Personagens que ficaram de fora de Harry Potter

Que alguns personagens do universo de Harry Potter ficaram de fora dos filmes, isso todos sabemos. Ainda estamos tentando entender o porquê de terem tirado das telas Pirraça, o hilário poltergeist, que “assombrava” os corredores de Hogwarts, ou então Marietta Edgecombe, a grande dedo-duro da Armada de Dumbledore, que teve o que merecia graças à nossa bruxa favorita Hermione Granger.
Mas você provavelmente ainda desconhece as figuras que habitaram apenas a cabeça de J.K.Rowling, mas nunca conseguiram entrar nas páginas da saga do jovem bruxo. A MentalFloss reuniu alguns dos bruxos (e trouxas) que não sobreviveram às revisões e críticas dos editores e da própria autora.

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1 – O filho bruxo de Duda

Segundo Rowling, ela havia imaginado a última cena de As Relíquias da Morte com um pequeno e último plot twist: Duda Dursley teria tido um filho com sangue mágico. A criança iria para Hogwarts no mesmo dia que Alvo Severo, um dos rebentos de Harry. Mas a autora descartou a ideia, quando chegou à conclusão que qualquer gene mágico se desfaleceria ao entrar em contato com o DNA do tio Válter. Dessa forma, ela decidiu que um cartão de Natal por ano entre Duda e Harry seria contato o suficiente entre os dois primos.

2 – Pyrites, o capanga estiloso de Voldemort

Em seus rascunhos do primeiro capítulo da série, Rowling conta que havia imaginado vários cenários para a morte dos pais de Harry. Em um deles, um dos seguidores do Lorde das Trevas é enviado para encontrar Sirius Black. Pyrites, que quer dizer “ouro de tolo”, seria um comensal da morte extremamente estiloso e bem-vestido, sempre usando luvas brancas, as quais Rowling planejava manchar de sangue vez ou outra. Com o tempo, o personagem acabou tendo que ser cortado e a cena foi eliminada.

3 – Professor Trocar, o vampiro de Hogwarts

Apesar de a autora ter abandonado a ideia de trabalhar com vampiros na série, visto que o tema já havia sido exaustivamente explorado em outras publicações, Rowling havia considerado colocar um sugador de sangue no corpo docente da escola. Ela explicou que seu nome, Trocar, faria referência a um antigo instrumento usado para extrair fluídos corporais. O professor, porém, foi sendo abandonado com o tempo, nem mesmo chegando a ter uma matéria para ensinar.

4 – A irmã mais nova de Hermione

Rowling deu uma entrevista à BBC, em 2004, na qual revelou que sempre imaginou a bruxa mais brilhante de sua época tendo uma irmã caçula. Com o tempo, porém, a autora não mencionou em nenhum momento a quarta Granger, levando-a desistir da ideia por ser tarde demais para uma introdução de personagem.

5 – Mopsus, o vidente

A ideia de ter um bruxo cego com poderes premonitórios passou pela cabeça da autora da série, como ela comentou em uma entrevista coletiva de 2005. Seu nome seria baseado na mitologia grega e seus poderes extraordinários. Ele nunca sobreviveu aos primeiros rascunhos de A Pedra Filosofal, já que suas habilidades de prever o futuro atrapalhariam todo o enredo, desestabilizando o suspense criado durante a história. A professora Trelawney tomou seu lugar como grande vidente mais para frente, apesar de sua má fama de charlatã. Os traços de personalidade de Mopsus, no entanto, acabaram sendo transferidos para Olho-Tonto Moody.

6 – Mopsy, a velha louca dos cachorros

Ao contrário da Sra. Figg, a vizinha de Harry louca por gatos, Rowling considerava incluir uma personagem obcecada por cães no quarto livro da saga. Mopsy — cujo nome não possui nenhuma ligação com Mopsus — viveria nos arredores de Hogsmeade, o vilarejo localizado no perímetro do castelo de Hogwarts. A personagem seria a saída encontrada pela autora para dar um abrigo a Sirius quando ele estivesse tentando visitar seu afilhado. Transformando-se em cachorro, o animago seria abrigado pela bruxa, que o confundiria com um vira-lata qualquer. Mopsy, porém, foi cortada da história, já que o editor achou que ela não acrescentava muito à trama. O padrinho de Harry, então, acabou tomando como abrigo uma caverna da região.

7 – Mafalda, a Weasley sonserina

J.K.Rowling planejava incluir em O Cálice de Fogo uma rival para Hermione. Mafalda seria a filha de um dos primos de segundo grau do Sr. Weasley e seu objetivo seria infernizar a vida dos três amigos, enquanto eles estivessem indo assistir à Copa Mundial de Quadribol. Depois, a personagem teria um grande papel nas espionagens do trio. Por pertencer à Sonserina, ela conseguiria escutar as conversas dos filhos de Comensais da Morte e passaria toda informação para os amigos, na tentativa de impressioná-los. Além disso, Rowling explica que ela teria sido uma das únicas reais concorrentes de Hermione, sendo incrivelmente inteligente e, para completar, extremamente exibicionista. Apesar de gostar muito de Mafalda, a autora a descartou, já que tocar o enredo com ela mostrou-se desafiador. A autora a substituiu pela infame jornalista Rita Skeeter.

Fonte: Revista Galileu

“Bilôdesembolô”

Páginas Editora lança nesta terça-feira, 11/4, seu primeiro livro. A história infantil de Vanessa Corrêa narra a descoberta do corpo por uma pequena criança negra e ensina lições de igualdade e respeito pelas diferenças.

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Bonita, curiosa e inteligente, a pequena Bilô é a protagonista do primeiro livro que será lançado nesta terça-feira (11/4), 19 horas, pela Páginas Editora. “Bilôdesembolô” retrata a descoberta do corpo pela criança e, por meio da poesia, ensina lições de igualdade, amor e respeito pelas diferenças. A autoria é da psicopedagoga e mestre em Educação Tecnológica Vanessa Corrêa, com ilustrações de Iara Rachid.

