“Birigüi: a história é narrada sob o ponto de vista do menino”

31/5/2016 – 21:06h

Entrevista

Maurício Meirelles – Escritor

Escritor Maurício Meirelles: “São os silêncios das palavras que me atraem e, nos textos, suas brechas, seu ritmo” - Foto: Rodrigo Sampaio

Rosa Maria: Esta é uma história para o público infantil?

Maurício Meirelles: O Birigüi é um livro ilustrado que alcança também o público infantil. Trata-se de uma estória vista sob o ponto de vista de uma criança (Birigüi), voltada também para o público infantil, mas não limitada a ele.

RM: Comente sobre este personagem, que parece ser muito especial.

MM: Birigüi é um menino que teria seus 7- 8 anos de idade. A história é narrada sob o ponto de vista do menino, levado a viver uma experiência de iniciação pelo pai caçador. O pai decide levá-lo, pela primeira vez, para uma caçada ao veado, junto com o irmão mais velho (Dito), já iniciado nesse tipo de prática. Birigüi, em seu íntimo, recusa essa experiência, mas se vê obrigado a participar. Dessa recusa íntima, por amor aos animais, e uma relação complexa com o pai, emergirão os conflitos que perpassam a estória.

RM: Como surgiu essa história? Conte um pouco sobre ela.

MM: Procurei narrar uma experiência de iniciação forte, vivida por uma criança, que observa o mundo e as relações humanas com sensibilidade e doçura. Fiz o possível para que meu juízo não interferisse no curso da estória, tentando me colocar “sob a pele” do menino. Não sei se consegui…

RM: Como foi a produção das imagens ou das ilustrações?

MM: As ilustrações são do Odilon Moraes, autor renomado de livros ilustrados. As imagens, de certa forma, são a interpretação dele da estória do Birigüi, sendo que eu não interferi de nenhuma maneira em seu trabalho. Aqui cabe uma informação importante: o livro foi concebido como um álbum ilustrado, onde texto e imagem dialogam, criando conjuntamente a narrativa final. Ou seja, a ilustração não está “a serviço” do texto; antes, as duas linguagens interagem para o efeito final da estória sobre o leitor.

RM: O que você e a Editora Miguilim estão preparando para o lançamento, dia 4 de junho, na Quixote Livraria?

MM: O acesso ao evento é gratuito e livre para todas as idades, de 11:00 às 14:00h. O escritor e o ilustrador ficarão disponíveis ao longo de todo o evento para bater um papo com os interessados. Além de sessão de autógrafos, quem adquirir o livro por lá leva um exemplar exclusivo: a capa será pintada na hora pelo ilustrador Odilon Moraes e o título será gravado com carimbo a fogo pelo editor da Miguilim, Alexandre Machado.

RM: Quais os caminhos que deve tomar o livro, após este lançamento?

MM: Bem, os livros escolhem seus próprios caminhos… De nossa parte, já estamos pensando no próximo lançamento, que ocorrerá na Flipinha 2016, um evento voltado para o público infantil e infanto-juvenil dentro da programação da FLIP 2016.

RM: Fale um pouco sobre sua carreira e sua obra.

MM: Sou arquiteto de formação e profissão. Na arquitetura, minha inspiração está nos vazios encontrados nas construções. Como escritor, são os silêncios das palavras que me atraem e, nos textos, suas brechas, seu ritmo. Birigüi é meu primeiro livro individual (o texto), com ilustrações de Odilon Moraes, e está sendo lançado pela Editora Miguilim, que acreditou no projeto e o apoiou desde o início.

Minha primeira publicação, um conto, foi feita no Suplemento Literário do Minas Gerais (SLMG) em 2011, pelo Jaime Prado Gouvêa. No mesmo ano, participei da antologia Oficina da Palavra, organizada por Dagmar Braga e lançada pela Editora Asa de Papel. Tive textos publicados pelas revistas literárias Pessoa, com curadoria de Carlos Henrique Schroeder, e Germina, editada por Silvana Guimarães. Participei também de eventos e festivais literários, como mediador, e meu interesse pelas demais linguagens da arte me levou a desenvolver trabalhos em colaboração com outros artistas, como o duo musical O Grivo (Galeria Oi Futuro: Belo Horizonte, 2013).

Na expectativa de conhecer “Birigüi”

31/5/2016 – 20:59h

O nome é dado a uma pequena mosca, mas no livro de Maurício Meirelles é de um menino, Birigüi, o personagem central da história. O lançamento pela Editora Miguilim vai ser em Beagá, neste sábado, dia 4 de junho, de 11:00 às 14:00 horas, na Quixote Livraria, Rua Fernandes Tourinho, 274.  Quem comprar o livro vai ganhar um exemplar exclusivo: a capa será pintada na hora.

A história de “Birigüi” já aguça meu interesse por se dá no sertão, no agreste, onde tudo o que acontece é carregado de significados. Vamos imaginar, então, como fica um menino que vai montar num cavalo pela primeira vez? É um ritual, a gente sabe da importância deste momento para quem tem o compromisso de dar continuidade às tradições.

– “Você vai com a gente amanhã – disse o pai, olhando da cabeceira da mesa. Tomou outra colher de sopa e limpou o bigode com a mão. Estendeu o prato vazio para a mulher.
– Ele ainda é muito pequeno – falou a mãe em voz baixa, servindo o marido.
– Passou a hora de ele aprender a caçar, Antônia – insistiu o pai, a voz grave. – Esse menino tem medo de tudo. – Olhou novamente o filho, partiu o pão com as mãos peludas.”

