Porque literatura não rima com censura

Sandra Mayumi Medrano *

O tema censura nos livros para as crianças tem feito parte de muitas discussões e reflexões nestes últimos tempos. Para abordar a relação literatura e censura, podemos recorrer a Antonio Cândido, que escreveu em 1988 um texto que reforça o direito ao acesso a esse bem cultural:

Ninguém pode passar vinte e quatro horas sem mergulhar no universo da ficção e da poesia, a literatura concebida no sentido amplo parece corresponder a uma necessidade universal, que precisa ser satisfeita e cuja satisfação constitui um direito. (…) A literatura é o sonho acordado das civilizações. Portanto, assim como talvez não haja equilíbrio psíquico sem o sonho durante o sono, talvez não haja equilíbrio social sem a literatura. Deste modo, ela é fator indispensável de humanização e, sendo assim, confirma o homem na sua humanidade.

Assim, se a literatura é um direito relacioná-la à censura – como temos visto nos últimos tempos – parece indicar que estamos violando, de alguma maneira, esse direito.

Há muitas maneiras de abordar a questão da censura e tentar entender suas motivações. Uma delas é analisar pelo viés da relação entre concepção de criança e concepção de livros para crianças.

Ao analisarmos essas concepções, é possível verificar que elas mudaram ao longo do tempo. Se olharmos para a história, podemos fazer um breve percurso, partindo do século XVIII, quando surge o conceito de criança e de infância. Até esse período, as crianças eram consideradas adultos em miniatura e assim tratadas em todos os aspectos. É possível imaginar que, antes desse período, os assuntos a que tinham acesso eram os mesmos que circulavam no mundo dos adultos.

Na outra ponta desse caminho, é possível reconhecer uma distinção total da criança do mundo adulto. Muitas vezes, considerada tão diferente como quando é indicado: “homens, mulheres e crianças” – como se fossem totalmente assexuadas durante esse período. Essas concepções de criança e de infância, impactam a literatura, que parte, portanto, de uma não distinção do seu leitor, adulto ou criança, para outra em que se considera a necessidade de resguardar e educar a criança.

Esta última, a escritora argentina Graciela Montes chama de “curral da infância”, pois considera uma criança submetida e protegida, tida como um “cristal puro” e uma “rosa imaculada”, a quem o adulto deve proteger para que não se quebre e que floresça. Essa literatura, segundo a autora, não pode incluir a crueldade, nem a morte, nem a sensualidade, nem a vida real, porque se acredita pertencer ao mundo dos adultos e não ao “mundo infantil”. A realidade retratada nos livros é, assim, despojada de tudo que seja denso, matizado, dramático, contraditório, absurdo, doloroso: de tudo que pode brotar dúvidas e questionamentos.

Podemos acompanhar um exemplo dessa relação entre concepção de criança e literatura ao analisarmos as diferentes versões de Chapeuzinho Vermelho. Zohar Shavit, israelense especialista em literatura, apresenta um estudo em que analisa diferentes versões desse conto ao longo da história.

No século XVII, portanto, antes da conceitualização da infância, Charles Perrault registrou esse conto, que não tinha como público específico as crianças. Nessa versão, o conto termina com o Lobo devorando a Chapeuzinho. Tem tom muitas vezes irônico e passagem erótica, como quando Chapeuzinho tira sua roupa e se deita na cama com o Lobo.

Já no século XIX, com os Irmãos Grimm e com o conceito de criança e infância já alterado, a literatura infantil ganha contornos educacionais, para ensinar a essa geração os valores e princípios que eram caros à sociedade da época. E na versão desses autores, é garantido um final feliz, em que a avó e Chapeuzinho Vermelho são salvas e o Lobo é morto.

Nos dias atuais, temos algumas versões do mesmo conto, em que são alterados aspectos como o conteúdo da cesta que Chapeuzinho Vermelho leva para sua avó. O vinho é trocado por leite, frutas e pote de mel ou geleia, porque acredita-se que as crianças não podem ter contato com bebida alcóolica. Em alguns livros, o Lobo não devora a avó – pois a morte não deve ser assunto de criança, submetida ao “curral da infância”. Ele a coloca no armário e não é morto; sai correndo quando o caçador chega.

