“A noite da princesa”

Mauricio de Sousa Produções ilustrará nova revista de Osamu Tezuka, grande mestre do universo mangá, em homenagem ao 90° aniversário de nascimento do desenhista japonês. Revista terá seis volumes e começa a circular em maio deste ano.

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“A noite da princesa”, inspirada nas histórias “A Princesa e o Plebleu” e “A Princesa e o Cavalheiro”, fará parte de uma nova série de mangá em homenagem aos 90 anos do desenhista japonês Osamu Tezuka. Mauricio de Sousa Produções (MSP) participará da nova coleção de revistas Tesuka Mix, que será lançada no Japão, no dia 30 de abril. Na nova história, a princesa Anne, protagonista, atua como a princesa Safiri e se envolverá em batalhas com o anjo Tink e a diabólica Heckett, personagens do mangá.

IMG_20180309_154543-218x150Essa será a segunda colaboração entre Mauricio e Osamu, ideia que nasceu de uma amizade e promessa entre eles de trabalharem juntos. Em 2012, a MSP lançou uma revista na qual os personagens da Turma da Mônica e do Astro Boy (criação de Osamu) se unem para proteger a floresta Amazônica do desmatamento e da destruição do meio ambiente.

Idealizada pela Tezuka Productions e lançada pela Editora Micromagazine, a série “A noite da princesa” contará com seis volumes, com capítulos lançados a cada dois meses, começando em maio.

aico-incarnation-netflix-aiko-imageA revista Tesuka Mix também terá a participação de outros cartunistas japoneses e franceses, como Hiroyuki Takei, que criará uma nova obra com base no AstroBoy, e Shiriagari Kotobuki, que fará uma paródia de ¨Embaixador Magma – Vingadores do Espaço¨ (Magma Taishi), cada qual com uma história completa. Ainda haverá publicação em série de uma coluna sobre mangá de Takafumi Horie.

As crianças, os livros e as leituras

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A Cora Editora está apoiando a realização de uma Pós-graduação com o tema “As crianças, os livros e as leituras”, que está sob a gerência de Marismar Borém. Com duração de 20 meses, 20 módulos e 360 horas, o curso será realizado uma vez por mês, todas as sextas-feiras, de 18:00 às 22 horas, e todos os sábados, de 8:00 às 17:00 horas, em Belo Horizonte, no espaço da Cora Editora, à Rua Padre Rolim, 815 – sala 405, em Santa Efigênia. As aulas vão começar em abril deste ano.

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Fabíola Ribeiro Farias é a coordenadora pedagógica da pós-graduação

A coordenação pedagógica da pós-graduação é da Mestra Fabíola Ribeiro Farias, graduada em Letras (1999) e mestre em Ciência da Informação pela Universidade Federal de Minas Gerais. Doutoranda em Ciência da Informação na Universidade Federal de Minas Gerais. Fabíola é Gerente de Coordenação de Bibliotecas e Promoção da Leitura da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte e leitora-votante da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. Tem experiência profissional e acadêmica nos seguintes temas: biblioteca pública, políticas públicas na área de livro, leitura e bibliotecas, leitura, formação de leitores, literatura, literatura infantil e juvenil.

Qualquer pessoa com curso superior completo, pode participar dessa pós-graduação principalmente professores, bibliotecários, pedagogos, ilustradores, escritores e demais profissionais que trabalham com crianças na perspectiva educacional. O curso pede um investimento de 20 parcelas de R$390,00. As inscrições estão abertas.

Telefones de contato: 31 3442-0906/31-998840300.

