A volta da “Mercearioteca”

Sábado, dia 4 de março, no Bairro Padre Eustáquio, vai ser inaugurada a Mercearioteca.  Sabe o que é isso? Quem vai explicar tudo sobre este importante projeto é a sua organizadora, a jornalista e editora Leida Reis. Leia:

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Oferecer livros de graça pode não garantir o aumento do índice de leitura, mas é uma iniciativa que se soma a outras para o acesso da população à boa literatura. Quando o empréstimo dos livros é ofertado aos clientes de um sacolão ou frequentadores de um bar ou lanchonete, o interesse pode ser crescente.

A biblioteca comunitária instalada numa mercearia do bairro Padre Eustáquio, em 2014, cresceu. Agora, a Mercearioteca ocupa três espaços, dentro de um sacolão, um bar e uma lanchonete.

A principal motivação para a ampliação do projeto foi um acervo de mais de mil títulos doado pela família do jornalista Gabi Santos, que trabalhou nos jornais Diário da Tarde, Estado de Minas e Hoje em Dia. Dentre os que doaram livros infantis estão autores como Jorge Fernando dos Santos e o ilustrador Maurizio Manzo.

Neste sábado, dia 4 de março, haverá a inauguração das novas estantes de livros. A concentração está marcada para as 16h, na Praça do Nino, que fica no encontro das ruas Progresso e Coronel José Benjamin. Haverá contação de histórias com Rosana Mont’Alverne, escritora, editora da Aletria e presidente da Câmara Mineira do Livro, e a escritora e poeta Vanessa Corrêa.

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Em seguida, está prevista uma caminhada pelos três endereços: Sacolão Hortifruti Ideal, na esquina da rua Progresso com a rua Itororó, Bar Tudo no Ponto, na rua Curral del Rey, e Alonsos’Burguer, na mesma rua. Os organizadores estão pedindo que cada participante do evento leve um livro para caminhar com ele e, ao final, deixe-o como doação.

A Mercearioteca foi criada pela escritora Leida Reis, que lançou recentemente a Páginas Editora, e seu marido, João Alves da Silva Filho, então dono da Mercearia Porteirinha, onde o projeto começou.

Contato: Leida Reis – (31) 99138 8423 – leida@paginaseditora.com.br

Um novo olhar para a literatura

Luiz Antônio Torelli (*)

Quando assumi a presidência da Câmara Brasileira do Livro em fevereiro de 2015, a proposta de colocar o livro e o incentivo à leitura como pontos centrais da minha gestão foram apenas o prelúdio desta história. Desde o meu primeiro período no comando da entidade, o nosso compromisso de liderar a difusão do livro é um constante desafio dentro da instituição.

O trabalho realizado pela CBL em parceria com outras entidades, e, principalmente, com o esforço conjunto de todo mercado, é uma somatória em que todos buscam um mesmo objetivo: o de oferecer o acesso ao livro para todos os públicos.

Temos acompanhado a crise política e financeira pela qual passa nosso país, e os desafios que vem impactando o nosso mercado por conta deste cenário, mas nos mantemos firmes no compromisso de incentivar a leitura no Brasil.

Para que o nosso setor consiga acompanhar estas mudanças, é essencial que estejamos atentos à inovação e à criatividade. Alguns fenômenos editoriais recentes foram responsáveis pelo crescimento das vendas de livros no país. Em 2015, por exemplo, os livros de color vendidos como “anti stress” se tornaram best-sellers do mercado, proporcionando um excelente desempenho para o setor e reunindo gerações diferentes no consumo do produto. No ano seguinte, os livros escritos por Youtubers foram grandes lançamentos e contribuíram para que mais jovens tivessem interesse pela leitura, por meio de produtos endossados por seus ídolos.

Temos outros movimentos que contribuíram para uma mudança recente no mercado editorial, que caracterizou a chegada de um novo modelo de negócio, no qual a Câmara Brasileiro do Livro pretende potencializar esforços e incentivar cada vez mais os players para que desenvolvam produtos para atingir os consumidores ávidos por entretenimento ou conhecimento, em diversos formatos e plataformas. Destaco aqui por exemplo, aplicativos de leitura digital e os clubes de leitura que vem nascendo pelo país, para diferentes perfis de público, com literatura infantil, clássicos e lançamentos.

Precisamos trabalhar cada vez mais em inovações que ajudem a desenvolver o mercado. Um bom exemplo é a Metabooks, iniciativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em sociedade com a MVB e a Feira do Livro de Frankfurt, que recém-lançada no mercado, traz uma solução que vai unificar a entrada de dados de livros para editores, e abastecerá os bancos de dados de livrarias, distribuidoras, governo, prestadores de serviços e todos os demais participantes da cadeia produtiva do livro no Brasil. Com essa plataforma o setor conseguirá cortar gastos e tempo abastecendo apenas uma vez as informações no sistema. Por conta da melhor organização dos metadados, editoras chegam a ver suas vendas aumentarem em até 80%.