Essas diferentes versões mostram como a relação pode ser muito direta, entre a concepção de criança e o que se oferece para sua leitura, chegando a ser identificada como forma de censura, se consideramos, como aponta Graciela Montes, a censura como um mecanismo ideológico de revelação/ocultamento que serve para o adulto domesticar e submeter (ou colonizar) as crianças. Parece muito forte essa ideia, mas corrobora com ela a fala de um escritor peruano chamado Santiago Roncagliolo, que, em entrevista em 2016, disse:

Agora, quando escrevo livros para crianças, não me deixam colocar os maus! Nem bruxas, nem ogros, nem monstros… A culpa é do afã da sociedade por criar uma bolha para os filhos às custas de obrigar os escritores a criar literatura sonsa. E o que ocorre é que o mau desta literatura ‘sonsa’ não é a crítica que recebemos. O mau é que cria leitores sonsos, crianças sem nervos nem reflexos morais.

Infelizmente, essa restrição não é exclusividade do Peru. É também vivida aqui e em outros lugares do mundo. Nesse contexto de censura, restrição ou redução, um aspecto merece especial atenção no Brasil, pois se relaciona ao momento atual de uma importante política pública de ensino da leitura e da literatura na escola: a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), produzida pelo Ministério da Educação, com o objetivo de se tornar um documento orientador dos currículos estaduais e municipais, de redes públicas e privadas, definindo os direitos de aprendizagem dos alunos da Educação Infantil e do Ensino Fundamental.

A BNCC teve sua primeira versão publicada em setembro de 2015, depois foi produzida uma segunda versão, divulgada em maio de 2016. A terceira versão, finalizada em abril de 2017, encontra-se no momento no Conselho Nacional de Educação, que deve apresentar seu parecer em dezembro deste ano. Essa versão traz aspectos que precisam ser analisados criticamente, pois impactam diretamente na formação leitora das crianças e no acesso ou nas restrições a que serão submetidas.

Especificamente em relação ao Ensino Fundamental I – 1o ao 5o ano – há uma indicação da separação do ensino da literatura no eixo que denominaram “educação literária”. Tal separação merece atenção, pois pode, ao contrário de garantir um espaço exclusivo e, portanto, positivo, remeter ao que já vivenciamos quando foi instituída a “Educação Artística” nas escolas em que as Artes não era objeto de conhecimento. Merece atenção redobrada algumas passagens do documento em que se afirma:

Nesse eixo [educação literária], e também no eixo Leitura, a escolha dos textos para leitura pelos alunos deve ser criteriosa para não expô-los a mensagens impróprias ao seu entendimento, consoante determinam os Artigos 78 e 79 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei no 8.069/1990).

Essa indicação parece se preocupar e cuidar do que será oferecido às crianças, mas o trecho “mensagens impróprias para seu entendimento” chama a atenção. Tanto pela subjetividade a que pode remeter a palavra “imprópria” quanto pela definição do que será considerado possível de ser compreendido pela criança (a concepção de criança). Além disso, causa estranheza quando vamos aos conteúdos dos artigos citados:

Art. 78. As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada com a advertência de seu conteúdo.

Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca.

Art. 79. As revistas e publicações destinadas ao público infantojuvenil não poderão conter ilustrações, fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família.

Em tempos de censura como os que estamos vivendo, a forma de abordar esse tema parece ser bastante arriscado.

Considerando o direito à literatura, e a garantia de acesso e não a restrição, outros artigos poderiam dar sustentação para a formação dos jovens, como nos exemplos a seguir:

Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente:

V – acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um;

Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura.

Ainda em relação ao ensino da leitura, outro aspecto abordado na BNCC preocupa, pois revela uma possível redução em relação aos textos que os estudantes terão acesso ao longo de sua escolaridade que pode impactar na apropriação das culturas do escrito, caso seja aprovada pelo Conselho Nacional de Educação. Para se ter uma visão da abordagem proposta, a tabela abaixo sintetiza os critérios indicados para seleção e oferta de textos aos alunos nos anos iniciais do ensino fundamental.

