Volta às aulas

Algumas crianças já voltaram à rotina escolar. Outras estão apenas esperando o dia de voltar para a escola, rever professores e amigos. E outras nem sabem onde vão estudar, por que os pais ainda estão escolhendo a nova escola. Embora a maioria das escolas particulares já tenha dado início às aulas, a rede pública varia e cada local tem uma data para iniciar o calendário escolar. Belo Horizonte, por exemplo, marcou para o dia 15/2. Neste caso, o blog apresenta dicas de especialistas: da ‘coach’ familiar Valéria Ribeiro e da psicóloga Ana Paula de Rezende Bartolomeo, diretora da Trilha da Criança Centro Educacional.

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Escolher uma escola para o filho. Missão impossível?

Muitas mães e pais têm muitas dúvidas sobre como escolher uma escola para o filho, seja a primeira escola ou quando há necessidade de trocar. Há muitas maneiras dos pais saberem se a escola desejada será boa ou não para o seu filho, tais como olhar no site da escola, perguntar para outros pais que tenham filhos que lá estudam ou até mesmo perguntar para as crianças que lá estudam. Se for uma escola de ensino médio, há possibilidade de olhar o ranking no INEP sobre o desempenho no ENEM. Os pais também podem olhar os cursos extracurriculares, a metodologia de ensino e se é próximo da casa.

Todas essas questões são importantes. De certo modo, isso dá segurança para saber se o filho estará qualificado para enfrentar o mundo quando adulto. Mas, a pergunta que fica: isso é importante? Somente isso basta? Será que colocar o filho na melhor escola irá garantir que ele será uma pessoa bem-sucedida no futuro? De acordo com a ‘coach’ familiar Valeria Ribeiro, a resposta para essas perguntas é não. “De tudo que tenho visto posso dizer com firmeza que não. A melhor escola pode não estar de acordo com os valores da família, pode não ter o perfil da criança, bem como pode gerar alguns danos em seu filho.” Assim afirma a profissional.

Valéria Ribeiro: "A melhor escola pode não estar de acordo com os valores da família, pode não ter o perfil da criança, bem como pode gerar alguns danos em seu filho."

Valéria Ribeiro: “A melhor escola pode não estar de acordo com os valores da família, pode não ter o perfil da criança, bem como pode gerar alguns danos em seu filho”

Valéria Ribeiro retrata um caso recente na vida dela que pode exemplificar a situação. No começo do ano passado, ela matriculou o seu filho em uma escola renomada, no entanto, a qualidade de ensino não supria as situações de bullying que o filho passava. “A questão é que meu filho sofreu bullying o ano todo naquela escola. Sabe por quê? A educação que dava para meu filho, os valores, que nós ensinávamos para ele eram diferentes dos valores praticados naquela escola. A professora me disse: ‘seu filho é inteligente, cooperativo, procura sempre ajudar os amigos e os professores, é educado e respeita a todos, por isso ele é diferente’. Bem! Isso era o que eu ensinava em casa, esses eram valores que eu gostaria que ele tivesse. Mas, para aquela escola isso não servia. Era uma escola competitiva e o que valia era ser o mais “esperto”. Ao final daquele ano o que fiz foi trocar ele de escola.”

Ao trocar o filho de escola, Valeria afirma que buscou compreender não só a estrutura física da escolha, qualificação dos professores e as matérias, mas também a formação sócio-emocional que a escola propunha. “Fui saber quais eram os valores ensinados no dia a dia da escola (disciplina, organização, cooperação, inclusão, aceitação, desenvolvimento cognitivo e intelectual), como essas coisas todas eram ensinadas. Os pais precisam ficar atentos nesses fatores também. A adaptação dos filhos faz diferença na sua trajetória de sucesso.”

Atualmente, há a compreensão de que a escola se limita a ensinar as matérias básicas na construção do cidadão. Em outras palavras, a escola só teria o papel de ensinar português, matemática, história e assim por diante. No entanto, Valeria Ribeiro afirma que a escola precisa agir como reforço da educação de casa, logo compreender se os valores da escola condizem com o seu é de suma importância. “A escola precisa ser uma continuidade do que se ensina em casa. Precisa ser uma parceira na educação dos filhos.”

