O leitor da Educação Infantil (2)

O leitor da Educação Infantil

A Editora Dimensão encontrou um jeito muito esclarecedor para pais e professores, ao divulgar o seu catálogo de livros infantis nas redes sociais: dividiu o leitor por idade e ressaltou o seu aspecto psicológico, ou seja, como a criança reage à cada fase e quais são as suas preferências. Abaixo, acompanhe os posts da série “O leitor da Educação Infantil”.

3 a 6 anos

O leitor da Educação Infantil (1)Nessa fase, a construção do leitor se acentua. A criança já é capaz de selecionar os livros que a atraem. Continua gostando de ouvir histórias e gosta da repetição de suas preferidas. Os livros continuam a interessá-la através do reconhecimento de suas vivências. É o que procura na história e na imagem, não se interessando ainda por situações novas.

Por volta dos 4 ou 5 anos, passa a curtir frases que repetem elementos (como nas histórias cumulativas), sons onomatopaicos. Além das personagens com quem se identifica e dos animais, começa a se interessar pelos fenômenos da natureza, como a chuva ou o vento. Passa a apreciar as travessuras dos personagens e é atraída, em histórias ainda singelas, por alguns conflitos como o do gato e o rato ou Chapeuzinho e o lobo.

No final dessa fase, já está em contato com a alfabetização. Está tentando ler livros simples e fáceis, onde possa fixar suas habilidades ainda precárias. Esses livros – que manuseará sozinha – devem ter letras ou tipos gráficos grandes, frases curtas e estruturas gramaticais simples. Ao mesmo tempo é ouvinte atenta de histórias, que o professor e os pais leem para ela.

Nesse caso, as histórias não precisam ter tipos gráficos ou letras grandes, nem frases tão curtas. Nem mesmo palavras mais difíceis devem ser evitadas, nessa leitura intermediada. É uma maneira de a criança ir se familiarizando com a língua escrita e o padrão culto da linguagem (o que não quer dizer rebuscado ou pedante). Nessa fase, interessa-se por mitos e fantasia, como bruxas, fadas, duendes e gigantes. Por outro lado, gosta também de máquinas (computadores, TV, máquinas malucas) vistas como instrumentos que mudam e transformam as coisas. Em geral, desde os 5 anos, já tem noção do universo (planetas, seres extraterrestres).

6 a 8 anos – o leitor do 1°, 2° e 3° ano, em plena alfabetização

A criança que ainda está na fase inicial da alfabetização não é um leitor autônomo. A leitura pode ser embaraçosa se o contexto e/ou as imagens não apresentarem pistas suficientes para a apreensão de palavras ou expressões não familiares ao leitor. Nessa faixa de idade, já gosta de aventuras, conflitos que pressupõem personagens antagonistas, desafios, histórias de medo e sustos, quando as aflições devem ser superadas. Aprecia o humor e mergulha, a partir dos 8 anos, na idade de ouro da fantasia. É quando mais se fascina com histórias maravilhosas.
8 a 10 anos – o leitor do 4° e do 5° ano, ganhando autonomia

O leitor da Educação Infantil (2)Nesta fase, sua leitura já é sintática. É capaz de ler e compreender porções completas de textos de leitura fácil. O apoio da ilustração ainda é importante. A criança começa a se interessar por ecologia e problemas sociais. Pode curtir temas mais tristes e românticos, embora precise sempre de ter reforçadas sua esperança e a celebração da vida. Nessa fase, geralmente meninas se ligam mais em histórias de princesas e nos temas de amor, e meninos se inclinam pelos esportes, aventuras com mais ação, ficção científica.

10 a 12 anos – o leitor do 6° e do 7° ano, o fôlego para o texto longo

É a fase do desenvolvimento da leitura, passando da leitura sintática para a crítica. Já deve haver maior extensão e complexidade dos textos. Pré-adolescente, é atraído pelos temas ligados a esse momento que vive: a passagem às vezes conflituosa da infância para a adolescência, que acontece mais precocemente com as meninas. Os meninos ainda gostam de ação e aventura, e as garotas são mais adeptas das histórias de amor. Os garotos, nessa idade, também são suscetíveis ao tema, mas resistem a um tratamento açucarado. Problemas familiares e sociais, principalmente quando podem localizá-lo no seu dia a dia, merecem sua reflexão.

12 a 14 anos – o leitor do 8° e do 9º ano, a leitura crítica e elaborada

Já é capaz de realizar a leitura crítica. Assimila ideias, que reelabora a partir da própria experiência em confronto com sua leitura. Conflitos, de natureza psicológica e social, proporcionam debates e posicionamentos do jovem frente à vida e ao mundo. Pode, aos poucos, ser apresentado a uma literatura de teor mais adulto e contemporânea, evitando-se textos mais herméticos ou muito complexos, que exijam maturidade e experiência que ainda não detém. O impulso natural do professor de trabalhar com seus autores preferidos deve ser cuidadosamente avaliado, em função das características do aluno.

O leitor de mais de 14 anos está, em tese, capacitado a uma leitura crítica e independente. Progressivamente, deve ser apresentado à literatura adulta e, pouco a pouco, aos textos de nossos autores clássicos. Os gêneros da narrativa devem ser familiarizados através da sequência crônica/conto – novela – romance. Os poemas devem ser introduzidos a partir de autores contemporâneos e que falem do cotidiano ou dos sentimentos universais. O texto dramático deve seguir a mesma linha.

As atividades teatrais e em torno de poemas são especialmente apreciadas pelos jovens. A primeira contribui muito para atenuar a inibição comum nessa fase, e os poemas, que extravasam e organizam emoções, são criados com muita frequência, ainda que nem sempre divulgados. Sempre que possível, professores e responsáveis pela biblioteca devem incentivar as iniciativas em torno desses gêneros.

Texto integrante do Catálogo da Editora Dimensão – Para conhecer: http://www.editoradimensao.com.br/.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *