“O trem e outras histórias”

Obra de Mônica Guttmann, com ilustrações de Veruschka Guerra, apresenta cinco histórias para o público infantojuvenil. Lançamento da Paulus Editora.

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Tudo é grande, forte e real no mundo da criança.

A história do trem é a última do livro de Mônica Guttmann. Ela fala de  sonhos, possibilidades e impossibilidades na infância. A autora faz uma reflexão acerca da criança, que, muitas vezes, se torna madura antes do tempo, tendo a infância roubada pela guerra, pela perda e pela solidão.

A primeira história do livro, A árvore de sete galhos, aborda um tema semelhante: a importância da infância. Em O trem, os sonhos e esperanças foram depositados em um pequeno e único brinquedo: o trem. Em A árvore de sete galhos, o menino Samuel depositava sua confiança e ilusão em sua grande amiga que tinha sete galhos – uma amiga que só aparecia para quem não fugia da vida.

Histórias paralelas fala sobre a princesa que se apaixona por um ator plebeu. Eles têm uma filha que, ao nascer, ganha um livro de ouro. Autoestima e coragem para escrever a própria história são as mensagens deixadas pela autora. “Acorde, menina, já é tempo de viver… de se olhar… de escrever novas histórias… e principalmente de crescer. Não tenha medo. O tempo passa e o seu livro de ouro necessita ser preenchido”.

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Em A menina e o bruxo a autora traz a dúvida de uma menina sobre como se tornar mulher. E é com sabedoria que o bruxo a ajuda a desvendar esse mistério. A pedra é uma pequena história poética sobre a pedra que virou coração. O coração que virou estrela. A estrela que virou pedra…

Mônica Guttmann é psicóloga formada pela PUC-SP, em 1985. Ela é também arte-educadora, arteterapeuta e escritora. Em seu consultório, Mônica atende, como psicoterapeuta e arteterapeuta, crianças, adolescentes, adultos, casais e famílias. Em seu trabalho, ela oferece assessoria e supervisão para profissionais e instituições de saúde e educação. Mônica ministra palestras e cursos sobre criação literária, arteterapia, educação e psicologia no Brasil e no exterior; tem vários livros infantis publicados e escreve textos, artigos e crônicas em revistas e livros sobre arteterapia, psicologia e educação.

O livro tem 56 páginas e está sendo vendido no site da editora por R$ 25,00. Clique no link http://www.paulus.com.br/loja/o-trem-e-outras-historias_p_4665.html

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“Roupa de camaleão”

A expectativa de um camaleão apaixonado: o que acontece quando um lagarto, que vive mudando de pele, marca um encontro? Os preparativos podem virar uma farra de estampas e cores, narrada num livro cheio de bossa .

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Camaleão é um bicho engraçado, capaz de mudar de cor como quem troca de roupa. Tanta transformação ocorre para despistar os inimigos, dizem os cientistas. Mas decerto afirmam isso porque nunca se depararam com uma história como a de André Vargas e Luiz Silva, na qual um camaleão para lá de simpático experimenta o frio na barriga e a pergunta terrível que assola todo mundo, instantes antes do primeiro encontro: e agora? Que cor de roupa eu vou me vestir?

Pois estampas e coloridos não faltam ao adorável protagonista de Roupa de camaleão”. Com esmero e vaidade, ele capricha nos preparativos. Põe gravata borboleta e se mira no espelho calmo do rio, indagando se está mais para jacaré ou para crocodilo… Um camaleão, afinal, pode se transformar em qualquer coisa. Difícil é controlar a ansiedade. Ainda mais quando um golpe do destino antecipa o rumo dos acontecimentos.   

Com versos divertidos e ilustrações vibrantes, cheias de bossa, “Roupa de camaleão” celebra o prazer e a graça dos encontros, essa sensação de “caçada de sabores”, onde “o começo nunca tem fim”. Com isso, sela também a amizade de dois artistas, dois jovens talentos do texto e das imagens. Uma parceria que comprova o vigor da literatura infantil brasileira — ela própria camaleônica, cheia de novidades.

André Vargas é poeta e compositor. Natural de Cabo Frio e graduando em Filosofia pela UFRJ, já publicou “Caraminholas – Poesias do fundo da cachola”, pela editora Multifoco. Luiz Silva nasceu na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, em 1988. É formado em Gravura pela Escola de Belas Artes, da UFRJ. Utiliza, além das técnicas de gravura, o desenho e a pintura como meios de expressão.  