Programação

  • A experiência da infância: conceitos e representações
    ● Monteiro Lobato, autor e editor de livros para crianças
    ● Literatura infantil: teoria, crítica e pesquisa
    ● Um breve panorama da literatura brasileira para crianças
    ● Um breve panorama da literatura estrangeira para crianças
    ● A poesia para crianças
    ● A cultura popular brasileira e a oralidade na literatura para crianças
    ● Os livros informativos e as obras de referência
    ● Os livros de arte para crianças
    ● Os contos de fadas clássicos: Andersen, Perrault e Grimm
    ● Livros acessíveis para crianças com deficiência e necessidades especiais
    ● A ilustração nos livros para crianças / o livro ilustrado
    ● Um breve panorama da ilustração de livros para crianças
    ● Os livros para crianças muito pequenas
    ● Os temas difíceis nos livros para crianças
    ● Da infância para a adolescência: livros de passagem
    ● Literatura indígena
    ● Encontros 1: Editores – Como editar bons livros para crianças
    ● A literatura e outras linguagens: teatro, cinema, artes plásticas, música
    ● Encontros 2: Professores e Bibliotecários – A biblioteca como espaço de leitura
    ● A edição de livros para crianças: um desafio ético
    ● A formação de crianças leitoras na sala de aula
    ● Biblioteca escolar: livros para ler e aprender
    ● Uma biblioteca para a infância
    ● Elaboração de projeto de leitura28928416_936014546562467_701668390_o

Planos do MEC para aquisição de livros literários

Desde 2014, o Ministério da Educação (MEC) não tem adquirido livros infantis e, sendo assim, os alunos brasileiros estão carentes de literatura. Mas, este ano, o governo acena com o retorno de aquisição de obras literárias e, no início deste mês, apresentou as novas regras para as editoras. O artigo abaixo explica as mudanças e ainda traz a opinião da educadora Anna Rennhack, diretora da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

 

Chico de Paula *

O programa de aquisição de obras literárias, que deverá substitui o Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE), abandonado pelo governo desde 2014, vai passar para o âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). A informação divulgada em uma audiência pública, promovida pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE,) no último dia 2, provocou um alvoroço entre os profissionais da área do livro.

Em entrevista ao PublishNews, o presidente da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), Wander Soares, disse que acha impossível colocar a literatura infantil dentro dos parâmetros do livro didático, como propõe o MEC, pois, segundo ele, não há como determinar o formato, o número de páginas ou o tipo de acabamento de um livro de literatura infantil.

“Ele [o livro infantil] jamais será formatável como se faz com o livro didático. O didático é feito a propósito. O livro de literatura infantil, não. Literatura é criação; literatura é inspiração. É impossível delimitar formatos para isso”, disse Wander.

Pela proposta do MEC, os livros terão que ter um dos três formatos sugeridos: 205 x 275 mm, 270 x 270 mm ou 135 x 205 mm, sendo a capa em papel cartão 250 g e miolo em couchê 80 g. “Essas são adequações que permitem a produção em larga escala para que o custo fique mais baixo para as editoras. Sem isso, seria impossível fazer esse programa”, disse Wilson Troque, coordenador geral dos Programas do Livro do FNDE, durante a audiência pública.

Para a editora e membro do Conselho Diretor da FNLIJ, Anna Rennhack, enquadrar as obras nos três formatos trará perdas para os leitores. “Se uma obra com o formato 15,5 cm por 22,5 cm for selecionada, ela terá que se adequar ao formato 13,5 cm por 20,5 cm, com redução significativa de ilustrações, corpo de letra, gráficos”, explica Rennhack.

Responsável pela apresentação do edital, o secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares da Silva, apontou como objetivos do programa o apoio à formação dos acervos das escolas públicas; a ampliação das oportunidades de acesso dos estudantes à literatura de qualidade; e a contribuição para o desenvolvimento de competências e habilidades dos estudantes, em conformidade com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

A proposta é que o edital do PNLD Literário seja publicado em março, com as entregas das obras em maio. A avaliação pedagógica das obras deve ser concluída de junho a agosto e a escolha pelas escolas deverá ser feita em setembro. As obras podem ser em língua portuguesa ou inglesa e devem conter manual do professor digital (DVD de até 4,5 GB) para auxiliar os professores na abordagem e utilização do conteúdo. Inicialmente, o edital trabalhará com a educação infantil, os anos iniciais do ensino fundamental e com o ensino médio.

