“A garota que bebeu a lua”

Uma fábula sobre aceitação, amadurecimento, opressão e conformidade.

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Vencedor de 2017 da Medalha Newbery por sua contribuição à literatura infantojuvenil americana, “A garota que bebeu a lua”, de Kelly Barnhill, é hábil em utilizar uma trama de fantasia povoada por bruxas, dragões e monstros para abordar temas como política, opressão, conformidade e amadurecimento. O título, que chega às prateleiras pela Editora Galera Record, arrebatou uma série de prêmios em 2016, quando foi lançado lá fora: foi escolhido como melhor livro do ano nas bibliotecas públicas de Nova York e Chicago e foi também eleito o melhor do ano nas listas da Publishers Weekly e Kirkus Review.

Na trama, todo ano o povo do local conhecido como Protetorado deixa um bebê como oferenda para a bruxa que vive na floresta, na esperança de que o sacrifício a impeça de aterrorizar sua pequena cidade. É um povo triste, que vive isolado e protegido por muros, sem grandes distrações ou ambições. A lenda da bruxa se estende há anos, criada pelos Anciãos, os donos da cidade , mas eles sabem que não existe bruxa má nenhuma. Para os Anciãos, os bebês deixados ali acabam morrendo, comidos pelos bichos selvagens da floresta. Mas a crença da população na lenda ajuda a mantê-los sob rédea curta, e é isso que importa.

O que ninguém sabe é que de fato existe uma bruxa que mora na floresta. Mas Xan não é nada má. Todo ano ela pega o bebê deixado pelo povo do Protetorado – sem entender exatamente por que eles abandonam suas crianças – e faz uma longa viagem para entregá-lo a uma família nas Cidades Livres, que cuida com carinho dos pequenos. Mas em uma das ocasiões ela sente uma conexão forte com o bebê da vez. E sem querer – ou talvez um pouco de propósito – alimenta a menina durante a viagem com a luz da lua, substância dotada de magia extraordinária, o que acaba “embruxando” a garota.

Assim, Xan decide criar ela mesma aquela criança, a quem dá o nome de Luna. Mas seus poderes mágicos são excepcionais e, quando se aproxima o aniversário de 13 anos da garota, as coisas começam a sair do controle e colocar em perigo a sua vida e a dos outros. Enquanto isso, um jovem no Protetorado começa a fazer muitas perguntas. Ele não consegue se conformar com o ritual de sacrifício dos bebês e está disposto a acabar com esse costume mesmo que tenha que encontrar e matar a bruxa má com suas próprias mãos.

Trecho do livro

“Deixaram a menina ali sabendo que certamente não existia bruxa alguma. Nunca existira uma bruxa. Havia apenas a floresta perigosa e uma única estrada e um controle tênue de uma vida da qual os Anciãos gozaram por gerações. A Bruxa – ou melhor, a crença de que ela existia – tornou o povo aterrorizado e subjugado, um povo submisso, que vivia a vida em um nevoeiro de tristeza, e as nuvens de sua tristeza adormeciam seus sentidos e encharcavam suas mentes. Era terrivelmente conveniente para um governo livre e desimpedido dos Anciãos. Era desagradável também, mas isso não poderia ser evitado.

Ouviram a criança chorar enquanto caminhavam por entre as árvores, mas o choro logo desapareceu entre os suspiros do pântano e o canto dos pássaros e o estalar das árvores pela floresta. E cada um dos Anciãos sentiu uma certeza plena de que aquela criança não sobreviveria até o dia seguinte, e de que eles nunca mais ouviriam falar dela, nem a veriam, nem pensariam nela.

Acreditaram que ela desapareceria para todo o sempre.

Mas estavam errados, é claro.”

 A autora

Kelly Barnhill já foi professora, bartender, garçonete, ativista, guarda-florestal, secretária, conselheira e guitarrista de igreja. Seu romance de estreia, “O filho da feiticeira”, também publicado pela Galera, lhe rendeu diversos prêmios, incluindo o Livro do Ano do jornal Washington Post. “A garota que bebeu a lua” é seu segundo livro.

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