E para que as editoras tenham um amplo respaldo da CBL, pretendemos dar ainda mais musculatura para a nossa estrutura organizacional. Uma das primeiras metas desta nova gestão se concretiza na criação do Departamento de Relações Institucionais, onde daremos ênfase aos associados, parceiros e patrocinadores, garantindo maior produtividade e melhor resultado financeiro, além de buscar novas parcerias com entidades e marcas que tenham alinhamento com nossas temáticas e objetivos de negócio.

Além disso, nossa plataforma quer levar a CBL como protagonista em participar de temas de alta relevância – entre eles, e de suma importância a defesa dos programas de compras de livros, para a atuação direta como mediadora entre o governo e o setor privado para propor políticas efetivas para o livro e leitura, com atenção redobrada às bibliotecas.

Queremos garantir que serão feitos os esforços necessários – independentemente dos governos, partidos e ideologias – para a viabilização do Projeto de Lei nº 212/2016, que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE) e transforma o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) em uma política de Estado.

Outro ponto fundamental é dar total apoio ao PLS 49/2015, que estabelece que o preço definido pela editora deverá ser praticado por todo o mercado varejista pelo prazo de um ano a partir do lançamento ou importação. A CBL tem uma importância elementar na defesa de temas de interesse do mercado e da sociedade – dos quais gostaria de citar o nosso empenho em apoiar pautas como o marco regulatório dos Direitos Autorais no Brasil, a regulamentação da Lei Brasileira de Inclusão, a criação do Fundo Nacional Pró Leitura – FNPL, entre tantos outros.

Incentivar e estimular a agenda empreendedora também fará parte de nossa gestão. Queremos firmar parcerias com empresas e organizações que tragam soluções para motivar empreendedores a investir na formação de livrarias físicas ou virtuais e empresas de venda direta de livros – proporcionando um acesso cada vez maior à literatura e à abertura de novos negócios, estimulando e, principalmente, renovando o mercado editorial.

Além disso, o próximo biênio também será responsável por fortalecermos eventos de grande importância para a literatura. Vamos fortalecer ainda mais a notoriedade e importância do Prêmio Jabuti, um dos reconhecimentos mais importantes do legado da leitura, que premia nomes consagrados e revela novos talentos da literatura e do mercado editorial.  Soma-se a isso, um dos nossos grandes esforços e a aguardada edição de número 25ª da Bienal Internacional do Livro de São Paulo – a maior feira de livros da América Latina programada para 2018, em que reúne o livro em todos os seus formatos e espaço para que muitos leitores encontrem seus ídolos.

A literatura faz parte do cotidiano das pessoas e, para a CBL, ela faz parte de um grande movimento de tornar o livro um protagonista para o conhecer, para o entreter, para o divertir e para o informar! Que seja um período de muitas leituras e histórias fabulosas para o nosso mercado!

* Presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)

“Sem fim”

Este é o nome de um livro exclusivo de imagens criadas pela artista mineira Marilda Castanha, que já tem reconhecimento internacional. A belíssima obra, que integra a coleção “História à vista”, sugere uma narrativa sobre a convivência do homem com a árvore. As crianças vão descobrindo e compondo a história junto com a autora, à medida que folheiam o livro e observam as ilustrações.

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A convivência entre um homem e uma árvore é o fio condutor da obra “Sem Fim”, o livro de imagens de Marilda Castanha, publicado pela Editora Positivo. O trabalho é o único representante brasileiro selecionado e premiado no Nami Concours deste ano, realizado na Coréia do Sul e que, a cada dois anos, seleciona e premia os maiores expoentes dos “picture books” (os livros de imagens) do mundo. Um convite da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para a autora Marilda Castanha também fez com que uma das ilustrações da obra fosse capa do catálogo da entidade para a Feira de Bolonha 2017.

Premiada na categoria Purple Island, no Nami Concours, a obra concorreu na Ásia com outros 1.777 artistas de 89 nações. Ficou entre os 150 selecionados de 43 países. Com esse resultado, o livro integrará o catálogo que marca esta edição do evento e fará parte da uma exposição internacional que ocorrerá por ocasião do Nambook Festival, na Coréia do Sul, em maio.

De acordo com Marilda, são as seleções, os prêmios e o retorno dos leitores que sempre a encorajam a continuar criando as próprias histórias. “Como autora e ilustradora, a expectativa que tenho para o livro é que ele possa não só atrair leitores, mas também provar que a convivência harmônica entre um homem e uma árvore não seja apenas uma utopia ou um simples sonho”, destaca. Para a autora, ver sua obra rodando o mundo é algo que a deixa muito feliz: “sinal de que a imagem não precisa de tradução”.

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Linguagem universal

Nesta obra que integra a coleção “História à Vista”, a autora promove indagações sobre harmonia e renovação, o real e o imaginário, e provoca reflexões sobre as possíveis transformações que podem surgir por meio da relação entre o ser humano e a natureza. O livro que levou dois anos para ter corpo, mostra a força de Marilda Castanha no desenho – a alegria, os amarelos e os tons terra que lhe são peculiares. Elaborado todo em tinta acrílica e máscara de aquarela, página a página, “Sem Fim” é um trabalho que reúne a paixão da autora pelas suas “árvores inventadas” ao ser humano, bem como a um elemento silencioso: a caixa, que nada mais é do que uma bela metáfora para a consciência.

