“Coisinhas à toa que deixam a gente feliz”

Este é o tema de um grande evento literário que acontece no dia 18 de março, 14 horas, em São Paulo, Livraria da Vila (Madalena), para lançamento de uma coleção de livros assinados por Ruth Rocha e Otávio Roth com o selo da Editora Salamandra.

image001

Em 1993, o autor Otavio Roth teve a ideia de escrever uma série infantil que falava de pequenas coisas que podiam deixar a vida mais feliz. Coisas como acordar com cafuné, começar caderno novo, comer pão quentinho de manhã, ter um vaga-lume aceso na mão etc.

Criou então dois livros delicados, com versos singelos e bem-humorados, chamadosDuas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz” e “Outras duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz”.

Na época, a escritora Ruth Rocha, que já havia publicado alguns livros em parceria com Roth, assinou os textos para a contracapa dessa nova coleção.

Agora, a Salamandra está relançando a coleção Coisinhas à toa que deixam a gente feliz” com mais dois volumes de autoria da própria Ruth Rocha, que quis assim prestar uma homenagem ao seu antigo parceiro de histórias: Mais duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz” e “Novas duas dúzias de coisinhas à toa que deixam a gente feliz”.

20160316_151227

As ilustrações são de Mariana Massarani e quem escreve a contracapa dos novos volumes é o escritor e poeta paulista Fabrício Corsaletti:

“O que há em comum entre começar um caderno novo, fazer guerra de almofada, deitar num travesseiro macio, estourar plástico bolha e comer espaguete al dente? Isso mesmo: são coisinhas à toa que deixam a gente feliz. Nos quatro livros que compõem a coleção Coisinhas à Toa — dois deles publicados por Otavio Roth em 1993 e os outros dois escritos posteriormente, “à moda de Otavio Roth”, pela Ruth Rocha — os autores listaram algumas dúzias desses pequenos prazeres do dia a dia, nos quais, pensando bem, a gente nem repara direito, mas que, pensando melhor, representam boa parte da nossa alegria cotidiana. Ilustrada pelos desenhos vibrantes e multicoloridos de Mariana Massarani, esta coleção de frases-achados forma um verdadeiro baú de banalidades mágicas, dessas que só os poetas sabem reconhecer e, para nossa sorte, nos revelar.”

ruth rochaRuth Rocha

Esta é uma das escritoras mais amadas pelas crianças no Brasil. Com livros que falam de ética, que criticam o poder autoritário e tratam a criança com respeito, sua obra é apreciada também pelos professores e pelos pais há três gerações.

Iniciou sua carreira como orientadora educacional, onde vivenciou as dificuldades das crianças em seu ambiente cotidiano. Sua primeira história foi “Romeu e Julieta” publicada na revista Recreio, mas é “Marcelo, Marmelo, Martelo” seu texto mais conhecido. É considerado um marco da literatura infantojuvenil no Brasil e também ganhou traduções em diversas línguas.

Em 1989, “Uma História de Rabos Presos” foi lançado no Congresso Nacional e em 1990, sua “Declaração Universal dos Direitos Humanos” e “Direitos das crianças segundo Ruth Rocha” foram acolhidas na sede das Organizações das Nações Unidas.

Recebeu, em 1998, das mãos do então presidente Fernando Henrique Cardoso, a Comenda da Ordem do Ministério da Cultura. Tem vários livros premiados e ganhou seis prêmios Jabuti, o maior prêmio da literatura do país. Foi escolhida para fazer parte do Pen Club-Associação Mundial dos Escritores e é membro da Academia Paulista de Letras.

Irreverente, popular e ética, já vendeu mais de 40 milhões de livros dos quais 2 milhões em outros países. Como jornalista, assinou o editorial de Educação da Revista Cláudia e foi editora e orientadora pedagógica da Revista Recreio.

Sua obra é uma das mais lidas no país pelas crianças e tem participação expressiva nos programas de incentivo à leitura promovidos pelo Ministério da Educação. Só em 2012, 109 títulos de sua autoria foram adotados por escolas públicas de todo o país.

56bc51_26f07be246e1462f99d0b75fc9bb5a5f~mv2_d_2953_1965_s_2_jpg_srz_2527_1682_85_22_0_50_1_20_0Otávio Roth

O escritor nasceu em São Paulo, em 1952. Morou em Israel, Inglaterra, Noruega e Estados Unidos. Estudou fotografia e cursou Comunicação e Marketing na ESPM e Desenho Gráfico na Hornsey College of Art, em Londres. Lá, desenvolveu sua técnica como gravador e seu interesse por temas políticos, sob orientação do professor Paul Pietch. Em Oslo, produziu em xilogravura a primeira série ilustrada da Declaração Universal dos Direitos Humanos, composta por 30 peças.

Posteriormente produziu uma série em inglês e três álbuns foram adquiridos pela ONU. Estão em exposição permanente nas sedes da ONU em Nova York, Genebra e Viena. Seu engajamento político rendeu outras parcerias com as Nações Unidas e também com a Anistia Internacional.

Paralelamente ao trabalho como gravador, Otávio desenvolveu robusta pesquisa sobre papel artesanal, sendo precursor do uso da técnica no Brasil. Fundou, em 1979, a Handmade – 1a Oficina de papel artesanal do Brasil, com a finalidade de produzir papéis de qualidade para uso artístico. Difundiu seus conhecimentos sobre papel e sobre a história do livro em cursos, palestras e oficinas, tendo influenciado fortemente a formação de papeleiros e pesquisadores do livro em todo o País.

A partir do desenvolvimento de técnicas próprias, produziu instalações em papel de grandes proporções, prestigiadas em museus de diversos países. Além das instalações em papel artesanal, Otávio desenvolveu uma série de instalações participativas, como A Árvore. (Foto)

Otávio recebeu vários prêmios de literatura infantojuvenil, como ilustrador e escritor, e foi parceiro em várias publicações da escritora Ruth Rocha.  Morreu em 30 de agosto de 1993.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *