Tão blogueira quanto a tia coruja

Ela se chama Camila Fontes Fialho, tem 12 anos de idade e estuda no Colégio Santo Antônio, onde este ano faz o 7° período. A personagem que o blog apresenta hoje lê, lê muito e lê com gosto, desde que se alfabetizou. Sou testemunha deste hábito, pois ela é minha sobrinha. Camila lê dentro do carro, de volta da escola ou indo passear ou a qualquer lugar; lê em casa, na praia, durante as viagens. Ler para ela é como mastigar chicletes para muitas crianças.

Resultado: apesar da pouca idade, Camila é capaz de conversar sobre qualquer assunto; sabe bem o que quer e o que não quer; tem domínio do português e, por isso, criou e mantém o blog “Estudando com a Mila”, que ensina o idioma e outros temas para os amigos reais e virtuais. Mais: escreve poesias e contos que ela posta em outro blog, que lançou este ano “Contos do futuro de ontem” e ainda está se preparando para lançar o seu primeiro livro. O gosto de minha sobrinha pela literatura também já foi inspiração para eu escrever o livro “O abraço das cores”, ilustrado por Nelson Tunes, Editora Miguilim, 2013.

A blogueira e escritora Camila Fontes Fialho

A blogueira e escritora Camila Fontes Fialho

Dos pais, Luciano Barros Fialho e Rosa Eliana Miguel Fontes, a jovem Camila recebeu exemplos e incentivos. Os livros sempre foram presentes em sua casa. Da irmã, Ana Laura Fontes Fialho, veio a reciprocidade, pois esta é outra leitura voraz. Dos amigos, um empurrãozinho, conta Camila ao explicar como teve a ideia de criar o blog “Estudando com a Mila”:

“Uma colega da minha irmã já tinha um blog de estudos. Eu gostei do que ela fez e, então, pensei: ‘por que não ter um para poder me ajudar a entrar no ritmo das aulas de Português e ainda ajudar os meus colegas?”

Assim teve início o blog, que foi lançado no dia 26 de março de 2016, “o que dá 9 meses e alguns dias”, acrescenta Camila. “Os alunos sempre comentam, interagem, agradecem e dão sugestões. Sempre que alguém pede uma matéria diferente, eu posto. Assim, além de ensinar, eu acabo aprendendo”, conta.

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A diretoria do Santo Antônio, no site do colégio, já se manifestou a respeito do blog que é público e pode ser acessado em http://estudandocomamila.blogspot.com.br/. As estatísticas de visualizações diárias de seu blog, logo após o lançamento, já passavam de 1.100 interessados. E não é só do Brasil que os internautas a acompanham: alunos dos Estados Unidos, Portugal e até mesmo da Letônia buscam pelas dicas de estudos que a Camila publica constantemente: “Eu não tenho um dia certo, mas sempre que tem prova posto”, diz a blogueira.

Nina Alvin, colega de classe, é testemunha de que o blog faz muito sucesso entre os alunos. “Ela anunciou na nossa sala que criou o blog e no mesmo dia já comecei a seguir. Desde então, acompanho toda semana. Eu recomendo a todo mundo, porque ajuda muito a estudar para as matérias, afirma.

Além do conteúdo das disciplinas, Camila posta perguntas de fixação. “Algumas eu tiro dos livros. Outras, eu mesma elaboro. Muitas vezes, quando estou lendo um texto e vejo que algum assunto é importante e pode cair nas provas, eu mesma elaboro perguntas e questionários”.

Camila ainda conta que a fonte de sua inspiração é Malala Youzafsai. Referência na área da luta dos direitos das mulheres, a paquistanesa Malala lutou para que ela e suas amigas tivessem o direito de estudar, assim como os homens de seu país têm. Em outubro de 2012, levou um tiro quando voltava da escola em uma tentativa de repreensão por ser um “símbolo de obscenidade e ameaça contra o Islã”, de acordo com os talibãs. Mesmo perseguida, Malala continuou lutando pelos seus ideais e conquistou o Prêmio Nobel da Paz em 2014. “Ela é um grande exemplo, pois quase morreu porque queria estudar, enquanto muitas vezes a gente reclama”, acrescenta Camila.