E ao contrário do que parece, escrever um livro sem texto não é fácil. “Escrever com imagens é transformar cada elemento plástico (cor, luz, sombra) em elementos significativos, pois tudo se torna condutor da narrativa”, explica Marilda, ao citar a importância da harmonia com o projeto gráfico, o papel, os espaços em branco, as margens e a própria área para a costura do livro. Além disso, segundo ela, a imagem é uma linguagem universal, carregada de valores culturais e de identidade.

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A autora observa que compor um livro de imagens requer muito trabalho e pesquisa, uma vez que a narrativa visual tem uma gramática própria. “É que as vírgulas, os parágrafos, as exclamações, elementos que estão presentes na narrativa escrita e oral também existem sutilmente no livro de imagens. A virada de página, por exemplo, pode indicar uma vírgula, ou um novo parágrafo”, explicita. Recentemente, Marilda participou de outro projeto importante da Editora Positivo – a ilustração do conto “Bárbara”, que integra uma trilogia em homenagem ao centenário de Murilo Rubião.

Marilda Castanha começou a ilustrar livros infantis no final dos anos 80. Em 1997 participou de um Seminário de Ilustração na Bratislava (capital da Eslováquia). Ilustrou vários autores, participou de exposições e, em 2000, com o livro “Pindorama, terra das Palmeiras” ganhou os prêmios Runner up (Japão), Prix Octogone (Paris) e no Brasil o prêmio Jabuti de Ilustração. Em 2011 ganhou novamente o prêmio Jabuti com o livro “Mil e uma estrelas” e foi selecionada para o catálogo White Ravens, da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique (Alemanha). Também participou de várias mostras da exposição Le Immagini della Fantasia, em Sármede, norte da Itália. Atualmente mora em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, com o marido (o ilustrador Nelson Cruz) e seus dois filhos.

O livro “Sem Fim” (60 páginas, R$ 54,90) é considerado uma obra interacionista e pode ser encontrado em livrarias de todo o Brasil ou no site da editora www.editorapositivo.com.br.

 

 

“Coisinhas à toa que deixam a gente feliz”

Este é o tema de um grande evento literário que acontece no dia 18 de março, 14 horas, em São Paulo, Livraria da Vila (Madalena), para lançamento de uma coleção de livros assinados por Ruth Rocha e Otávio Roth com o selo da Editora Salamandra.

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Em 1993, o autor Otavio Roth teve a ideia de escrever uma série infantil que falava de pequenas coisas que podiam deixar a vida mais feliz. Coisas como acordar com cafuné, começar caderno novo, comer pão quentinho de manhã, ter um vaga-lume aceso na mão etc.

Criou então dois livros delicados, com versos singelos e bem-humorados, chamadosDuas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz” e “Outras duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz”.

Na época, a escritora Ruth Rocha, que já havia publicado alguns livros em parceria com Roth, assinou os textos para a contracapa dessa nova coleção.

Agora, a Salamandra está relançando a coleção Coisinhas à toa que deixam a gente feliz” com mais dois volumes de autoria da própria Ruth Rocha, que quis assim prestar uma homenagem ao seu antigo parceiro de histórias: Mais duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz” e “Novas duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz”.

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As ilustrações são de Mariana Massarani e quem escreve a contracapa dos novos volumes é o escritor e poeta paulista Fabrício Corsaletti:

“O que há em comum entre começar um caderno novo, fazer guerra de almofada, deitar num travesseiro macio, estourar plástico bolha e comer espaguete al dente? Isso mesmo: são coisinhas à toa que deixam a gente feliz. Nos quatro livros que compõem a coleção Coisinhas à Toa — dois deles publicados por Otavio Roth em 1993 e os outros dois escritos posteriormente, “à moda de Otavio Roth”, pela Ruth Rocha — os autores listaram algumas dúzias desses pequenos prazeres do dia a dia, nos quais, pensando bem, a gente nem repara direito, mas que, pensando melhor, representam boa parte da nossa alegria cotidiana. Ilustrada pelos desenhos vibrantes e multicoloridos de Mariana Massarani, esta coleção de frases-achados forma um verdadeiro baú de banalidades mágicas, dessas que só os poetas sabem reconhecer e, para nossa sorte, nos revelar.”

ruth rochaRuth Rocha

Esta é uma das escritoras mais amadas pelas crianças no Brasil. Com livros que falam de ética, que criticam o poder autoritário e tratam a criança com respeito, sua obra é apreciada também pelos professores e pelos pais há três gerações.