O autor Maurício Meirelles explica que” procurou narrar uma experiência de iniciação forte, vivida por uma criança, que observa o mundo e as relações humanas com sensibilidade e doçura. Fiz o possível para que meu juízo não interferisse no curso da narração, tentando me colocar ‘sob a pele’ do menino.”

A história foi embasada numa abrangente pesquisa realizada pelo autor e sinto que o texto e ilustrações do Odilon Moraes, realmente nos conduzem para a cultura do sertão, pro jeitão dessa gente tão marcante e de hábitos ternos, de sabedoria e espontaneidade.

“Na frente, iam o pai e Dito. Birigüi atrás, observando a matilha. Cores diversas: castanho, vinagre, chumbado de preto; pampa-tomate, vermelho, araçá…”

– Olha, Birigüi: as pegadas indo e voltando, no mesmo trilho – o caçador mostrou.

– Veado é bicho ladino, engana os cachorros. Mas comigo, não. – E sorriu, alisando a garruchinha.

Bem que o veado podia enganar Pai. Só daquela vez. Tomara.”

Estamos na expectativa para receber Birigüi, que nas mãos do editor Alexandre Machado, da Miguilim, certamente se transformou num livro encantador. Pra começar, um belo presente pro leitor: além de sessão de autógrafos, no dia do lançamento, quem adquirir o livro leva um exemplar exclusivo: a capa será pintada na hora pelo ilustrador Odilon Moraes e o título será gravado com carimbo a fogo por Alexandre Machado.

Para conhecer mais sobre o livro e seu autor, leia a entrevista que Maurício Meirelles concedeu ao blog. Clique na categoria Entrevistas à direita da sua tela.

Proler: um comitê a serviço da leitura

29/5/2016 – 20:07h

Katia Pino é escritora carioca e tem um grande trabalho com oficina literária em escolas públicas, além de dedicar um importante trabalho ao Comitê Proler, que desenvolve atividades de incentivo à leitura.

Com três livros publicados e várias atividades literárias pelo Brasil, a escritora Kátia Pino se dedica ao trabalho no Comitê PROLER Paquetá, Rio de Janeiro. O comitê nasceu do Termo de Parceria firmado entre a Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá (AACLIP) e a então coordenação do PROLER, a Fundação Biblioteca Nacional, em 2013. Em 2014, a coordenação do Programa Nacional de Incentivo à Cultura (PROLER) retornou para o Ministério da Cultura (MinC).

“O trabalho do Comitê é, justamente, desenvolver atividades promotoras de incentivo à leitura. Também é uma de suas atribuições a formação e o aperfeiçoamento de promotores de leitura. Mas, cada Comitê tem um perfil diferenciado, de acordo com a sua área de abrangência. O nosso está localizado na Ilha de Paquetá, bairro atípico do município do Rio de Janeiro; atendemos aos alunos das Escolas Municipais: Joaquim Manoel de Macedo e Pedro Bruno, aos leitores da Biblioteca Escolar Municipal Joaquim Manoel de Macedo e moradores em geral. Os Membros do Comitê são: eu (coordenadora), a diretora da Biblioteca (Rosangela Fernandes), a Presidente da AACLIP (Vânia Barboza) e o Sr. Wilson Alves (empresário e acadêmico)”, explica.

“O Comitê entende que a leitura não se faz só nos livros (ou similares ou afins). Ela também está presente nas artes plásticas. Como a maioria dos jovens e crianças têm dificuldades para se locomoverem ao continente, por motivos financeiros e pelos horários das barcas, procuramos levar até eles também as artes (pintura e escultura) para que desenvolvam um olhar crítico e possam compreender que uma obra de arte é uma leitura do mundo ao nosso redor. É uma leitura do artista, mas que eles podem aprender a traduzir essa leitura e tirarem suas próprias conclusões”, completa.

Desde sua fundação já realizou diversas atividades: Exposição de Artes e Literatura, palestra sobre Literatura de Cordel, Roda de Leitura (sobre o escritor Vivaldo Coaracy), Oficina de Aldravias, Mesa Redonda sobre produção literária em e sobre Paquetá, participações em eventos de parceiros, oficinas literárias e de arte, dentre muitas outras.

Oficinas

As oficinas de Katia Pinno são ministradas em diversos locais: escolas, bibliotecas, bienais do livro, feiras literárias, ou qualquer outro local que as pessoas tenham interesse, sendo que o tema e a estrutura variam de acordo com o público-alvo. Nas Bienais e Feiras do livro já realizou contação de histórias para crianças, palestras e Oficinas Literárias sobre contos e crônicas. Em bibliotecas já realizou oficinas literárias sobre contos, crônicas, poesias, contos de fada, voltadas ao público jovem e adulto. As Oficinas Literárias têm a duração de 1 hora e meia em média, sendo que há uma parte teórica, onde apresenta a estrutura (seja do conto, da crônica, da poesia ou do conto de fadas), características, funções e, após essa parte, há um tempo para a criação de um pequeno texto pelos participantes e a leitura dos mesmos.

“A gratuidade ou não das Oficinas varia de acordo com o local. Em geral são gratuitas ao público, sendo que em muitos casos, sou contratada para ministrá-las. Algumas faço como forma de adesão; é o caso da Campanha da Paixão de Ler. Há ainda o trabalho voluntariado que realizo na minha localidade, nas Escolas Municipais e na Biblioteca Escolar do bairro, em iniciativa particular ou pelo Comitê PROLER Paquetá”, explica a escritora.