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A vez da literatura

Os temas que Camila mais posta, além do português, são ciências e geografia. Mas ela avisa: “também posto sobre religião e outras matérias, caso julgue necessário”. A estudante gosta muito do idioma português, mas revela que acha difícil: “a maioria das regras de gramática tem uma exceção!”. Perguntei para ela sobre o que a ajudou a ser craque num idioma tão complexo e ela respondeu:

“Com certeza ler muito. Desde sempre leio. Ao longo do tempo, a leitura me ajudou a escrever palavras difíceis da língua e até a memorizar algumas regrinhas do Português. Escrever também me ajudou muito, pois assim colocava em prática o que aprendi e, aprendia mais com as correções que minha professora sempre faz em minhas redações”.

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No embalo de sua rotina de blogueira, a estudante já criou outro blog: “O nome é meio complicado. O blog se chama ‘Contos Do Futuro De Ontem’. Nele, eu posto os contos que escrevo. Estou escrevendo uma mini série que se chama “Heróis Elementares” e postando tudo nele. Eu amo muito escrever. Escrevo o meu diário e também escrevo contos e histórias”.

Além do incentivo familiar, Camila conta que também tem muito estímulo do colégio. “Meu professor de redação gosta muito de me ver escrevendo e já fizeram uma entrevista comigo, para o site do colégio, por causa do meu blog “Estudando com a Mila”.

Os pais de Camila, Eliana e Luciano, e a irmã Ana Laura numa competição esportiva

Os pais Eliana e Luciano, a irmã Ana Laura e Camila numa competição esportiva

A jovem ainda gosta de desenhar, de tocar piano e ouvir música, de aprender novas línguas, de atuar, de dançar e, de vez em quando, ir ao estádio com os familiares para torcer pelo Galo nos jogos do Clube Atlético Mineiro. “Minha família sempre me apoia e incentiva nas coisas que quero fazer. Também me ajudam a estudar e alcançar meus objetivos. Gosto muito do colégio, funcionários, colegas. Fiz várias amizades lá e sempre me senti acolhida por todos”.

Atualmente, Camila tem um grande desafio: “estou escrevendo um livro e pretendo terminá-lo antes de junho. Talvez faça uma trilogia com essa história. Já para o blog literário, pretendo postar quatro contos por mês”. Quem quiser ler os contos da escritora é só clicar no link http://contosdofuturodeontem.blogspot.com.br/

“O Menino Maluquinho”

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304094_675919_bodie_menino_maluquinhoA famosa história infantil de Ziraldo, lançada em 1980 no dia do seu 48º aniversário, está agora estampada em camisetas para crianças e em bodies para bebês, através de uma parceria com a Reserva Mini.

A coleção traz mais de 50 estampas com o personagem principal em diversas situações e usando a sua marca registrada, aquele panelão na cabeça. As peças custam R$99 (camisetas) e R$109 (bodies) e estão à venda no www.usereservamini.com

 

 

Como montar uma biblioteca em casa

A pedido dos leitores do blog, publicamos mais uma sequência de dicas que orientam a montagem de uma biblioteca para as crianças. Um cantinho especial para deixar à vista os livros e um espaço próprio para a meninada ler ou ouvir histórias. Criar um lugar assim dentro de casa, ajuda a manter a ordem e disciplina os horários de leitura e estudos das crianças.

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Estimular a leitura, desde os primeiros anos de vida, traz inúmeros benefícios para a criançada. Além do estímulo à linguagem – tanto oral, quanto escrita – esse momento em família fortalece a interação e o vínculo entre pais e filhos, aumenta o repertório cultural dos pequenos, a criatividade, a compreensão, o armazenamento de informações e o resgate de memórias passadas.

Pensando em contribuir ainda mais no estímulo ao gosto por livros na primeira infância, a Leiturinha, maior clube de assinatura de livros infantis do Brasil, selecionou algumas dicas para transformar um simples espaço em casa em um ótimo cantinho da leitura.

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O primeiro passo é reservar um local adequado em casa. Pode ser um canto da sala que esteja sobrando, ou até mesmo uma parede vazia. Você poderá adequar seu projeto ao espaço que tem disponível.