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A definição de tamanho dos textos – que começam no 1o ano com 200 palavras até chegar ao 5 o ano com 600 palavras – e o nível de textualidade que indicam ser adequados ao longo da escolaridade parecem apontar para material produzido especificamente para fins educativos, e não para que as crianças se aproximem da leitura como prática social e a literatura como produção artística, da cultura escrita. Essa restrição, além de artificializar a língua, restringe as condições de crianças e jovens a fazer parte desse universo como participantes ativos e críticos e produtores de cultura escrita.

E quem mais perde com isso? Infelizmente, quem mais perderá são as crianças que têm menos acesso à cultura escrita fora da escola, e que provavelmente são, em grande parte, as crianças da escola pública. Para essas crianças, será negada a possibilidade de diminuição da desigualdade de oportunidades que têm, na escola pública, seu principal espaço de garantia. As crianças de famílias com mais acesso a esse tipo de cultura provavelmente terão, por outras vias, possibilidades de apropriar-se de práticas sociais de uso da leitura e da escrita.

Entretanto, se retomarmos as notícias recentes de censura aos livros, é possível verificar que, apesar de as crianças de famílias com maior poder aquisitivo – que se encontram em escolas particulares – terem mais contato com as culturas do escrito possivelmente elas também terão, por outros motivos, privação de acesso à literatura.

Com esse cenário tão limitador para todas as crianças brasileiras, justifica-se a necessidade de advogarmos intensamente a favor do acesso à literatura de forma irrestrita. Peter Hunt, especialista em literatura infantil, nos faz lembrar que:

Passamos nossa vida – como nossos filhos passarão – constantemente processando, pesando e equilibrando uma gama fenomenal de conhecimento, percepções e sensações. Não podemos ser simplistas a respeito deles e não esperamos que nossos filhos sejam. Deve ser óbvio que o mesmo aconteça em nossas abordagens dos livros para crianças e na relação com eles.

É preciso confiar na capacidade intelectual das crianças, na capacidade de lidarem com as informações e construírem conhecimentos e, principalmente, de lidarem com a literatura. E só com acesso e espaço para a discussão que podemos formar pessoas que pensem, que criem e que, principalmente, façam o mundo progredir. E um dos espaços para fazer isso acontecer é a escola.

*  Pedagoga e mestre em educação pela Universidade de São Paulo. Foi assessora do Ministério da Educação em programas de formação de professores e coautora de materiais curriculares. É coordenadora pedagógica na Comunidade Educativa CEDAC e membro do Instituto Emília.

Fonte: Revista Virtual Emília

“Dag cheia de ideias”

untitled ppLivro infantil lançado pela Chiado Editora Kids convida as crianças a aprenderem com a personagem a alegria de se divertir como, um dia, se divertiram os avós, tios ou pais. Recomendado como presente de Natal para incentivar crianças a buscarem alternativas de lazer.

 

“Longe do tempo da televisão e da tecnologia vivia em um lugarejo distante, uma menina muito esperta que sonhava, ser trapezista de circo. Vivia inventado brincadeiras junto aos seus irmãos e amiguinhos.”

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 “Em uma caminhada, ao imaginar-se em um circo de lona azul cravejada de estrelas, Dag, sem perceber, se envolve em uma aventura, que a faz percorrer caminhos e paisagens desconhecidas.- Seria o céu, a lona do circo do mundo? Perguntou para si mesma..”

A personagem Dag, de seis anos de idade, criada pela autora do livro Suzana Braga, vive brincadeiras simples a partir do que lhe oferece a natureza do quintal onde mora; convive com plantas, árvores frutíferas, flores, animais, rios, peixes; inventa canções, costura roupas para seus brinquedos, curte a chuva. Um modelo de vida bem diferente das crianças que moram em apartamentos na cidade e se limitam nas aventuras e brincadeiras.

“A imaginação de Dag era livre, ia longe e alto e tinha sabor de aventura”.

22788989_664128200462100_8614092300858709853_n

dag_cheia_de_ideias_ebook_coverMas certo dia, ela esteve a observar a cidade e lá deparou com um circo. Imaginou tanto e sonhou tanto com tudo o que poderia encontrar no circo que não soube voltar para a casa e se perdeu. Assustada e sozinha não sabia o que fazer. Até que decidiu entrar num trem e, quem sabe, ele poderia deixá-la segura em casa. Talvez seja essa a maior das aventuras vividas pela menina. Como será que vai terminar?