Iniciou sua carreira como orientadora educacional, onde vivenciou as dificuldades das crianças em seu ambiente cotidiano. Sua primeira história foi “Romeu e Julieta” publicada na revista Recreio, mas é “Marcelo, Marmelo, Martelo” seu texto mais conhecido. É considerado um marco da literatura infantojuvenil no Brasil e também ganhou traduções em diversas línguas.

Em 1989, “Uma História de Rabos Presos” foi lançado no Congresso Nacional e em 1990, sua “Declaração Universal dos Direitos Humanos” e “Direitos das crianças segundo Ruth Rocha” foram acolhidas na sede das Organizações das Nações Unidas.

Recebeu, em 1998, das mãos do então presidente Fernando Henrique Cardoso, a Comenda da Ordem do Ministério da Cultura. Tem vários livros premiados e ganhou seis prêmios Jabuti, o maior prêmio da literatura do país. Foi escolhida para fazer parte do Pen Club-Associação Mundial dos Escritores e é membro da Academia Paulista de Letras.

Irreverente, popular e ética, já vendeu mais de 40 milhões de livros dos quais 2 milhões em outros países. Como jornalista, assinou o editorial de Educação da Revista Cláudia e foi editora e orientadora pedagógica da Revista Recreio.

Sua obra é uma das mais lidas no país pelas crianças e tem participação expressiva nos programas de incentivo à leitura promovidos pelo Ministério da Educação. Só em 2012, 109 títulos de sua autoria foram adotados por escolas públicas de todo o país.

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O escritor nasceu em São Paulo, em 1952. Morou em Israel, Inglaterra, Noruega e Estados Unidos. Estudou fotografia e cursou Comunicação e Marketing na ESPM e Desenho Gráfico na Hornsey College of Art, em Londres. Lá, desenvolveu sua técnica como gravador e seu interesse por temas políticos, sob orientação do professor Paul Pietch. Em Oslo, produziu em xilogravura a primeira série ilustrada da Declaração Universal dos Direitos Humanos, composta por 30 peças.

Posteriormente produziu uma série em inglês e três álbuns foram adquiridos pela ONU. Estão em exposição permanente nas sedes da ONU em Nova York, Genebra e Viena. Seu engajamento político rendeu outras parcerias com as Nações Unidas e também com a Anistia Internacional.

Paralelamente ao trabalho como gravador, Otávio desenvolveu robusta pesquisa sobre papel artesanal, sendo precursor do uso da técnica no Brasil. Fundou, em 1979, a Handmade – 1a Oficina de papel artesanal do Brasil, com a finalidade de produzir papéis de qualidade para uso artístico. Difundiu seus conhecimentos sobre papel e sobre a história do livro em cursos, palestras e oficinas, tendo influenciado fortemente a formação de papeleiros e pesquisadores do livro em todo o País.

A partir do desenvolvimento de técnicas próprias, produziu instalações em papel de grandes proporções, prestigiadas em museus de diversos países. Além das instalações em papel artesanal, Otávio desenvolveu uma série de instalações participativas, como A Árvore. (Foto)

Otávio recebeu vários prêmios de literatura infantojuvenil, como ilustrador e escritor, e foi parceiro em várias publicações da escritora Ruth Rocha.  Morreu em 30 de agosto de 1993.

Dicas para a leitura com crianças pequenas

images 3Mesmo as crianças que ainda não são alfabetizadas podem e devem ser estimuladas a entrar no mundo da fantasia por meio do contato com os livros infantis. Há pesquisas que recomendam o manuseio de livros já na primeira infância, no período entre os 15 meses e três anos de vida. Uma criança que convive com os livros desde pequena tem mais facilidade no decorrer do processo de alfabetização, entre outras competências que vão sendo desenvolvidas. Com esta matéria de Roberta Schuler, “O Diário Gaúcho” traz dicas para os pais tornarem os livros itens de destaque na rotina da criançada.

Um momento de aconchego

— A narrativa faz parte da vida da criança desde a voz da mãe, das canções de ninar — explica Maria Aparecida Laginestra, pedagoga da equipe do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec) e coordenadora da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro.

Nesta faixa etária, é importante os pais disponibilizarem os conhecidos livros de brincar: livros de tecido, emborrachados, de plástico, que possam ser usados no banho, com muitas imagens, texturas. Esta é a fase do toque, na qual a criança precisa sentir o livro nas mãos. Portanto, os pais precisam permitir o manuseio do livro, sem a preocupação com o risco de estragá-lo. O contato com os livros é uma experiência. Outra dica importante aos pais é tornar o contato com os livros um momento de aconchego, de contato afetivo com a criança, mostrar o livro, ler o título, o nome dos autores.

untitledRecado para os pais

— Os livros para crianças na faixa a partir dos 15 meses geralmente são coloridos, só têm ilustrações, sem texto. Alguns têm texturas, emitem sons, outros têm recursos como pop-up (dobraduras que parecem saltar das páginas quando abrimos o livro). Os materiais podem ser tecido, emborrachado, plástico e devem ser macios para evitar que a criança se machuque. É importante que fiquem numa estante baixa ao alcance da criança.

