O maior evento de literatura infantil

Bologna Children´s Book Fair ou a 55ª Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha está acontecendo na Itália desde o dia 23 de março e prossegue até nesta sexta-feira, dia 29/3. O link para acompanhar a feira é esse: www.bookfair.bolognafiere.it/home/878.html. Ontem, foram apresentados ao público os vencedores da maior láurea da literatura infantil: a escritora japonesa Eiko Kadono e o ilustrador russo Igor Oleynikov, que receberam o Prêmio Hans Christian Andersen. Várias editoras, escritores e ilustradores brasileiros participam do evento. A China é o país “convidado de honra”.

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Segundo matéria do portal de notícias Publishnews, “teve um pouquinho de Brasil iá iá no Hans Christian Andersen”. Uma das vencedoras do Prêmio, considerado o Nobel da Literatura Infantil e Juvenil, morou no Brasil e sobre essa experiência escreveu um livro que ainda está inédito por aqui.

Em 2018, o Brasil esteve muito bem representado entre os indicados ao Hans Christian Andersen, um dos mais importantes prêmios da literatura infantojuvenil do mundo. Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi concorreram, mas não chegaram aos finalistas. Mas, se serve de consolo, o Nobel da Literatura Infantojuvenil teve um tiquinho de Brasil. Os vencedores foram anunciados ontem, na Itália, onde acontece e Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. Os vencedores foram o ilustrador russo Igor Oleynikov e a escritora japonesa Eiko Kadono, que já morou no Brasil nos anos 1960 e dessa experiência surgiu o livro “Brazil and my friend Luizinho”, baseado na história de um garoto brasileiro que amava dançar samba. Nenhum dos dois ganhadores têm livros nos catálogos ativos das editoras brasileiras.

Eiko nasceu em Tóquio, em 1935. Aos dez anos, teve que fugir da cidade, rumo ao Norte, por conta da Guerra. As memórias dessa época formaram a base de uma de suas histórias mais conhecidas Rasuto ran (2011). A autora que, quando tinha 25 anos, passou dois anos morando no Brasil, publicou cerca de 200 trabalhos originais, entre livros ilustrados, de fantasia, além de antologias e ensaios. É ainda tradutora de mais de 100 obras para o japonês, dentre os quais se destacam Raymon Briggs e Dick Bruno.

“A literatura de Kadono é preenchida com personagens peculiares, dotados das virtudes e fraquezas dos seres humanos em todos os lugares. E seu estilo melodioso é permeado de capricho e humor”, diz o perfil dela na candidatura ao prêmio.

Cerimônia de anúncio dos vencedores do Hans Christian Andersen aconteceu na manhã de ontem em Bolonha | © Carlo Carrenho / Publishnews

Cerimônia de anúncio dos vencedores do Hans Christian Andersen aconteceu na manhã de ontem em Bolonha | © Carlo Carrenho / Publishnews

Já o russo Igor Oleynikov nasceu em Lyubersty, cidade próxima a Moscou em 1953. Estudou Engenharia Química. Em 1979, ele começa a trabalhar no estúdio de animação Soyuzmultfilm e mais tarde no Christmas Film Studios. Em 1986, dá início à carreira como ilustrador de periódicos infantis e de projetos gráficos de livros. Na sua candidatura, a organização do prêmio destaca que ele é “muito prolífico e suas ilustrações são muito dinâmicas com personagens incomuns, muitas vezes apresentados como cenas de cinema”. Ele tem no seu currículo mais de 80 livros para crianças e jovens, incluindo muitos contos de fadas clássicos.

Participação brasileira

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O segmento de livros infanto-juvenis é um dos pilares da produção editorial nacional. A maioria das editoras que trabalha com CYA (Children and Young Adults) tem a preocupação de adequar os conteúdos ao mercado internacional, ganhando cada vez mais visibilidade e força no exterior.

Esses esforços fazem do Brasil um dos destaques na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha.  O estande coletivo brasileiro tem a participação de 17 editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers (BP), projeto de fomento às exportações do conteúdo editorial brasileiro, uma parceria da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para este ano, a expectativa de negócios é em torno de 340 mil dólares em exportações de direitos autorais e livros físicos realizados durante o evento e previstos para os próximos 12 meses.