2. Abuse da criatividade!
Monte prateleiras e estantes acessíveis às mãozinhas do seu pequeno. Existem algumas movelarias que comercializam estantes em tamanhos adequados, mas com criatividade vocês mesmos podem confeccionar uma. O importante é que a criança consiga manusear, sentir e tocar nos livros.

3. Crie um ambiente aconchegante
Não precisa de luxo. Um ambiente bem iluminado e algumas almofadas, tapetes ou puffs vão deixar o cantinho da leitura bem mais gostoso e aconchegante para se espalhar entre histórias e aventuras!

4. Aposte na curadoria do conteúdo
É importante uma seleção de livros adequada à fase da criança. Ela precisa ser acessível ao seu entendimento e explorar sua evolução de maneira prazerosa. É necessário também que se conheça as preferências da criança – observando o pequeno no seu dia-a-dia você poderá ter indícios claros das suas preferências literárias.

Hoje também existe no mercado a opção dos clubes de leitura, como a Leiturinha, que conta com uma equipe especializada no assunto e que seleciona livros adequados ao perfil de cada pequeno.

5. Organize os livros com seu filho
Defina uma maneira de organizar os títulos. Pode ser por gênero, autor, ordem alfabética, o que vocês acharem mais fácil! Seu filho também pode participar da organização, o que despertará ainda mais sua curiosidade.

6. Quantidade de livros
Não é necessário que se defina um número exato de títulos presentes na biblioteca do seu pequeno. É necessário que ele entre em contato com diferentes tipos de obras literárias e que esse contato esteja vinculado a uma rotina.

Fonte: Portal de notícias de Londrina: http://www.bonde.com.br

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“Histórias de gente que lê”

historias-de-gente-que-leO escritor e jornalista Galeno Amorim vence mais um desafio na sua carreira profissional ao lançar o seu 18° livro, desta vez, um ebook com “Histórias de gente que lê”. Galeno percorreu o Brasil, ouviu inúmeros leitores e assim formatou o seu livro: uma coletânea de crônicas com personagens incríveis que tiveram suas vidas transformadas pela leitura.

O lançamento será na próxima terça-feira, dia 31/1, às 20 horas, pela internet através do link  https://goo.gl/33CfhJ. O mesmo livro também estará nas livrarias a partir do dia 8 de fevereiro.

“Este livro é o resultado de minhas andanças país afora, pelo menos, nas últimas duas décadas. Eu saía por aí para falar sobre livros, leitura, bibliotecas e leitura. Fui ouvindo, acolhendo e colhendo, aqui e acolá, um rosário de histórias comoventes sobre as transformações que os livros e a leitura têm provocado na vida das pessoas. Sempre que vou a algum lugar falar sobre algum dos meus livros (eram 17 livros até hoje), uma das perguntas que, invariavelmente, aparece é: “Quanto tempo você levou para escrever este livro?” No caso de Histórias de Gente Que Lê, bem que a resposta poderia ser: “Mais de 20 anos!” _ explica Galeno Amorim.

“Oração de São Francisco – Turma da Mônica”

Editora Ave-Maria lança novo livro em parceria com Mauricio de Sousa.

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Em obra infantil, personagens da Turma da Mônica levam aos pequenos leitores ensinamentos sobre amor, esperança, perdão e alegria. Depois de cinco títulos publicados em parceria com Mauricio de Sousa e mais de 1 milhão e 300 mil exemplares vendidos, a Editora Ave-Maria inicia 2017 com mais uma obra que vai agradar os fãs da Turma da Mônica.

O livro “Oração de São Francisco – Turma da Mônica” traz aos leitores a oração da paz de São Francisco de Assis. Ele era de uma família muito rica, mas abandonou todos os seus bens materiais para viver uma vida simples, mostrando, assim, que não é preciso muito para ser feliz, tentando, em tudo, imitar o seu maior mestre, Jesus Cristo.

Cada trecho da oração é acompanhado de uma ilustração especial de Mauricio de Sousa para que a criança se identifique da melhor maneira possível.

