“Cordel do Rio Chico”

Sábado, dia 24/9, às 10h30, o escritor, compositor e jornalista Jorge Fernando dos Santos vai autografar o seu novo livro “Cordel do Rio Chico”, em Belo Horizonte, na livraria Paulus da Rua da Bahia, 1148. Se, antes da novela Velho Chico, o nobre rio ainda passava despercebido para muitos brasileiros, agora, certamente, não. Por isso o livro chega num momento importante para ajudar o leitor a sair da ficção e começar a refletir sobre a realidade do Rio São Francisco.

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O cordel parece ser a melhor forma de expressão para o Rio São Francisco. A novela trouxe o rio para dentro dos lares brasileiros e a obra infantojuvenil de Jorge Fernando dos Santos nos leva a soltar a imaginação e adentrar pelas belas águas e também pelos problemas atuais do Rio Chico. Em 32 páginas, o autor aborda as questões que levaram o Velho Rio São Francisco às condições em que se encontra atualmente. O rio, que sempre foi fonte de vida para muitas pessoas, para a fauna e a flora da região, pede ajuda para manter–se vivo e vigoroso.

“Sob a ponte havia um rio, / Um rio chamado Chico, / E só de pensar eu fico / Com a alma por um fio./ Sua vida de apagou / Como se fosse um pavio”…

“Restam pedras o seu leito, / Rochas talvez milenares / Esculpindo feito altares / Por cinzel quase perfeito./ As águas as encobriam e enxergar não tinha jeito”…

O prefácio do livro, “Um rio com nome de santo”, apresenta o cenário atual: o São Francisco abrange cinco Estados brasileiros e é o maior rio cujas águas correm totalmente no território nacional. Com 2,8 mil quilômetros de extensão, ele nasce na Serra da Canastra, no município mineiro de São Roque de Minas, e escoa no sentido sul-norte pela Bahia e Pernambuco. Depois altera o curso para o sudeste, chegando à foz no oceano Atlântico, onde divide os Estados de Alagoas e Sergipe. Ao longo de seu percurso, o Velho Chico se divide em quatro trechos: o alto São Francisco, que vai das cabeceiras até Pirapora(MG); o médio, de Pirapora até Remanso (BA);o submédio, de Remanso até Paulo Afonso (BA); e o baixo, de Paulo Afonso até a foz. O clima no alto é úmido, com bom índice de chuvas. À medida que ele penetra na região semiárida, seu índice fluvial sofre drástica redução e o clima se torna seco. Na região da foz, ocorre maior quantidade de chuvas.

A bacia hidrográfica ocupa uma área de 641 mil quilômetros quadradros. Além dos Estados percorridos pelo São Chico, ela abrange Goiás e o Distrito Federal. A vegetação ao longo do curso apresenta características do cerrado, caatinga e mata atlântica. A bacia é também formada por 168 afluentes, muitos deles temporários, alguns quase extintos. Na margem esquerda estão os rios Abaeté, Paracatu, Urucuia, Carinhanha, Corrente e Grande. Na margem direita ficam o rio das Velhas, Pará, Paraopeba e Verde Grande. Conhecido como “rio da unidade nacional”, o Chico é muito importante para o desenvolvimento do Nordeste.

A economia ribeirinha é baseada na pesca e na agropecuária. A maior parte do seu leito oferece boas condições de navegação. Sua fauna apresenta peixes de variadas espécies, como o surubim, dourado, piau, curimatã-pacu e pacamã. Agravada pela poluição, pela presença de grandes usinas hidrelétricas e, principalmente, pela destruição do cerrado e das matas ciliares, a condição do Velho Chico tem piorado a cada ano, modificando a paisagem, o meio ambiente e o clima à sua volta.

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“O barqueiro desistiu / De fazer a travessia. / Corredeira que havia, / Nunca mais ninguém viu./ Cachoeira já não queda,/ Agonia o tamboril.”…

“Velho Chico se cansou de tanto ser explorado. / De tanto ser maltratado / Do leito se retirou. / Suas águas não secaram, /Ele apenas se mudou”…

 

Jorge Fernando dos Santos (foto) tem mais de 70 músicas gravadas e 40 livros publicados, entre eles Palmeira Seca (Prêmio Guimarães Rosa de romance e tese de mestrado na Itália) e o Rei da rua, ambos adaptados para minisséries de TV. Em 2015 foi finalista do Prêmio Jabuti, com o livro Alguém tem que ficar no gol, e publicou a biografia Vandré – O homem que disse não.

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