As oficinas também podem ser direcionadas para os profissionais de educação. “Quando a Oficina é voltada ao público de profissionais, o objetivo é instrumentalizar a pessoa que irá trabalhar com as crianças e jovens. O profissional só não pode esquecer que a leitura deve ser uma atividade prazerosa para as crianças e jovens”, lembra.

A escritora

Katia Pinno é psicóloga e escritora carioca, membro da Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá (AACLIP) e da Associação Profissional de Poetas no Estado do Rio de Janeiro (APPERJ). Estreou na fantasia infantil em 2007, com o livro “Lili, a estrela do mar”. A publicação ganhou o prêmio Adolfo Aizen 2008, da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro (UBE-RJ), e o título “Melhores de 2010”, conferido pelo Congresso da Sociedade de Cultura Latina, categoria Infanto Juvenil. “Comecei minha carreira como escritora a partir da publicação, em 2007, do meu primeiro livro, ‘Lili a Estrela do Mar’. Eu escrevi o texto quando tinha 16 anos”.

O livro conta a história de Lili, uma estrela do mar insatisfeita com a vida que leva e, por isso, recorre à ajuda do Mago das Profundezas para realizar seu maior sonho: ir para o céu, ser uma ‘Star’. Ao chegar, Lili descobre outra realidade e, começa a refletir: qual o caminho que pode nos levar à verdadeira felicidade? O que é realmente importante na vida?

Além do lúdico, a autora passeia por vários gêneros literários. Sua experiência no universo das crônicas e da poesia aconteceu em 2009, com a publicação do livro “Sou Mulher”, dialogando com a intrínseca alma feminina. Seu último livro, “À deriva e outros contos”, foi lançado em 2015 e reúne histórias, memórias e emoções. Hoje, dedica-se também à formação de novos leitores e escritores, ministrando palestras em feiras literárias pelo Brasil.

Quem lê tem tudo para escrever bem

28/5/2016 – 20:36h

A educadora Luana Castro Alves Perez, do portal UOL Educação, dá cinco dicas para quem lê também poder escrever melhor.

A escrita é um exercício que praticamos desde o início da vida escolar. Somos alfabetizados, conhecemos o código, que é a língua portuguesa, mas ainda assim nem sempre sabemos como transformar ideias em textos coesos e coerentes. Isso acontece porque não basta ser alfabetizado, é preciso que sejamos letrados, já que o processo de letramento vai além do processo da alfabetização. Um indivíduo letrado é capaz de ler, compreender, escrever e emitir opiniões críticas e embasadas, habilidades que certamente influenciam na hora de elaborar uma redação.

O hábito de ler é imprescindível para que sejamos indivíduos letrados, capazes de transferir de maneira adequada ideias e argumentos para o papel. Embora existam técnicas que ajudem a melhorar a escrita, você jamais deve subestimar a importância da leitura, pois é por meio dela que criamos um repertório linguístico e cultural que nos fornecerá elementos para uma boa produção textual. Para ajudá-lo(a) a alcançar uma escrita competente, o sítio de Português preparou cinco dicas de redação, dicas simples, mas eficazes. Vamos lá?

Aprimorando a escrita: cinco dicas de redação

Dica 1 → Nunca subestime o poder da leitura: A primeira dica não poderia ser outra, e vamos insistir nessa ideia até que você entenda que não existe um bom escritor que não seja um bom leitor. Você pode até dominar as técnicas, escrever um texto que esteja de acordo com a norma padrão da língua portuguesa, mas isso não significa, necessariamente, que seu texto cumpra de maneira adequada a missão de comunicar. Um bom texto deve apresentar ideias e argumentos capazes de convencer o leitor, e isso só é possível quando possuímos uma bagagem cultural, bagagem essa que pode ser adquirida por meio da leitura. Portanto, nada de pensar que as coisas caem do céu, comece agora mesmo a cultivar o hábito de ler.

Dica 2 → A hora e a vez do leitor: Para quem você escreve seu texto? Essa é uma pergunta que você deve se fazer antes mesmo de começar a colocar as ideias no papel, já que é indispensável adequar a escrita para cada tipo de leitor. Quer ver só um exemplo? Na oralidade, você faz escolhas linguísticas distintas quando precisa falar com uma criança e quando precisa falar com um adulto, não é verdade? O mesmo raciocínio deve ser levado em consideração na modalidade escrita, lembrando que na escrita, especialmente dos textos não literários, você deve eliminar ao máximo os traços de coloquialidade. Outra situação: se o seu leitor for um leitor médio, isto é, um leitor que não esteja tão habituado à leitura, você deverá optar por um vocabulário mais acessível, bem como construções mais simples e períodos curtos. Portanto, lembre-se sempre de que a escrita perde seu valor quando prescinde da comunicação, que é sua função primordial.

Dica 3 → Desenvolva adequadamente seu texto: Aprendemos, assim que começamos a produzir os primeiros textos na escola, que uma redação precisa ter começo, meio e fim, seja qual for o tipo textual. É claro que estamos falando dos textos não literários, já que nos textos literários a licença poética permite formatos inusitados e surpreendentes. Mas se você optar por escrever uma dissertação, por exemplo, que é um texto opinativo, nunca desconsidere a importância de cada uma de suas partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. Parece óbvio, mas muitas pessoas ainda não sabem a importância de cada uma delas, desconsiderando que, sem uma dessas fases, o texto fatalmente ficará sem sentido.