O livro narra as curiosidades de Bilô, quando esta se vê no espelho: uma menina negra, de olhos redondos e azuis da cor do mar e cabelos crespos para todos os lados. Da experiência, a Bilô faz música: “Quantos buraquinhos, quantas ondinhas, quantas montanhas, quantas costelinhas…”

A temática escolhida pela autora, Vanessa Corrêa, veio de sua própria experiência como psicopedagoga. “A descoberta do corpo é inerente e natural a todo ser humano. Ela pode acontecer de maneira ampla, leve, suave e respeitosa ou de maneira pejorativa e restrita”, conta. Na trama, Bilô se depara com um grande problema: o racismo. Para a autora, a solução para evitar essas situações na vida real vem por meio do diálogo com os pequenos.

“As crianças não nascem preconceituosas, os conceitos e preconceitos são construídos e assimilados a partir do que lhes são transmitidos no núcleo familiar, bem como nos diversos ambientes e instituições que participam”, explica a autora. “As experiências e os conhecimentos adquiridos vão fazendo parte da formação de sua identidade”.

thumbnail_[CAPA] Alta resoluçãoPara traduzir a poesia e sabedoria de Bilô em ilustrações, Vanessa Corrêa recorreu aos trabalhos da artista visual Iara Rachid, que carrega experiência com publicações infantis. “Foi muito gratificante e libertador trabalhar a personagem dessa criança negra, que carrega a imagem de milhares de meninas do nosso país que precisam ser representadas”, diz Iara.

Segundo a ilustradora, o encanto pela proposta foi à primeira vista. Utilizando aquarelas, lápis de cor, giz pastel e ilustração digital, a artista criou o universo visual de “Bilôdesembolô”, presente nas quinze páginas do livro. “Ainda é um tabu na nossa sociedade ter curiosidade e vontade de conhecer o próprio corpo, principalmente quando se trata de meninas e mulheres”, conta Iara. “Falar, escrever e desenhar sobre isso é muito importante. E a personagem Bilô passa a mensagem com muita leveza”.

“Bilôdesembolô” é o primeiro livro da Páginas Editora criada pela jornalista e escritora Leida Reis. “Com muita satisfação inauguro a Páginas Editora com um livro que traz a mensagem de igualdade e da sabeboria”, conta Leida. “Lanço uma autora que tem prazer em ensinar com uma personagem muito forte e muito bonita. As ilustrações reforçam essa história de amor e beleza”.

O lançamento especial da obra será realizado na próxima terça-feira (11/4), a partir de 19 horas, no foyer do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046). Haverá sessão de autógrafos com as autoras, contação de história, música, pipoca, balas e pirulitos.

App para compartilhar livros

“Agenda BH” fala sobre o “OpenShelf”: o aplicativo que pode criar a maior estante coletiva de livros do mundo na palma da sua mão.

iPhone_7_SilverNão importa onde você esteja, basta ter um smartphone conectado à internet para baixar o aplicativo que está disponível na App Store e no Google Play e ter acesso ao Open Shelf. O nome é uma forma de universalizar a ferramenta que em português significa ‘estante aberta’. O aplicativo é uma forma simples e prática de compartilhamento de livros e tem a missão de ser a maior biblioteca coletiva do mundo. Para ele não há fronteiras. Só é preciso que o usuário se cadastre na plataforma e disponibilize, gratuitamente, todos os livros que puder compartilhar e busque os títulos que deseja ter em mãos. Os livros, quando disponibilizados na estante virtual, passam a ser de todos, podem ser vistos de acordo com a sua atual geolocalização e devem circular por qualquer lugar do planeta.

O Open Shelf é “filho” de outro projeto que existe desde janeiro de 2014, em Belo Horizonte: o Ponto do Livro; que também é uma estante de compartilhamento de livros e funciona de forma colaborativa, oferecendo nos pontos de ônibus uma viagem extra e prazerosa por todos os gêneros literários.

Hoje, três anos depois, já foram instalados 21 Pontos do Livro em oito cidades: Belo Horizonte, Itabirito, Lavras, Varginha, Santos Dumont, Patos de Minas, Nova Lima e Rio de Janeiro. O co-fundador e gestor dos dois projetos é o consultor de marketing, Pedro Ivo Dias, que depois de ter sua vida transformada após ler um livro decidiu contagiar outras pessoas com o poder de transformação e auto-conhecimento da literatura. Hoje os projetos contam com mais de 60 instituições parceiras correalizadoras e um número incontável de leitores e compartilhadores de livros. “Com o Ponto do Livro já temos mais, muito mais, de 40.000 livros circulando de mãos em mãos. E agora, com o Open Shelf, a ideia é expandir esse hábito para todo o mundo e mudar, definitivamente, a maneira como se tem acesso a livros, conhecimento, cultura e educação”, comemora ele.

O aplicativo Open Shelf foi desenvolvido com recursos da Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, Fundação Municipal de Cultura (projeto n° 337/2014), e em parceria com diversas instituições e membros compartilhadores de conhecimento.

Para acessar e compartilhar:

 Website: open-shelf.com

Facebook: www.facebook.com/openshelfapp

Instagram: @openshelfapp

E-mail: contato@open-shelf.com

Disponível no Google Play e App Store

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Mapas literários

Revista Superinteressante, de março, traz matéria de Pamela Carbonari, que está repercutindo muito no setor, apontando o escritor mais importante de cada Estado. Por outro lado, a Revista Galileu, também de março, divulga um mapa com os clássicos da literatura mundial.

1ii4Quando estava na escola, minha professora de Literatura pediu que escolhêssemos um livro do Érico Veríssimo para analisar ao longo do semestre. Ainda era abril e, apesar de já fazer algum frio nesta época do ano no Rio Grande do Sul, o termômetro naquele dia passava dos 25 graus. Lembro de ir à biblioteca em busca do primeiro volume de O Tempo e o Vento suando e poucas páginas depois de começar a leitura, sentir uma leve friagem ao ler as passagens em que Érico narra o vento Minuano cortando as noites na estância da família Terra – “Noite de ventos, noite de mortos”.