— É bacana escolher um momento do dia para explorar os livros. Há famílias que fazem isso antes do horário da criança dormir. Os pais devem entrar na fantasia e conversar com os filhos sobre as histórias.

— Para familiarizar a criança com o mundo da literatura, uma boa dica é começar a frequentar livrarias. A maioria realiza eventos infantis, oficinas e contações de histórias. Os pais também podem apresentar as bibliotecas públicas da cidade.

— A criança terá a curiosidade pelos livros despertada se tiver leitores em casa. Vendo os pais manusearem livros e jornais, a criança se sentirá instigada. Essa aproximação que começa com os livros é continuada posteriormente na escola.

— Para crianças a partir dos três anos, os livros já podem ter frases simples. O texto em caixa-alta é mais apropriado para quem está para ser alfabetizado.

images 2— Entre os três e quatro anos, as crianças costumam querer repetir as histórias de que mais gostam. Isso é comum, porém é importante os pais oferecerem outras histórias para diversificar.

— Livros de poesia são interessantes porque a sonoridade vai ajudar posteriormente na alfabetização.

— Os pais devem observar os interesses da criança na hora de escolher a temática dos livros para identificar aquilo que desperta a curiosidade.

— Independentemente da idade, é possível contar histórias para todas as crianças. Os pais devem optar por histórias curtas, nas quais os pequenos prendam a atenção. O gosto é algo que pode ser educado, lapidado, por isso é importante proporcionar a experiência à criança.

“Teleco, o coelhinho”

Este é um conto ilustrado que trata da existência humana e as transformações possíveis para cada um conseguir suportar, viver ou até mesmo sobreviver de acordo com as circunstâncias do dia a dia.

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O conto é de Murilo Rubião. A ilustração é de Odilon Moraes. O lançamento é da Positivo. “Teleco, o coelhinho” faz parte de uma trilogia desta editora, de Curitiba, que contempla ainda “O edifício” e “Bárbara” ambos de Murilo Rubião, considerado o precursor da literatura fantástica do Brasil, e ilustrados respectivamente por Nelson Cruz e Marilda Castanha.

Entre os diferenciais das publicações está justamente o formato, ou seja, a ilustração e o projeto gráfico contribuem para ampliar ainda mais o peso das obras. Segundo Cristiane Mateus, Editora de Literatura da Positivo, o objetivo do lançamento da trilogia é aproximar ainda mais as novas gerações da obra deste escritor mineiro e do seu gênero literário, além de estimular o gosto por este tipo de leitura entre o público jovem e adolescente.

Assim começa a apresentação do livro elaborada pela escritora, pesquisadora e professora Nilma Lacerda para “Teleco, o coelhinho”.

“Como era você ao acordar pela manhã? A mesma pessoa de sempre ao espelho? E um pouco mais tarde? Passou do mau humor terrível com que acordara a um estado de total felicidade, por que uma borboleta azul entrou pela janela da cozinha? Ou saiu de um bom humor incrível para um ódio geral à humanidade, por estas coisas tão comuns e que nos fazem passar de cãozinho afável a tigre enjaulado?”

“Em geral, não nos damos conta, mas um dia inteiro pode mostrar que existe em nós o médico e também o monstro. E a mudança pode ser tão rápida que as pessoas duvidem dela. Mas duvido que, por mais mudanças que possa haver, consiga ser como Teleco, um personagem instigante que um dia aparece na vida de um sujeito pacato”.

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O personagem é de fato instigante: um coelho que fala, engana pelo olhar manso e triste e sabe tomar decisões, entre elas a de aceitar o convite de um homem solitário para viver no apartamento dele. Mais: é capaz de se transformar em vários animais. Quer mais? No corpo de um canguru, ele apaixona-se por uma humana e é correspondido.

Este é Teleco. Ele vai viver uma aventura cada vez que deixar de ser coelho para ser outro bicho. O ilustrador Odilon Moraes criou um coelho que se apresenta com muita naturalidade independente de ser canguru ou outro bicho qualquer. Esta naturalidade também se vê na forma como Murilo Rubião fala das mudanças do personagem.

“Depois de uma convivência maior, descobri que a mania de metamorfosear-se em outros bichos era nele simples desejo de agradar ao próximo. Gostava de ser gentil com as crianças e velhos, divertindo-os com hábeis malabarismos ou prestando-lhes ajuda. O mesmo cavalo que, pela manhã, galopava com a gurizada, à tardinha, em lento caminhar, conduzia anciãos ou inválidos às suas casas”.

Coelho e o homem solitário viveram muito bem durante um ano até que a necessidade de mudança fez Teleco se transformar num canguru apaixonado e levar sua amada para morar junto com eles no mesmo apartamento. O homem solitário se apaixona também. Cheio de ciúmes e atormentado pelo desprezo da amada, que prefere o animal, o homem sente vontade de tirar coelho de circulação. Será?