“Existe uma linda oração conhecida como a “Oração de São Francisco”. Seria tão bom se cada pessoa pudesse rezar essa oração, buscando transformar o mundo em um lugar de paz, amor e fraternidade. Não esperemos que os outros façam aquilo que só nós podemos fazer. Se queremos um mundo novo, é preciso que o renovemos em nossos gestos mais simples, e esta oração será nossa inspiração.”
Com seu lançamento previsto para o final de janeiro de 2017, “Oração de São Francisco – Turma da Mônica” proporcionará momentos de alegria e oração para toda a família.

“Bárbara”

Este é o nome de um conto de Murilo Rubião em versão ilustrada pela mineira Marilda Castanha. No estilo de literatura fantástica e com as belas metáforas visuais da artista, o livro foi lançado no final do ano passado pela Editora Positivo especialmente para os jovens leitores.

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Imaginem uma mulher que tem fome insaciável de coisas. Esta mulher é Bárbara que só sabe querer, pedir e engordar. Agora, imaginem o seu marido. É ele quem narra a história e relata detalhadamente cada pedido da esposa. Movido por um amor igualmente estranho, o marido esforça-se de todas as formas para atender os desejos de sua amada. Esta é a base do conto “Bárbara” de Murilo Rubião.

Na visão da poetisa e mestre em Literatura e Crítica Literária, Mariana Ianelli, que prefacia o livro, o conto bem que poderia ter um dos dois títulos: “Uma história de sombras” ou “A fábula de um amor louco”.

Observem o primeiro relato do marido:

“Por mais absurdo que pareça, encontrava-me sempre disposto a lhe satisfazer os caprichos. Em troca de tão constante dedicação, dela recebi frouxa ternura e pedidos que só renovavam continuamente. Não os retive todos na memória, preocupado em acompanhar o crescimento do seu corpo, se avolumando à medida que se ampliava a sua ambição. Se ao menos ela desviasse para mim parte do carinho dispensado às coisas que eu lhe dava, ou não engordasse tanto, pouco me teriam importado os sacrifícios que fiz para lhe contentar a mórbida mania”.

Grávida, a esposa “Bárbara” pediu ao marido o oceano. Ele foi buscar.

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“Não fiz nenhuma objeção e embarquei no mesmo dia, iniciando longa viagem ao litoral. Mas, frente ao mar, atemorizei-me com seu tamanho. Tive receio de que a minha esposa viesse a engordar em proporção ao pedido e lhe trouxe somente uma pequena garrafa contendo água do oceano”.

Este marido assustado ainda teve que atender a outros pedidos. Imaginem como ele se virou para levar um baobá para a esposa! Mesmo depois de o filho nascer, Bárbara continuou exigindo excentricidades do marido. “Dizem dos contos de Murilo Rubião que são fantásticos, misteriosos, absurdos, maravilhosos. Não menos misteriosos e absurdos do que a vida, diria o próprio autor”, afirma Mariana Ianelli.

Segundo ela, “isso é o que percebem aqueles que, em seu livre entendimento, não deixam brigar entre si fantasia e razão: que nos contos de Murilo tanto quanto na vida, o fabuloso é dado por nossos olhos, pela intensidade com que temperamos as histórias que nos acontecem, numa realidade que sempre se desenha em parceria com nossa imaginação”.

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A ilustradora

Marilda Castanha é natural de Belo Horizonte, onde estudou Belas Artes na Universidade Federal de Minas Gerais. Ela começou a ilustrar livros infantis no final dos anos de 1980. Em 1997, participou de um Seminário de Ilustração na Bratislava (capital da Eslováquia). Ilustrou vários autores, participou de exposições e, em 2000, ganhou o prêmio “Runner Up” Japão), “Prix Octogone” (Paris) e “Jabuti” pela ilustração do livro “Pindorama, terra das palmeiras”. Em 2011, ganhou novamente o Prêmio Jabuti com o livro “Mil e uma estrelas”. Também participou de várias mostras da exposição “Le Immagini della Fantasia”, em Sármede, norte da Itália. Este ano, foi a única representante do Brasil selecionada na primeira fase do “Nami Concours 2017”, um concurso internacional que, a cada dois anos, seleciona e premia os maiores expoentes dos livros ilustrados do mundo. Marilda Castanha participa do concurso com o livro de imagens “Sem fim”, Editora Positivo.