Algum tempo depois, essa mesma professora sugeriu que lêssemos Graciliano Ramos. Pedi o livro Vidas Secas a um amigo que me emprestou com a seguinte recomendação: “Até a metade você vai conseguir ler tranquilamente, mas depois é melhor ter uma garrafinha de água junto contigo”. De fato, durante a leitura senti a secura da cachorrinha Baleia e a apatia dos filhos de Fabiano dentro da boca, não deixando uma só gota de saliva descer pela garganta. Só consegui chegar ao fim seguindo o conselho do meu amigo.

Anos mais tarde, antes de visitar a Bahia, decidi que precisava ler Gabriela, Cravo e Canela. Em menos de 50 páginas, já tinha absorvido a cadência do sotaque mesmo sem ouvi-lo, sentia vontade de comer tapioca, acarajé, moqueca e de tomar uma(s) no bar do Nacib como se estivesse na Ilhéus do início do século.

Com ou sem cinestesias, os livros nos apresentam a lugares que, mesmo quando reais, talvez nunca visitaremos, nos transportam para enredos que não podemos mudar e nos deixam íntimos de personagens cujos sotaques, hábitos, personalidades e aparências são adaptações de alguém, releituras de várias pessoas coladas em um determinado tempo e espaço.

É essa junção de elementos que faz a obra de Jorge Amado ser sinônimo de Bahia e a de Érico Veríssimo de Rio Grande do Sul, é isso que faz a literatura ser um dos mais importantes símbolos para a formação da identidade cultural de um lugar.

Pensando nisso, selecionamos os 26 autores mais representativos de cada estado brasileiro. Nossa seleção se baseou em número de prêmios ganhos, participações em Academia de Letras de suas respectivas federações, cobrança nos vestibulares locais, número de traduções para línguas estrangeiras e, é claro, se o autor é reconhecido por sintetizar a identidade de cada estado — não sendo determinante seu local de nascimento.

Veja mais imagens do mapa neste link.

Literatura mundial

13aede8f-20ca-4144-9fbc-dc243ea1cdf7Qual é a principal obra literária de cada país?

Segundo matéria da Revista Galileu,  o usuário Backfoward24, do Reddit, tentou responder a essa pergunta de forma criativa: criando um mapa-múndi no qual cada parte do mundo é representada por um livro clássico ali produzido.

O Brasil, por exemplo, é representado por Dom Casmurro, de Machado de Assis. Já os Estados Unidos e o Canadá são ilustrados pelos livros O Sol é para Todos, de Harper Lee, e Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery, respectivamente. O escolhido para a Rússia foi Guerra e Paz, de Liev Tolstói, e o da França, Os Miseráveis, de Victor Hugo.

Claro que o mapa está sujeito a diferentes interpretações, já que cada país possui várias obras marcantes. O bacana do projeto de Backfoward24 é a possibilidade de conhecer novos títulos e autores de diferentes partes do mundo. Confira — e veja a imagem em alta resolução aqui.

A super feira dos livros infantis

Está começando a 54ª Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha (de 3 a 6 de abril), na Itália, considerada a maior do gênero em todo o mundo.

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O Brasil estará representado na 54ª Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha pelo Brazilian Publishers, projeto da Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos. Para representar o país, um estande de 96m² contará com a presença de 15 editoras reconhecidas pela sua atuação no mercado infanto-juvenil. São elas: Autêntica, Bom Jesus, Callis, Companhia das Letras, Cortez, Cria, Editora do Brasil, Escala, FTD, Girassol, IMEPH, Melhoramentos, Pallas, Sesi/Senai e Todolivro.

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Além da participação na feira, o Brasil poderá conquistar um grande prêmio, recebido uma única vez, em 2013, pela Cosac Naify. Fruto do reconhecimento por seu trabalho, a Companhia das Letras – editora apoiada pelo Brazilian Publishers – concorre esse ano ao prêmio de melhor editora de livros infantis em Bolonha, o Bologna Prize Best Children´s Publishers of the Year. A editora concorre com a Babel Libros (Colômbia), Ediciones El Naranjo (México), Fondo de Cultura Económica (México) e Tecolote (México).

untitledA Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) apresenta na feira italiana o catálogo “FNLIJ’s selection of Brazilian writers, illustrators and publishers” disponível para download no site www.fnlij.org.br.

Na edição de 2017 da publicação, em inglês, impressa com apoio da editora FTD, está a lista dos livros que ficarão expostos no estande da entidade, com 120 títulos selecionados de autores brasileiros. A lista apresenta as capas de cada livro e sua resenha, sendo dividida pelas categorias Criança, Jovem, Não ficção, Poesia, Livros de imagem, Drama e Reconto. As categorias Teórico e Reedições contam apenas com os títulos dos livros.

Com capa de Marilda Castanha, de seu livro “Sem fim” (Editora Positivo), um dos vencedores do 3º Concurso de Ilustrações da ilha de Nami na categoria Purple Island, o catálogo também contém os vencedores do Prêmio FNLIJ 2016, a nova edição de O Saci, de Monteiro Lobato, pela editora Globo, a candidatura de Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi para o Prêmio Hans Christian Andersen – IBBY de 2018, bem como os títulos brasileiros constantes no catálogo White Ravens de 2016.

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Ainda na programação da FNLIJ, na feira de Bolonha, o escritor e ilustrador Roger Mello, vencedor do prêmio Hans Christian Andersen em 2014, receberá ilustradores que queiram mostrar seu portfólio. A atividade acontecerá no estande da FNLIJ com o objetivo de dar oportunidade a jovens ilustradores de conversar sobre seu trabalho com um artista de relevo internacional e grande rigor artístico. Aberto aos visitantes da feira, a atividade está marcada para a terça-feira, 4 de abril, das 16h às 18h.

