‘Não leem livros, mas blogs. Não faz mal, interessa é que leem’

Apaixonada por livros, Cristina Puig (na foto abaixo) é co-fundadora da plataforma espanhola Boolino, um site que nasceu com o intuito de promover a leitura entre os mais novos. Defende que os pais devem dar o exemplo e ler para os filhos logo desde os primeiros meses de vida. Diz que aprender a ler é muito difícil, mas concentrar-se na leitura de um livro é ainda mais difícil. Foi uma das oradoras convidadas do 2º Congreso Internacional de Comprensión Lectora Infantil y Primaria, que decorreu durante o mês de março, em Espanha.

puig-vertele_EDIIMA20150115_0569_4

Numa entrevista a Joana Capucho, do dn.pt, Cristina Puig explica por que as crianças leem pouco: “Temos de pensar de acordo com as idades. Quando falamos das crianças, de zero aos 6 anos, são os pais que leem. Não leem pouco, quem lê pouco são os pais. Nessa fase, as crianças adoram os livros, portanto, é um questão de passar mais tempo com eles. Dos 8 aos 12 anos, precisam de encontrar livros que gostem ou desejem ler. A leitura não é fácil, portanto, é preciso insistir, acompanhar as crianças, sentarmo-nos com elas a ler. Ler não é fácil, por isso é que muitas deixam de o fazer. A partir dos 12 anos, os adolescentes leem se os amigos à sua volta também o fizerem. Às vezes não leem livros, mas blogs. Se isto está mal? Não, o que interessa é que leem”.

No 2º Congreso Internacional de Comprensión Lectora Infantil y Primaria, Cristina falou sobre a mudança de hábitos nas crianças com apenas 10 minutos de leitura por dia. Mas, como é que isso se consegue? E ela respondeu: “Desde que nascem, começando com 10 minutos de leitura por dia. Mais tarde com 15 minutos e depois com tardes inteiras. Trata-se de adquirir o hábito de leitura. Ler é uma habilidade que se adquire e um hábito que se fomenta a cada dia. Aprender a ler é muito difícil, mas aprender a concentrar-se na leitura de um livro é ainda mais difícil”.

Cristina Puig também ressaltou que “ler ativa várias áreas cerebrais: a dos símbolos, a da matemática, a das emoções, a da consciência crítica… Não podemos não ler, não é uma opção. Segundo ela, o primeiro contacto com os livros deve surgir “desde sempre”. “Mas principalmente quando as crianças começam a manipular objetos com as mãos”. Para incutir o hábito da leitura nos mais novos, é importante que os pais também leiam com os filhos junto aos filhos, comprar livros… Os professores fazem esse trabalho, mas é em casa que este se torna mais importante. Se os pais não leem, os filhos também não vão ler, mesmo que os professores os tenham ensinado”.

A plataforma de leitura Boolino

Cristina Puig explicou que a criação do site Boolino veio da necessidade de, enquanto mãe, de saber que livros deveria comprar para os meus filhos. “A Boolino é o BookAdvisor de crianças e jovens leitores. Dependendo da idade das crianças e do seu comportamento, recomendamos os melhores livros. Além disso, temos planos de leitura para crianças de zero aos 8 anos e dos 8 aos 12 anos, que fomentam a leitura em casa, com ferramentas e jogos”.

Com essa experiência, ela recomenda o seguinte na hora de escolher e comprar um livro: “O melhor é ouvir os conselhos dos melhores especialistas, como livreiros e bibliotecários, e ouvir muitos, porque há certamente muitas propostas que não conhece e que vai adorar”.

Concluindo sua explanação, Cristina opina sobre como tem evoluído a relação das crianças e jovens com os livros nas últimas décadas. “As crianças têm muitas distrações e outras atividades de lazer, mas a leitura mantém, no entanto, um lugar importante na vida dos mais novos. Embora tenham que estudar muito e façam muitas atividades extracurriculares ainda se sentem atraídos pelos livros, desde que os vejam.