A ilustradora mora na cidade mineira de Santa Luzia com o marido Nelson Cruz, que também é ilustrador, e seus dois filhos.

Por email, entrevistei Marilda Castanha sobre sua experiência de ilustrar um conto de Murilo Rubião.

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A entrevista

Rosa Maria: Comente sobre este conto e sobre Murilo Rubião. 

Marilda Castanha: Murilo Rubião, para mim, é um autor que quando se descobre não esquece nunca! Lembro de ter lido, entre outros contos, “O Pirotécnico Zacarias” e “O Ex-Magico da Taberna Minhota” ainda adolescente, nos tempos de colégio. Fiquei impressionada. Hoje, percebo que o universo fantástico, em seus contos, soa como uma metáfora de temas ao mesmo tempo corriqueiros e atemporais. E o conto “Bárbara”, que ilustrei, é exatamente isto: uma metáfora de alguém que é puro desejo, que não se sacia jamais. E que se alimenta destes mesmos desejos. Isto em contraposição a outro exagero, que é o amor desmedido do marido, que tudo faz para agradá-la. É um conto de uma lucidez tamanha. Mesmo tendo sido escrito há quase 70 anos é atual, contemporâneo.

 

RM: Como você analisa a “literatura fantástica” com o qual o trabalho deste autor é qualificado?

MC: Penso que todos nós, sem exceção, vemos, ou mesmo vivemos no dia a dia com uma realidade que muitas vezes é tão absurda que parece pura imaginação.  Ou seja, o princípio da literatura fantástica é este incômodo ou espanto diante da própria realidade. Quem não conhece alguém que muda a personalidade, como esta mulher Bárbara que rejeita o filho, porque este não foi fruto de um desejo seu? A literatura fantástica, ou realismo mágico, consegue ser, ao mesmo tempo, real e imaginária. E como a leitura dos contos de Murilo Rubião desencadeia imagens surpreendentes, é muito instigante, para um ilustrador, compor, organizar e dar visibilidade para estas imagens.

 

BarbaraRM: Como o conto pode surpreender a criança ou jovem?

MC: Penso que pode surpreender todo mundo: criança, jovem e adulto. Principalmente o jovem e o jovem de hoje. De certa forma, este jovem já é atraído por uma avalanche de personagens literários incomuns (como vampiros, bruxos, etc). Mas diante do universo de Murilo Rubião ele não vai encontrar uma galeria de personagens extravagantes, “fantásticos”. E sim personagens que são pessoas comuns que repentinamente cruzam com situações aparentemente inacreditáveis, surreais, dentro de certa “normalidade”. Tudo isto com um texto primoroso, extremamente cuidado. Um universo muito rico onde Telecos, mágicos, pirotécnicos e edifícios poderão ser chaves para, no mínimo, nos espantarmos (e às vezes nos encantarmos) não só com o mundo criado por Murilo Rubião, mas com o mundo em que vivemos.

 

RM: Como foi ilustrar o livro e qual foi o estilo que adotou?

MC: Foi muito prazeroso. Na verdade, ilustrar um conto dele era um sonho antigo. Como comentei acima, é um universo muito rico em imagens. E gosto muito de trabalhar com metáforas visuais. Foi isto que fiz. Trabalhei com tinta acrílica e pastel oleoso. Usei também, como pesquisa, fotos de época (anos 40). E o tempo todo eu fazia perguntas para mim mesma para tentar entender o conto e achar imagens que o traduzissem.

Para finalizar recomendo, não só a leitura de todos os contos de Murilo Rubião (Obras completas, Cia das Letras) como também os outros contos desta  trilogia ilustrada: “Teleco o coelhinho” (Odilon Moraes) e o “Edifício”, (Nelson Cruz) todos da Editora Positivo.

Os preceitos para a ‘boa escrita’

A ideia de que as novas mídias estão deteriorando o uso da língua não é só falsa como nociva. Quem diz é o cientista canadense Steven Pinker, professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard e especialista em linguagem. Em entrevista para Thais Paiva, da Carta Educação, ele explica que hoje as pessoas estão escrevendo mais e a oferta de boa escrita é cada vez mais vasta. “Quando foi a última vez que você ouviu alguém reclamar: não há nada de bom para ler na internet?”, provoca.