Dica 4 → Cada parágrafo, uma ideia: Se existe um elemento mais problemático do que o parágrafo em uma redação, desconhecemos. Atire a primeira pedra quem nunca ficou em dúvida sobre quando e como iniciar um novo parágrafo, dúvida que na maioria das vezes transforma-se em erro que comprometerá a estrutura textual. Você precisa entender que os parágrafos existem para dar um intervalo entre um assunto e outro dentro do mesmo tema e que eles sempre devem ser desenvolvidos em torno de uma, somente uma, ideia central. Quando você perceber que está falando de outro aspecto do tema que escolheu, é sinal de que deve mudar de parágrafo. Contudo, se ao final da produção textual você percebeu que misturou as ideias, tenha paciência para organizá-las, esse é um exercício fundamental para quem quer escrever bem. Lembre-se sempre de que várias ideias não devem coabitar um mesmo parágrafo.

Dica 5 → Leia seu texto em voz alta: Eis um exercício fundamental para quem quer aprender com os próprios erros, exercício que nem mesmo os exímios escritores dispensam. Ao final de seu texto, leia-o em voz alta e tente entender o que você escreveu. Coloque-se no lugar do seu leitor e fique atento para que nenhum erro passe despercebido. A leitura em voz alta permitirá que você encontre possíveis falhas na concordância e elimine palavras ou ideias repetidas e até mesmo frases inteiras que podem não ser relevantes para seu texto. Não tenha preguiça, essa será a sua última chance de entregar para o seu leitor um texto coerente, coeso e, sobretudo, de leitura agradável.

“Pirulito das abelhas”

27/5/2016 – 16:30h

A fábula de Isa Colli, ilustrações de André Lins e lançada pela Chiado Editora, ajudará os professores nos seus planejamentos dinâmicos, promovendo através da fábrica bem-sucedida das abelhinhas, uma experiência prática de caráter empresarial, realçando a importância dessa aprendizagem nos sistemas de educação e formação.

O “Pirulito das Abelhas” é uma fábula que narra a vida de Vivene e Florine, duas abelhas que habitam Moinho, uma aldeia incrível, onde tudo é perfeito.  A autora Isa Colli estimula a imaginação para que, através de uma viagem ao mundo da fantasia, a criança entre em sintonia com os elementos naturais da vida.

Ela acredita que este processo seja fundamental para o desenvolvimento da personalidade e do emocional pueril. Trata os contos e as histórias infantis como instrumentos de trabalho para o aprendizado cotidiano da garotada, enfatizando o respeito mútuo como fator agregador na sociedade.

Com ilustrações bem cuidadas, uma leitura suave, agradável e confortadora, as abelhas desta história nos ensinam a importância de viver em harmonia com a natureza, alertando para a relevância de se empregar na educação dos nossos filhos os valores do trabalho e dos estudos, nobres ferramentas de cunho essencial para o crescimento pessoal e coletivo.

Escrever um livro não é fácil, agora, falar de Isa Colli, aí está uma tarefa muito difícil! Se eu tivesse que defini-la em uma palavra, seria aguerrida. A cabeça dessa moça necessita está em constante funcionamento, inventando, criando, seja uma tela, um desenho, um conto ou um livro. Tenho o cuidado de escrever a sua história a lápis, pois ela sempre se envolve em coisas diferentes, muda de casa, de país, faz novos amigos, mas o que não muda é a paixão pela vida, o gosto pela arte e escrever.

Ítalo-brasileira, natural do Espírito Santo, é apaixonada por criar artigos educativos. Aposta todas as suas fichas na educação infantil, pois sabe que as mudanças vindouras tão necessárias para a melhoria do planeta, dependem exclusivamente dos nossos pequenos.

Filha de pais simples, foi alfabetizada muito cedo. Tomou gosto pela escrita elaborando redações e inventando histórias para os trabalhos escolares. Viveu parte da sua vida em Cachoeiro de Itapemirim, terra conhecida como celeiro de renomados artistas nacionais e internacionais.  Aos 12 anos de idade, recebeu de presente do pai o seu primeiro diário e nele narrava as experiências do seu cotidiano. Os textos espontâneos revelavam medos, afetos, dificuldades e sucessos, reflexões infantis, sem nenhuma pretensão gramatical, mas, com o passar do tempo, as palavras passaram a fluir mais fácil e hoje Isa passa parte do seu tempo entre os amigos imaginários das suas histórias e histórias.

Páginas Editora, a realização do sonho de uma escritora

25/5/2016 – 20:39h

Leida Reis e o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas de Oliveira, durante lançamento de “O Livro de Cada Um”, no FLI-BH – Foto: Ricardo Bastos

Nasce uma editora. A escritora e jornalista Leida Reis está lançando a Páginas Editora, com foco em histórias de famílias. O diferencial no mercado é que ela se cerca de outros escritores e jornalistas, além de designers gráficos, para levantar, escrever e editar livros contando como se formaram as narrativas reais de famílias que, entre acontecimentos bons e outros nem tão positivos, são hoje donas de histórias relevantes.

Leida Reis é militante da literatura, embora venha atuando, há 26 anos, no jornalismo. É autora de dois livros de contos e dois romances. Sua estreia se deu ainda em 1991, quando lançou “The Cães Amarelos”, uma coletânea de contos em que a loucura permeava a vida das personagens. Em 2010 veio “A Invenção do Crime”, romance policial e filosófico publicado pela Editora Record, com orelha de Moacyr Scliar, que a comparava a Paul Auster. Publicou pela Editora Manduruvá dois livros: “Quando os Bandidos Ouvem Villa-Lobos” (romance – 2012) e “O Livro de Cada Um” (contos – 2015, com apresentação de Carlos de Brito Mello). Participou ainda de duas coletâneas, uma de contos outra de poemas.

