“Sem fim”

Este é o nome de um livro exclusivo de imagens criadas pela artista mineira Marilda Castanha, que já tem reconhecimento internacional. A belíssima obra, que integra a coleção “História à vista”, sugere uma narrativa sobre a convivência do homem com a árvore. As crianças vão descobrindo e compondo a história junto com a autora, à medida que folheiam o livro e observam as ilustrações.

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A convivência entre um homem e uma árvore é o fio condutor da obra “Sem Fim”, o livro de imagens de Marilda Castanha, publicado pela Editora Positivo. O trabalho é o único representante brasileiro selecionado e premiado no Nami Concours deste ano, realizado na Coréia do Sul e que, a cada dois anos, seleciona e premia os maiores expoentes dos “picture books” (os livros de imagens) do mundo. Um convite da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) para a autora Marilda Castanha também fez com que uma das ilustrações da obra fosse capa do catálogo da entidade para a Feira de Bolonha 2017.

Premiada na categoria Purple Island, no Nami Concours, a obra concorreu na Ásia com outros 1.777 artistas de 89 nações. Ficou entre os 150 selecionados de 43 países. Com esse resultado, o livro integrará o catálogo que marca esta edição do evento e fará parte da uma exposição internacional que ocorrerá por ocasião do Nambook Festival, na Coréia do Sul, em maio.

De acordo com Marilda, são as seleções, os prêmios e o retorno dos leitores que sempre a encorajam a continuar criando as próprias histórias. “Como autora e ilustradora, a expectativa que tenho para o livro é que ele possa não só atrair leitores, mas também provar que a convivência harmônica entre um homem e uma árvore não seja apenas uma utopia ou um simples sonho”, destaca. Para a autora, ver sua obra rodando o mundo é algo que a deixa muito feliz: “sinal de que a imagem não precisa de tradução”.

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Linguagem universal

Nesta obra que integra a coleção “História à Vista”, a autora promove indagações sobre harmonia e renovação, o real e o imaginário, e provoca reflexões sobre as possíveis transformações que podem surgir por meio da relação entre o ser humano e a natureza. O livro que levou dois anos para ter corpo, mostra a força de Marilda Castanha no desenho – a alegria, os amarelos e os tons terra que lhe são peculiares. Elaborado todo em tinta acrílica e máscara de aquarela, página a página, “Sem Fim” é um trabalho que reúne a paixão da autora pelas suas “árvores inventadas” ao ser humano, bem como a um elemento silencioso: a caixa, que nada mais é do que uma bela metáfora para a consciência.

E ao contrário do que parece, escrever um livro sem texto não é fácil. “Escrever com imagens é transformar cada elemento plástico (cor, luz, sombra) em elementos significativos, pois tudo se torna condutor da narrativa”, explica Marilda, ao citar a importância da harmonia com o projeto gráfico, o papel, os espaços em branco, as margens e a própria área para a costura do livro. Além disso, segundo ela, a imagem é uma linguagem universal, carregada de valores culturais e de identidade.

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A autora observa que compor um livro de imagens requer muito trabalho e pesquisa, uma vez que a narrativa visual tem uma gramática própria. “É que as vírgulas, os parágrafos, as exclamações, elementos que estão presentes na narrativa escrita e oral também existem sutilmente no livro de imagens. A virada de página, por exemplo, pode indicar uma vírgula, ou um novo parágrafo”, explicita. Recentemente, Marilda participou de outro projeto importante da Editora Positivo – a ilustração do conto “Bárbara”, que integra uma trilogia em homenagem ao centenário de Murilo Rubião.

Marilda Castanha começou a ilustrar livros infantis no final dos anos 80. Em 1997 participou de um Seminário de Ilustração na Bratislava (capital da Eslováquia). Ilustrou vários autores, participou de exposições e, em 2000, com o livro “Pindorama, terra das Palmeiras” ganhou os prêmios Runner up (Japão), Prix Octogone (Paris) e no Brasil o prêmio Jabuti de Ilustração. Em 2011 ganhou novamente o prêmio Jabuti com o livro “Mil e uma estrelas” e foi selecionada para o catálogo White Ravens, da Biblioteca Internacional da Juventude de Munique (Alemanha). Também participou de várias mostras da exposição Le Immagini della Fantasia, em Sármede, norte da Itália. Atualmente mora em Santa Luzia, região metropolitana de Belo Horizonte, com o marido (o ilustrador Nelson Cruz) e seus dois filhos.

O livro “Sem Fim” (60 páginas, R$ 54,90) é considerado uma obra interacionista e pode ser encontrado em livrarias de todo o Brasil ou no site da editora www.editorapositivo.com.br.

 

 

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