Outro fator importante é considerar o perfil ou personalidade da criança, se ela é tímida, mais expansiva, gosta de montar coisas, competitiva ou colaborativa por exemplo. A coach especializada em desenvolvimento humano, retrata que “tudo isso pode indicar qual a linha pedagógica da escola que melhor se adequa ao seu filho. Há diferentes métodos pedagógicos: Tradicional, Socioconstrutivista, Construtivista, Comportamentalista, Montessoriana, Waldorf, Freinet, Freiriana, Optmistic, Progressista Humanista, entre outras.”

O essencial não é falar que o seu filho está no melhor colégio ou no mais caro, mas sim que ele está feliz e se desenvolvendo da melhor forma possível. Assim, as crianças passam a ter alegria em ir à escola e principalmente, adquirem o prazer de estudar. Cabe destacar que o MEC define o currículo que todas as escolas devem cumprir, logo, a felicidade do seu filho precisa estar no primeiro parâmetro nessa escolha.

“E aí quais são os parâmetros de uma escola para seu filho? Defina antes de procurar qualquer escola, pois sem essa definição qualquer uma pode servir ou você pode se encantar com características que talvez não seja adequada ao perfil do seu filho.” Essas são as dicas de um profissional.

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Volta à rotina escolar

Especialista explica como passar pela fase de adaptação e readaptação à rotina escolar sem traumas.

As famílias se preparam para readaptação à rotina escolar. É  um momento muito especial  para as crianças, familiares e educadores. Início de um novo ano, novas experiências e descobertas, que podem gerar sentimentos de euforia, ansiedade e insegurança. E mesmo para as crianças que já frequentam a escola, a volta às aulas requer uma adaptação, pois no período de férias as crianças mudam a rotina.

Após as férias, como retornar para uma nova rotina com tranquilidade e segurança? A psicóloga e diretora da Trilha da Criança Centro Educacional, Ana Paula de Rezende Bartolomeo, explica que adotar uma rotina de horários na semana anterior ao início das aulas é positivo, principalmente para as crianças que estudam pela manhã se acostumarem a dormir e acordar mais cedo.

“A família deve sempre incentivar as crianças a pensarem na escola de forma positiva, como um local de novos aprendizados e convivência com os amigos”, afirma. Outra forma de estimular a volta às aulas com menos é envolver a criança na preparação com o uniforme e o material escolar. “É importante que essa preparação seja feita em conjunto, afinal, a volta às aulas mexe com a rotina de toda a família.”

Para os pais, é fase de expectativas e receio. Confira abaixo algumas dicas e cuidados da psicóloga Ana Paula Bartolomeo para orientá-los nesse processo.

p000004775Vínculo de confiança

Dizer para o seu filho que você vai sentir a falta dele é carinhoso e verdadeiro. Mas também é preciso dizer que a escola é um lugar bacana, em que você confia muito e ressaltar o lado bom de estar ali. De preferência, deixe que a criança entre andando e se despeça com naturalidade. Evite voltar em caso de choro ou necessidade de passar recado. O ideal é utilizar sempre a agenda. Se necessário, telefone ou aguarde na pracinha da escola para falar presencialmente. Também é recomendável evitar perguntas ou comentários na presença da criança.

Ajuste os horários

Readapte os horários gradualmente. Se a criança vai para a escola pela manhã, acorde-a 40 minutos antes do horário regular. No dia seguinte, 30 minutos, depois, 20, 10, até chegar á hora certa. Para as crianças que estudam à tarde, vale fazer o mesmo processo, só que para ajustar o almoço.

Pontualidade e assiduidade

Seja pontual, tanto na chegada quanto na hora de buscar a criança. Esse cuidado é essencial, especialmente se já possui vínculo com os colegas, o que pode estimular e facilitar a readaptação. É muito importante também não ceder ao pedido de não ir à escola.

Presença parcial dos pais

Em casos específicos, é possível o acompanhamento dos pais durante a adaptação ou readaptação. Converse com a Coordenação sobre essa necessidade.

RunningLateforSchoolNa ausência da mãe

Deixe que a criança leve um objeto ou brinquedo significativo (objeto transicional) para que ela possa buscar conforto e segurança.

Vá com calma

Mudanças bruscas devem ser evitadas durante o período de adaptação e readaptação, como retirada de fraldas, bico ou mamadeiras. O mais importante é respeitar o ritmo de cada criança. Seguindo essas recomendações, é possível fazer dessa experiência uma memória positiva para toda a família.

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