A experiência da autora inclui a curadoria do 1º Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), realizado pela Fundação Municipal de Cultura em 2015 – dividida com Afonso Borges e Beatriz Hernaz – evento em que também mediou mesa de debates com os escritores Juan Pablo Villalobos (Colômbia) e Luiz Ruffato. Leida Reis integrou mesa na Bienal do Livro Minas, quando debateu a literatura noir com a escritora Patrícia Melo, em 2010, da Flipoços (Feira Literária de Poços de Caldas), em mesa com o escritor Luís Giffoni , em 2012; do Seminário “Literatura, Vazio e Danação”, na Unimontes, com a escritora Conceição Evaristo (2013). No ano passado, foi mediadora de mesa sobre as bibliotecas comunitárias durante a Festa Literária de Sabará, em razão de ter criado, numa mercearia do bairro Padre Eustáquio, a Mercearioteca. Os livros, para crianças e adultos, são disponibilizados para os clientes da mercearia, representando um incentivo à leitura.

Como jornalista, mesmo atuando em editorias como política, economia e cidades, Leida sempre cobriu eventos literários, tendo ido por quatro vezes à Flip e uma à Bienal do Livro Rio. Agora, com a editora, espera mergulhar mais a fundo na edição de livros. “As histórias de família são o foco da Páginas Editora, mas claro que o trabalho não é restrito a esse tipo de publicação. Estamos no mercado para livros literários de qualquer natureza. Por enquanto, trabalharemos por encomenda, para, dentro de algum tempo, podermos entrar no mercado com publicações próprias”, afirma a autora.

Quando se apaixonou pela literatura, lendo, a partir dos 9 anos, poemas de Cecília Meireiles e Carlos Drummond de Andrade, que Leida tentava recriar em cadernos, ela já pensava em ter sua própria editora. Nascida em Patrocínio, considerou difícil ir para São Paulo onde havia faculdade de Editoração e, ao terminar o terceiro ano do ensino médio, fez opção por História e Geografia, na Universidade Federal de Uberlândia, curso que abandonou no primeiro semestre. Em seguida, veio para Belo Horizonte e se formou em Jornalismo na UFMG, mas nunca esqueceu o desejo de trabalhar com o universo literário.

Proposta nova para o livro

24/5/2015 – 17:56h

Senadora Fátima Bezerra apresentou o projeto que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita.

Foi apresentado no Senado Federal o Projeto de Lei do Senado (PLS) 212/16, da Senadora Fátima Bezerra, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. A matéria foi despachada para Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE). O prazo para apresentação de emendas na CE teve início na última quinta-feira, 19/5, e se encerrará amanhã, 25/5. A proposta já vinha sendo estudada pelo governo Dilma e chegou a ser apresentada, às vésperas de seu afastamento, na Câmara dos Deputados (PL 5270/16) sob autoria do Poder Executivo.

O projeto

O projeto institui a Política como estratégia permanente para a promoção do livro, da leitura, da escrita, da literatura e das bibliotecas de acesso público. A implementação do projeto fica a cargo da União em cooperação com os demais entes federativos, além da sociedade civil e instituições privadas.

Os objetivos:

•   Desenvolver a economia do livro como estímulo à produção intelectual e ao fortalecimento da economia nacional por meio do fomento ao mercado editorial e livreiro, a feiras de livros, a eventos literários e à aquisição de acervos físicos e digitais para bibliotecas de acesso público;

•    Democratizar o acesso ao livro por meio de bibliotecas de acesso público, dentre outros espaços de incentivo à leitura, para ampliar os acervos físicos e digitais;

•    Fomentar a formação de mediadores de leitura, bem como o fortalecimento do estímulo à leitura;

•    Valorizar a leitura por meio de campanhas e eventos de difusão do livro, da leitura, da literatura e das bibliotecas;

•    Promover a literatura e o fomento à criação com ações para autores e escritores por meio de prêmios e intercâmbios;

•    Fomentar pesquisas, estudos e indicadores.

As diretrizes:

•    Universalizar o direito ao acesso ao livro, à leitura, à escrita, à literatura e às bibliotecas;

•    Fortalecer o Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas, no âmbito do Sistema Nacional de Cultura;

•    Articular com as demais políticas de estímulo à leitura, em especial com a Política Nacional do Livro;

•    Reconhecer a cadeia criativa, produtiva, distributiva e mediadora do livro, da escrita, da leitura e das bibliotecas como integrantes fundamentais da economia criativa.

Além disso, determina que o Prêmio VivaLeitura seja concedido no âmbito da Política Nacional de Leitura.

E agora?
O projeto tramita na Comissão de Educação, Cultura e Esporte, em decisão terminativa, dispensando análise do Plenário do Senado, salvo recurso de 1/10.

Ebooks acadêmicos vendidos por capítulo

22/5/2016 – 21:25

Segundo o portal Ebook News, de Eduardo Melo, a brasileira Minha Biblioteca, consórcio formado pelas editoras acadêmicas Grupo A, Grupo Gen, Manole e Saraiva, passará a vender mais de 3.000 ebooks acadêmicos por capítulos ou artigos. Usuários poderão mixar as obras e montar seleções de capítulos, criando ebooks personalizados contendo apenas os trechos que lhes interessam de cada obra. O serviço estará disponível em um novo site, PastadoProfessor.com, atualmente disponível em versão beta para usuários convidados.

A novidade estará online oficialmente no segundo semestre de 2016. Editoras podem solicitar um convite para participar da fase beta, pelo email sales@slicebooks.com.

A tecnologia por trás do site vem da companhia norte-americana Slicebooks, que desenvolveu alguns anos atrás um sistema automatizado, que pega um ebook “inteiro” e o quebra em partes, geralmente capítulos, permitindo a comercialização de fragmentos das obras cadastradas.