Quadrinhos são a novidade do Jabuti

Câmara Brasileira do Livro anuncia novidades para o 59º Prêmio Jabuti com duas novas categorias para este ano.
wd-tirinhas
A Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Prêmio Jabuti – o mais tradicional e prestigiado do livro brasileiro, anunciou no mês passado Luiz Armando Bagolin como novo curador da premiação. Consagrado acadêmico da Universidade de São Paulo e responsável pela direção da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016, Bagolin chega para trazer uma visão atual e assumir novos desafios com o Jabuti.

Nesta edição de 2017, duas novas categorias se juntam às 27 já existentes: “História em Quadrinhos” e “Livro Brasileiro Publicado no Exterior”. Segundo o curador _ foto abaixo _ a criação dessas categorias demonstra esse novo momento que o prêmio e a literatura estão vivendo: “Existem várias formas de contar uma mesma história. Ela pode vir por desenhos, por palavras, em português, em outras línguas. O importante é valorizarmos todas essas formas de contar. Criar essas novas categorias era essencial para mostrarmos a força de nossa produção editorial, representada pela riqueza que o brasileiro produz”.

P1090236-300x300A “História em Quadrinhos”, que anteriormente era contemplada pela “Adaptação”, passa a ter uma categoria dedicada exclusivamente para ela. Poderão ser premiados livros compostos por histórias originais ou adaptadas, contadas por meio de desenhos sequenciais, definidas pela união de cor, mensagem e imagem. Por conta de sua criação, a categoria “Adaptação” deixa de aceitar história em quadrinhos.

Já a categoria “Livro Brasileiro Publicado no Exterior” vem para dar visibilidade à produção editorial brasileira que é promovida no exterior. Poderão ser inscritos livros de autor(es) brasileiro(s) nato(s)/naturalizado(s) publicado no exterior em primeira edição no período entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2016, em qualquer gênero, ficção ou não ficção.

Para apoiar as definições e próximos passos do prêmio, Bagolin convidou quatro estudiosos do mercado editorial para formar seu conselho curatorial. Farão parte da nova equipe: Jair Marcatti, professor da Escola Superior de propaganda e Marketing (ESPM) e coordenador do Observatório de Economia Criativa da mesma instituição; Luis Carlos de Menezes, professor sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e Coordenador Acadêmico da Faculdade SESI/SP de educação; Pedro Almeida, Publisher, jornalista e professor de literatura; e Eduardo Jardim, filósofo, professor, autor, vencedor do Livro do Ano de 2016.

As inscrições para o 59º Prêmio Jabuti começam no próximo dia 18 de maio, e poderão ser realizadas diretamente pelo http://premiojabuti.com.br/.

 

“A menina que viu Deus”

aleteia

Fiquei muito feliz ao receber o livro infantil de Henrique Komatsu, que já conhecia como ebook “A menina que viu Deus”. No formato tradicional em papel, o livro vai ser lançado no próximo dia 18 de maio pela Editora Confraria do Vento, às 19 horas, na Livraria Tapera Taperá, Galeria Metrópole, na Av. São Luís, 187 Loja 29, 2º andar, em São Paulo. A obra ganhou ilustrações de James Kudo.

“A menina que viu Deus” é uma história delicada. Filósofo, o autor Henrique Komatsu constrói argumentos muito interessantes para responder à curiosidade infantil: a de uma menina, Aleteia, que quer descobrir quem é o Criador de todas as coisas, já que ela vê todas as coisas, mas não consegue ver Deus.

O autor cria duas montanhas, a Tristeza e a Alegria. Destaca que a maior delas é a Tristeza e com essas duas personagens, além de Aleteia e sua avó, encontra um caminho para mostrar para a criança como é Deus.

ilha

“Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas. É como se alguém tivesse colado dois grandes montes de terra no meio do mar. A maior chama-se Tristeza e a menor, Alegria”.

“Dizem que há muitos anos a Alegrai era maior e mais alta que a Tristeza. Dizem também que, por causa de um terremoto, parte da Alegria caiu no mar e afundou, deixando a montanha do jeito que está hoje.