O livro, que foi ilustrado por Elizabete Amorim, tem 50 páginas, custa R$ 35,00 e pode ser comprado no link da editora https://www.chiadoeditorakids.com/livraria/dag-cheia-de-ideias

 

Livros lançados recentemente

untitled ppSão muitos os títulos que chegam semanalmente às livrarias ou são vendidos através dos sites das próprias editoras. Apresentamos alguns lançamentos que podem se transformar num bom presente de Natal. Criança adora história!

 

 

Editora Franco – “A noite chegou e o sono não vem”

A noite chegou... e o sono não vem (1)

O novo livro infantil de Ana Rapha Nunes aborda a importância das histórias na infância. Contar uma história é partilhar algo. A obra apresenta o universo infantil e a imaginação, algo tão aflorado nessa fase. Além disso, valoriza a importância das histórias antes de dormir, o que seria um primeiro contato das crianças com a literatura.

Um pouco de conhecimento, de tempo, de ternura. Um caldeirão de sentimentos que se misturam nesse momento em que pais e filhos ficam presos ao fio imaginário de uma história. Quem não se lembra de uma bela fábula contada pelos pais antes de dormir? Ou daquela história de família contada pelo avô em sua cabeceira na mesa? Ou ainda daquela história de terror contada pelos primos mais velhos ao redor de uma fogueira na praia? Ou então aquela história cheia de magia contada pela professora que se fantasiava de bruxa?

As histórias são carregadas de sentimentos e saberes, lembrados ao longo do tempo. É na infância que se começa esse processo de apaixonar-se pelos livros e pelas histórias. Dessa forma, o novo livro da escritora infanto-juvenil Ana Rapha Nunes, “A noite chegou… e o sono não vem”, mostra um hábito que vem sendo esquecido: contar histórias para as crianças antes de dormir. Tal ato aproxima pais e filhos, e ainda estimula a leitura desde a tenra infância.

Editora Paulus “Vamos rezar juntos?”

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Obra apresenta às crianças as orações mais tradicionais da Igreja Católica. “Vamos rezar juntos” é uma proposta para iniciantes na vida cristã. O autor Rogério Bellini apresenta, de forma lúdica, as orações mais conhecidas dos cristãos: Ave-Maria, Pai-Nosso, Santo Anjo do Senhor, Glória ao Pai, Creio, Salve-Rainha, entre outras.

Além de orações, o autor oferece atividades com textos e imagens para recortar e montar – tudo de acordo com o tema abordado. Cada oração vem acompanhada de uma ilustração, representando passo a passo o que pode ser o momento oracional para a criança. As atividades podem ser opções para trabalhar durante a catequese ou até mesmo em casa, entre as crianças e seus cuidadores.

Você já escolheu uma forma carinhosa para se referir a Deus? Sabe por que a gente termina uma oração com a palavra “amém”? Essas e outras questões são abordadas no livro, com o intuito de provocar uma reflexão e, consequentemente, introduzir o hábito da oração na vida das crianças. O autor diz que a oração é um encontro amoroso com Deus e, por isso, deve ser simples – porque Deus é simples e se manifesta na simplicidade de cada gesto –, sincera – afinal, Deus conhece o íntimo do coração de cada um – e cheia de amor – porque Deus é Amor e, para entrar em contato com Ele, é preciso ter disposição amá-Lo e receber de volta esse amor.

Editora Escrita Fina: “Porco de casa cachorro é”

b42ea12a-6856-4e2a-97d3-122a365ab758O livro de Mirna Brasil Portella conta a história do porco Curico e do tímido Odorico. Curico é sociável e adora rua. Odorico gosta mesmo é de ficar sozinho. Mas, juntos, o menino e seu bicho de estimação vão viver aventuras que irão mudar a vida dos dois.  Com texto leve e ilustrações delicadas, Mirna Portella também assina as imagens do livro.

A autora desenha o cotidiano delicioso e livre de quem ainda pode correr com os pés descalços no chão de terra, pegar fruta no pé e catar minhoca para pescar. Um lugar onde, apesar dessa enorme alegria, também há espaço para a tristeza e para a solidão — desde que, no fim da tarde, dê tempo de ir para a rua encontrar os amigos com um sorriso de lua no rosto.