Link da feira: http://www.bookfair.bolognafiere.it/home/878.htm

Dia Internacional do Livro Infantil

hans-christian-andersen1O patinho feio

Os sapatos vermelhos

O soldadinho de chumbo

A pequena sereia

A roupa nova do rei

A pequena vendedora de fósforos

A princesa e a ervilha

A polegarzinha

A rainha da neve

A pastora e o limpa chaminés

O pequeno Cláudio e o grande Cláudio

Quem não conhece essas histórias? Elas nos acompanham e encantam há gerações e gerações. Seu autor é o dinamarquês Hans Christian Andersen, nascido em 2 de abril de 1805 e falecido em 4 de agosto de 1875 _ imagem acima.

Sim. Hoje seria o dia do aniversário de seu nascimento. Desse mago da leitura. Desse escritor do qual não nos afastamos e estamos sempre dispostos a ler suas histórias e recontá-las. Por hoje ser o dia de seu nascimento, é comemorado o Dia Internacional do Livro Infantil.

Para registrar esta data, o blog publica uma das histórias de Andersen:  “O pequeno Cláudio e o grande Cláudio”, que não é das mais populares e, por isso, vale a pena ser divulgada para que entre  no rol das favoritas para ser contada para as crianças.

“O pequeno Cláudio e o grande Cláudio”

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“Numa aldeia viviam dois homens que tinham o mesmo nome. Os dois eram chamados de Cláudio. Um deles tinha quatro cavalos, mas o outro tinha somente um; de modo que para diferenciá-los, as pessoas chamavam o dono dos quatro cavalos de, “O Grande Cláudio,” e aquele que possuía somente um de, “Pequeno Cláudio.” Agora nós vamos saber o que aconteceu com eles, porque esta é uma história verdadeira.

Durante a semana toda, o pequeno Cláudio era obrigado a arar as terras para o Grande Cláudio, e emprestar o seu único cavalo; e uma vez por semana, no domingo, o Grande Cláudio emprestava para ele os seus quatro cavalos. Então, o pequeno Cláudio podia usar e abusar de todos os cinco cavalos, porque naquele dia era como se todos eles lhe pertencessem. O sol brilhava poderoso, e os sinos da igreja tocavam alegremente a medida que as pessoas passavam, vestidas com seus melhores trajes, trazendo o livro de orações debaixo dos braços. Todos estavam indo para ouvir o pastor fazer o sermão. Eles viam o pequeno Cláudio arando com seus cinco cavalos, e ele estava tão orgulhoso de usar o chicote, e dizia, “Força, meus cinco cavalos.”

“Você não deve falar assim,” disse o grande Cláudio; “pois somente um deles pertence a você.” Mas o pequeno Cláudio esquecia logo o que ele tinha de dizer, e quando alguém passava ele gritava, “Força, meus cinco cavalos!”

“Ora, eu gostaria que você não dissesse isso novamente,” disse o grande Cláudio; “pois se o fizer, eu darei um golpe tão grande na cabeça do seu cavalo, que ele vai cair morto no mesmo lugar, e você nunca mais o verá.”

“Prometo que nunca mais vou falar isso,” disse o outro; mas assim que as pessoas passavam, e balançavam a cabeça para ele, e lhe diziam “Bom Dia,” ele ficava tão satisfeito, e pensava como ele parecia poderoso com cinco cavalos arando o seu campo, que ele voltava a gritar novamente, “Força, todos os meus cavalos!”

“Deixa que eu comando os cavalos para você,” disse o grande Cláudio; e pegando um martelo, golpeou na cabeça o único cavalo do pequeno Cláudio, o qual caiu morto instantaneamente.

“Oh, agora eu não tenho nenhum cavalo,” disse o pequeno Cláudio, chorando. Pouco depois, ele retirou a pele do cavalo morto, e a deixou para secar ao vento. Depois, ele enfiou a pele seca dentro de um saco, e, colocou-a no ombro, e foi até a cidade vizinha para vender a pele do cavalo. O caminho a percorrer era muito longo, e ele tinha de passar no meio de uma floresta escura e tenebrosa. Não demorou muito e despencou uma tempestade, e ele perdeu o caminho, e antes que ele descobrisse o caminho certo, a noite chegou, e o caminho para a cidade mais próxima era longo, e para retornar para casa também já não era mais possível.

Perto da estrada havia uma fazenda muito grande. Do lado de fora se via que as janelas estavam fechadas, mas viam-se luzes pelas fendas da janela no alto. “Eu vou pedir permissão para passar esta noite aqui,” pensou o pequeno Cláudio; então ele se aproximou da porta e bateu. A esposa do fazendeiro abriu a porta; mas quando ela soube o que ele queria, ela pediu para que ele fosse embora, pois o seu marido não iria permitir que ela autorizasse a entrada de estranhos. “Então eu sou obrigado a me deitar aqui fora,” disse o pequeno Cláudio para si mesmo, assim que a esposa do fazendeiro fechou a porta na cara dele.

Perto da fazenda havia grandes montes de feno, e entre a casa e os montes de feno havia uma pequena cobertura, feita de palha. “Eu vou ficar deitado aqui,” disse o pequeno Cláudio, assim que avistou a cobertura; “terei uma cama deliciosa, mas eu espero que a cegonha não desça até aqui e meta o bico nas minhas pernas;” porque em cima do telhado vivia uma cegonha, que havia feito um ninho ali. Então o pequeno Cláudio subiu até o teto da cobertura, e enquanto ele buscava melhor para se acomodar, ele descobriu que as janelas de madeira, que estavam fechadas, dispunham de frestas, de modo que ele podia ver todo o recinto, onde havia uma mesa enorme disposta com vinho, carne assada, e um peixe magnífico.

A esposa do fazendeiro e o sacristão estavam sentados juntos à mesa; e ela enchia o copo dele, e servia peixe a ele com abundância, que parecia ser seu prato favorito. “Ah, se eu pudesse comer um pouquinho, também,” pensou o pequeno Cláudio; e então, quando ele esticou o seu pescoço em direção à janela, ele pode ver uma torta grande e apetitosa, — realmente, eles estavam degustando um delicioso banquete diante dele.