BCBF18-testata-desktop-centrale “Sabemos que a literatura infanto-juvenil brasileira é conhecida internacionalmente, pois há autores e ilustradores publicados em vários países há alguns anos. Mas podemos ampliar cada vez mais essa visibilidade. Estamos na maior feira mundial do livro infanto-juvenil e estão aqui mais de 100 países abertos para conhecer novas obras e novos autores”, afirma Luís Antonio Torelli, presidente da CBL. Além disso, as empresas apoiadas pelo Brazilian Publishers participarão de dois matchmakings; um deles com países da América Latina e o outro com países dos Emirados Árabes, dando prosseguimento às ações de aproximação entre o Brasil e o Mundo Árabe, com vistas à homenagem ao Emirado Árabe de Sharjah na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

O estande coletivo também contará com uma área reservada para exposição de livros vencedores do Prêmio Jabuti de 2017. Editoras presentes: Girassol Brasil, Editora Bom Jesus, FTD Educação, Melhoramentos, Editora do Brasil, Todolivro, Editora Projeto, Carochinha, DSOP Financial Education, SESI-SP Editora, Pallas Editora, Grupo Companhia das Letras, Callis Editora, Cortez Editora, Editora IMEPH, Cria Editora e Trilha Editora.

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Os livros brasileiros

Anualmente e desde 1974, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) produz um catálogo em que reúne obras relevantes produzidas pelas editoras associadas e leva para a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. A capa da edição de 2018 reproduz a de Flicts, de Ziraldo, que completou 85 anos em 2017. O catálogo traz informações de 82 títulos lançados ao longo de 2017; uma homenagem à ilustradora Angela Lago, morta em outubro do ano passado; um excerto do livro Uma ideia toda azul, de Marina Colasanti, já traduzido para o inglês, além de um perfil de Ana Maria Machado. Os livros selecionados para o catálogo farão parte de uma exposição no estande da FNLIJ em Bolonha. Depois do fim da feira, os livros serão doados à Biblioteca Internacional Juvenil de Munique, na Alemanha.

O catálogo, em inglês e a 4 cores, com o projeto gráfico do Estúdio Versalete, foi impresso pela FTD, em apoio à Fnlij. A versão em PDF está no site https://www.fnlij.org.br/site/publicacoes-em-pdf/catalogos-de-bolonha/item/932-cat%C3%A1logo-fnlij-para-feira-de-bolonha-2018.html

A novidade para a divulgação do catálogo no exterior é que os participantes da Feira de Bolonha também tiveram acesso à publicação antes do início do evento, quando a Fnlij distribuía o impresso. Este ano, a versão em PDF foi enviada para todo o mailing da Feira, adiantando o seu conteúdo para os editores e especialistas.

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Como todos os anos, a Fnlij antecipa a seleção para Bolonha dos livros produzidos em 2017 de autores brasileiros, que chegaram à Fundação até final de outubro. Este ano, o número de selecionados é menor, refletindo a crise do setor quando o número de títulos novos ainda está reduzido. A seleção apresenta os 82 títulos de autores brasileiros cujos os títulos estão divididos pelas categorias: Ficção para crianças (32), Ficção para jovens (17), Não Ficção (3), Poesia (6), Livros de imagem (1) e Reconto (10). Os livros de texto sobre literatura infantil e juvenil (6), bem como novas edições (7) são mencionados, em uma lista, sem a apresentação de capas e resumos.

Antecedendo à seleção da produção de 2017, os livros vencedores do Prêmio Fnlij 2017 – Produção 2016 também fazem parte da publicação, com as capas ilustrando a lista. Há uma homenagem à Angela Lago, falecida em outubro de 2017; as últimas reedições de Monteiro Lobato pela editora Globo; as autoras indicadas para o prêmio Hans Christian Andersen de 2018, Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi, e os livros selecionados pela Fnlij para a Lista de Honra do IBBY de 2018. A candidatura da escritora Ana Maria Machado para o prêmio Astrid Lindgren Memorial Award – Alma de 2018 também está na publicação, bem como a participação do ilustrador Roger Mello no estande da Fnlij-MRE da feira para receber ilustradores que queiram mostrar seus portfólios, atividade realizada pela primeira vez ano passado, com grande sucesso.

Para homenagear Ziraldo, o catálogo apresenta o autor, sua obra e a resenha de Flicts. (Com Publishnews e Jornal Fnlij)

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