Novas formas de incentivar crianças a lerem

ranbir-kapoor-storytelling-to-kids

Um livro nas mãos de uma criança pode levá-la a viajar por um mundo de imaginações, fantasia e magia, jamais alcançado por filmes, TV e games. Um momento que será só delas e com certeza uma boa história que jamais esquecerão. O simples estimulo à leitura na infância ajuda a criança a exercitar o cérebro, ter melhor desempenho acadêmico e, até mesmo, a criar uma sociedade mais igualitária.

O professor Júlio César Michelato, coordenador de português do ensino fundamental no colégio Objetivo, em uma entrevista à revista Época, afirmou que a leitura extraclasse gera resultados em sala de aula.

Há uma diferença enorme na produção dos alunos que leem em relação aos que não costumam pegar em livros. “Os que leem têm uma bagagem maior, sabem reivindicar, argumentar com mais propriedade”, afirmou.

Sabendo disso o Vá de Cultura pesquisou e separou sete dicas de como incentivar as crianças ao hábito da leitura.

1 – Crie vozes e ruídos

O simples fato de transformar a leitura em uma brincadeira, com vozes para diferentes personagens, ruídos de vento água, barulhos dos objetos, portas batendo e etc, prenderá atenção das crianças, estimulando-as a imaginar com mais facilidade os acontecimentos.

2 – Encene os personagens

Use objetos que estão esquecidos no guarda roupa. Luvas, chapéus ou qualquer roupa antiga já servirá de disfarce. Quem sabe uma capa de super herói ou um kit de maquilagem infantil para caracterizar cicatrizes, bigodes ou envelhecer.

3 – Conheça o tipo de leitura preferida

Descubra qual tipo de história mais prende a atenção das crianças e leia mais sobre assuntos do gosto delas. Se gosta de contos de fadas, histórias de super-heróis, quadrinhos ou fábulas, procure explorar os estilos que mais as interessem.

4 – Não deixe de contar os grandes clássicos

Clássicos da literatura como Os Três Porquinhos, Chapeuzinho Vermelho ou Branca de Neve e Os Sete Anões, mesmo após muitos anos do lançamento, ainda farão parte de muitas e muitas gerações e, com certeza, guiarão as crianças numa viagem por esse lindo mundo.

5 – Seja exemplo Crianças são curiosas

Quando uma criança vê um adulto lendo, geralmente se interessa pelo assunto. Explique sobre o que se trata e convide-a para ler junto com você. Pergunte a ela como foi a leitura e do que tratava o contexto, assim ela terá mais facilidade em pegar o hábito da leitura.

6 – Frequente livrarias e bibliotecas

Frequente a programação das livrarias e bibliotecas, assim, a interação das crianças com o mundo dos livros será mais natural pois, além de poder filtrar as histórias de acordo com os setores de interesses delas, as crianças conhecerão diversas outras possibilidades de leituras que ainda não as foram apresentadas.

7 – Conheça o autor

Fale mais sobre os autores dos livros que elas gostam. Conte sobre suas histórias de vida e dê exemplos de outros livros que eles escreveram. Esta é uma ótima dica para aumentar, aos poucos, o repertório de livros dos pequenos leitores. E você, tem alguma outra dica que possa ajudar as pessoas no incentivo à leitura infantil? Compartilhe com a gente nos comentários abaixo.

Fonte: Denner Morais – É formado em fotografia, trabalha na área desde 2006 e hoje é diretor de audiovisual do Vá de Cultura.

59º Prêmio Jabuti abre inscrições

Livros publicados em primeira edição, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2016, poderão ser inscritos no prêmio literário até 18 de julho de 2017.
59º-Prêmio-Jabuti

O 59º Prêmio Jabuti, realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), está com as inscrições abertas. O mais tradicional e prestigiado prêmio do livro brasileiro conta com 29 categorias, incluindo as duas novas anunciadas no início do mês: “História em Quadrinhos” e “Livro Brasileiro Publicado no Exterior”. Podem ser inscritas, até o dia 18 de julho, obras publicadas em primeira edição, entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2016. As inscrições devem ser feitas pelo http://premiojabuti.com.br/.