Segundo o CEO da Minha Biblioteca, Richardt Rocha Feller, “PastadoProfessor.com (…) é um exemplo formidável de como proporcionar liberdade, a estudantes e professores, para obter o conteúdo que eles precisam, como e quando precisarem”.

Esta é uma tremenda inovação no mercado digital em geral, mas especialmente no mercado brasileiro e nos ebooks acadêmicos. O livro digital, que muitos julgavam estar “comendo poeira” para o mercado impresso, parece mais ativo do que nunca.

A Pasta do Professor, na versão atual, já disponibiliza trechos de obras para alunos e professores – porém, apenas na forma impressa. O portal pastadoprofessor.com.br permite que as editoras disponibilizem os seus conteúdos de forma fracionada e que os professores criem pastas-do-professor virtuais com a seleção de conteúdo das bibliografias de cada disciplina.

Alunos e leitores podem comprar os conteúdos que estão nestas pastas de acordo com a sua necessidade, incluindo ou não outros conteúdos também disponíveis na plataforma. Os valores pagos incluem os direitos autorais e editoriais e os custos de impressão da seleção de conteúdos. É uma alternativa à pirataria, já que permite o consumo de trechos de livros, remunerando autores e editoras.

Retratos da Leitura no Brasil

20/5/2016 – 20:33h

Pesquisa divulgada esta semana pelo Instituto Pró-Livro revela que 104,7 milhões de brasileiros se declararam leitores e os índices de leitura saltaram de 4 livros por ano, em 2011, para 4,97 em 2015.

PublishNews, Leonardo Neto

Aumentou o número de leitores no Brasil. Essa é uma das conclusões da quarta pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada na quarta-feira (18), em São Paulo. Estima-se que 104,7 milhões de brasileiros (ou 56% da população acima dos 5 anos de idade) leram pelo menos partes de um livro nos últimos três meses. Em 2011, quando foi realizada a última edição da pesquisa, esse índice era de 50%. A pesquisa revela ainda que houve aumento nos índices de leitura per capita. Se em 2011, um brasileiro lia quatro livros por ano, em 2015, o índice chegou a 4,96. Os aumentos – tanto da população leitora quanto dos índices de leitura – foram sentidos nas regiões Sul, Sudeste, Centro Oeste e Norte. No Nordeste, a população leitora se manteve estável (51% de leitores) e os índices de leitura per capita caíram de 4,3 livros por ano em 2011 para 3,93 em 2015.

A pesquisa, divulgada a cada quatro anos, segue os parâmetros do Centro Regional para el Fomento del Libro em América Latina (Cerlalc), o que permite a comparação de dados entre os países da região. A Fundação Pró-Livro, realizadora da pesquisa, e o Instituto Ibope Inteligência, quem a executa, em consonância com o Cerlalc, aprimoraram a pesquisa que trouxe algumas novidades em relação a 2011. Entre as novidades, foram introduzidas perguntas com o objetivo de intensificar a avaliação acerca de bibliotecas (incluindo as escolares), do uso de Internet e de leituras e livros digitais.

Para efeitos de metodologia e construção de uma série histórica, foi mantida a definição de leitor como indivíduo que leu pelo menos partes de um livro — em papel, digitais ou eletrônicos e áudio livros, livros em braile e apostilas escolares, excluindo-se manuais, catálogos, folhetos, revistas, gibis e jornais — nos últimos três meses. A coleta de dados foi feita em nível nacional, através de visitas domiciliares. Ao todo, foram 5.012 respondentes.

Leitura e o aumento do grau de escolaridade

A pesquisa comparou os aumentos tanto no número de leitores quanto dos índices de leitura com o aumento da escolaridade do brasileiro. Nas últimas décadas, o Brasil tem experimentado o fenômeno no aumento da escolaridade média da população, com uma redução na proporção e analfabetos e indivíduos com escolaridade até o Fundamental I e aumento da proporção de brasileiros com Ensino Superior e, sobretudo Ensino Médio.

Em 2011, em especial, segundo dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), houve um ponto de inflexão nos níveis de escolaridade do brasileiro. Naquele ano, pela primeira vez, a curva dos brasileiros só com nível do Fundamental I (1º ao 5º ano) se encontrou com a curva dos brasileiros que tinha concluído o Ensino Médio. De lá para cá, as curvas se distanciaram, aumentando o número de brasileiros com Ensino Médio. A última edição da PNAD, em 2014, mostra que 29% dos brasileiros concluíram o Ensino Médio enquanto que 26% têm só até o Ensino Fundamental I. Essa inversão pode ser uma das possíveis explicações da melhoria do perfil de leitura do brasileiro.

“A nossa experiência nos empurra para uma série de lugares comuns e o resultado levemente progressivo deve ser encarado com um ceticismo inicial, mas eu afasto a ideia de que a notícia só é boa se o fato é ruim”, observou José Castilho Marques Neto, ex-secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), um dos convidados para analisar a pesquisa durante o evento. “Os menores esforços empreendidos nos últimos 10 anos começaram a dar seus resultados, mas o que temos hoje ainda é insuficiente e precário. Deixando a nossa síndrome de vira-latas de lado, temos que entender que estamos fazendo a coisa certa. Se não fizermos esse exercício, ficaremos num ceticismo imobilizante”, concluiu.

