“A casa preta”

O luto pelo olhar das crianças. Livro infantil escrito por Fátima Geovanini e ilustrado por Juliana Pegas dá corpo às estratégias que os pequenos usam para lidar com a dor da perda. 

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A nova casa de Arthur seria parecida com todas as outras, não fosse um detalhe: ela é preta. Mas esquisito mesmo não é bem a cor da casa e sim a sensação de estar lá dentro sem sua irmã. De repente a família ficou menor. Agora são apenas Arthur, o pai e a mãe. Nesse novo lar, a Casa Preta, a saudade e a falta dividem espaço com monstros e fantasmas. O menino, porém, é corajoso e vai inventar mil e uma maneiras de enfrentá-los. 

“A Casa Preta” aborda, com originalidade e firmeza, um tema ainda envolto em sombras, um tabu de nossa época: o luto vivido pelas crianças. Ao corporificar a tristeza de Arthur pela morte da irmã, lança um olhar sensível à variedade com que os pequenos criam estratégias para lidar com a dor e a saudade. E faz isso sem resvalar no perigo de soluções fáceis ou de mensagens de otimismo. Em vez disso, neste livro para leitores mirins, a melancolia pela morte de uma pessoa amada é tratada por meio da fantasia e do lirismo — mas também com seriedade e respeito.   

Arthur, esse garoto audaz, encara a solidão e o olhar dos pais mais tristes do mundo, mas volta e meia acaba se perdendo, ele próprio, num mar revolto, todo lágrimas. Apenas o Tempo se revela um aliado poderoso. Elemento indispensável para construir a história de uma perda, restituindo ao mundo suas cores de direito.  

“Era uma casa como outra qualquer. Tinha janelas, portas, uma sala comprida e até um banheiro com banheira e tudo. 

Porém Arthur, que não era um menino qualquer, percebeu algo muito diferente ali. Antes morava em outra casa. Ele, sua irmã, a mãe e o pai. Mas tudo mudou e todos mudaram e se mudaram”. 

 Fátima Geovanini é psicóloga, psicanalista, doutora em bioética e especialista em cuidados paliativos. Há 25 anos se dedica a acompanhar crianças, adolescentes e adultos que, por diversas razões, enfrentam momentos de dificuldades, dor e sofrimento. 

Juliana Pegas é carioca, formada em design gráfico.  Este é o primeiro livro que ilustra. Para isso, desenhou com pincel e nanquim e depois coloriu digitalmente. 

O livro é um lançamento da Escrita Fina Edições. Tem 32 páginas e custa R$ 31,00.

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