Durante o biênio 2017/2018, o prêmio traz Luiz Armando Bagolin como curador. Consagrado acadêmico da Universidade de São Paulo e responsável pela direção da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016, Bagolin chega para trazer uma visão atual e assumir novos desafios com o Jabuti.

“Histórias em Quadrinhos”, que anteriormente era contemplada por “Adaptação”, passa a ter uma categoria dedicada exclusivamente a ela. Poderão ser premiados livros compostos por histórias originais ou adaptadas, contadas por meio de desenhos sequenciais, definidas pela união de cor, mensagem e imagem. Por conta de sua criação, a categoria “Adaptação” deixa de aceitar histórias em quadrinhos.

“Livro Brasileiro Publicado no Exterior”, categoria apoiada pelo Brazilian Publishers – projeto da Câmara Brasileira do Livro em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), vem para dar visibilidade à produção editorial brasileira que é produzida no exterior. Poderão ser inscritos livros de autor(es) brasileiro(s) nato(s)/naturalizado(s) publicados no exterior em primeira edição no período entre 1º de janeiro e 31 de dezembro de 2016, em qualquer gênero, ficção ou não ficção.

As 29 categorias contempladas são: Adaptação; Arquitetura, Urbanismo, Artes e Fotografia; Capa; Biografia; Ciências da Natureza, Meio Ambiente e Matemática; Ciências Humanas; Ciências da Saúde; Comunicação; Contos e Crônicas; Didático e Paradidático; Direito; Educação e Pedagogia; Economia, Administração, Negócios, Turismo, Hotelaria e Lazer; Engenharias, Tecnologias e Informática; Gastronomia; História em Quadrinhos; Ilustração; Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil; Infantil; Infantil Digital; Juvenil; Livro Brasileiro Publicado no Exterior; Poesia; Projeto Gráfico; Psicologia, Psicanálise e Comportamento; Reportagem e Documentário; Romance; Teoria/Crítica Literária, Dicionários e Gramáticas; e, Tradução.

Confira o regulamento no site: http://premiojabuti.com.br/wp-content/uploads/2017/05/59-premio-jabuti-regulamento-2017.pdf

“Dois continentes, quatro gerações”

Obra infantojuvenil escrita pela brasileira Beti Rozen e publicada pela Editora do Brasil é palco para discussões de alunos de escola bilíngue de Miami. Através da narrativa de uma família de poloneses que aportou no Brasil, publicação apresenta um retrato das imigrações e seus desafios.

image006Estimular a leitura de obras em português e tratar um pouco das agruras de imigrantes em todo o mundo foi o mote para que Beti Rozen navegasse nos mares da história de “Dois Continentes, quatro Gerações” com os alunos da Doral Downtown Charter School, escola bilíngue (inglês/português e inglês/espanhol) de Miami, Estados Unidos, a convite da instituição.

“Dois continentes, quatro gerações” percorre o tempo e o espaço por meio de recordações de uma família de imigrantes poloneses, que deixam sua terra de origem para migrar para o Brasil. Nessas viagens, absorvem diferentes culturas e descrevem a busca por melhores condições de vida. Baseado em fatos reais, o texto revela os desafios da imigração que, muitos dos antepassados da América um dia tiveram de encarar.

“A maior mensagem da obra é dar importância ao que recebemos de nossos antepassados, olhar para trás e ver que o que somos veio deles e que, às vezes, não damos tanta importância a essas relações”, a autora analisa e completa: “Temos muitos emigrantes, imigrantes e refugiados no mundo. Todos temem o futuro desconhecido. Eles têm que se ajustar a um país com cultura, idioma e comida totalmente diferentes. Eu mesma sou imigrante, pois vivo nos Estados Unidos”.