Compra de livros

Trinta por cento dos entrevistados declararam nunca terem comprado um livro na vida. A pesquisa mostra que, via de regra, quanto maior a escolaridade e a classe social, maior a proporção de compradores de livros. No entanto, chama a atenção que cerca de metade dos estudantes e metade dos leitores não são compradores de livros. Pouco mais de 50% dos entrevistados indicaram o empréstimo – com parentes, conhecidos ou em bibliotecas – como principal meio de acesso ao livro, perdendo inclusive para a compra em lojas físicas ou e-commerces (43%). Vinte e três por cento declararam que a principal forma de acesso é quando são presenteados.

Digital

A pesquisa de 2011 detectou que 81 milhões de brasileiros tinham acesso à internet. Em 2015, esse número subiu para 127 milhões. Sobre as atividades relacionadas à leitura que realizam na internet, os itens mais indicados são: leitura de notícias e informações em geral (52%); estudo e pesquisas para a realização de trabalhos escolares (35%) e aprofundamento no conhecimento a respeito de temas de interesse pessoal (32%). A leitura de livros fica em sexto lugar, com 15%.

Atualmente, a faixa etária dos entrevistados que mais acessam a internet para leitura de livros é a de 18 a 24 anos. A maioria dos leitores de livros digitais é do gênero masculino (53%) e está nas classes B (43%) e C (42%). Na distribuição geográfica, 48% dos leitores digitais estão no Sudeste, 23% no Nordeste, 12% no Sul, 10% no Centro-Oeste e 7% no Norte. O dispositivo mais usado na leitura de livros digitais é o celular ou smartphone (56%), seguido por computadores (49%) e tablets (18). Dispositivos dedicados à leitura, os e-readers, ficaram na lanterninha, com 4% de participação.

A pesquisa perguntou ainda se as pessoas já ouviram falar em livros digitais. Quarenta e um por cento dos entrevistados responderam sim. Desse universo apenas 26% declararam já ter lido um e-book. Dentre os que declararam já ter lido um e-book, 88% disseram que o baixaram gratuitamente. Apenas 15% declararam ter pago pelo livro digital.

Influenciadores de leitura e de compra

A pesquisa mostra que 33% dos respondentes declararam que tiveram influência de alguém para começar a ler. A figura materna – mãe ou responsável do gênero feminino – é a maior influenciadora nesse quesito. Professores e professoras representam 7% e a figura paterna, 4%.

Quando questionados “qual destes fatores mais o influencia na hora de escolher um livro para comprar?”, 55% dos respondentes disseram que o tema ou o assunto é determinante na escolha. Chama a atenção a parcela da população que compra um livro a partir de recomendação de sites especializados, blogs ou redes sociais. Apenas 3% dos respondentes optaram por essa opção, colocando em xeque a figura de blogueiros como grandes divulgadores de livros.

Fonte: http://www.publishnews.com.br/materias/2016/05/19/retratos-da-leitura-mostra-melhoria-no-perfil-do-leitor-brasileiro

“Filhos de Peixe”

18/5/2016 – 20:53h

O título acima é de um livro que será lançado no dia 22 de maio, próximo domingo, às 10h, durante a Primaverinha dos Livros, promovida pela LIBRE, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Estará a venda no estande da Editora Mar de Ideias ao longo do evento e poderá ser encomendado na editora ou em suas distribuidoras após a data.

Até aí, a notícia parece corriqueira. Mas daqui prá frente, o leitor vai perceber que por trás dela tem uma ideia muito legal de incentivo para o surgimento de novos autores, além de uma rica oportunidade de interação entre familiares. São 10 autores mirins, sendo 9 escritores de até 12 anos de idade e um ilustrador de 14 anos. E oito deles já confirmaram presença no lançamento, quando darão autógrafos e falarão sobre seus processos de criação _ está descrito o incentivo.

O que ainda não foi dito ainda é que essas crianças escreveram ao lado de uma espécie de personal-editor e, segundo o dono da boa ideia, o escritor Alexandre de Castro Gomes, presidente da Associação de Escritores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ), essa é a maior diferença entre este livro e outros escritos por crianças: um livro com textos escritos por filhos e netos de autores renomados: “Aproveitamos a experiência dos pais e avós na criação dos textos. Não para ditar os rumos das histórias, até porque o que me interessava era justamente as soluções criadas pelos autores mirins, mas para orientar sobre estrutura narrativa, vícios de linguagem, repetições e passagens desnecessárias que podem alterar o ritmo da leitura.  Os pais e avós foram os primeiros revisores”, explica.

O escritor cita a experiência com sua filha: “É natural que os filhos queiram experimentar o trabalho dos pais. Foi assim aqui em casa. Minha filha Nina criou seu primeiro livro aos 5 anos de idade. Ela desenhou uns monstrinhos, grampeou tudo e me contou a história até o fim, apontando para cada desenho enquanto me ditava maravilhas inocentes. Passou anos me pedindo ajuda para publicar. Mudou uma coisa ou outra. Trocou o título, deu outro destino aos personagens, desenvolveu a trama. No final tinha um texto inteligente, engraçado e muito interessante. Nesse meio tempo dei sugestões. Falei sobre a importância de trabalhar a construção do enredo, incluindo apresentação, conflito, clímax e desfecho”.

E conta como surgiu a ideia de “Filhos de Peixe”: “No final do ano passado encontrei a editora Daniella Riet em um lançamento e comentei sobre o texto da minha filha. Na hora pensei na autora Alessandra Roscoe, que publicou uma obra junto com sua filha mais velha. Sugeri que lançássemos um livro com textos escritos por filhos e netos de autores. Busquei autores amigos com filhos de até 12 anos de idade. Convidei meu filho Guigo para ilustrar. O resultado é um livro que combina a imaginação infantil com a experiência dos veteranos. Uma obra sem similar no Brasil, que surpreende pela ousadia e pela qualidade literária”, conclui o escritor.