Nesse momento, ele ouviu o barulho de alguém que descia a estrada, e se dirigia para a fazenda. Era o fazendeiro que estava voltando para casa. Ele era um bom homem, porém, tinha um preconceito muito estranho, — ele não podia ver um sacristão. Se um aparecesse na sua frente, ele ficava subitamente furioso. Era por isso então, que o sacristão tinha ido visitar a esposa do fazendeiro durante a ausência do marido dela, e a bondosa mulher havia colocado para servir a ele o melhor que ela tinha na casa para comer.

Quando ela ouviu que o fazendeiro estava chegando ela ficou assustada, e pediu ao sacristão para que se escondesse dentro de um grande armário vazio que havia no recinto. Assim fez ele, pois ele sabia que o marido dela não suportava ver um sacristão. A mulher então pegou o vinho rapidamente, e escondeu todo o resto do banquete dentro do forno; pois se o seu marido tivesse visto tudo, ele iria querer saber porquê eles haviam sido trazidos ali.

“Oh, que pena,” suspirou o pequeno Cláudio no alto do telhado, assim que viu todas aquelas delícias serem guardadas.

“Tem alguém aí em cima?” perguntou o fazendeiro, olhando para cima e descobrindo o pequeno Cláudio. “Porque você está deitado aí? Desça, e entre na casa comigo.” Então o pequeno Cláudio desceu e contou ao fazendeiro que ele havia se perdido na floresta e solicitou a acolhida por uma noite.

“Tudo bem,” disse o fazendeiro; “mas, primeiro, precisamos comer alguma coisa.”

A mulher recebeu os dois com a máxima cordialidade, pendurou a roupa em cima de um móvel grande, e colocou diante deles um prato com mingau de aveia. O fazendeiro estava com muita fome, e comeu o seu mingau com grande apetite, mas o pequeno Cláudio não conseguia parar de pensar nos deliciosos assados, peixes e tortas, os quais ele sabia estarem no forno. Sob a mesa, aos seus pés, ficava o saco contendo a pele de cavalo, que ele pretendia vender na cidade próxima.

Agora o pequeno Cláudio não desejava de modo algum saborear o mingau, então ele pisou com o seu pé no saco que estava debaixo da mesa, e o couro seco fez um ruido bem alto. “Silêncio!” disse o pequeno Cláudio para o seu saco, ao mesmo tempo em que dava outro pisão no saco, foi quando se ouviu um rangido ainda mais alto.

“Ei! o que você tem dentro do saco!” perguntou o fazendeiro.

“Oh, é um saco mágico,” disse o pequeno Cláudio; “e ele está dizendo que nós não precisamos comer o mingau, pois ele está dizendo que o forno está cheio de assados, peixes, e tortas.”

“Maravilha!” disse o fazendeiro, levantando-se e abrindo a porta do forno; e lá estavam as deliciosas guloseimas escondidas pela esposa do fazendeiro, mas que ele imaginava tinham sido descobertas pelo saco mágico que estava debaixo da mesa. A mulher não ousou dizer nada; então ela colocou tudo na frente deles, e os dois comeram o peixe, a carne, e a torta.

Então o pequeno Cláudio deu outro pisão no saco, e ele rangiu como antes. “O que ele está dizendo agora?” perguntou o fazendeiro.

“Ele está dizendo,” respondeu o pequeno Cláudio, “que há três garrafas de vinho para nós, colocadas ali no canto, perto do forno.”

Então a mulher foi obrigada a trazer o vinho também, que ela tinha escondido, e o fazendeiro bebeu até ele começar a ficar feliz. Ele havia gostado do tal saco mágico que o pequeno Cláudio havia trazido ali. “Ele é capaz de adivinhar coisas ruins?” perguntou o fazendeiro. “Eu gostaria de ver isso agora que estou feliz.”

“Oh, sim!” respondeu o pequeno Cláudio, “o meu saco mágico pode fazer qualquer coisa que eu lhe pedir, — não é mesmo?” perguntou ele, ao mesmo tempo em que pisava no saco até que ele rangesse. “Está ouvindo? ele respondeu ‘Sim,’ mas o saco mágico receia que nós não vamos querer olhar para ele.”

“Oh, mas eu não tenho medo. Como é a cara dele?”

“Bem, ele é meio parecido com um sacristão.”

“Deus me livre!” disse o fazendeiro, “então ele deve ser muito feio. Você sabia que eu não suporto ver a cara de um sacristão. Todavia, isso não importa, quero saber quem ele é; ou não vou me importar. No entanto, embora eu tenha coragem, não deixe que ele se aproxime muito de mim.”

“Tudo bem, mas antes eu preciso consultar o saco mágico,” disse o pequeno Cláudio; então ele pisou no saco, e baixou a orelha para ouvir.

“O que ele está dizendo?”

“Ele está dizendo para que você vá e abra aquele armário grande que está ali no canto, e você verá o tinhoso agachado lá dentro; porém, você deve segurar a porta com firmeza, para que ele não possa fugir.”

“Você pode vir me ajudar a segurá-lo?” disse o fazendeiro, indo em direção ao armário onde a sua esposa havia ocultado o sacristão, que agora estava lá dentro, muito assustado. O fazendeiro abriu a porta bem devagar e deu uma espiada.

“Oh,” exclamou ele, saltando para trás, “Eu vi, e ele é exatamente como o nosso sacristão. Como ele é assustador!” Então, depois disso, ele foi obrigado a beber mais um gole, e eles se sentaram e beberam até tarde da noite.

“Você precisa vender o seu saco mágico para mim,” disse o fazendeiro; “peça quanto quiser, eu pago; na verdade, eu lhe daria uma grande quantia em ouro.”

“Não, na verdade, eu não posso,” disse o pequeno Cláudio; “imagine o que eu poderia deixar de lucrar se eu me desfizesse deste saco mágico.”