Os autores

Beti Rozen é uma escritora brasileira nascida no Rio de Janeiro e que atualmente vive nos Estados Unidos. Seus trabalhos (contos infantis e poesias) foram publicados em diversas antologias na Europa e no Brasil e em revistas para crianças em Israel e China. Recentemente, ela recebeu o Brazilian International Press Award de literatura e cultura nos Estados Unidos.

Peter Hays é um dramaturgo e escritor norte-americano com várias produções em seu país natal e uma vasta experiência na área teatral. Recebeu bolsa de estudos em Dramaturgia no New Jersey State Council of the Arts e é pós-graduado pela Tisch School of the Arts da New York University. Beti e Peter têm diversos livros infantojuvenis editados nos Estados Unidos, Brasil e Colômbia, incluindo Dois continentes, quatro gerações, que também está disponível em inglês e espanhol.

Ensine o seu filho a gostar de ler. É tão bom

Sílvia Lapa *

Sabia que a leitura começa muito antes de se aprender a ler na escola? A literacia, como capacidade para descodificar e compreender informação escrita, pode ser promovida lendo, mas também escutando a leitura do outro e conversando sobre os livros. E quanto mais cedo, melhor.

Está provado que «ler com» e «ler para» os filhos é a atividade por si só com maior impacto para o desenvolvimento das funções da linguagem e para a construção de alicerces sólidos para as aprendizagens escolares. Na verdade, mais de 90% da maturação do cérebro ocorre nos primeiros seis anos de vida, razão pela qual não será de estranhar que este seja um período-chave para introduzir hábitos de leitura com todos os benefícios ao nível da linguagem, da criatividade e do pensamento lógico que dela advêm.

A linguagem dos livros é geralmente mais elaborada e rigorosa do que a falada. Ter contacto desde cedo com este cuidado e sofisticação tem invariavelmente impacto no desenvolvimento. Desta forma, pais que leem para os filhos dão-lhes a oportunidade de descobrir novas palavras e de aprender mais sobre a linguagem escrita e a sua função. Provavelmente já todos os pais sabem que ler para os filhos é importante mas não será assim tão intuitivo saber como ler em conjunto.

A leitura em conjunto deve ser uma experiência de partilha e afeto para a qual deve haver total disponibilidade. Por isso, desligue a televisão, afaste o telemóvel e envolva-se. Durante dez ou vinte minutos esteja presente e envolvido. Pretende-se em primeiro lugar que o seu filho, que ainda não sabe ler, possa ter uma participação o mais ativa possível. Leia com expressividade, aponte, comente e peça a opinião da criança.

Os pais são o principal modelo dos filhos e isto também é verdade para o despertar para o prazer da leitura. Crianças que veem os pais a ler por gosto aprendem a ler por gosto.

«O que será que vai acontecer a seguir?» «Será que a personagem fez bem?» «Porque fez aquilo?» No final peça-lhe um reconto. «Agora faz de conta que és tu a ler, a contar.» É a conversa em torno dos livros que lhes dá poder, que ajuda as crianças a fazerem a ponte entre o que escutaram na história e o mundo que as rodeia.

Outra coisa que se deve fazer é observar, com a criança, as várias facetas dos livros. Explorar a capa, as ilustrações… Com crianças mais velhas pode explicar o título, o autor e o ilustrador. Desta forma a criança está a familiarizar-se com a linguagem dos livros e a criar bases importantes para o sucesso escolar. Depois de lerem em conjunto pode incentivar a criança a fazer um desenho sobre a história.

Muitos pais referem que os filhos querem ler várias vezes o mesmo livro, a mesma história. Isso é normal e faz parte do desenvolvimento do gosto pela leitura. Repetir a mesma história traz previsibilidade à leitura, permite reparar melhor nos pormenores e dominar melhor as palavras. Nunca hesite em fazê-lo. E aproveite para pedir uma participação progressivamente mais ativa da criança à medida que vai lendo uma e outra vez a mesma história.

Os pais são o principal modelo dos filhos e isto também é verdade para o despertar para o prazer da leitura. Crianças que veem os pais a ler por gosto aprendem a ler por gosto. Crianças que ouvem os seus pais a ler com entusiasmo e fluência, presenciam o que deve ser uma leitura correta, que depois vão querer imitar.