No entanto, ainda são muitos os que apresentam dificuldade para escrever textos claros e coesos. Segundo Pinker, o texto mal escrito não é necessariamente resultado da falta de conhecimento. Pelo contrário, pode ser fruto do que ele chama de “maldição do conhecimento”, isto é, especialistas que pressupõem que seus leitores já sabem o que eles sabem e não se preocupam em explicar.

Na entrevista, o professor falou sobre seu livro Guia de Escrita: como conceber um texto com clareza, precisão e elegância (Editora Contexto), no qual elenca princípios que devem nortear o autor para uma produção textual de qualidade e esclarece as relações entre as ciências da mente e o funcionamento da linguagem.

O cientista canadense Steven Pinker é professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard e especialista em linguagem - Foto: Divulgação

O cientista canadense Steven Pinker é professor do Departamento de Psicologia da Universidade de Harvard e especialista em linguagem – Foto: Divulgação

Pergunta: Por que as pessoas têm tanta dificuldade para escrever?

Resposta: Primeiramente, escrever é uma tarefa artificial, que nós não nascemos para fazer. Como escreveu Charles Darwin, “o homem tem uma tendência instintiva para falar, como podemos ver no balbuciar das crianças pequenas, enquanto que nenhuma criança mostra uma tendência instintiva para assar, fermentar ou escrever”. Quando você fala, você conhece o ouvinte pessoalmente e pode prever o que ele já sabe. Quando escreve, o leitor é um estranho e você tem que adivinhar o que ele sabe e o que não sabe. Além disso, com o discurso, você pode monitorar a reação do ouvinte – vê-lo concordando com a cabeça ou franzindo a testa em perplexidade. Quando escreve, você tem que adivinhar – e provavelmente estará errado.

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P: Em seu livro, o senhor diz que a ideia de que o uso da língua está se deteriorando é falsa. As pessoas estão escrevendo mais do que nunca por conta das novas mídias. Mas estão escrevendo com qualidade?

R: Há bilhões de pessoas escrevendo! Alguns textos são ruins – e sempre foram. É um erro apontar a escrita de má qualidade que vemos hoje e alegar que ela é consequência do fato da escrita estar piorando. As pessoas se esquecem de todos os textos ruins do passado. E há uma vasta oferta de bons textos atualmente. Quando foi a última vez que você ouviu alguém reclamar “não há nada de bom para ler na internet?”.

P: O senhor também diz que o texto mal escrito não é resultado da falta de conhecimento. Pelo contrário, quanto mais especializada uma pessoa for num tema, maiores as chances de  usar uma linguagem hermética, distante e se comunicar mal. Por que isso acontece?

R: A razão pela qual os especialistas têm dificuldade para se comunicar é que eles estão sujeitos à “maldição do conhecimento” – a dificuldade de entender como é não saber algo que eles sabem. Como resultado disso, autores usam abreviações e jargões ou falham em descrever o concreto, detalhes visuais de uma cena. Eles pressupõem que seus leitores já sabem o que eles sabem e não se preocupam em explicar. Há inúmeras maneiras de evitar a maldição do conhecimento. A primeira é estar ciente dela, perguntar a si mesmo “o que meu leitor já sabe sobre o que eu estou escrevendo?” Boa escrita requer empatia. A segunda coisa é colocar o texto de lado por um tempo e voltar para ele depois quando ele já não é familiar para você. Você se verá dizendo “o que eu quis dizer com isso?” A melhor estratégia de todas é mostrar um rascunho para um leitor representativo e ver o que ele entende. Você se surpreenderá ao ver que o óbvio para você não é óbvio para todo mundo.

P: Podemos falar em “erro” quando se trata de língua, algo que sabemos estar em constante mudança? Se sim, deveríamos dar tanta importância para eles?

R: O erro é definido em relação às expectativas de determinado conjunto de leitores – um grupo de pessoas alfabetizadas que se importam com a escrita e esperam que determinadas convenções sejam seguidas. As línguas mudam, mas isso não acontece de terça para quarta-feira. Se sim, ninguém poderia compreender o outro e se você pegasse um jornal do ano anterior não entenderia nada.