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O ilustrador

Odilon Moraes é graduado em Arquitetura pela USP. Ele iniciou sua atuação em literatura como ilustrador no ano de 1990. Recebeu dois prêmios Jabuti pelas imagens de “A saga de Sigfried” em 1994 e “O matador” em 2009. Em 2002, escreveu seu primeiro livro ilustrado “A princesinha medrosa”, que recebeu o prêmio de Melhor Livro do Ano para Crianças da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). Em 2004, recebeu novamente o prêmio de Melhor Livro do Ano para Crianças com a obra “Pedro e Lua”. Em 2012, seu livro “Traço e Prosa” recebeu o prêmio Melhor Livro Técnico do Ano também pela FNLIJ.

Este ilustrador possui vários livros agraciados com o selo “White Raven” da Biblioteca Internacional do Livro para Crianças de Munique. Em 2014, ele entrou para a lista de honra do International Book Board for Youth (IBBY). Desde 2005, Odilon Moraes realiza palestras e oficinas; escreve artigos sobre história e conceito do livro ilustrado em instituições como o Instituto Tomie Ohtake, Fundação Lasar Segall, Instituto Europeu de Design e Sesc; mais recentemente, Instituto Vera Cruz e Unicamp.

A entrevista

Rosa Maria: Comente sobre este conto de Murilo Rubião.

Odilon Moraes: Acredito que em um conto ilustrado há sempre duas histórias: a do texto escrito pelo escritor e a outra construída pelas imagens que são a interpretação que o ilustrador faz da história. Em nossa interpretação, jogam os limites de nossas experiências pessoais. Teleco é o tipo de conto que pede muito de seu intérprete. Pode significar muita coisa aos olhos de pessoas diferentes. É a história de uma metamorfose, tal qual a barata / besouro / inseto de Kafka. Nosso personagem bicho também não é o senhor de sua transformação e vive o desespero dessa condição. Para alguns pode ser lido como a perda de uma identidade. Para outros é a própria busca dela. O que mais me impressionou em Teleco foi a maneira natural com que Murilo Rubião construiu seu universo fantástico. Não nos interrogamos sobre o fato de um coelho pedir um cigarro a um transeunte. Aceitamos o fantástico com a naturalidade do cotidiano, até que, pouco a pouco, vamos sendo sufocados por ele. Quando nos damos conta já nos tornamos o próprio Teleco.

RM: Como você analisa a literatura fantástica com a qual o conto deste autor é qualificado?

OM: Não sou especialista na obra de Murilo Rubião e tampouco na chamada literatura fantástica, mas pude sentir em alguns poucos contos que li o que mencionei anteriormente a respeito do Teleco. Não sei se isso se aplicaria a toda a sua obra, mas fui envolvido pela maneira que ele constrói o fantástico com o sabor de quem narra o cotidiano. Nos faz aceitar com naturalidade essa supra-realidade.

RM: Como a literatura pode surpreender a criança ou jovem?

OM: Não acho que esse conto seja mais ou menos adequado para certa faixa etária. Entendo como uma grande qualidade de um bom texto literário a possibilidade de ganhar outro sentido à medida que o tempo passa e nós, leitores, também nos tornamos outros. Só textos fracos não permitem isso. E esse não é o caso de Teleco.

thumbnail_TELECO-O-COELHO (1)RM: Como foi ilustrar “Teleco, o coelhinho” e o que você adotou?

OM: Procurei guardar o ritmo do texto ao longo do livro. Também tentei criar um aspecto de naturalidade no personagem que, seja com coelho, canguru ou outro bicho qualquer parece se integrar naturalmente à cena do cotidiano. Mas o que significa ritmo de um livro? É a maneira como as palavras do texto e as imagens vão se entrelaçando ao longo das páginas. É quando ambas parecem querer conduzir juntas a narrativa. A isso se dá o nome de livro ilustrado ou álbum ilustrado. Alguém já disse que se parece com cinema encadernado. Gostei da definição. Penso que ao invés de fazer um filme (a história deve dar água na boca de vários cineastas) fiz meu cinema encadernado. Só espero que as pessoas não digam “o  livro é melhor que o filme”. Gostaria que as pessoas entendessem a tentativa de amarrar as imagens e entrelaçá-las nas palavras.

O projeto Murilo Rubião, publicado pela Editora Positivo e ilustrado por três ilustradores diferentes, foi um exercício também de curiosidade. Além de dividirmos a mesma profissão, somos também unidos pela amizade. Fiquei muito curioso sabendo que, enquanto eu trabalhava em meu conto, Nelson Cruz e Marilda Castanha também eram desafiados por Murilo Rubião. Fiquei o tempo todo na expectativa de ver o que estariam aprontando lá pro lado deles e imagino que o mesmo se passou do lado de lá.

Os favoritos dos adolescentes

Os 10 livros que estão bombando entre os jovens, segundo o Jornal O Globo.