“Mas eu gostaria de comprá-lo,” disse o fazendeiro, continuando com sua insistência.

“Bem,” disse, finalmente, o pequeno Cláudio, “como você foi generoso me oferecendo uma noite de hospedagem em sua casa, eu não vou recusar; você pode ficar com o saco mágico por uma quantia em dinheiro, mas eu desejo o valor integral.”

“Sem dúvida você receberá,” disse o fazendeiro; “mas você deve levar o armário também. Eu não o quero aqui em casa nem mais uma hora; quem poderá afirmar que o tinhoso ainda não esteja lá dentro.”

Então o pequeno Cláudio deu ao fazendeiro o saco contendo o couro do cavalo morto, e recebeu em troca uma grande quantia em dinheiro — integralmente. O fazendeiro lhe ofereceu também um carrinho de mão para que ele levasse o armário e o ouro.

“Passe bem,” disse o pequeno Cláudio, a medida que ele se distanciava com o dinheiro e o pesado armário, onde o sacristão ainda estava escondido. De um lado da floresta havia um rio grande e profundo, a água corria com tanta velocidade que eram poucos os que conseguiam nadar contra a correnteza. Uma ponte nova havia sido construída nos últimos dias para atravessá-lo, e no meio desta ponte o pequeno Cláudio parou, e disse, bem alto para que o sacristão o ouvisse, “Agora, o que devo fazer com este armário inútil; ele é tão pesado como se estivesse cheio de pedras: eu ficarei cansado se eu o continuar carregando, então eu devo jogá-lo no rio; se ele vier flutuando atrás de mim até a minha casa, tudo bem, se não, ele não me será necessário.”

Então ele pegou o armário na mão e o levantou levemente, como se fosse jogá-lo dentro do rio.

“Não, não faça isso,”gritou o sacristão de dentro do armário; “primeiro me deixe sair.”

“Oh,” exclamou o pequeno Cláudio, fingindo estar assustado, “ele ainda está lá dentro, não está? Então eu devo jogá-lo no rio, para que ele se afogue.”

“Oh, não; oh, não,” exclamou o sacristão; “Eu lhe darei uma grande quantidade em dinheiro se você me deixar sair.”

“Porquê, essa é uma outra questão,” disse o pequeno Cláudio, abrindo o armário. O sacristão saiu com dificuldade, empurrou o armário vazio para dentro da água, e foi para sua casa, então ele pegou uma grande quantidade de ouro e a ofereceu ao pequeno Cláudio, que já havia recebido a mesma quantidade por parte do fazendeiro, de modo que agora ele tinha um barril cheio.

“Eu fui muito bem pago pelo meu cavalo,” disse o pequeno Cláudio quando ele chegou em casa, ele entrou no seu quarto, e derramou todo o dinheiro formando um amontoado no assoalho. “Sem dúvida, o grande Cláudio ficará irritado quando ele descobrir como eu fiquei rico apenas com meu único cavalo; mas eu não direi a ele exatamente como tudo aconteceu.” Então ele mandou que um garoto fosse até o grande Cláudio para lhe emprestar um barril.

“Para que ele quer o barril?” pensou o grande Cláudio; então ele passou pixe no fundo do barril, para que qualquer coisa que fosse colocada nele grudasse e ali permanecesse. E assim aconteceu; pois quando o barril foi devolvido, três novos florins de prata ficaram colados a ele.

“Mas o que significa isto?” disse o grande Cláudio; então ele foi correndo para a casa do pequeno Cláudio, e perguntou, “Onde você conseguiu tanto dinheiro?”

“Oh, foi a pele do meu cavalo, eu a vendi ontem.”

“Você foi muito bem pago,” disse o grande Cláudio; e ele correu para sua casa, pegou um machadinho, e deu um golpe na cabeça de cada um de seus quatro cavalos, tirou a pele dos quatro, e as levou para a cidade para vender. “Peles, peles, quem quer comprar peles?” gritava ele, a medida que caminhava pelas ruas. Todos os sapateiros e curtidores de pele vieram correndo, e perguntaram a ele por quanto ele estava vendendo.

“Um barril de dinheiro, para cada cavalo,” respondeu o grande Cláudio.

“Você está louco?” gritaram todos eles; “você acha que temos dinheiro para gastar em quantidades de um barril?”

“Peles, peles,” ele voltou a gritar, “quem quer comprar peles?” mas a todos que perguntavam o preço, a sua resposta era, “um barril de dinheiro.”

“Ele está nos fazendo de tolos,” disseram todos eles; então os sapateiros pegaram suas cintas, e os curtidores seus aventais de couro, e começaram a surrar o pequeno Cláudio.

“Peles, peles!” gritavam eles, zombando dele; “sim, deixaremos uma marca na pele para você, até que ela fique toda marcada.”

“Vamos expulsá-lo da cidade,” disseram eles. E o grande Cláudio foi obrigado a correr o mais rápido que podia, nunca antes em sua vida ele havia apanhado tanto.

“Ah,” disse ele, assim que chegou em casa; “O pequeno Cláudio vai me pagar por isto; eu vou matá-lo de tanto bater.”

Durante esse período, a avozinha do pequeno Cláudio tinha morrido. Ela tinha sido nervosa, cruel e muito maldosa com ele; mas ele lamentava isso, e pegou a velhinha morta e a colocou em sua cama quentinha para ver se ele conseguia trazê-la à vida novamente. Alí ele decidiu que ela devia ficar a noite toda, enquanto ele ficou sentado numa cadeira num canto do quarto como frequentemente ele fazia isso antes. Durante a noite, enquanto ele ficou sentado ali, a porta se abriu, e o grande Cláudio entrou com um machadinho. Ele sabia bem onde a cama do pequeno Cláudio ficava; então ele foi em direção a ela, e golpeou a avozinha na cabeça, pensando que pudesse ser o pequeno Cláudio.

“Toma,” exclamou ele, “agora você nao vai mais me fazer de tolo novamente;” e então ele foi para casa.

