Explosão na venda de livros infantis na China

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A notícia que nos chega, através da Publishers Weekly, diz que o mercado de livros para crianças na China está embalado e não há sinais de que vá parar tão cedo. Essa percepção era consensual entre os visitantes da Feira Internacional do Livro Infantil de Xangai (CCBF, do nome em inglês). Números gigantescos e circunstâncias nada comuns convergem para criar um segmento em expansão: 370 milhões de crianças abaixo dos 18 anos. Além disso, a classe média chinesa que cresce muito rapidamente – cobrindo 70% da população urbana, ou 200 milhões de pessoas – está aumentando sua influência no mercado ao se tornar mais exigente, conhecedora, sofisticada e dando sua opinião.

Editora brasileira conquista o mercado asiático

A Câmara Brasileira do Livro, por sua vez, dá exemplo de estratégia de uma editora brasileira que está  conquistando leitores na China, Taiwan, Coreia do Sul e Malásia e se preparando também para repetir o feito no Oriente Médio, tendo a Turquia e o Líbano como portas de entrada.

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Em 2013, Antonio Erivan Gomes participou da Feira do Livro de Bolonha representando a Cortez, uma editora brasileira. Ele soube de algo que iria mudar a estratégia de sua companhia: a China iria acabar com a “política do filho único”, implantada no país por muitas décadas. E teve um insight. Em poucos anos, a China vivenciaria o nascimento de 40 milhões de crianças – uma nova geração de leitores consumidores. A Cortez, vale mencionar, é uma editora que opera parcialmente com foco em livros infantis.

Porém, vislumbrar um potencial em fazer negócios com a China não significa exatamente a mesma coisa que estar de fato presente no mercado. Então, como foi que a Cortez alcançou as editoras chinesas? A estratégia adotada por ela foi um sucesso comprovado. A empresa utilizou intensamente a sua rede construída ao longo dos anos em que esteve participando de feiras de livros. A Cortez falou com pessoas que sabiam o quanto a editora era séria e se dedicou também a quem pudesse ajudá-la a penetrar no mercado chinês. Porém, o trabalho estava longe de acabar.

“No início, nós tivemos alguns obstáculos no caminho. Para começar, nós conseguimos um acordo com uma editora chinesa, mas ele foi cancelado devido a problemas de comunicação”, explica Gomes. “Nossos autores ficaram realmente frustrados”, ele continua, “já que eles estavam interessados em serem traduzidos para o mandarim”.

Outra ferramenta para ser bem-sucedido no mercado asiático é estar fisicamente presente. “Eu fui à China pelo menos quatro vezes nos últimos anos”, explica Gomes. Sua estratégia tem valido muito a pena, já que seus livros têm alcançado não apenas os leitores chineses, mas também os amantes de livros em Taiwan, Coreia do Sul e Malásia.

O processo de venda dos direitos editoriais, para um livro finalmente chegar às lojas asiáticas, leva em torno de 18 meses. Os livros que já estão circulando comercialmente têm sido publicados em maior escala do que apenas no Brasil.

Antonio Erivan Gomes explica que pequenos ajustes tiveram que ser feitos para superar barreiras culturais e facilitar a recepção dos livros de sua empresa, “porém nada que tenha mudado a alma do trabalho”, ele garante. “As histórias da Cortez são sofisticadas, porém universais, e, portanto, de fácil comunicação com pessoas de todo o mundo”.

O sucesso delas no mercado asiático motivou a Cortez a focar mais suas atividades em mercados não tradicionais – países que podem estar abertos a receber histórias de autores brasileiros. Agora, a Cortez já prevê que suas histórias brasileiras serão vendidas no Oriente Médio, tendo a Turquia e o Líbano como portas de entrada.

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