“Vossa Senhoria”

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O título do post de hoje não é de um livro infantil. É nome do menor jornal do mundo, com apenas 3,5cm por 2,5cm, mas nem por isso é dedicado exclusivamente às crianças. É leitura pra gente grande e exigente. Maior de idade, o famoso jornal tem história e 81 anos, desde a sua criação.

Vossa Senhoria será relançado neste sábado, 20/8, às 10h, como parte da programação da Feira Literária de Divinópolis (Flid), que acontece nesta cidade mineira até domingo. O jornal voltará a circular, em edições mensais, de 26 páginas, em Divinópolis e será vendido por R$ 5, com assinatura anual, 12 exemplares, por R$ 60. Vossa Senhoria será enviado pelo correio, embrulhado em um saquinho plástico transparente.  Inicialmente, o foco é entregar a nova edição aos antigos assinantes.

A jornalista e escritora Leida Reis (foto) é a nova editora e é quem assina o artigo, que publicamos abaixo, com exclusividade.

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O jornalismo vive e faz a história continuar

Leida Reis

Imagine receber o convite para reeditar um jornal com 81 anos de história, que atravessou eras, enfrentou a censura e ganhou destaque internacional. Dizer que o Vossa Senhoria, com seus 3,5cm por 2,5cm, é um dos menores jornais do mundo, como foi atestado pelo Guinness Book em 2000, é reduzi-lo.

Muito mais, muito maior que suas dimensões compactas, o Vossa Senhoria é um pedaço da história do jornalismo brasileiro. E trazê-lo de volta é um desafio, mas também é resgate. Porque o jornal criado por Leônidas Schwindt em 1935, censurado pelo governo federal em 1955, e encerrado em 1956, depois de circular em diversas cidades do país, é um patrimônio histórico da nossa memória.

A verdade é que não é a primeira vez que o Vossa Senhoria volta para seus cativos leitores.

Em 1985, três décadas após seu encerramento, dirigido por Dolores Schwindt, filha de Leônidas, o Vossa Senhoria ganhou novas proporções. Com apenas 3,5cm por 2,5cm, o jornal foi considerado o menor do mundo, sendo devidamente registrado no Guinness Book no ano 2000.

Neste período o número de assinantes chegava a 5 mil, cerca de 2% do exterior. Não é exagero dizer, portanto, que o relançamento também resgata a surpreendente criatividade do brasileiro Leônidas Schwindt, causadora de espanto e admiração lá fora.

É ciente do significado histórico e simbólico, temperado por tempos de crise do jornalismo, que se depreende grande esforço para corresponder à expectativa. O conteúdo do jornal inclui de receita de coxinha light à política e economia, com direito a correspondentes internacionais. A charge também está presente.

Termino com agradecimento profundo a Milton Nogueira, que me convocou para a empreitada, e a Leonice Schwindt, na pessoa de quem saúdo o fundador dessa joia rara, o pequeno grande Vossa Senhoria! Que a memória de Leônidas seja reverenciada por quem sabe ser o jornalismo imprescindível em qualquer tempo.

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