“Ninguém sabe se isso é mesmo verdade. Verdade é que ao pé desses dois cumes, exatamente, onde eles se encontram, moram uma menina chamada Aleteia e sua avó que são como as montanhas: duas pessoas que estão sempre juntas”.

Como a menina queria ver Deus e descobrir como era, sua avó, então, decide convidá-la para no dia seguinte, pela manhã, escalar a montanha maior, Tristeza, pois ao chegar ao cume certamente Aleteia iria se encontrar com Deus.

capa

“Aleteia quase não conseguiu dormir, pensando em como seria Deus, sua pele, seu rosto, seu cabelo. Pensou que talvez não fosse gente, fosse bicho, mas achou doidice… Imaginava-o com vários braços e vários dedos para conseguir fazer tudo o que existe no mundo. Deus provavelmente tinha asas e voava”…

Durante a escalada da montanha Tristeza, finalmente, Aleteia aprende a conhecer Deus. Como?

Parabéns, Henrique Komatsu por ter encontrado um caminho tão bonito para explicar Deus para esta menina curiosa. Este caminho vai ajudar muitos pais a fazerem o mesmo com seus filhos.

Projeto “Santa Leitura” na Pampulha

Santa Leitura no BosqueNeste domingo, dia 7 de maio, a partir de 10h, o “Santa Leitura” apresenta uma nova experiência. A convite da Eco Ações Unidas, o projeto estará ao lado da Igrejinha da Pampulha (Igreja São Francisco de Assis), na praça Dino Barbieri, em Belo Horizonte, e recebe o nome de “Santa Leitura no Bosque”. Todos estão convidados a curtir um domingo agradável em um ambiente arborizado e muito bonito.

Este encontro tem como foco as crianças, mas os adultos também poderão aproveitar, e contará com uma variedade enorme de livros de literatura infantil, além de vários contadores de histórias, escritores e educadores, entre eles, Pierre André, Patrícia Cinara, Vânia Bonadio e muitos outros!

Neste dia será inaugurada a lojinha do projeto que disponibilizará para venda algumas lembrancinhas com a logo do “Santa Leitura” como copos, xícaras e canetas. “Para ajudar na continuidade do projeto tivemos a ideia de produzir esses mimos, pois as pessoas, além de ajudarem, poderão levar uma lembrança do “Santa Leitura” para casa”, comenta Estella Cruzmel, idealizadora do projeto.

Sobre o projeto

O projeto “Santa Leitura” nasceu em 2010, no fundo de uma loja de moda feminina, no bairro Ipiranga, que a sua idealizadora possuía. “A biblioteca com o nome “Cantinho do Livro” tinha o intuito de prestar um serviço a mais para o cliente e para que eu pudesse ler nas horas vagas”, conta a artista plástica e idealizadora do projeto.

No início, fazia parte do acervo apenas os livros que ela tinha e cerca de outros cinquenta adquiridos. A biblioteca tomou um rumo repentino e passou a emprestar livros para toda a comunidade dos bairros Palmares, União, Cachoeirinha e Floresta. Com o passar do tempo novas aquisições eram feitas e muitas doações de livros também. “Com isso muitas pessoas, inclusive crianças, passavam na loja todos os dias e ficavam a tarde toda lendo”, comenta Estella.

Em meados de 2012, a convite de uma freira, Estella levou o projeto para a Comunidade Sagrada Família no bairro Taquaril, onde as pessoas mais carentes passaram a ter acesso à literatura. No primeiro domingo de abril de 2013 o projeto “Santa Leitura”, na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza teve início. “Comecei bem tímida, mas já sabendo da aceitação do projeto aluguei um cômodo próximo à praça para guardar todo o material. Em junho, o terceiro evento já era um sucesso absoluto e a praça estava repleta de pessoas”, destaca Estella. Hoje, em dias de “Santa Leitura”, a praça é motivo de orgulho para a comunidade, pois muitas famílias passam as manhãs de domingo com suas crianças contando histórias e incentivando a leitura. E é assim que o “Santa Leitura” cresce cada dia mais.