Um trechinho do livro para você:

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Que cor pôr em meu corpo 

Compondo a roupa do encontro? 

Encontro todas as cores do mundo 

E, em um segundo, estou pronto. 

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Não quero uma cor qualquer. 

Bem me queira! Pois vou estampado! 

Tampado de cores vibrantes, 

Antes colorido que apagado. 

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O livro tem o selo da Escrita Fina Edições. São 24 páginas. O preço é R$ 25,90.

A obra infantojuvenil de Carlos Heitor Cony

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O jornalista Carlos Heitor Cony, reconhecido como um dos maiores escritores brasileiros e membro da Academia Brasileira de Letras, morreu, ontem, aos 91 anos. Mas sua obra permanece. O blog destaca seus livros infantojuvenis e algumas de suas adaptações dos clássicos infantis como forma de homenagear o grande autor e premiar o leitor.

 

 

8e0a40af-9b94-4f25-b3ce-6cd26994cce6Infantojuvenis

1965 – Quinze Anos

1977 – Uma História de Amor

1979 – Rosa, Vegetal de Sangue

1979 – O Irmão que tu me deste

1986 – A Gorda e a Volta por Cima

1989 – Luciana Saudade

2002 – O Laço Cor-de-rosa

 

Adaptações

1971 – Ben-Hur – de Lew Wallace

1972 – A Ilha Misteriosa – de Júlio Verne

1972 – As Maravilhas do Ano 2000 – de Emilio Salgari

1972 – O Leão de Damasco – de Emilio Salgari

1972 – Os Meninos Aquáticos – de Charles Kingsley

1972 – Ali Babá e os Quarenta Ladrões – de As Mil e uma Noites

D_Q_NP_535825-MLB25524671749_042017-Q1972 – Simbad, o Marujo – de As Mil e uma Noites

1973 – Um Capitão de Quinze Anos – de Júlio Verne

1973 – Tom Sawyer Detetive – de Mark Twain

1974 – As Viagens de Tom Sawyer – de Mark Twain

1974 – O Diário de Adão e Eva – de Mark Twain

1974 – Taras Bulba – de Nikolai Gogol

1978 – Pinóquio da Silva – de Carlo Collodi

1980 – A Máscara de Ferro – de Alexandre Dumas, pai

1983 – O Livro dos Dragões – de Edith Nesbit

1983 – Crime e Castigo – de Fiódor Dostoiévski

1985 – Um Ianque na Corte do Rei Artur – de Mark Twai

1987 – O Califa de Bagdá – de As Mil e Uma Noites

1987 – Aladim e a Lâmpada Maravilhosa – de As Mil e Uma Noites

1989 – O Roubo do Elefante Branco – de Mark Twain

1998 – O Ateneu – de Raul Pompeia

1998 – O Primo Basílio – de Eça de Queirós

2000 – Memórias de um Sargento de Milícias – de Manuel Antônio de Almeida_d2cbeac153185650a80333a0ee741d8353950ce6

2002 – A Dama das Camélias – de Alexandre Dumas, filho

Sem Data – Moby Dick – de Herman Melville

Sem Data – Viagem ao Centro da Terra – de Júlio Verne

Sem Data – As Aventuras de Tom Sawyer – de Mark Twain

Sem Data – Huckleberry Finn – de Mark Twain

Sem Data – O Capitão Tormenta – de Emilio Salgari

Sem Data – O Grande Meaulne – de Alain-Fournier

Fonte: Wikipedia

Celebre o seu dia, leitor querido

7 de Janeiro é o Dia do Leitor. Prepare-se para comemorar em grande estilo: escolha um bom livro e comece a leitura para curtir a sua data.

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O Dia do Leitor é comemorado no Brasil anualmente numa homenagem à fundação do jornal cearense “O Povo” criado em 7 de janeiro de 1928 pelo poeta e jornalista Demócrito Rocha. Dentista, funcionário dos Correios e telégrafos, intelectual, deputado federal e jornalista combativo, ele ainda fundou, em 1929, a revista literária “Maracajá”.

