Fama ameaça as corujas

Matéria da Revista Galileu, de agosto, mostra que o número de corujas vendidas na Ásia aumentou por causa de Harry Potter.

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A quantidade de corujas vendidas em alguns países aumentou muito nos últimos anos e acredita-se que um dos responsáveis pelo fenômeno seja a saga Harry Potter. Segundo o jornal The  Guardian, a procura por animais da mesma raça de Edwiges, a fiel escudeira do bruxinho, cresceu notavelmente.

Em 2001, ano do lançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal, apenas algumas centenas de animais foram vendidos nos mercados da Indonésia. Em 2016, esse número chegou a marca de 13 mil aves, que custam entre US$ 10 e 30 (por volta de 31 e 95 reais).

Para os especialistas Vincent Nijman e Anna Nekaris da Universidade Brooks de Oxford, na Inglaterra, o fato representa uma ameaça: “A popularidade das corujas como animais de estimação na Indonésia chegou a tal ponto que pode colocar em risco a conservação de algumas das espécies menos abundantes”.  A dupla defende que o país asiático deve colocar os animais na lista de “espécies de aves protegidas”, já que o encarceramento desses bichinhos pode resultar em muito estresse, levando as corujas rapidamente à morte.

Esse crescimento, entretanto, não se deu apenas na Indonésia. O deputado indiano Jairam Ramesh culpou os fãs do bruxinho pela diminuição do número de corujas selvagens no país. “Entre os seguidores de Harry Potter, parece que existe uma estranha fascinação, até nas classes médias urbanas, em presentear seus filhos com corujas”, observa.

untitledAinda não há provas da ligação direta entre a saga de livros e filmes com o aumento dessas aves e outros aspectos como tráfico de animais e utilização deles em rituais religiosos não podem ser ignorados. Mas fato é que alguns desses bichinhos estão sendo chamados de “pássaros de Harry Potter”.

Além disso, muitas corujas vendidas no sul da Ásia hoje tem nomes dos personagens dos livros, incluindo Edwiges. “Duas semanas atrás eu estava em Bangkok e vi duas corujas, chamadas Edwiges e Harry, e os visitantes podiam acariciá-las e tirar fotos com elas, vestidos como Harry ou Hermione”, relata o especialista Nijman.

Ainda no início do fenômeno, a escritora da série, J.K. Rowling, fez questão de falar que corujas não deveriam ser capturadas como animais de estimação: “Se alguém foi influenciado por meus livros e pensa que uma coruja seria mais feliz fechada em uma pequena gaiola e mantida em uma casa, gostaria de aproveitar esta oportunidade para dizer que ‘você está errado’. As corujas dos livros de Harry Potter nunca tiveram a pretensão de retratar o verdadeiro comportamento ou as preferências de corujas reais”.

Qual a melhor forma de usar a biblioteca?

A formação de leitores e a acessibilidade no âmbito das bibliotecas serão temas discutidos em curso dirigido a profissionais da área, em Belo Horizonte.

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O projeto “No lugar da leitura, a biblioteca” promove este mês, em Belo Horizonte, um curso dirigido a profissionais que atuam na área de formação de leitores especialmente em bibliotecas. O curso vai discutir a importância desses espaços para acesso permanente ao conhecimento, abordando ainda práticas de leitura inclusiva.  As inscrições são gratuitas, com vagas limitadas, e poderão ser feitas no blog do projeto https://nolugardaleitura.blogspot.com.br/ até o dia 8 de setembro.

O primeiro módulo será realizado nos dias 15 e 16 de setembro, apresentando temas como o acesso ao conhecimento e à cultura escrita; a leitura como valor simbólico, econômico e social; formação de leitores; especificidade da leitura literária;  formação dos profissionais e mediação da leitura nas bibliotecas. Integrando a programação do Festival Literário Internacional de Belo Horizonte (FLI-BH), este módulo será ministrado pelo professor Luiz Percival Leme Britto, da Universidade Federal do Oeste do Pará.

Nos dias 28 e 29 de setembro, o segundo módulo, que será apresentado pela coordenadora da ONG Mais Diferenças, Carla Mauch, vai tratar dos conceitos para pensar uma biblioteca para todos, debatendo os recursos de acessibilidade e formatos de livros; a biblioteca como espaço e tempo para a leitura e a formação de leitores; e mediações acessíveis e práticas de leitura inclusiva.

Cada participante do curso receberá um conjunto de livros, de gêneros distintos, refletindo e ampliando as discussões propostas. Nos dois módulos, haverá intérprete de Libras.

A iniciativa tem como objetivo contribuir para a formação continuada dos profissionais da área, entre eles professores, bibliotecários, auxiliares de biblioteca, mediadores de leitura e agentes culturais.

De acordo com a coordenadora geral do projeto, Cleide Fernandes, o curso pretende discutir a importância da biblioteca como instituição para o acesso permanente ao conhecimento registrado pela escrita. “Para atingir esse objetivo, vamos propor uma reflexão sobre a relevância social da escrita, da singularidade da leitura literária e das condições para a participação de todas as pessoas, especialmente as com deficiência”, explica.

Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte – Fundação Municipal de Cultura.

Os professores

Luiz Percival é doutor em Linguística e professor da Universidade Federal do Oeste do Pará. Pesquisador, professor e formador de professores na área de Educação e Linguagem, coordena o Lelit (Grupo de pesquisa e intervenção em leitura, escrita e escola) e o Pacto Nacional pela alfabetização na idade certa (PNAIC / Oeste do Pará). É membro do Movimento por um Brasil Literário e autor de várias publicações, entre elas “A sombra do caos – ensino de língua x tradição gramatical”, “Contra o consenso – cultura escrita, educação e participação”, “Inquietudes e desacordos: a leitura além do óbvio” e “Ao revés do avesso: leitura e formação”.