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‘Harry Potter e a criança amaldiçoada’

Escrito por J. K. Rowling, Jack Thorne e John Tiffany, o livro apresenta Harry Potter como um sobrecarregado funcionário do Ministério da Magia, marido e pai de três filhos. Enquanto lida com um passado que se recusa a ficar para trás, seu filho mais novo, Alvo, enfrenta um legado de família que ele nunca quis. (Fonte: PublishNews)

‘AuthenticGames: A batalha da torre’

Primeiro livro de uma trilogia, “A batalha da torre” relata o sequestro misterioso de “Authenticgames”, que precisará da ajuda do leitor para ser salvo. Durante a história surgem pistas que são fundamentais para desvendar o mistério e libertar o herói das garras do inimigo.

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O livro conta os segredos da atriz mirim que é um sucesso entre as crianças. Nele, a protagonista das versões brasileiras de “Carrossel” e “Cúmplices de um Resgate” revela detalhes de sua vida pessoal: histórias sobre sua infância, família, carreira e sonhos.

‘Diário de um banana: vai ou racha’

Greg encontra uma filmadora antiga em seu porão e tem uma ideia para provar que é muito talentoso. Com a ajuda de seu melhor amigo, Rowley, ele planeja fazer um filme de terro para ficar rico e famoso.

‘AuthenticGames’

O livro conta a história de Marco Túlio que transformou seu canal no Youtube “AuthenticGames” em um ponto de encontro para quase 4 milhões de fãs do jogo virtual “Minecraft”. Nesta obra, os seguidores de Marco Túlio vão descobrir como surgiu o projeto do canal e quem são os amigos da internet que o Authentic levou para a vida real.

‘AuthenticGames: a batalha contra Herobrine’

Depois de ser resgatado de um terrível sequestro, AuthenticGames está de volta para proteger a Vila Farmer. Mas antes ele precisará encarar uma nova aventura para recuperar sua espada de diamante, que foi escondida pelos mobs.

‘Diário Beleza Teen – Minha vida em um ano’

Escrito pelas youtubers Mariany e Nathany — do canal Beleza Teen, criado em 2013 —, o livro reúne dicas de moda, beleza e decoração, e serve como um guia para botar, em um ano, as tarefas em prática.

outras-dicas-para-incentivar-a-leitura-aos-jovens-3‘A coroa’

No quinto livro da série “A seleção”, Eadlyn, filha de America Singer e do Príncipe Maxon, é a primeira princesa a passar por sua própria seleção.

‘João sendo João’

João Guilherme conta em detalhes segredos da infância, travessuras com os amigos, viagens inesquecíveis, a importância da família, o namoro com Larissa Manoela, sonhos para o futuro, seu primeiro teste e muito mais.

‘Harry Potter e a pedra filosofal’

O primeiro livro da saga de Harry Potter conta como o pequeno bruxo descobriu aos onze anos o mundo da magia. Na obra de J. K. Rowling, Harry é enviado para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, onde conhece seus melhores amigos, Hermione Granger e Rony Weasley, a caminho do grande castelo dirigido pelo bruxo Alvo Dumbledore.

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Mais do que uma competição

Três livros da Editora do Brasil para falar de esportes para as crianças.

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“Menina não entra”, de Telma Guimarães, fala do dilema de um grupo de amigos que resolve formar um time de futebol com vizinhos e parentes. Ao faltar um integrante, surge a ideia de convidar uma menina. Uma menina no time? Nem pensar! _ é o que a maioria acha da ideia. Mas logo mudam de opinião. Assim que veem Fernanda mostrar suas habilidades, percebem que estavam completamente equivocados e que o preconceito não leva a vitória alguma, dentro e fora de campo.

 

image006“A grande campeã”, de Maria Cristina Furtado, relata sobre a competição de Lelê. A gaivota está pronta e muito ansiosa para competir na Olimpíada de Voos Acrobáticos da Escola Gaivotas. Ela quer ganhar o prêmio a todo custo, ser a melhor das Gaivotas, mas o que ela não sabe é que ganhará outro prêmio muito mais importante que a sua vitória na competição: a amizade. O livro vem com um CD com músicas que animam e complementam ainda mais essa história de amor ao próximo.

 

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“Conquista Esporte Clube”, de Telma Guimarães, conta a história de Davi, garoto que nasceu com um problema que poderia tê-lo condenado a viver para sempre sem poder fazer as mesmas coisas que as outras crianças fazem. No entanto, com a ajuda de sua família e dos amigos que fez na escola, aprende a superar muitos dos obstáculos enfrentados por pessoas com deficiência: um time de futebol, campeão, é formado por essa galera apaixonada por esporte e pela vida.

Os títulos estão disponíveis para comercialização por meio da loja virtual da Editora Brasil (http://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/)

“A prisão do rei”

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Está marcado para o dia 6 de março, o lançamento oficial do terceiro volume da série Rainha Vermelha, que já vendeu mais de 250 mil exemplares no Brasil. O nome é “A prisão do rei”, de Victoria Aveyard, Editora Seguinte, que está anunciando a pré-venda online nas lojas virtuais Saraiva, Submarino, Amazon, Cultura, Travessa, Americanas e Shoptime, entre outras.