Quando Demócrito Rocha fundou o jornal diário O Povo, que se transformaria numa espécie de cartão de visita do Ceará, o Maracajá passou a circular como um dos seus suplementos. Por um lado, O Povo combatia os desregramentos políticos da época, inclusive a corrupção, e por outro, o Maracajá abrigava a produção dos poetas e intelectuais da terra, onde o próprio Demócrito Rocha publicou a maioria de seus poemas, curiosamente sempre assinados com o pseudônimo de Antônio Garrido.

untitledA biografia de Demócrito Rocha explica que ele escreveu uma poesia de forte cunho telúrico, senão regionalista. Para quem praticou tal arte pelo final da década de 20, a ousadia do poeta se revela nos seus versos livres, com uma dicção discursiva e vocabulário numa mistura de requinte e simplicidade. Lamentam ainda hoje os cearenses que a obra poética de Demócrito Rocha não tenha sido recolhida em livro, em edição sistemática e estudo analítico. Pelo menos um de seus poemas, O Rio Jaguaribe, ganhou foros de imortalidade, aparecendo em várias antologias. Pelo menos um de seus poemas, O Rio Jaguaribe, ganhou foros de imortalidade, aparecendo em várias antologias.

Demócrito Rocha pertenceu à Academia Cearense de Letras e morreu em Fortaleza no dia 29 de novembro de 1943.

Ficam os versos de “O Rio Jaguaribe”. Leia para você. Leia para uma criança. Bom Dia do Leitor!

“O Rio Jaguaribe é uma artéria aberta

por onde escorre / e se perde / o sangue do Ceará.

O mar não se tinge de vermelho

porque o sangue do Ceará / é azul …

Todo plasma / toda essa hemoglobina

na sístole dos invernos

vai perder-se no mar.

Há milênios… desde que se rompeu a túnica

das rochas na explosão dos cataclismos

ou na erosão secular do calcário

do gnaisse do quartzo da sílica natural …

E a ruptura dos aneurismas dos açudes…

Quanto tempo perdido!

E o pobre doente — o Ceará — anemiado,

esquelético, pedinte e desnutrido —

a vasta rede capilar a queimar-se na soalheira —

é o gigante com a artéria aberta

resistindo e morrendo

resistindo e morrendo

resistindo e morrendo

morrendo e resistindo…

(Foi a espada de um Deus que te feriu

a carótida

a ti — Fênix do Brasil.)

E o teu cérebro ainda pensa

e o teu coração ainda pulsa

e o teu pulmão ainda respira

e o teu braço ainda constrói

e o teu pé ainda emigra

e ainda povoa.

As células mirradas do Ceará

quando o céu lhe dá a injeção de soro

dos aguaceiros —

as células mirradas do Ceará

intumescem o protoplasma

(como os seus capulhos de algodão)

e nucleiam-se de verde

— é a cromatina dos roçados no sertão…

(Ah, se ele alcançasse um coágulo de rocha!)

E o sangue a correr pela artéria do Rio Jaguaribe…

o sangue a correr

mal que é chegado aos ventrículos das nascentes …

o sangue a correr e ninguém o estanca…

Homens da pátria — ouvi:

— Salvai o Ceará!

Quem é o presidente da República?

Depressa / uma pinça hemostática em Orós!

Homens — o Ceará está morrendo,

está esvaindo-se em sangue …

Ninguém o escuta, ninguém o escuta

e o gigante dobra a cabeça sobre o peito

enorme,

e o gigante curva os joelhos no pó

da terra calcinada,  e

— nos últimos arrancos — vai

morrendo e resistindo

morrendo e resistindo

morrendo e resistindo.”

“Leitores para sempre”

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Estou conhecendo mais uma proposta muito bem estruturada de Clube de Leitura, denominada “Leitores para sempre”, voltada para “orientar o adulto a aproximar-se da literatura infantil e a aproveitar ao máximo esse momento de leitura com a criança”.

Parabéns para Marta Pinto Ferraz e Clô Ferreira, idealizadoras do projeto, que todos podem conhecer e pertencer se visitar o site www.leitoresparasempre.com.br Além delas, sete curadores atuam na seleção dos livros que chegarão mensalmente às mãos dos assinantes. Cada obra é escolhida de acordo com a idade e a fase de desenvolvimento do pequeno leitor, informada no ato da assinatura.