Carla Mauch é pedagoga, coordenadora geral da ONG Mais Diferenças, empreendedora social da Ashoka, líder da Rede de Inclusão Social do Centro de Excelência em Tecnologia e Inovação em Benefício das Pessoas com Deficiência da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência e membro do Conselho Consultivo da Ouvidoria da Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP). Está à frente do Projeto Acessibilidade em Bibliotecas Públicas, iniciativa do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas do Ministério da Cultura.

Curso “No lugar da leitura, a biblioteca”

Módulo 1 – 15 e 16 de setembro, de 8h30 às 13h30

Módulo 2 – 28 e 29 de setembro, de 13h30 às 18h30

Local: Biblioteca Infantil e Juvenil de Belo Horizonte

Centro de Referência da Juventude (Praça da Estação, s/nº)

Inscrições: https://nolugardaleitura.blogspot.com.br

Informações: nolugardaleitura@gmail.com

Projeto itinerante de leitura

O Instituto Gil Nogueira lança o projeto de incentivo à leitura“Book Truck”.  Este mês, ele será apresentando num evento anual na Bahia.

Projeto Ler é Viver

O Instituto Gil Nogueira (IGN) vai apresentar, neste mês, uma novidade na área de incentivo à leitura: o “Book Truck”, que será lançado no evento anual que o Instituto promove em Comandatuba, na Bahia, entre os dias 5 e 10 de setembro, denominado Verdemar Beach Open – Troféu Gil Nogueira. O projeto de leitura itinerante, ou biblioteca móvel, foi elaborado para encurtar a distância entre os livros e as pessoas que não possuem acesso a uma leitura de qualidade. Para isso, um veículo adaptado levará livros de literatura para crianças, jovens e adultos em centros urbanos e rurais de Minas Gerais, com toda a estrutura necessária.

O IGN criou, há 11 anos, o projeto “Ler é Viver”, que difunde a literatura entre alunos da rede pública de Belo Horizonte e algumas cidades do interior mineiro. No início de cada semestre letivo, cada sala de aula das escolas participantes recebe uma caixa contendo 50 livros de literatura infantil, que podem ser levados para casa ou lidos em sala de aula. As crianças são estimuladas a ler e a interpretar os livros, a partir de incentivos, como as oficinas semanais de “contação de histórias” e uma premiação semestral que contempla alunos com melhor desempenho na interpretação dos livros lidos, mensurado por meio de uma avaliação pedagógica. Assim, nos meses de junho e novembro, festas com atração cultural são promovidas nas escolas, para entrega de prêmios aos alunos e professores.

Em sintonia com o “Ler é Viver”, o IGN prepara para lançar o “Book Truck”, que tem como objetivos, além de encurtar a distância entre o livro e o leitor, promover o acesso a novos livros, circular obras literárias pela cidade, incentivar o gosto pela leitura e interagir com as comunidades. “Nossa expectativa é aproximar os livros das pessoas e tudo o que vem junto com o livro, como conhecimento, cultura, informação e o despertar da curiosidade, pois, quanto mais lemos, mais queremos saber. Queremos proporcionar mais educação, cultura e literatura às pessoas, pois acreditamos que é com isso que o Brasil vai melhorar”, destaca Patrícia Nogueira, presidente do Instituto Gil Nogueira. Ela ressalta que o projeto do “Book Truck” foi aprovado pela Lei Rouanet e, para a arrecadação dos livros, o Instituto Gil Nogueira vai desenvolver campanhas, fazer contatos e estabelecer parcerias estratégicas.

Patrícia explica que as comunidades beneficiadas serão informadas previamente da chegada do veículo. No dia determinado, os leitores poderão levar livros e trocá-los por um novo título disponível no acervo do Book Truck. “O novo projeto vai se somar ao ‘Ler é Viver’, ampliando nossa atuação para diversos novos lugares”, comenta a presidente do IGN.

Mais que doar livros, o “Book Truck” vai levar cultura para as comunidades, promovendo uma série de ações para os participantes de todas as idades: contação de histórias, teatro, bate-papo com autores e atrações culturais. Para atender aos leitores com eficiência, o veículo será adaptado para receber também TV, DVD, sistema de som e uma área para atendimento externo com toldo, mesas e cadeiras.

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Troféu

Em sua 11ª edição, o evento é realizado pelo Instituto Gil Nogueira e toda a renda é destinada ao projeto “Ler é Viver”, que beneficia cerca de 7 mil crianças de escolas públicas de Minas Gerais. O evento reúne amantes do tênis e suas famílias na ilha de Comandatuba (BA). Neste ano, o Verdemar Beach Open – Troféu Gil Nogueira será realizado, entre os dias 5 e 10 de setembro. A programação do evento será intensa, com torneio de duplas para os tenistas, eventos noturnos com boa gastronomia, música de qualidade, recreação com muitos prêmios e programação especial para as crianças.

Instituto

O Instituto Gil Nogueira é uma ONG qualificada pelo Ministério da Justiça como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Foi constituída, em 2006, com o objetivo de reduzir o analfabetismo funcional por meio da leitura, desenvolvendo ações junto à sociedade, como o projeto “Ler é Viver”, que já beneficiou mais de 50 mil crianças do ensino fundamental da rede pública de ensino do Estado de Minas Gerais. Ao longo dos seus 11 anos, cerca de 1 milhão de livros foram lidos e interpretados em 50 escolas.