Quem são os pequenos escritores e seus personal-editors

Nina Gomes lida com o bullying através do humor negro (O menor monstro do planeta Rof). Filha do escritor Alexandre de Castro Gomes e da ilustradora Cris Alhadeff.

André Cunha, em um texto muito bem humorado, compara uma tartaruga a um abacaxi (A tartaruga que confundiu o pai com um abacaxi). Filho do escritor Leo Cunha.

Amelie Nina descreve a versão da maçã de uma história que já ouvimos falar (A famosa maçã da princesa).  Filha de Cláudia Nina.

Nina Krivochein descobre uma barata super diferente (Bete, a barata). Filha de Joana Cabral.

Olívia Milliet Lisboa apresenta um mundo perfeito para uma criança com baixa tolerância à lactose (Olivialândia). Neta de Luiz Antonio Aguiar.

Lucas Benevides nos presenteia com uma prosa poética (Leandro, seu macaco João e a história da fruta-pão).  Filho de Ricardo Benevides.

João Victor Souza nos envolve com o mistério de uma moeda (O tesouro de Tom). Filho de Otávio Cesar Jr.

Luiza Roscoe Cavalcante revela o sonho de estrelas (A estrela do mar que não sabia nadar e nem queria).  Filha de Alessandra Roscoe.

Guilherme Albuquerque é chegado em um cachorro falante (Barney, o cachorro poliglota). Neto de Luciana Savaget.

Guigo trabalha ângulos diferentes e tempera tudo com cores e sombras, mostrando uma técnica admirável. filho da ilustradora Cris Alhadeff e do escritor Alexandre de Castro Gomes.

O pequeno escritor Dedé e seu 'personal-editor', papai Leo Cunha - Foto: Divulgação

Literatura pulsa na família

O escritor, professor e jornalista Leo Cunha, nome consagrado na literatura infantil e para jovens, é filho de Antonieta Cunha, outra referência no Brasil. Ela é doutora em literatura, foi professora universitária até se aposentar na UFMG. Escreveu vários livros didáticos e teóricos. Foi fundadora e proprietária da livraria e da editora Miguilim, das quais se desligou há mais de 20 anos. Continua atuando, eventualmente, como editora. Foi criadora e primeira diretora da Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Beagá. Foi Secretária Municipal de Cultura, de BH, em duas oportunidades.  A irmã de Leo, Ana Carolina Antunes Cunha de Oliveira (ela assina as traduções como Ana Carolina Oliveira) também está na área da literatura: é tradutora e já traduziu vários livros, para editoras como Autêntica, Record, Dimensão, Nemo, Rovelle, entre outras.

A revelação, agora, é André Cunha, filho que o Leo chama carinhosamente de Dedé: ele tem 7 anos e é o caçulinha. O pai conta que desde os 2 anos ele estuda no Balão Vermelho, escola que valoriza muito as artes, e em especial a literatura. Todo ano tem uma Feira de Livros muito bacana no Balão, a “Giroletras”, e a diretora da escola já convidou o Dedé pra fazer um lançamento do “Filhos de Peixe”, na próxima edição da feira.

Leo prossegue: “Costumo ter um pé atrás com livros publicados por crianças. Nem sempre funciona, a meu ver, pois as crianças são muito imaginativas, criativas, divertidas, mas não têm ainda traquejo na construção de um texto literário: como elaborar a estrutura narrativa, os personagens, a linguagem. Por isso achei muito interessante a ideia do Alex Gomes, de reunir vários filhos (ou netos) de escritores e propor que cada um escrevesse uma história, mas com o acompanhamento do escritor da família. É isso que eu tenho chamado, na brincadeira, de “personal editor”: cada criança teve alguém bem próximo – pais ou avós – que pôde dar essa consultoria e ajudar na condução do texto. O mesmo valeu para o Guigo, que fez as imagens, pois a mãe dele é a ilustradora Cris Alhadeff”.

Dedé e Leo

Enquanto Dedé ia criando e escrevendo sua história “A tartaruga que confundiu o pai com um abacaxi”, o pai explica que foi fazendo perguntas e provocações para ele: “assim como faço em oficinas literárias para crianças. Coisas do tipo: onde a personagem (a tartaruga) estava? O que ela pensou nesse momento? O que aconteceu então?”

Por outro lado, Dedé gostou da experiência: “Achei muito legal, porque eu ainda estou começando a escrever e já escrevi uma história pra um livro. Na escola, eu já escrevi histórias também, mas é em grupo. A gente faz recontos de livros. Alguns colegas e pais dos colegas já leram minha história e gostaram muito”.

Dedé é um bom leitor e aponta os livros que mais gosta: os dos irmãos Grimm, “Histórias de bobos, bocós, burraldos e paspalhões” (Ricardo Azevedo),  “As aventuras do pequeno Nicolau” (Sempé e Goscinny) e  “Vira-lata” (do meu pai, junto com o Luiz).

Sobre a expectativa de Dedé ou a filha Sofia também se alinharem com a literatura conforme parece ser a tradição familiar, Leo explica: “Eu já adianto que não tenho expectativa de que o Dedé ou a Sofia (que já está com 16 anos) venham a ser escritores quando adultos. Ambos gostam de livros, filmes, música, mas não vejo neles – ainda, pelo menos – o prazer imenso que eu tenho em criar histórias, poemas ou crônicas, o gosto de ficar horas a fio pensando numa frase, num personagem, no ponto de vista de uma narrativa. A Sofia é uma grande contadora de causos, mas acho que o talento dela é mais teatral do que literário”.