Fonte: Notícias Magazine

* Sílvia Lapa é técnica de Educação Especial e Reabilitação e Terapeuta da Fala em parceria com o CADIn (Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil).

Dois lançamentos cheios de criatividade

O autor Jean-Claude Alphen acaba de lançar dois livros pela Editora Melhoramentos: “Pinóquia” e “O patinho matemático”. Em “Pinóquia”, os pontos fortes da obra são a integração harmoniosa entre texto e imagem; as diferenças entre os irmãos de uma mesma família; a importância do autoconhecimento e da valorização das diferenças; a personalidade das crianças e seus desejos são respeitados sem que os adultos deixem de colocar a disciplina e os limites necessários à sua educação. Já em “O patinho matemático”, podemos destacar os conceitos primários da matemática e o autoconhecimento.

9788506081396

Para que Pinóquio não seja um menino sozinho, Gepeto cria três irmãos de madeira. Assim como o filho mais velho, cada um tem o seu sonho. A mais diferente é “Pinóquia”, que dá nome a esta obra, revelando que cada um tem o direito de ser o que quiser.

Admirador da obra “As Aventura de Pinóquio”, de Carlo Collodi, o autor e ilustrador Jean-Claude Alphen propõe em seu livro “Pinóquia”, 40 páginas, publicado pela Editora Melhoramentos, a continuação de um dos títulos literário mais lido no mundo.

Depois da solidão de Pinóquio, seu pai Gepeto decide criar irmãos também de madeira e assim surge Júnior, que já nasce querendo ser de plástico. O segundo vem decidido a ser músico. Por fim, Pinóquia, uma menina que deseja aprender de tudo. A Fada Azul até surge para transformar a irmã de Pinóquio em uma menina de verdade, mas ela se recusa. A fada não se incomoda, afinal cada um tem o direito de fazer as suas próprias escolhas. Preço de livro: R$ 35,00.

9788506081389

Nem sempre 1+1 é igual a 2

Logo ao nascer, “O patinho matemático” descobre que é diferente dos demais e busca respostas por meio de questionamentos matemáticos. Tudo isso de forma lúdica e delicada.

Nascido no Brasil, mas criado na França, o autor e ilustrador Jean-Claude Alphen propõe em sua obra “O patinho matemático”, que acaba de ser lançado também pela Editora Melhoramentos, uma reflexão para adultos e crianças sobre diferenças, igualdade, individualidade e aceitação.

A obra resgata um importante personagem da literatura infantil, o Patinho Feio, e com a sua nova versão da história, ensina de forma divertida os conceitos primários da matemática para os pequenos.

As ilustrações são também de Jean-Claude. Os traços, que remetem a riscos de giz, complementam de forma alegre e graciosa a narrativa em 40 páginas. Preço do livro: R$ 35,00.

“A história do esquilo Nutkin”

Clássico da literatura infantil inglesa foi escrito e ilustrado por Beatrix Potter há mais de cem anos. Edições Barbatana lança no Brasil.

70fe6075325e0e8ad4abf6e9ab7a8ccf

Passados 150 anos de seu nascimento, “Beatrix Potter é uma das vozes mais originais da literatura infantil, tendo realizado uma ruptura revolucionária ao tratar seus leitores sem condescendência nem qualquer vestígio de tatibitate ou concessão ao meloso”, como afirma a escritora Ana Maria Machado em seu livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo (Objetiva, 2002).

Como diz a importante escritora brasileira, “os animais na obra de Beatrix Potter são bem diferentes. Não são humanizados, embora vistam roupas. Mas comportam-se o tempo todo como os bichos que realmente são: a raposa quer comer a pata, o esquilo esquece onde enterrou as nozes para o inverno, o sapo que vai pescar quase é comido por um peixe grande, o coelho invade uma horta para roubar cenoura e por pouco não leva uma surra ou é apanhado para ir para a panela.

