldição assolava a cada dia uma nova cidade e fazia com que todos, humanos e animais, dormissem para sempre. Como poderia a rainha se casar sabendo que o mundo todo cairia em um sono eterno? Ela decidiu deixar seu belo vestido de lado, munir-se de armadura e espada e partir para uma viagem cheia de aventuras para combater um mal de origem desconhecida. “Ela mandou buscar o noivo, pediu-lhe que não fizesse cena; disse que ainda se casariam, mesmo ele sendo apenas um príncipe, e ela, uma rainha, e fez cócegas no belo queixo dele, e beijou-o até que ele abrisse um sorriso.”

Esta é a história de “A Bela e a Adormecida”, 70 páginas. Neste conto de fadas contemporâneo, as protagonistas são mulheres e não é um príncipe encantado que vai salvar a adormecida de seu sono profundo. Mas nem tudo é o que parece na história de Gaiman: a princesa que a rainha vai salvar não é exatamente quem parece ser. Apesar de a ilustração principal mostrar a rainha beijando a princesa, também não se trata de uma história com viés homoafetivo.

Lançado no Brasil no final de 2015, o livro marca um ano em que a discussão sobre gênero foi intensa e produtiva. O que “A Bela e a Adormecida” faz é desconstruir os tradicionais (e ultrapassados) papéis de mulheres e de homens dos contos de fada. E tudo isso com uma história cativante e encantadora, que mantém leitores os presos na trama do início ao fim.

O livro voltado para jovens tem edição em capa dura, sobrecapa em papel transparente. As imagens, em preto e branco, acompanhadas de pantone dourado, guiam o leitor por reinos e florestas encantadas, repletas de sonâmbulos e teias de aranha. A tradução é de Renata Pettengil.

Não é por acaso que a obra ficou em primeiro lugar na cobiçada lista dos livros mais vendidos do jornal americano The New York Times. Forma e conteúdo têm qualidades indiscutíveis. Só não vale esperar pelo tradicional “E viveram felizes para sempre”. Imprevisível, o final do livro é bem melhor que isso. O autor deixa claro que a rainha tem a coragem e a determinação para decidir seu próprio futuro”.

No site da editora, você pode ler um trecho exclusivo. Clique em cima das palavras sublinhadas.

O livro custa R$ 49,50 e pode ser comprado nas principais livrarias brasileiras, sites ou lojas, e tem também versão para ebook.