P: O senhor diz que a boa escrita é aquela que faz com que o leitor se sinta um gênio. No entanto, a escrita ruim é aquela que faz com que o leitor se sinta um estúpido. Parte do problema que vemos hoje com a proliferação de textos ruins não está ligada ao fato de que muitos autores querem se sentir superiores aos seus leitores?

R: Isso pode ser parte do problema, mas um maior está no fato dos autores se preocuparem que seus colegas de profissão/área pensem que são inferiores, então, eles tentam antecipar todas as objeções e críticas possíveis e evitam a linguagem simples porque isso talvez revele que são ignorantes. Em outras palavras, um autor ruim não está tentando ser superior aos seus leitores e sim tentando não ser inferior às pessoas que ele acredita que estão julgando-o, isto é, os experts em seu campo de atuação. Mas escrever de forma defensiva e tentando provar que não é ignorante só irá fazer sua prosa difícil e hesitante para a grande maioria dos leitores.

P: A ordem com que os pensamentos surgem na nossa mente é diferente daquela em que os argumentos são mais facilmente entendidos pelo leitor? Como alinhar essas duas dimensões?

R: Os pensamentos ocorrem ao autor por meio de associações – uma ideia te lembra outra que te leva a uma terceira ideia. Em seguida, você se lembra que você quis dizer três coisas diferentes e que acabou omitindo-as. Aí você antecipa uma objeção e responde à essa objeção e assim por diante. Mas o fluxo da consciência de um autor não corresponde ao modo como o leitor consegue absorver uma informação. O mais importante princípio na hora de apresentar ideias é “dado, agora algo novo” – comece cada sentença com aquilo que o leitor já está pensando, então apresente a informação nova para o leitor no final da frase.

Fonte: Thaís Paiva – Carta Educação

Dicas de leitura

Editoras destacam de seus catálogos livros para o entretenimento de crianças e jovens durante as férias.

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“Cheiro de mato”, Editora do Brasil, de Regina Rennó

A tranquilidade e a simplicidade da vida rural são celebradas por esta história, contada em versos e ricamente ilustrada pelas belas paisagens do campo. Uma viagem de férias de uma família, aparentemente vinda da cidade, fica mais interessante quando todos descobrem como é bom o cheiro do bolo de fubá, da pamonha e do mato. Esta é uma história para enaltecer os hábitos simples e lembrar que preservar este ambiente é essencial. R$ 34,50 – Onde comprar: http://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/

 

432677“Xingu, os contos do tamoin”, da FTD Educação, escrito por Orlando Villas Boas e Claudio Villas Boas

Entre 1943 e 1949, os irmãos Cláudio Villas Bôas e Orlando Villas Bôas participaram da Expedic’ão Roncador-Xingu, em que fizeram o primeiro contato com vários povos indígenas do Centro-Oeste brasileiro. Essa expedic’ão foi a semente do Parque Indígena do Xingu, criado em 1961.Inspirados na convivência com indígenas de vários povos, os irmãos Villas Bôas inventaram neste livro conversas de um menino da cidade com meninos indígenas que convivem no Xingu. O personagem que conduz o contato com os indígenas é o menino Villinha (Orlando Villas Bôas Filho). Nessas conversas, o garoto aprende como é o dia a dia dos indígenas, seus mitos e rituais, além de escutar as encantadoras histórias do tamoin (avô). Uma obra para ser lida muitas vezes, pois é fonte de conhecimento e de valorização do inestimável patrimônio cultural dos povos indígenas do Brasil. R$ 44,00 – Onde comprar: livrarias da cidade.

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A poesia da escritora Mônica de Aquino na trilogia “Cabra Cega” (Maurizio Manzo), “Gato Escaldado (Humberto Guimarães) e “Um coelho de cartola (Zeca Campos). Lançamentos de 2016 da Editora Miguilim. Cada livro custa R$ 35,00. Podem ser comprados nas livrarias de Belo Horizonte.