O que encanta é justamente a ironia divertida que perpassa as histórias, obtida com esse contraste entre as encantadoras aquarelas da autora que pontuam quase cada frase (em livrinhos pequenos que cabem nas mãos infantis) e a absoluta recusa de qualquer sentimentalismo.

Ler suas perturbadoras e atemporais histórias hoje, tão relevantes quanto quando as escreveu, há mais de cem anos, é um raro e prazeroso presente. Tão imenso quanto apreciar suas lindas e detalhadas pinturas.

9566832f2128b65965e537858451e238

O esquilo

Era uma vez um esquilinho travesso, de nome Nutkin, seu irmão Twinkleberry e um grupo de esquilos vermelhos que precisava negociar com a coruja Velha Brown a permissão para coletar nozes em sua ilha. Tudo ia bem até que Nutkin começou a provocar a coruja “com vara curta”…

Além de “A história do esquilo Nutkin”, Edições Barbatana lançou também outro clássicos de autoria de Beatrix Potter:  “A história de Pedro Coelho”. Para adquirir o livro consulte o site www.edicoesbarbatana.com.br

Nesta edição de 64 páginas, o livro é publicado do modo como a autora o imaginou, com as aquarelas em página inteira dialogando pausadamente com os textos, em formato pequeno para caber nas mãos das crianças — o que por si só é uma novidade, porque não há atualmente edições brasileiras com esta característica fundamental.

A publicação de “A história do esquilo Nutkin”, obra até então inédita no Brasil, marca também a celebração dos 150 anos de nascimento de Beatrix Potter.

Voltado a crianças em fase de alfabetização ou já alfabetizadas, entre 5 e 7 anos, o que não impede que a leitura também seja divertida e recomendada para crianças menores, que realizem a leitura dos textos e imagens compartilhada com um adulto. Ou mesmo para nós, que somos bem maiores.

a-historia-do-esquilo-nutkin1-19a59e184ac50a487314848366165492-1024-1024

A autora

Helen Beatrix Potter nasceu em nasceu em South Kensington, Middlesex (hoje Grande Londres), em 28 de julho de 1866, e morreu em 22 de dezembro de 1943, em Sawrey, Lancashire (hoje Cúmbria), também na Inglaterra.

Seu primeiro livro, “A história de Pedro Coelho”, foi publicado em 1902 pela editora britânica Frederick Warne & Co., após várias tentativas frustradas por diversas editoras da Inglaterra, tornando-se rapidamente um estrondoso sucesso, ao qual se seguiram mais de 20 livros que se tornariam clássicos da literatura infantil inglesa, como “A história do esquilo Nutkin”, de 1903.

Além de “A história do esquilo Nutkin”, Edições Barbatana lançou também outro clássicos de autoria de Beatrix Potter:  “A história de Pedro Coelho”. Para adquirir o livro, que custa R$ 30,00, consulte o site www.edicoesbarbatana.com.br

Setor editorial teve queda real de 5,2% em 2016

Editoras acumulam um recuo superior a 17% em dois anos consecutivos afetados pela crise econômica no país.

dia_lit_inf4-850x536
Em 2016, o setor editorial brasileiro produziu 427,2 milhões de exemplares, vendeu 385,1 milhões e faturou R$ 5,27 bilhões. É o que mostra a nova edição da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Comparado a 2015, o faturamento total das editoras no ano passado apresentou crescimento nominal de 0,74%, o que significa um decréscimo real de 5,2%, levando em conta a variação do IPCA de 6,3% no período.

Apesar de menos acentuada que no ano anterior – quando alcançou a marca dos 12,6% negativos -, a queda em 2016 traz consequências expressivas para a indústria do livro que, em dois anos, acumulou uma redução de mais de 17% em termos reais.
Neste cenário, pesou o desempenho do segmento mercado, cujo faturamento de R$ 3,8 bilhões representou uma queda nominal de 3,3%. O número implica um recuo acentuado das vendas de livros específicas para o mercado nos dois últimos anos: considerando as performances consecutivas de 2015 e 2016, a queda real acumulada em valor é superior a 20%.