Por enquanto, a editora está permitindo a leitura de dois capítulos no link https://www.wattpad.com/story/99009093-a-pris%C3%A3o-do-rei-rainha-vermelha-3-2-cap%C3%ADtulos

Neste terceiro volume, a personagem Mare Barrow foi capturada e passa os dias presa no palácio, impotente sem seu poder, atormentada por seus erros. Ela está à mercê do garoto por quem um dia se apaixonou, um jovem dissimulado que a enganou e traiu. Agora rei, Maven continua com os planos de sua mãe, fazendo de tudo para manter o controle de Norta — e de sua prisioneira.

Enquanto Mare tenta aguentar o peso sufocante das Pedras Silenciosas, o resto da Guarda Escarlate se organiza, treinando e expandindo. Com a rebelião cada vez mais forte, eles param de agir sob as sombras e se preparam para a guerra. Entre eles está Cal, um prateado em meio aos vermelhos. Incapaz de decidir a que lado dedicar sua lealdade, o príncipe exilado só tem uma certeza: ele não vai descansar enquanto não trouxer Mare de volta.

Leitura digital: o livro fora do papel

Paulo Tedesco *

Devemos falar em digital, em livro digital, e que soa quase heresia quando não falamos apropriadamente em leitura digital e da crise do acesso ao livro e do conteúdo. Pois aí é que reside o grande paradigma do início do século XXI, não há dúvida: decifra-me ou devoro-te, compreenda-me ou te consumirei para todo o sempre, por sua apressada prepotência e infeliz escolha.
Pois é preciso demonstrar que existe uma gigantesca incompreensão sobre o papel do livro fora do papel, ou seja, da leitura digital. É preciso, primeiramente, separar a crise no poder aquisitivo que recai sobre o brasileiro comum, da crise que perpassa o mundo editorial tradicional diante das inovações no acesso ao conteúdo e ao conhecimento. Sim, a crise brasileira é uma crise que retira leitores do mercado bruscamente e mantém a velha e sebosa elite com poder aquisitivo com capacidade de compra, e isso tem impacto no consumo do livro e na leitura, não há dúvida.
Claro que não há fórmulas, não há como. Estamos saindo de um ambiente analógico para um ambiente dado a virtualidades das mais diversas. E o que tem algum significado para alguns, para outros não passa de um grifo, aquele leão com asas e patas de águia, ou seja, não guarda sentido de qualquer espécie. Porque há leitores dos mais diversos e leitores novos, porém velhos, e velhos, porém de novos hábitos, e para essa individualização do consumo de conteúdo que vivemos, para essa personalização da leitura (não à toa o fenômeno dos celulares que individualizaram em absoluto nossas outrora comunicações de massas), não há fórmula pronta.
Então, por que não apostar na criatividade e fugir do lugar comum? Por que fazer joguinhos tolos de doar conhecimento e quebrar o ineditismo quando outros sabem cobrar pelo que fazem e produzem? Ou a regra do porco e da galinha vale também no mundo da promoção do livro digital e da leitura? Uns, pequenos, doam seu corpo, outros, grandes, doam nada mais do que alguns ovos?
Novos autores como novas editoras precisam do inédito e não podem ficar doando em prol de cadastros, promoções e outras invencionices, seu ouro maior. Estratégias de promoção são tão antigas como a propaganda e o merchandising, e para isso há quem estude e aprende, e faculdades inteiras, e não sai como franco atirador, porque o que está na estaca é o bem maior do homem, da humanidade: sua liberdade e seu conhecimento, e nisso há muito, mas muito mais do que índices de mercado e tabelas de crescimento.
Por fim, é à pressa que devoto esse artigo. Porque a pressa torna-se nossa inimiga nesses tempos multiconectados, e a pressa de enriquecer, de se achar a lâmpada mágica da riqueza, é o que condena ao medíocre as boas obras de arte. Se um autor de qualidade por vezes toma tempo na elaboração do clássico, por que uma editora, que se propõe a ter bons livros no catálogo, deve sequer pensar em caminho diferente? Sim, temos o sistema que nos pede resposta, mas, também, sim, temos um futuro que nos pede inteligência e sabedoria, sobretudo.

* Publicado originariamente em Publishnews

Paulo Tedesco é escritor de ficção, cronista e ensaísta, atua como professor e desenvolvedor de cursos em produção editorial e consultoria em projetos editoriais, também como orientador em projetos de inovação em diferentes setores. Trabalhou nos EUA, onde viveu por cinco anos, nas áreas de comunicação impressa, indústria gráfica e propaganda. É autor dos livros Quem tem medo do Tio Sam? Fumprocultura de Caxias do Sul, 2004); Contos da mais-valia & outras taxas (Dublinense, 2010) e Livros: um guia para autores (Buqui, 2015). Desenvolveu e ministra o curso de Processos Editorais na PUCRS e coordena o www.consultoreditorial.com.br atendendo autores e editores. Pode ser acompanhado pelo seu site, pelo Facebook ou pelo Twitter.