Páginas Editora, a realização do sonho de uma escritora

25/5/2016 – 20:39h

Leida Reis e o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas de Oliveira, durante lançamento de “O Livro de Cada Um”, no FLI-BH – Foto: Ricardo Bastos

Nasce uma editora. A escritora e jornalista Leida Reis está lançando a Páginas Editora, com foco em histórias de famílias. O diferencial no mercado é que ela se cerca de outros escritores e jornalistas, além de designers gráficos, para levantar, escrever e editar livros contando como se formaram as narrativas reais de famílias que, entre acontecimentos bons e outros nem tão positivos, são hoje donas de histórias relevantes.

Leida Reis é militante da literatura, embora venha atuando, há 26 anos, no jornalismo. É autora de dois livros de contos e dois romances. Sua estreia se deu ainda em 1991, quando lançou “The Cães Amarelos”, uma coletânea de contos em que a loucura permeava a vida das personagens. Em 2010 veio “A Invenção do Crime”, romance policial e filosófico publicado pela Editora Record, com orelha de Moacyr Scliar, que a comparava a Paul Auster. Publicou pela Editora Manduruvá dois livros: “Quando os Bandidos Ouvem Villa-Lobos” (romance – 2012) e “O Livro de Cada Um” (contos – 2015, com apresentação de Carlos de Brito Mello). Participou ainda de duas coletâneas, uma de contos outra de poemas.

A experiência da autora inclui a curadoria do 1º Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), realizado pela Fundação Municipal de Cultura em 2015 – dividida com Afonso Borges e Beatriz Hernaz – evento em que também mediou mesa de debates com os escritores Juan Pablo Villalobos (Colômbia) e Luiz Ruffato. Leida Reis integrou mesa na Bienal do Livro Minas, quando debateu a literatura noir com a escritora Patrícia Melo, em 2010, da Flipoços (Feira Literária de Poços de Caldas), em mesa com o escritor Luís Giffoni , em 2012; do Seminário “Literatura, Vazio e Danação”, na Unimontes, com a escritora Conceição Evaristo (2013). No ano passado, foi mediadora de mesa sobre as bibliotecas comunitárias durante a Festa Literária de Sabará, em razão de ter criado, numa mercearia do bairro Padre Eustáquio, a Mercearioteca. Os livros, para crianças e adultos, são disponibilizados para os clientes da mercearia, representando um incentivo à leitura.

Como jornalista, mesmo atuando em editorias como política, economia e cidades, Leida sempre cobriu eventos literários, tendo ido por quatro vezes à Flip e uma à Bienal do Livro Rio. Agora, com a editora, espera mergulhar mais a fundo na edição de livros. “As histórias de família são o foco da Páginas Editora, mas claro que o trabalho não é restrito a esse tipo de publicação. Estamos no mercado para livros literários de qualquer natureza. Por enquanto, trabalharemos por encomenda, para, dentro de algum tempo, podermos entrar no mercado com publicações próprias”, afirma a autora.

Quando se apaixonou pela literatura, lendo, a partir dos 9 anos, poemas de Cecília Meireiles e Carlos Drummond de Andrade, que Leida tentava recriar em cadernos, ela já pensava em ter sua própria editora. Nascida em Patrocínio, considerou difícil ir para São Paulo onde havia faculdade de Editoração e, ao terminar o terceiro ano do ensino médio, fez opção por História e Geografia, na Universidade Federal de Uberlândia, curso que abandonou no primeiro semestre. Em seguida, veio para Belo Horizonte e se formou em Jornalismo na UFMG, mas nunca esqueceu o desejo de trabalhar com o universo literário.