É um convite para os familiares lerem a história em voz alta para as crianças. “No caminho para a formação de “Leitores para Sempre”, a leitura mediada é fundamental. O adulto traz o seu saber para despertar a curiosidade e a imaginação da criança e estabelecer uma relação afetiva com o texto literário e o ato de ler. É também por meio dos livros que a criança embarca em fabulosas aventuras, conhece lugares incríveis, amplia seus horizontes e descobre novas palavras. Além disso, ler ajuda a crescer, melhora a concentração e as habilidades de comunicação”.

criancasO clube contempla os pequenos leitores desde a vida intrauterina até o início da puberdade (10 anos). “Estabelecemos dentro desse período quatro fases distintas de desenvolvimento físico e sociocognitivo, com diferentes interesses e níveis de compreensão. Vale lembrar, no entanto, que esses limites não são rígidos e cristalizados, pois cada criança se desenvolve de maneira particular dependendo dos estímulos que recebe e do seu temperamento”.

Junto com o livro, o assinante recebe uma folha intitulada Primeira Página, um marcador de página e, na primeira entrega, um Diário de Leitura.

Primeira Página: folha destinada ao adulto leitor com uma apresentação e algumas informações básicas sobre o livro recebido e chamando a atenção para alguns aspectos da obra que podem tornar a leitura mais viva.

Diário de Leitura: Na primeira entrega de cada assinatura e a cada renovação, você recebe um Diário para registrar as descobertas, as impressões e comentários que o texto suscitou. Para cada livro lido, o diário tem um espaço para anotações, desenhos e fotos que registrem aquele momento, construindo assim uma história de leitura.

logoRodapeTodo assinante tem ainda acesso a vídeos com dicas e exemplos para tornar a leitura do livro de mês mais prazerosa e produtiva.

As assinaturas funcionam de forma semelhante às de jornais e revistas. Você paga uma mensalidade e recebe o livro em sua casa. São três planos: o plano avulso no valor de R$ 63,00 para um livro; o plano semestral de R$ 59,00 por mês para um livro a cada mês e o plano anual no valor de 12 parcelas de R$ 55,00 para ter direito a um livro a cada mês.

Outras informações por email contato@leitoresparasempre.com.br ou Whatsapp 11 99517 5970

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“Os chifres de Filomena”

Um dos livros, que compõem o catálogo de “Leitores para sempre”, está o clássico de David Small, lançado pela Companhia das Letrinhas (2007) “Os chifres de Filomena”. Uma delícia de história para ser contada em voz alta, em meio a brincadeiras, o que vai tornar a sessão de leitura bem divertida para as crianças.

A história é assim:

Numa quinta-feira, a menina Filomena acordou com longos chifres. E aí?

“Foi difícil por a roupa e passar pelas portas virou um problema”.

Mas os problemas não foram apenas esses.

“A mãe de Filomena desmaiou”. “O médico apertou e escutou e coçou o queixo. Não conseguia entender”.

E o diretor da escola? E o irmão de Filomena? E a empregada e cozinheira da casa? O que pensaram dos chifres da menina? Será que o caso tinha solução?

Claro que sim. Mas só no dia seguinte. Aliás, Filomena provou que era mesmo uma menina aventureira e, além dos chifres, conseguiu arrumar mais uma confusão…

Quer conhecer essa história? Peça o livro em “Leitores para sempre” e boa leitura!

A importância da literatura infantil

Ilustrações: Toninho Hashitomi

Ilustrações: Toninho Hashitomi

Em 2018, vamos continuar trabalhando pela literatura infantil, um segmento precioso para formação de cidadãos do bem e da verdade. Um leitor é formado na infância. Aliás, a infância é a base de toda a construção (ou desconstrução) dos futuros adultos e, acredito, ninguém duvida da contribuição dos livros na formação das pessoas que desejamos ver impulsionando o mundo.

No entanto, é preciso saber que para chegar às mãos dos pequenos leitores, o livro infantil percorre uma cadeia produtiva com várias etapas, que começa com uma criteriosa seleção de originais e produção dentro das editoras. Do lado de fora, é impulsionada por ações como as políticas de aquisição e circulação do livro do Ministério da Educação (MEC), o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), os selos de recomendação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), eventos literários, premiações, editais, concursos literários, entre os principais.

A literatura infantil se movimenta basicamente assim, no Brasil. O blog Conta uma História, desde 2011, vem informando e destacando essa movimentação. Nosso país, cada vez mais, anseia por cidadãos bem construídos, daqueles bem ao estilo recomendado por Vargas Llosa: “um público comprometido com a leitura é crítico, rebelde, inquieto, pouco manipulável e não crê em lemas que, alguns, fazem passar por ideias.”