 

image033“Histórias em quadrinhas”

Mario Bag tem em seu currículo mais de quinze anos dedicados à criação de capas de disco para o mercado fonográfica e foi o primeiro ilustrador da revista Ciência Hoje das Crianças, e emHistórias em quadrinhas”, ele usa a lógica das trovas populares para narrar situações inusitadas, adoravelmente tresloucadas. São versos e ilustrações para soltar o riso.

O que acontece quando uma mariposa, que vive exilada no telhado, se apaixona por um pintor? Quando o caracol pede a namorada em noivada? E o jacaré, malandro, tenta convencer alguém de que é vegetariano? “Quadrinhas”, afinal, são trovas simples, em geral inventadas pelo povo, com quatro versos. São um tipo de criação que faz parte da cultura popular brasileira. Revelam a enorme criatividade e capacidade de improviso do povo brasileiro, assim como o bom humor que faz troça mesmo das situações adversas.

“Wink Poppy Midnight”

untitled ppUm dos melhores livros juvenis de 2016 chega às livrarias pela Galera Editora. Pode colocar na lista de presentes para o Natal.

 

 

 

“Duas garotas. Um rapaz. Três vozes que explodem nas páginas em capítulos curtos, afiados e hipnotizantes e que espiralam vertiginosamente em direção a algo terrível, complicado e extraordinário.” – Teen Vogue

“Hipnotizante e difícil de largar. Você vai se desesperar para chegar logo ao fim e descobrir o que é o que. E então você vai querer voltar e tentar descobrir como não percebeu as pistas. “Wink Poppy Midnight” é uma leitura rápida e deliciosa.” – The New York Daily News

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Indicado pela Teen Vogue e pelo Mashable como um dos melhores livros young adult de 2016, “Wink Poppy Midnight” é um thriller com doses equivalentes de suspense, fantasia e temas adolescentes, tudo embalado com uma atmosfera sombria e uma escrita fantástica que mergulha o leitor no universo criado pela autora April Genevieve Tucholke.

Midnight é um menino inseguro, doce e meio ingênuo, completamente apaixonado –  e manipulado – por Poppy, a típica garota malvada e popular da escola. Loira e linda, ela não poupa ninguém de sua crueldade. A dinâmica entre eles se altera quando Midnight se muda para a casa vizinha à da família de Wink, uma menina ruiva, misteriosa e meio esquisita, que parece habitar um mundo onde não se distingue ficção de realidade.

Os três protagonistas narram a história, que se alterna entre seus pontos de vista em capítulos bem curtinhos, deixando o leitor em dúvida sobre quem está de fato falando a verdade. Viciada em histórias de ficção, Wink tem certeza de que Midnight é o herói e Poppy é a vilã da trama que acaba envolvendo o trio. Mas nem tudo é o que parece.

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Trecho do livro

“Wink

Toda história precisa de um Vilão.

O Vilão é tão importante quanto o Herói. Talvez até mais importante. Li uma porção de livros, alguns em voz alta para os órfãos, alguns só para mim mesma. E todos tinham um Vilão. A Feiticeira Branca. A Bruxa Má do Oeste. O Cavaleiro de Cabelos de Algodão. Bill Sykes. Sauron. Sr. Hyde. Sra. Danvers. Iago. Grendel.

Eu não precisava da leitura das folhas de chá da Min para saber quem era a Vilã da minha história. A Vilã tinha cabelo loiro e o coração do Herói na manga. Tinha dentes e garras e uma língua de prata como o demônio de fala mansa de Cinza e sombras.”

April Genevieve Tucholke é autora de “Between the devil and the deep blue sea” e “Between the spark and the burn”. Seus livros já foram publicados em trezes países, sendo bem recebidos pela crítica e indicados a várias premiações. Mora em Oregon com o marido. Mais informações em www.apriltucholke.com.

O livro tem 224 páginas e custa R$ 34,90.

Por que as crianças precisam da fantasia

Michele Muller  *

Quando fadas com suas varinhas mágicas, monstros e heróis invencíveis decidem invadir as escolas, eles provam que de fato têm superpoderes: ajudam na aprendizagem. O papel das histórias fantásticas na infância não se limita ao entretenimento. Elas trabalham a linguagem de forma mais eficaz que narrativas realísticas, aumentando a possibilidade de a criança fixar o novo vocabulário.