No caso das vendas para o governo, os números se mostram positivos tanto em termos de faturamento (R$ 1,4 bilhões, com aumento de 13,8%) quanto em número de exemplares vendidos, que cresceu 16,5% em 2016, indo para 156,8 milhões.

Voltando a analisar o faturamento com as vendas ao mercado, os subsetores de CTP (Científicos, Técnicos e Profissionais) e de Obras Gerais foram os que mais encolheram. Impactadas pela crise econômica nacional, as editoras de CTP tiveram uma queda nominal de 10,5% (e real de 15,85%) em valor, seguidas pelas editoras de Obras Gerais, que faturaram 4,8% a menos em termos nominais. O subsetor de Religiosos, que havia se mantido estável em 2015, também sofreu redução em valor (4,6%, nominal) no ano passado.

Na contramão dos índices negativos, aparece o subsetor de Didáticos, que, no mercado, ascendeu 3,7% (nominal) em faturamento, indo para R$1,4 bilhões.

feira-do-livro1-e1396974990534
Produção

O total de exemplares produzidos caiu 4,4% em 2016.
Quanto à tiragem de obras lançadas, houve redução de 8,57% em 2016 (80.026.152 novos exemplares produzidos). Os subsetores de Obras Gerais e de Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) foram os mais contidos na produção total de exemplares (novos ISBN + reimpressões) no ano passado, reduzindo suas tiragens em 9,6% e 7,58%, respectivamente, em comparação a 2015. A pesquisa indica, ainda, que foram editados 51,8 mil títulos em 2016, dos quais 17,37 mil são novos.

Áreas temáticas

Entre as 24 áreas temáticas que o estudo abrange, estão em primeiro lugar as obras classificadas como Didáticas, com participação de 48,48% no total de exemplares produzidos em 2016. Na sequência, vêm os exemplares de Religião (20,79%), Literatura adulta (7,71%), Autoajuda (4,78%), Literatura Infantil (3,89%) e Literatura Juvenil (2,39%). Nesta lista, chama atenção o aumento da participação dos livros do gênero Biografia (1,2%), que tiveram um crescimento de 22,5% em exemplares produzidos em 2016 (5,14 milhões), e também a queda expressiva dos títulos de Medicina, Farmácia, Saúde Pública e Higiene, com redução de 4,3 milhões de exemplares produzidos em 2016 e uma participação de 0,93%.

Como o livro chega ao mercado

Com 119,4 milhões de exemplares vendidos (52,73% do total comercializado no mercado, excluindo-se governo), as livrarias se mantiveram como o principal canal de venda das editoras. Os distribuidores representaram a venda de 39 milhões de livros, o equivalente a 17,22%. O segmento porta a porta teve participação de 8,18%, com 18,5 milhões de livros. Já as livrarias exclusivamente virtuais apresentaram um crescimento em sua participação nas vendas em 2016, subindo de 1,97% para 2,43%, o que significa 5,5 milhões de exemplares vendidos.

A comercialização em igrejas e templos (4,88%), supermercados (3,44%) e escolas (2,5%) também tem relevância. A venda direta nos sites das editoras segue modesta, com participação de apenas 0,73% do total.

Produção digital

Pela primeira vez desde 2014, quando passaram a integrar a pesquisa, os dados referentes à produção de conteúdo digital das editoras não entrarão na edição. Os números sobre a produção de e-books no país ganham em 2017 um diagnóstico exclusivo – o Censo do Livro Digital, estudo inédito que realizará o mapeamento da produção digital brasileira.

Com apresentação prevista para o segundo semestre, o Censo do Livro Digital é mais uma parceria entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL), com realização da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicos (Fipe/USP).

Confira aqui a pesquisa.

Como fazer 28% dos brasileiros gostarem de ler

Para formar novos leitores, é preciso não apenas incentivo, mas exemplo dentro de casa, diz especialista.

