Flip e Flipinha recriam Paraty

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Quando se fala de Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, e seu desdobramento infantil, a Flipinha, logo, imaginamos a cidade histórica carioca transformada para receber turistas (que adoram o evento) e principalmente escritores, ilustradores, editores, narradores de histórias, leitores. A literatura vai para as ruas e o público sai de casa para buscar pela literatura.

Paraty muda de visual: para as crianças, são criados os Pés de livros, tendas de espetáculos e varais de histórias; a Praça da Matriz e outros espaços do centro histórico ganham cenários criativos para a realização da intensa programação desta que é considerada a maior festa literária da América Latina.

A 14ª edição da Flip acontece de hoje, 29 de junho, a 3 de julho, mais uma vez, com curadoria do experiente Paulo Werneck. Gente de origens distintas, todas as classes sociais e diferentes faixas etárias circulam pela cidade durante todos os dias do evento atrás de novidades, de espetáculos, de livros.

A autora homenageada é a poeta Ana Cristina Cesar, expoente do movimento Poesia Marginal. O jornal Nexo apurou que nesta edição da Flip, as escritoras conquistaram muito mais espaço e são 44% dos participantes na Tenda dos Autores, o palco principal do evento. Proporção bem maior do que a de 2015 e 2014, de 26% e 19% respectivamente. Também estão representadas pela homenageada da Festa, a poeta Ana Cristina César. Antes dela, uma única mulher – Clarice Lispector, em 2005 – havia sido homenageada em 14 edições do evento.

A mudança é resultado de uma postura ativa da organização da Flip em convocar mais escritoras, mas também da mobilização de coletivos feministas. Militantes destacam, no entanto, que escritoras e escritores negros ainda continuam à margem.

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Especial para crianças

A Flipinha, por tradição, ocupa Paraty com encontros literários, oficinas e outras atividades culturais e este ano instala, em uma tenda na Praça da Matriz, parte do acervo de 15 mil livros da Biblioteca Casa Azul. A Praça da Matriz abriga ainda os Pés-de-livro, instalações em que obras literárias ficam à disposição dos pequenos leitores nas árvores, assim como uma diversificada programação cultural.

Um destaque é a Roda de Conversas com as autoras Selma Maria e Angela-Lago, além da garota Yasmin Ziganshin, mais jovem escritora a participar da Flipinha. Atividades musicais com rodas de tambores infantis, tapetes gigantes que formam festivos labirintos, oficinas de desenho, roda de capoeira, bate-papos literários, contação de histórias, shows e esquetes teatrais estão entre as atividades realizadas.

A Casa da Cultura Câmara Torres é onde acontece a Ciranda dos Autores _ uma das atividades mais apreciadas pelas crianças _ por causa dos encontros com escritores e ilustradores do universo infantil e juvenil. Esses convidados são conduzidos a escolas paratienses pela Operação Flipinha, quando os estudantes têm a oportunidade de conversar com os autores em sala de aula.

Escolas, ONGs e outras instituições de Paraty e região também desenvolvem atividades para a programação. Na Mostra educativa, os estudantes criam espetáculos de dança e música, assim como exercícios pensados a partir da obra dos convidados da Flipinha.

Entre os quatorze nomes de autores confirmados para a Flipinha estão Lázaro Ramos, Angela-Lago, Celso Sisto, Laura Castilhos, Ernani Ssó, Estêvão Marques e a dupla Palavra Cantada. A curadoria das mesas é de Anna Claudia Ramos e Verônica Lessa. A Flipinha é o resultado de um trabalho permanente desenvolvido na região. Atividades de formação de mediadores de leitura, apresentação dos autores convidados a professores e educadores e incentivo à leitura entre jovens e crianças são algumas das ações que constroem os seis dias de evento.

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