Pode parecer contraditório, mas justamente por conta da violação das expectativas, são também fundamentais para a compreensão das inúmeras possibilidades que a realidade apresenta.

Os efeitos do mundo do faz de conta sobre a cognição infantil vêm sendo investigados pela neurociência com resultados reveladores. No ano passado, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, constataram que as crianças assimilam melhor um vocabulário novo quando as palavras são introduzidas em meio a histórias fantásticas.

O estudo, liderado pela professora Deena Weisberg, do Instituto de Pesquisa em Ciências Cognitivas, avaliou dois programas educativos aplicados em 154 crianças em idade pré-escolar. Aquelas que tinham contato com os novos conceitos por meio de contos realísticos mostraram desempenho mais fraco na hora de explicar os significados dos vocábulos aprendidos.

Essa fascinação das crianças por acontecimentos extraordinários é evidente já nos primeiros meses de vida. Em 2015, pesquisadores da Universidade de John Hopkings, em Baltimore, testaram o efeito de eventos mágicos sobre a atenção e as brincadeiras de 110 bebês de 11 meses. Perceberam que tendem a olhar mais atentamente e por muito mais tempo para um objeto quando ele desafia as leis da física. A chance de ocorrer algo inesperado, que fere suas expectativas, naturalmente mantém as crianças mais atentas – o que explica, em parte, o sucesso das histórias fantásticas na aprendizagem.

Mas a experiência com bebês revelou que a ação da fantasia no imaginário infantil vai além do aspecto da atenção. Depois de assistirem a uma cena em que algo desaparece repentinamente ou flutua, os bebês tendem a investigar a realidade – deixando um objeto cair para testar a gravidade, por exemplo. Para Weisberg, pensar sobre possibilidades irrealistas pode também ajudar na criação de contrastes informativos que levam à compreensão das estruturas do mundo real.

A partir dessa perspectiva, as histórias ganham função fundamental na construção do senso de realidade – que pode começar com a certificação de que objetos não flutuam e bichos não falam e seguir por questionamentos bem mais sofisticados que necessitam de contrapontos para serem formados e esclarecidos.

Partindo da simples constatação da necessidade do contato com o absurdo para se reconhecer o real, podemos transferir para os heróis e vilões dos contos de fada uma nova responsabilidade: a de ensinar às crianças a administrar seus próprios medos.

Talvez isso explique a popularidade milenar das histórias universais carregadas de tragédias, bruxas malvadas e figuras assustadoras. Podem ter cumprido um importante papel no desenvolvimento das habilidades linguísticas das crianças, mas dificilmente tenha sido essa a intenção dos Andersen, irmãos Grimm e tantos outros que evitaram poupar seus leitores do contato com desgraças fantásticas.

A fascinação inata das crianças pelos horrores e aventuras que o mundo imaginário oferece pode nascer de uma necessidade de dar forma ao impossível para saber reconhecê-lo antes que ele se torne medo.

Ainda bem que a força das histórias populares é grande a ponto de sobreviver a uma época em que as crianças são protegidas de tudo: das brincadeiras que trazem um mínimo risco, dos objetos cortantes, das professoras bravas e de qualquer frustração e tristeza.

Muitos contos clássicos já ganharam versões suavizadas e muitos desenhos perderam seu humor negro para garantir que a infância aconteça toda no mundo cor-de-rosa. Mas se as crianças continuam buscando representações extremas do bem e do mal nas histórias fantásticas, não estranhem: instintivamente, elas buscam referências.

E muitas vezes encontram nas histórias mais extraordinárias e sombrias, que as mantêm atentas, que lhes ensinam as maravilhas da linguagem e lhes mostram o que muitos pais e professores ignoram: que é preciso conhecer para distinguir. É preciso descobrir o irreal para ter segurança no mundo real da mesma forma como o contato com a frustração é essencial para o reconhecimento da satisfação.

* Michele Müller é jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia educacional, pesquisadora, escritora e mestre em ciências da educação.

Artigo originariamente publicado em HuffpostBrasil

Clássicos da literatura no teatro

Muitas histórias conhecidas através dos livros se transformam em peças teatrais gratuitas no Pátio Savassi de Belo Horizonte, como opção de lazer para o feriado e fim de semana.