Segundo dados do Instituto Pró-Livro (IPL/2016), a leitura é um hábito de 56% da população brasileira. E o número parece não ter evoluído nos últimos anos: eram 55% em 2007 e 50% em 2011.  Para ser considerado um leitor, pela metodologia do estudo, é necessário ter lido ao menos um livro nos últimos três meses.

imagem_release_919275Segundo o gerente editorial da Editora Positivo, Júlio Röcker Neto _ FOTO _ para formar leitores é essencial entender o perfil de leitura do brasileiro e compreender quais são seus hábitos, para focar na criação de livros que se adequem à demanda dos cidadãos. Isso porque, enquanto 43% dos entrevistados alegaram falta de tempo para leitura, outros 28% (num universo de 5 mil pessoas), declararam – simplesmente – que não gostavam de ler. Ainda segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados disseram ler a Bíblia, seguidos por livros religiosos, contos e romances (todos com 22%). Já os livros didáticos aparecem como leitura frequente de 16% dos entrevistados, enquanto os infantis de 15% do público.

“Fazer com que estes 28% desenvolvam o prazer pela leitura é um grande desafio para o país. Quanto mais cedo as pessoas criarem o prazer pela literatura, mais chances terão de se tornar um leitor assíduo e um cidadão mais crítico”, defende o especialista. Entre os benefícios da leitura, Röcker Neto cita o aprimoramento do vocabulário, a dinamização do raciocínio e da interpretação, além da aquisição de conhecimento e informação. “Ler, antes de tudo, é uma operação de percepção, em que estão envolvidos muitos processos: neurofisiológico, cognitivo, afetivo, argumentativo, simbólico (não necessariamente nessa ordem) – daí a complexidade e abrangência do conceito de leitura”, complementa.

Exemplo

Graduado em Letras, especialista em Leitura e Múltiplas Linguagens, e mestre em Literatura, Röcker Neto observa que um dos primeiros passos na formação de leitores é promover o acesso ao livro e estimular a leitura por meio do exemplo. “Facilite o acesso, levando os pequenos na biblioteca ou na livraria e deixe com que escolham o livro que desejam ler ou que querem que você leia para eles. Não se preocupe com o tema. A literatura é um espaço de fantasia, de liberdade, de imaginação. Leia para os pequenos, dê o exemplo em casa, e deixe que eles, mesmo que não alfabetizados, leiam para você, aproveitando para conversar sobre o tema e as ideias que surgem a respeito”, sugere.

Segundo o especialista, também é importante chamar a atenção para as imagens que estão nas obras, uma vez que, muitas vezes, sozinhas, elas contam uma outra história, estimulando a criatividade. Ele observa que, para criar o hábito, vale a pena desligar a televisão dez minutos mais cedo e ir para o quarto ler com as crianças, antes de dormir: “esse momento pode se tornar um tempo de convivência maravilhoso entre pais e filhos”, ressalta.

Para auxiliar aqueles que desejam compreender mais sobre a leitura e as diversas fases das crianças e jovens nesse universo, Röcker Neto apresenta uma sugestão de leitura para cada etapa de desenvolvimento:

Fases da formação do leitor

imagem_release_919504Pré-Leitor (entre 2 a 5 anos): Fase dos primeiros contatos da criança com os livros antes da alfabetização, quando o objeto livro e as imagens em situação começam a ser descobertas.  Sugestão de leitura: “O Encontro”, de Michele Iacoca (Ed. Positivo, R$ 39,80) – narrativa visual mostra o desenrolar de uma situação intrigante por meio do deslocamento de um personagem não identificado por diversos ambientes de uma casa. É um livro que exige a participação ativa da criança.