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“As razões do coração”, Editora do Brasil, de Maria da Glória Cardia de Castro

Daniel vai passar alguns dias na fazenda de seu avô, no interior. Tudo é novidade, descobertas e aprendizado para este menino da cidade grande que se encanta com a sabedoria de seu querido avô, sempre pronto a ensinar e mostrar a melhor forma de compreender e estar no mundo. Nesta singela e emocionante narrativa, conheceremos uma bela história, repleta de razões para amar e sentir. Razões que só o coração entende.  Por: R$ 45,00 – Onde comprar: http://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/

 

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“Passatempos Ecológicos do Lucas”

O cartunista e escritor Leo Valença usa o seu talento e a sua obra para defender o meio ambiente entre as crianças. Seu novo livro “Passatempos Ecológicos do Lucas”, pela Pod Editora, mostra como as atitudes do homem são nocivas à natureza.

thumbnail_CapaEntre os fatores que contribuem para os problemas ambientais enfrentados nos últimos tempos, pode-se destacar a ação do homem, atuando de forma negativa no ambiente natural. Diante desse fato, faz-se necessário a criação de estratégias para minimizá-la, como a educação ambiental, visando à formação de cidadãos preocupados com a natureza, partindo do princípio de que é preciso conhecer para preservar.

Entre as diversas ferramentas que podem ser utilizadas, existem os jogos educativos, destinados principalmente a crianças, para que cresçam atentas à preservação do meio ambiente. A melhor maneira de educar é através de uma experiência atrativa e prazerosa, ou seja, com base nos conceitos de edutainment, que combina educação com entretenimento.

Essa é a proposta do livro “Passatempos Ecológicos do Lucas”, que usa o recurso lúdico para despertar a consciência ambiental do público infantil. Lucas é um duende ecológico que busca sensibilizar as crianças e jovens para que adotem atitudes corretas em relação às questões do meio ambiente, da sustentabilidade e uma vida mais saudável.

Este é o segundo livro do personagem título. Em 2012, Léo Valença lançou o “Almanaque Ecológico do Lucas”. Assim como o primeiro, o livro “Passatempos Ecológicos do Lucas” chama a atenção da sustentabilidade de nosso planeta de uma maneira divertida e interessante. O livro incentiva práticas que conscientizam sobre a importância da preservação ambiental através de jogos educativos como caça-palavras, testes, cartuns, quadrinhos, curiosidades e muitas brincadeiras ecológicas.

“Passatempos Ecológicos do Lucas” tem outra diferença dos outros livros: ele é publicado pelo sistema PoD, Print On Demand, ou seja, o livro só é impresso por encomenda, depois que você pede o seu, para evitar desperdício de papel. Compre o livro no site da editora: http://www.podeditora.com.br/livros/infantis/passatempos-ecologicos-do-lucas.phtml

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Os rumos do livro em Minas e no Brasil

É hora dos mineiros debaterem sobre a melhor forma de utilizar o livro em suas instituições, escolas, bibliotecas e na sociedade. É hora de os mineiros colaborarem com o Plano Nacional do Livro e da Leitura. É hora de todos participarem deste importante projeto junto com os profissionais das Secretarias de Cultura e Educação de Minas Gerais.

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A leitura é uma ferramenta fundamental para a educação e, sobretudo, um instrumento de transformação social e de construção de cidadania. Pautado na iniciativa da esfera federal, por meio do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), o Estado de Minas Gerais está em processo de construção participativa de sua política estadual de livro, leitura, literatura e bibliotecas.

O Grupo de Trabalho, formado em junho de 2016, vem se reunindo mensalmente para a elaboração do documento-base que deverá ser debatido ainda este ano em encontros regionais no interior do estado. Após seis reuniões realizadas, os problemas diagnosticados e as ações propostas para o setor serão finalmente discutidos e validados nos próximos dias 17 e 18 de janeiro, a partir de 13:30, na Sala de Cursos do Anexo da Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.

Para mais informações e acesso ao conteúdo a ser trabalhado na ocasião, os dados de contato seguem no convite acima enviado pelas Secretarias de Cultura e de Educação do Estado de Minas Gerais, que contam com a participação de todos os cidadãos interessados em contribuir com o debate.