Portanto, para encontrarmos as tais pessoas dignas de pertencerem a esse público, precisamos dar a devida importância à literatura infantil e conquistar número crescente de crianças de posse de bons livros.

Menina com a Fada Madrinha - CópiaA 4ª Edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro e Ibope Inteligência, com dados de 2015, destaca que apenas um em cada 4 brasileiros domina plenamente as habilidades de leitura, escrita e matemática.

“Os resultados da pesquisa reforçam a análise de que o hábito de leitura é uma construção que vem da infância, bastante influenciada por terceiros, especialmente por mães e pais, uma vez que os leitores, ao mesmo tempo em que tiveram mais experiências com a leitura na infância pela mediação de outras pessoas, também promovem essa experiência às crianças com as quais se relacionam em maior medida que os não leitores”.

Ainda segundo as considerações da pesquisa, “apenas um terço dos brasileiros teve influência de alguém na formação do seu gosto pela leitura, sendo que a mãe ou responsável do sexo feminino e o professor foram as influências mais citadas. E a pesquisa indica que essa influência tem impacto no fato do indivíduo ser ou não leitor, uma vez que, enquanto 83% dos não leitores não receberam a influência de ninguém, o mesmo ocorre com 55% dos leitores. No entanto, a pesquisa também indica que o potencial de influenciar o hábito de leitura dos filhos está correlacionado à escolaridade dos pais – filhos de pais analfabetos e sem escolaridade tendem menos a ser leitores que filhos de pais com alguma escolaridade.”

“Da mesma forma, enquanto 57% dos leitores viam suas mães ou responsáveis do sexo feminino lendo sempre ou às vezes, 64% dos não leitores nunca viam essas figuras referenciais lendo (embora com diferentes proporções, o mesmo se dá em relação à figura do pai ou responsável do sexo masculino.)”

Em 2015, semelhante ao observado nas edições anteriores da pesquisa, “pouco menos de um terço dos brasileiros declara que gostam muito de ler. Ao contrário, pouco menos de um quarto não gostam. A proporção de leitores que gostam muito de ler é significativamente maior que a proporção de não leitores, grupo composto por 43% de indivíduos que não gostam de ler.”

“Gostar muito de ler é mais característico das crianças menores (mesma proporção encontrada para ‘gostar um pouco’, sendo que os adolescentes e adultos declaram em maior proporção que gostam um pouco de ler, indicando uma mudança importante na relação com a leitura a partir do ingresso no Ensino Fundamental II. No entanto, entre os indivíduos que atingiram escolaridade superior, a proporção dos que gostam muito de ler ultrapassa a metade desse grupo. Da mesma forma, quanto mais alta a renda, maior a proporção dos que declaram que gostam muito de ler, em relação aos que gostam um pouco ou não gostam.”

Onde achar os livros?

Nas livrarias, naturalmente.

Mas esse não é o local onde o leitor brasileiro busca pelos livros. “Cerca de metade dos entrevistados indicaram o empréstimo, seja com parentes ou conhecidos, seja em bibliotecas ou outros locais, como principal meio de acesso ao livro”, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. O segundo meio de acesso mais citado na pesquisa, sim, foi a compra seja em lojas _ física ou virtual.

  • 30% dos entrevistados afirmaram nunca terem comprado um livro;
  • Tema é o aspecto que mais influencia quem compra livros no momento da escolha do livro que irá comprar;
  • Em geral, quanto maior a escolaridade e a classe, maior a proporção de compradores de livros. No entanto, chama atenção que cerca de metade dos estudantes e metade dos leitores não são compradores de livros.
  • A principal ideia associada com a leitura na percepção dos brasileiros é a de que a “leitura traz conhecimento”. Já representações negativas da leitura, como ocupar muito tempo, ser cansativa e obrigatória são mencionadas em proporções significativamente inferiores do que as representações positivas.

Deste espaço, vamos continuar sinalizando para o mercado, para os pais e educadores, onde estão os bons livros infantis que precisam chegar às escolas e nas mãos das crianças; informar sobre o que acontece na literatura infantil e apontar as melhores alternativas para que, cada vez mais, cresça o número de crianças leitoras, dos futuros cidadãos capazes de tornar o Brasil e o mundo melhor de se viver.