“Birigüi: a história é narrada sob o ponto de vista do menino”

31/5/2016 – 21:06h

Entrevista

Maurício Meirelles – Escritor

Escritor Maurício Meirelles: “São os silêncios das palavras que me atraem e, nos textos, suas brechas, seu ritmo” - Foto: Rodrigo Sampaio

Rosa Maria: Esta é uma história para o público infantil?

Maurício Meirelles: O Birigüi é um livro ilustrado que alcança também o público infantil. Trata-se de uma estória vista sob o ponto de vista de uma criança (Birigüi), voltada também para o público infantil, mas não limitada a ele.

RM: Comente sobre este personagem, que parece ser muito especial.

MM: Birigüi é um menino que teria seus 7- 8 anos de idade. A história é narrada sob o ponto de vista do menino, levado a viver uma experiência de iniciação pelo pai caçador. O pai decide levá-lo, pela primeira vez, para uma caçada ao veado, junto com o irmão mais velho (Dito), já iniciado nesse tipo de prática. Birigüi, em seu íntimo, recusa essa experiência, mas se vê obrigado a participar. Dessa recusa íntima, por amor aos animais, e uma relação complexa com o pai, emergirão os conflitos que perpassam a estória.

RM: Como surgiu essa história? Conte um pouco sobre ela.

MM: Procurei narrar uma experiência de iniciação forte, vivida por uma criança, que observa o mundo e as relações humanas com sensibilidade e doçura. Fiz o possível para que meu juízo não interferisse no curso da estória, tentando me colocar “sob a pele” do menino. Não sei se consegui…

RM: Como foi a produção das imagens ou das ilustrações?

MM: As ilustrações são do Odilon Moraes, autor renomado de livros ilustrados. As imagens, de certa forma, são a interpretação dele da estória do Birigüi, sendo que eu não interferi de nenhuma maneira em seu trabalho. Aqui cabe uma informação importante: o livro foi concebido como um álbum ilustrado, onde texto e imagem dialogam, criando conjuntamente a narrativa final. Ou seja, a ilustração não está “a serviço” do texto; antes, as duas linguagens interagem para o efeito final da estória sobre o leitor.

RM: O que você e a Editora Miguilim estão preparando para o lançamento, dia 4 de junho, na Quixote Livraria?

MM: O acesso ao evento é gratuito e livre para todas as idades, de 11:00 às 14:00h. O escritor e o ilustrador ficarão disponíveis ao longo de todo o evento para bater um papo com os interessados. Além de sessão de autógrafos, quem adquirir o livro por lá leva um exemplar exclusivo: a capa será pintada na hora pelo ilustrador Odilon Moraes e o título será gravado com carimbo a fogo pelo editor da Miguilim, Alexandre Machado.

RM: Quais os caminhos que deve tomar o livro, após este lançamento?

MM: Bem, os livros escolhem seus próprios caminhos… De nossa parte, já estamos pensando no próximo lançamento, que ocorrerá na Flipinha 2016, um evento voltado para o público infantil e infanto-juvenil dentro da programação da FLIP 2016.

RM: Fale um pouco sobre sua carreira e sua obra.

MM: Sou arquiteto de formação e profissão. Na arquitetura, minha inspiração está nos vazios encontrados nas construções. Como escritor, são os silêncios das palavras que me atraem e, nos textos, suas brechas, seu ritmo. Birigüi é meu primeiro livro individual (o texto), com ilustrações de Odilon Moraes, e está sendo lançado pela Editora Miguilim, que acreditou no projeto e o apoiou desde o início.

Minha primeira publicação, um conto, foi feita no Suplemento Literário do Minas Gerais (SLMG) em 2011, pelo Jaime Prado Gouvêa. No mesmo ano, participei da antologia Oficina da Palavra, organizada por Dagmar Braga e lançada pela Editora Asa de Papel. Tive textos publicados pelas revistas literárias Pessoa, com curadoria de Carlos Henrique Schroeder, e Germina, editada por Silvana Guimarães. Participei também de eventos e festivais literários, como mediador, e meu interesse pelas demais linguagens da arte me levou a desenvolver trabalhos em colaboração com outros artistas, como o duo musical O Grivo (Galeria Oi Futuro: Belo Horizonte, 2013).