 

imagem_release_919510Leitor Iniciante (dos 6 aos 7 anos): Fase da aprendizagem da leitura; início do processo de socialização e de racionalização da realidade com que a criança entra em contato. Sugestão de leitura: “O leão e o pássaro”, de Marianne Dubuc (Ed. Positivo, R$ 44,30) – num dia de outono, o leão encontra perto de casa um pássaro machucado. Começa assim uma amizade. Um texto delicado, em que os ritmos da natureza e as estações do ano moldam o curso da vida e impregnam a relação desses dois seres.

imagem_release_919512Leitor em processo (8 aos 9 anos): Fase do domínio relativo do mecanismo da leitura e de agudização do interesse pelo conhecimento das coisas, com o pensamento lógico se organizando em formas concretas que permitem as operações mentais. Sugestão de leitura: “Visita à baleia”, de Paulo Venturelli (Ed. Positivo, R$ 39,80) – texto emocionante, em que os desejos e as dúvidas de um menino afloram por entre as frestas da imaginação.

imagem_release_919513Leitor Fluente (dos 10 aos 11 anos): Fase de consolidação do domínio da leitura e da compreensão do mundo expresso no livro. Sugestão de leitura: “Marcéu”, de Marcos Bagno (Ed. Positivo, R$ 44,30) –  com beleza e sensibilidade trata da relação de dois irmãos. O mais novo, que tem um contato íntimo com a natureza, morre em uma enchente. O mais velho, com a trágica experiência, amplia e aprofunda sua visão de mundo e de si mesmo.

imagem_release_919520Leitor Crítico (entre 12 e 13 anos): Fase de total domínio da leitura, da linguagem escrita, capacidade de reflexão em maior profundidade, podendo ir mais fundo no texto e atingir a visão de mundo ali presente. Sugestão de leitura: “Apenas Tiago”, de Caio Riter (Ed. Positivo, R$ 44,30) – Tiago é um jovem que foi abandonado pelos pais, vive com uma tia e é levado por más companhias. Trama envolvente à medida que propõe uma reflexão sobre quem realmente somos em situações adversas.

As bibliotecas comunitárias

Quando uma criança lê seus olhos dão vida a cada personagem, suas mãos deslizam suavemente por cada página e seu coração palpita a cada mudança na história. 

3559376bd28764c00301e76a0c679dad

De acordo com Mara Esteves, integrante da Brechoteca Biblioteca Popular e da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), é importante estreitar os laços entre as crianças e o livro, ainda mais na infância, momento em que a visão sobre mundo é formada por meio de diversas interações seja nas relações familiares, no ambiente escolar e também com a literatura ou a contação de histórias.

“A leitura literária deve ser estimulada constantemente para que as crianças possam alimentar a sua imaginação, refletir e ampliar a sua percepção de mundo. Por isso, as bibliotecas da Rede Nacional atuam na formação de leitores e no incentivo à leitura na infância, com mediação de leitura, promoção do livro, um acervo literário de qualidade e espaços aconchegantes. Afinal é na infância que encontramos um período do desenvolvimento humano mais propício para a construção da cidadania, da formação de bons hábitos e da construção da identidade” afirmou Mara.

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias

Criada em 2015, a Rede Nacional está presente no país conta atualmente com 11 Redes Locais e 115 Bibliotecas Comunitárias localizadas nos estados do Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro com o compromisso de crescer, articulando mais bibliotecas comunitárias para integrar a Rede Nacional e fortalecer o movimento de luta pela garantia do direito à leitura, ao livro, à literatura e às bibliotecas.

A Rede atua para promover ações de incentivo à leitura e à literatura como um direito humano, democratizar o acesso às bibliotecas e à cultura literária. A RNBC também se articula para a manutenção, o reconhecimento e a sustentabilidade de bibliotecas comunitárias, influenciar e construir políticas públicas do livro e da leitura no Brasil. O Instituto C&A oferece apoio técnico e financeiro à Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias.

A perspectiva da leitura como um direito humano e a importância da biblioteca comunitária como espaço privilegiado de garantia desse direito são a base do trabalho de formação de leitores e de incidência política das redes de bibliotecas comunitárias que integram a rede. O compromisso é de crescer, articulando mais bibliotecas comunitárias que desejem se integrar para fortalecer esse movimento de luta pela garantia do direito à leitura, ao livro, à literatura e à biblioteca.

Link: rnbc.org.br