Uma tentativa de cura pela leitura

A jornalista Juliana Domingos de Lima, do jornal digital Nexo,  explica como funciona a biblioterapia.

gd_biblioterapia

Em atividade desde o dia 1º de março, a clínica lisboeta The Therapist oferece vários tipos de tratamentos alternativos, da medicina chinesa à naturopatia (que engloba homeopatia, nutrição e massagens terapêuticas). Em meio a eles, foram abertas as primeiras consultas de biblioterapia no país. As sessões de biblioterapia são feitas com orientação e prescrição de leituras, segundo o site da clínica. Uma consulta custa € 60 por pessoa, algo em torno de R$ 200.

Para que o tratamento aconteça, o terapeuta precisa ter acesso aos problemas de saúde do paciente e aos seus hábitos de leitura, dos autores e gêneros que está lendo no momento para, a partir dessas informações, criar um plano de leitura personalizado. Segundo uma reportagem do jornal português “Público”, as consultas são particularmente úteis para adolescentes. Elas os ajudam a aprender a ler e a estudar, a tirar um proveito maior dos livros e a descobrir o prazer da leitura, também como uma maneira de encontrar respostas para suas angústias.

untitledO biblioterapeuta e “reading coach” da The Therapist, César Ferreira, disse ao Nexo que, embora cada caso seja único, os dois dos livros mais prescritos por ele são “O cavaleiro preso na armadura”, de Robert Fisher, e “O velho e o mar”, de Ernest Hemingway. A biblioterapia tem sido utilizada em hospitais, penitenciárias, asilos, no tratamento de problemas psicológicos de pacientes de diversas faixas etárias, assim como de pessoas com deficiência física, doentes crônicos e dependentes.

Como a prática ajuda os pacientes

Apesar do ar de novidade trazido pela clínica, a biblioterapia vem sendo estudada pelo menos desde meados do século 20. O estudo “A Leitura Como Função Terapêutica: Biblioterapia”, da professora da Universidade Federal de Santa Catarina Clarice Fortkamp Caldin, reúne definições dadas ao método terapêutico por pesquisadores de diversas épocas, desde os anos 1940.

120813-livro-amigo-intOs componentes da atividade de leitura descritos pelo estudo como “biblioterapêuticos” são a catarse, o humor, identificação, a projeção e a introspecção que ela proporciona. Nas definições de “biblioterapia” apresentadas, alguns dos objetivos e potencialidades do tratamento citados são permitir ao leitor verificar que há mais de uma solução para seu problema, adquirir um conhecimento melhor de si e das reações dos outros, alcançar um entendimento melhor das emoções e afastar a sensação de isolamento. Para César Ferreira, quando o paciente é capaz de assumir o papel das personagens do livro e consegue trazer a história e o aprendizado para a sua própria vida, a terapia cumpriu seus objetivos. “Trata-se de viver a ‘jornada do herói’, como menciona Joseph Campbell. Todos nós somos heróis. E a biblioterapia ajuda-nos a sentir isso”, afirmou.

Para receitar uma leitura, muitos fatores têm de ser equacionados, desde o desafio psicológico a ser ultrapassado pelo paciente até sua capacidade de leitura, o tipo de leitor que é, seu estilo de aprendizagem e limitações físicas, como por exemplo, um eventual problema de visão. Na clínica portuguesa, a consulta funciona em três fases: a fase do diagnóstico, a do plano de leitura orientado (o que ler, como ler, como aplicar) e a da “transformação”, em que o paciente já identifica os frutos do processo.

Quem são os biblioterapeutas

“Os principais requisitos para um biblioterapeuta incluem competências de análise de comportamentos humanos, de hábitos de leitura, de técnicas de rentabilização de leituras e uma grande capacidade em pesquisar e recuperar livros verdadeiramente transformadores”, explicou César Ferreira. O trabalho, segundo ele, consiste em encontrar o livro certo no momento certo para o paciente.