“Esse cara é muito maldoso,” pensou o pequeno Cláudio; “ele pretendia me matar. Ainda bem que a minha avó já estava morta, ou ele a teria matado.” Então ele vestiu a sua avó com a sua melhor roupa, emprestou um cavalo do seu vizinho, e o atrelou a uma carroça.

Depois ele colocou a velhinha no banco de trás, de modo que ela não caísse enquanto ele dirigia, e seguiu pela floresta. Ao amanhecer eles chegaram a uma grande estalagem, onde o pequeno Cláudio parou para comer alguma coisa. O estalajadeiro era um homem rico, e muito bom; mas tão impetuoso com se tivesse sido feito de pimenta e rapé.

“Bom Dia,” disse ele ao pequeno Cláudio; “você chegou cedo hoje.”

“Sim,” disse o pequeno Cláudio; “Eu estou indo à cidade com a minha avó; ela está sentada atrás na carroça, mas ela não pode vir até aqui. Será que você poderia levar um copo de mel para ela? mas você deve falar bem alto, porque ela não consegue ouvir.”

“Sim, certamente que posso,” respondeu o estalajadeiro; e, derramando mel dentro de um copo, ele o levou para a avó que estava morta, mas que estava sentada verticalmente na carroça. “Aqui está um copo de mel que o seu neto me pediu para trazer,” disse o estalajadeiro. A velhinha morta não respondia nada, mas continuava sentada. “Você não ouviu o que eu disse?” gritou o estalajadeiro o mais alto que pode; “aqui está o copo de mel do seu neto.”

Várias vezes ele gritava, mas como ela não se mexia ele ficou furioso, e jogou o copo de mel na cara dela; o copo ficou grudado no nariz dela, e ela caiu de costas para fora da charrete, porque ela estava somente sentada lá, não estava amarrada.

“Hei!” gritou o pequeno Cláudio, saindo impetuosamente pela porta, e agarrando o estalajadeiro pela garganta; “você matou a minha avó; veja, ela está com um buraco enorme na testa.”

“Oh, que azar,” disse o estalajadeiro, retorcendo as mãos. “Tudo isso acontece por causa do meu péssimo temperamento. Querido pequeno Cláudio, eu lhe darei um barril de dinheiro; e sepultarei a sua avó como se ela fosse minha avó; somente não conte nada para ninguém, ou eles vão me cortar a cabeça, e isso seria muito desagradável.”

E assim aconteceu que o pequeno Cláudio recebeu outro barril de dinheiro, e o estalajadeiro sepultou a sua querida avó como se fosse a dele próprio. Quando o pequeno Cláudio chegou em casa novamente, ele imediatamente enviou um garoto até a casa do grande Cláudio, pedindo-lhe que lhe emprestasse uma barril como medida. “Mas porquê será isso?” pensou o grande Cláudio; “será que eu não o matei? Preciso ir lá para ver com meus próprios olhos.” Então ele foi até o pequeno Cláudio, e levou a medida de um barril consigo. “Como você conseguiu todo esse dinheiro?” perguntou o grande Cláudio, arregalando bem os seus olhos diante do tesouro do seu amigo.

“Você matou a vovó e não eu,” disse o pequeno Cláudio; “então eu a vendi por um barril de dinheiro.”

“Esse me parece ser um bom preço,” disse o grande Cláudio. Então ele foi para casa, pegou uma machadinha, e matou a própria avó com um só golpe. Depois ele a colocou numa charrete, e partiu rumo à cidade até o boticário, e lhe perguntou se ele queria comprar um defunto.

“De quem é o corpo, e onde você o conseguiu?” perguntou o boticário.

“É a minha avó,” respondeu ele; “Eu a matei com um único golpe, para que eu pudesse conseguir um barril de dinheiro com o corpo dela.”

“Deus me livre!” disse o boticário, “você deve estar louco. Não me diga essas coisas, ou você perdeu todo o juízo.” E então o boticário falou a ele seriamente sobre o mal que ele tinha cometido, e lhe disse que um homem tão mau assim certamente merecia ser punido. O grande Cláudio ficou tão assustado que imediatamente correu para fora da sala de cirurgia, pulou rapidamente para dentro de sua carroça, deu uma chibatata em seus cavalos, e sem perda de tempo correu desesperado para casa. O boticário e todas as pessoas acharam que ele tinha ficado louco, e deixavam que ele dirigisse a charrete para onde ele quisesse.

“Você me pagará por isto,” disse o grande Cláudio, assim que ele colocou o pé na estrada, “ah, e como pagará, pequeno Cláudio.” Então assim que ele chegou em casa ele pegou o maior saco que ele conseguiu encontrar e partiu em direção à casa do pequeno Cláudio. “Você me pregou uma nova peça,” disse ele. “Primeiro, eu matei todos os meus cavalos, e depois a minha avó, e tudo por sua culpa; mas você não vai mais me fazer de bobo.” Então ele colocou a mão em volta do corpo do pequeno Cláudio, e o empurrou para dentro do saco, e depois ele colocou o saco nos ombros, dizendo, “Agora eu vou afogá-lo no rio.

Ele tinha um longo caminho a percorrer antes de chegar ao rio, e o pequeno Cláudio não era um peso muito leve de se carregar. A estrada passava perto da igreja, e quando eles passavam em frente ele pode ouvir o órgão tocando e as pessoas cantando com muita alegria. O grande Cláudio colocou o saco perto da porta da igreja, e achou que ele também poderia entrar e ouvir um salmo antes de continuar a caminhada. O pequeno Cláudio com certeza não conseguiria sair do saco, e todas as pessoas estavam dentro da igreja; então ele entrou também.