Entrevista

Abaixo a entrevista com Anna Rennhack, que além de fazer parte da diretoria da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), também é mestre em Educação e membro do GT do Plano Estadual do Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Rio de Janeiro (PELLLB/RJ).

annP: O governo pretende relançar o programa de aquisição de obras literárias, agora incorporado ao programa nacional do livro didático (PNLD). Como você está vendo essa proposta?
R:
Acompanhei a audiência pública coordenada pelo secretário de Educação Básica do MEC, Rossieli Soares da Silva, com a participação do coordenador do Programa do Livro do FNDE, Wilson Troque e ainda Patrícia Raposo (Educação Especial) e Ana Carolina Melo (Materiais Didáticos). A proposta possui alguns aspectos positivos e alguns equívocos que podem ter consequências bem diferentes do que esperam.
Como pontos positivos, ressalto a retomada da aquisição de livros de literatura para as escolas da rede pública e a inscrição das obras (originais) em formato digital sem a produção e entrega de protótipos.
Como ponto negativo mais grave, a didatização da literatura infantil e juvenil, atrelada a temas (quem não se lembra dos temas transversais?). A literatura é livre e criativa. Exigir um manual para o professor com orientação para trabalhar a obra em sala de aula é um retrocesso de muitos anos.
Outro aspecto é o uso do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), como parâmetro para a literatura – ainda com dúvidas se o edital vai permitir a divulgação, pelas editoras, das obras selecionadas para escolha dos professores. Conhecemos o potencial econômico e a influência que exercem as editoras ditas “didáticas”. Se permitido, não será uma concorrência leal com as pequenas editoras não-didáticas.

P: Pela proposta, os livros terão que ter um dos três formatos específicos (205 x 275 mm, 270 x 270 mm ou 135 x 205 mm, sendo a capa em papel cartão 250 g e miolo em couchê 80 g). Isso pode limitar a liberdade dos editores na hora de desenvolver o projeto gráfico das obras?
R:
É desumano o pássaro preso na gaiola. Ele é livre! Liberdade é a palavra base da literatura. Enquadrar as obras nos três formatos, apesar de permanecer o projeto original (?) trará perdas para os leitores. Por que os livros para as escolas públicas têm que ser enquadrados em parâmetros que os empobrecem? Se uma obra com o formato 15,5 cm por 22,5 cm for selecionada, ela terá que se adequar ao formato 13,5 cm por 20,5 cm, com redução significativa de ilustrações, corpo de letra, gráficos. Foi informado, porém, que os livros destinados à Educação Infantil e às séries iniciais do Ensino Fundamental não sofrerão qualquer alteração, sendo mantidos os formatos originais. Outro equívoco é a exigência de papel couchê para o miolo principalmente dos livros para o Ensino Médio. O papel offset é mais adequado.

P: O governo justifica a medita de limitar o formato dos livros à questão financeira, possibilitando o barateamento das obras. Essa é uma justificativa plausível?
R:
Lembro que há muitos anos participei de um encontro onde um “especialista” afirmava que os livros infantis comprados pelo Governo não deveriam ser coloridos, para barateá-los. Isso foi tentado com as coleções do “Literatura em minha casa”, quando os alunos não tiveram acesso às obras originais que foram adaptadas para o projeto mais econômico.
Na audiência foi afirmado que esse é um edital de transição e que estão fazendo o possível com a verba que têm. Sabemos que as verbas existem, mas nem sempre estão bem distribuídas. A justificativa da economia com a produção de livros empobrecidos é uma ofensa aos alunos e professores das escolas públicas.

P: Em que medida os programas de aquisição de livros do governo podem movimentar e aquecer o mercado editorial brasileiro?
R:
As compras do Governo envolvem grandes tiragens e o mercado está quase parado com a publicação de livros infantis e juvenis. Agora, com a perspectiva de novas aquisições, as editoras começam a retirar seus projetos das gavetas e toda a indústria do livro (autores, ilustradores, diagramadores, editores, fabricantes de papel, gráficas etc.) se motiva. Existe um outro fator importante: professores que conseguem ter jornada dupla na escola pública e na particular, acabam por levar para a particular as indicações dos livros recebidos na rede pública, fazendo com que as aquisições no mercado também tenham acréscimos.