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A programação infantil do Pátio Savassi para este Natal está muito bacana. No primeiro fim de semana das apresentações das peças teatrais gratuitas, o empreendimento recebeu mais de três mil pessoas! Neste fim de semana prolongado, o shopping segue com as peças e as expectativas de público são as melhores.

No feriado, dia 8/12, será a vez da peça Cinderela, às 18h30. O espetáculo conta a história da filha de um comerciante rico. No entanto, quando o pai faleceu, sua madrasta malvada a obrigou a ser criada… mas uma fada madrinha aparece e ajuda a jovem.

No sábado, 9/12, a programação continua com a história de um boneco que tem apenas uma perna e que se apaixona por uma bailarina que também é uma boneca: Soldadinho de Chumbo, às 16h! E para fechar o fim de semana com chave de outro, no domingo, dia 10/12, às 16h, o tradicional conto de fadas A Bela e a Fera vai encantar a todos! As apresentações gratuitas serão realizadas na Praça de Alimentação do shopping.

Cinderela

Programação

Peça Datas Horários
Cinderela – Praça de Alimentação 8/12 18h30 às 19h30
Soldadinho de Chumbo –  Praça de Alimentação 9/12 16h às 17h
Bela e a Fera – Praça de Alimentação 10/12 16h às 17h
Branca de Neve – Praça de Alimentação 15/12 18h30 às 19h30
Rapunzel –  Praça de Alimentação 16/12 16h às 17h
Pequeno Príncipe – Praça de Alimentação 17/12 16h às 17h

 

“Verões verdes”

O escritor e ilustrador colombiano Dipacho ilustra com legumes e verduras um jogo divertido de palavras que começam com a letra V, nesse livro infantil lançado pela Editora do Brasil.

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Um livro cheio de tons de verdes.

A história é contada só com palavras iniciadas com a letra V. E começa assim:

“Verde”.

No meio do livro:

“Verão vendo verduras verdes”.

E prossegue. Na última página, a surpresa não se refere só ao texto de palavras com V, mas também à cor da página. Seria mais um tom de verde ou não?

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Em “Verões Verdes”, o escritor e ilustrador Dipacho, faz uma abordagem divertida e colorida para ensinar, de modo lúdico o pequeno leitor a conhecer os vegetais e a brincar com a sonoridade da letra V, enquanto conhece, ao mesmo tempo, a importância de uma boa alimentação.

O autor chama a atenção do leitor para uma questão muito importante: tem veneno na comida e isso precisamos evitar urgentemente.

As ilustrações, em tinta látex, fazem uma abordagem visual que serve para complementar uma sequência de palavras que se iniciam pela letra V, cuja repetição mergulha o leitor no fluxo mágico da linguagem verbal. A intenção é que a divertida turma de legumes e verduras verdes, somada ao texto, produza um efeito significativo no raciocínio e imaginação do leitor. Com isso, a criança amplia seus conhecimentos e seu vocabulário.

image004Dipacho explica que “Verões verdes” surgiu como um jogo de palavras que começasse com a letra V, em uma sequência que fosse ficando cada vez maior, página por página, até quase virar um trava-língua. A sequência cumulativa, simples, se torna eficaz ao se encontrar com a mensagem visual.

“Como sou ilustrador, enquanto escrevia fui criando imagens nas quais procurava não repetir o que estava no texto, gerando uma leitura paralela com as ilustrações. No fim, a relação entre os textos e as imagens cria a história das verduras que andam e viajam de férias e têm um fim inusitado”, revela o escritor.

Dipacho é pseudônimo. Seu trabalho foi publicado por editoras do mundo hispânico e também na França, no País Basco, na Itália e no Brasil. Obteve reconhecimentos como o Prêmio “A la orilla del viento”, da editora Fondo de Cultura Económica; Menção Honrosa na Bienal de Ilustração de Bratislava; Prêmio CJ da Coreia; Prêmio White Ravens, da Alemanha; Menção Honrosa do Banco del Libro, Venezuela; Lista de Honra da IBBY; foi selecionado para expor na feira de Bolonha, entre outros.

A tradução foi feita por Heloísa Jahn. O livro tem 32 páginas e custa R$ 41,10. O título está disponível para comercialização por meio da loja virtual da Editora Brasil (http://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/).