“Oh que azar, oh que azar,” suspirava o pequeno Cláudio dentro do saco, enquanto ele virava e se revirava por todos os lados; mas ele achava que ele não conseguiria soltar o cordão com o qual o saco havia sido amarrado. Por acaso, um velho criador de gados, de cabelos esbranquiçados, passava por perto, e levava na mão uma vara bastante longa, com a qual ele comandava uma grande manada de vacas e bois que iam na frente. Eles tropeçaram no saco onde o pequeno Cláudio estava, virando-o de lado. “Oh que azar,” suspirou o pequeno Cláudio, “Eu sou muito jovem, e logo estarei indo para o céu.”

“E eu, meu pobre amigo,” disse o charreteiro, “E eu, sendo tão velho, jamais chegarei lá.”

“Abra o saco,” gritou o pequeno Cláudio; “entre dentro dele no meu lugar, e logo você estará lá.”

“Com a maior alegria,” respondeu o charreteiro, abrindo o saco, de onde o pequeno Cláudio saltou para fora o mais rápido possível. “Você vai cuidar do meu gado?” disse o velhinho, enquanto entrava dentro do saco.

“Sim,” disse o pequeno Cláudio, e ele amarrou o saco, e depois foi embora com todas as vacas e os bois.

Quando o grande Cláudio saiu da igreja, ele pegou o saco, e o colocou de volta em seus ombros. Ele parecia ter ficado mais leve, pois o velho charreteiro não tinha a metade do peso do pequeno Cláudio.

“Como ele está parecendo leve agora,” disse ele. “Ah, é porque eu fui a igreja!” Então ele caminhou até o rio, o qual era profundo e largo, e jogou o saco contendo o velho charreteiro dentro da água, acreditando que fosse o pequeno Cláudio. “É aí que você deve ficar!” exclamou ele; “agora você não irá me pregar nenhuma peça mais.” Então ele se virou para ir para casa, mas quando ele chegou no lugar onde as duas rodovias se cruzavam, lá estava o pequeno Cláudio comandando o gado. “Como pode ser isto?” disse o grande Cláudio. “Eu não acabei de matar você afogado agora mesmo?”

“Sim,” disse o pequeno Cláudio; “você me jogou dentro do rio a cerca de meia hora atrás.”

“Mas onde você conseguiu todos esses belos animais?” perguntou o grande Cláudio.

“Estes animas são gados marinhos,” respondeu o pequeno Cláudio. “Eu vou lhe contar a história toda, e lhe agradecer por ter-me afogado; eu me tornei superior a você agora, porque fiquei muito rico. Eu estava assustado, para dizer a verdade, quando eu estava amarrado dentro do saco, e o vento soprou em meus ouvidos quando você me atirou da ponte para dentro do rio, e eu afundei até o fundo do rio imediatamente; mas eu não me machuquei, porque eu caí sobre uma grama linda e macia que nasce lá embaixo; e de repente, o saco se abriu, e uma linda sereia veio na minha direção. Ela usava vestidos brancos como a neve, e ela tinha uma grinalda de folhas verdes em seus cabelos molhados. Ela me pegou pelas mãos, e disse, ‘Então você chegou, pequeno Cláudio, eis aqui alguns gados para você começar. Meia milha depois na estrada, há uma outra manada para você.’ Então eu vi quando o rio formou uma grande estrada para as pessoas que vivem no mar. Elas estavam andando e indo de lá para cá, do mar para a terra, até o lugar onde o rio terminava. O leito do rio estava coberto das flores mais lindas e de uma relva fresca e macia. Os peixes me ultrapassavam tão rapidamente como fazem os pássaros do céu. As pessoas eram tão bonitas, e que gados belíssimos estavam pastando nos montes e nos vales!”

“Mas porquê você voltou novamente,” disse o grande Cláudio, “se tudo era tão lindo lá em baixo? Eu não teria feito isso?”

“Bem,” disse o pequeno Cláudio, “foi uma boa estratégia da minha parte; você ouviu quando eu disse agora mesmo que uma sereia do mar me havia dito para seguir mais meia milha no caminho, e eu encontraria toda uma manada de gado. Falando de estrada, ela queria dizer o rio, pois de modo algum ela consegue viajar pela estrada de terra; mas eu sabia como o rio era sinuoso, e como ele se curva, algumas vezes para a direita e algumas vezes para a esquerda, e esse me pareceu um caminho muito longo, então eu decidi pegar um atalho; e, subindo pelo caminho de terra, e depois voltando pelos campos de volta para o rio, terei economizado meia milha, e terei conseguido todo o meu gado mais rapidamente.”

“Que cara de sorte você é!” exclamou o grande Cláudio. “Você acha que eu conseguiria algum gado marinho se eu descesse até o fundo do rio?”

“Sim, eu acho que sim,” disse o pequeno Cláudio; “mas eu não vou carregar você até lá dentro de um saco, você é pesado demais. Todavia, se você for lá primeiro, e depois entrar dentro de um saco, eu o jogarei com o maior prazer.”

“Obrigado,” disse o grande Cláudio; “mas lembre-se, se eu não encontrar nenhum gado marinho lá em baixo e subo aqui novamente e lhe dou uma boa surra.”

“Não, agora, não tenha muita certeza disso!” disse o pequeno Cláudio, enquanto eles caminhavam até o rio. Quando eles chegaram perto, os gados, que estavam com muita sede, viram o rio, e desceram para beber.

“Veja como eles estão com pressa,” disse o pequeno Cláudio, “eles estão desesperados para descer lá novamente,”

“Venha, me ajude, rápido,” disse o grande Cláudio, afoito, “ou você vai apanhar.” Então ele entrou dentro de um saco grande, que estava nas costas de um dos bois.

“Coloque uma pedra grande dentro,” disse o grande Cláudio, “ou ou não vou afundar.”

“Oh, não fique preocupado com isso,” respondeu ele; e colocou uma pedra bem grande dentro do saco, e depois o amarrou bem apertado, e deu um empurrão.

“Plump!” Lá foi o grande Cláudio, que imediatamente afundou até o fundo do rio.

“Eu acho que ele não vai encontrar nenhum gado,” disse o pequeno Cláudio, e levou toda a sua manada de volta para casa.