A importância da literatura infantil

Ilustrações: Toninho Hashitomi

Ilustrações: Toninho Hashitomi

Em 2018, vamos continuar trabalhando pela literatura infantil, um segmento precioso para formação de cidadãos do bem e da verdade. Um leitor é formado na infância. Aliás, a infância é a base de toda a construção (ou desconstrução) dos futuros adultos e, acredito, ninguém duvida da contribuição dos livros na formação das pessoas que desejamos ver impulsionando o mundo.

No entanto, é preciso saber que para chegar às mãos dos pequenos leitores, o livro infantil percorre uma cadeia produtiva com várias etapas, que começa com uma criteriosa seleção de originais e produção dentro das editoras. Do lado de fora, é impulsionada por ações como as políticas de aquisição e circulação do livro do Ministério da Educação (MEC), o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), os selos de recomendação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), eventos literários, premiações, editais, concursos literários, entre os principais.

A literatura infantil se movimenta basicamente assim, no Brasil. O blog Conta uma História, desde 2011, vem informando e destacando essa movimentação. Nosso país, cada vez mais, anseia por cidadãos bem construídos, daqueles bem ao estilo recomendado por Vargas Llosa: “um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que, alguns, fazem passar por ideias.”

Portanto, para encontrarmos as tais pessoas dignas de pertencerem a esse público, precisamos dar a devida importância à literatura infantil e conquistar número crescente de crianças de posse de bons livros.

Menina com a Fada Madrinha - CópiaA 4ª Edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência, com dados de 2015, destaca que apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática.

“Os resultados da pesquisa reforçam a análise de que o hábito de leitura é uma construção que vem da infância, bastante influenciada por terceiros, especialmente por mães e pais, uma vez que os leitores, ao mesmo tempo em que tiveram mais experiências com a leitura na infância pela mediação de outras pessoas, também promovem essa experiência às crianças com as quais se relacionam em maior medida que os não leitores”.

Ainda segundo as considerações da pesquisa, “apenas um terço dos brasileiros teve influência de alguém na formação do seu gosto pela leitura, sendo que a mãe ou responsável do sexo feminino e o professor foram as influências mais citadas. E a pesquisa indica que essa influência tem impacto no fato do indivíduo ser ou não leitor, uma vez que, enquanto 83% dos não leitores não receberam a influência de ninguém, o mesmo ocorre com 55% dos leitores. No entanto, a pesquisa também indica que o potencial de influenciar o hábito de leitura dos filhos está correlacionado à escolaridade dos pais – filhos de pais analfabetos e sem escolaridade tendem menos a ser leitores que filhos de pais com alguma escolaridade.”

“Da mesma forma, enquanto 57% dos leitores viam suas mães ou responsáveis do sexo feminino lendo sempre ou às vezes, 64% dos não leitores nunca viam essas figuras referenciais lendo (embora com diferentes proporções, o mesmo se dá em relação à figura do pai ou responsável do sexo masculino.)”

Em 2015, semelhante ao observado nas edições anteriores da pesquisa, “pouco menos de um terço dos brasileiros declara que gostam muito de ler. Ao contrário, pouco menos de um quarto não gostam. A proporção de leitores que gostam muito de ler é significativamente maior que a proporção de não leitores, grupo composto por 43% de indivíduos que não gostam de ler.”

“Gostar muito de ler é mais característico das crianças menores (mesma proporção encontrada para ‘gostar um pouco’, sendo que os adolescentes e adultos declaram em maior proporção que gostam um pouco de ler, indicando uma mudança importante na relação com a leitura a partir do ingresso no Ensino Fundamental II. No entanto, entre os indivíduos que atingiram escolaridade superior, a proporção dos que gostam muito de ler ultrapassa a metade desse grupo. Da mesma forma, quanto mais alta a renda, maior a proporção dos que declaram que gostam muito de ler, em relação aos que gostam um pouco ou não gostam.”

Onde achar os livros?

Nas livrarias, naturalmente.

Mas esse não é o local onde o leitor brasileiro busca pelos livros. “Cerca de metade dos entrevistados indicaram o empréstimo, seja com parentes ou conhecidos, seja em bibliotecas ou outros locais, como principal meio de acesso ao livro”, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O segundo meio de acesso mais citado na pesquisa, sim, foi a compra seja em lojas _ física ou virtual.

  • 30% dos entrevistados afirmaram nunca terem comprado um livro;
  • Tema é o aspecto que mais influencia quem compra livros no momento da escolha do livro que irá comprar;
  • Em geral, quanto maior a escolaridade e a classe, maior a proporção de compradores de livros. No entanto, chama atenção que cerca de metade dos estudantes e metade dos leitores não são compradores de livros.
  • A principal ideia associada com a leitura na percepção dos brasileiros é a de que a “leitura traz conhecimento”. Já representações negativas da leitura, como ocupar muito tempo, ser cansativa e obrigatória são mencionadas em proporções significativamente inferiores do que as representações positivas.

Deste espaço, vamos continuar sinalizando para o mercado, para os pais e educadores, onde estão os bons livros infantis que precisam chegar às escolas e nas mãos das crianças; informar sobre o que acontece na literatura infantil e apontar as melhores alternativas para que, cada vez mais, cresça o número de crianças leitoras, dos futuros cidadãos capazes de tornar o Brasil e o mundo melhor de se viver.

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