P: Sendo um dos objetivos do programa a inserção dos livros nas salas de aula, a proposta do governo pode de alguma forma prejudicar a implantação e o desenvolvimento das bibliotecas escolares no Brasil?
R:
A proposta do governo é distribuir dois títulos (um por semestre) para os alunos de cada ano escolar contemplado no edital. Esses livros ficarão com os alunos durante o ano letivo e ao final serão devolvidos (como acontece com os didáticos) e mais dois livros novos serão entregues. Para as bibliotecas escolares serão ofertadas 40 obras que serão selecionadas pela escola, em uma lista prevista de 500 obras pré-selecionadas. Todas as obras para a escolha estarão em formato digital. Ninguém vai receber livros físicos para selecionar. Todo o processo, desde a inscrição até a seleção pela escola será realizado com as obras digitalizadas. As escolas vão receber para as bibliotecas os livros da sua preferência. No mais, é aguardar o Edital, previsto para publicação ainda no mês de março e torcer para que os grandes beneficiados do programa sejam as nossas crianças e jovens.

*Editor chefe do Portal Biblioo.info

“Entre Tantos”

Vivemos entre tantas pessoas. Entre tantos personagens. Muitas vezes, conhecemos alguém, que é amigo de um parente, ou um parente, que tem conhecidos em comum. Outras vezes, mostramos afinidade com colegas, vizinhos e desconhecidos mais intensamente do que com os próprios familiares. As crianças sabem disso e, desde a infância, inicia-se a construção de amizades e relacionamentos, a partir desses elos. É o tema tratado no lançamento da Editora do Brasil.

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A proximidade entre as pessoas é mostrada daquela maneira mais usual que conhecemos:

Estela, que é vizinha de Marli,

Que é tia do…

Não é assim que costumamos dizer?

Carlinhos,

Que é neto do Ernesto,

Que é casado com a…

As 30 páginas do livro contêm os elos dessas ligações interpessoais, que unem pessoas numa famosa teia de existência.

O autor e ilustrador Marcelo Cipis conta que “quando criei este livro, não tinha nenhuma intenção ‘séria’ a priori”, diz. Segundo ele, seu interesse era fazer os pequenos se divertirem com a descoberta de que o mundo não era como eles imaginavam. “O único objetivo era fazer algo divertido e, desta forma alegrar o leitor, talvez apontando para aquele ditado: ‘que mundo pequeno’, de forma inesperada para ele”.

O livro, no entanto, permite que o público infantil possa conhecer a existência dos graus de parentescos entre as pessoas, um pouco da infinidade de nomes próprios ou alguns dos diferentes tipos de profissão, cujas relações, embora descritas no figurino do personagem, estão presentes no livro, que o faz simples, belo e riquíssimo. “O final é que traz a chave para a surpresa”, completa Cipis.

Marcelo Cipis nasceu em 1959, em São Paulo. É pintor, desenhista e ilustrador. Iniciou sua formação em artes plásticas, na Fundação Armando Álvares Penteado (Faap). Ingressou, após alguns anos, na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU/USP), formando-se em 1982. Nesse período começou a trabalhar como ilustrador em revistas e jornais. P

Participou da 21ª Bienal Internacional de São Paulo, com a instalação Cipis Transworld, e das 4ª e 5ª edições da Bienal de Havana, Cuba. Em 1994, recebeu o Prêmio Jabuti pela capa do livro Como Água para Chocolate, de Laura Esquivel. Produz ilustrações para vários jornais, revistas e livros infantis.

O livro custa R$ 46,10 e pode ser comprado no site da editora: https://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/detalhe.asp?CODIGO=72150102211

“A melhor literatura infantil que se pode ter”

Você sabe como atua um consultor ou consultora em literatura infantil? Hoje, você vai entender sobre essa atividade profissional, através de Heloísa Davino, e ter a certeza que os livros infantis produzidos no Brasil são, de fato, de alta qualidade literária. Na entrevista que concedeu ao blog, de Ouro Preto, onde reside e trabalha, a consultora analisa a atividade e a literatura com sua experiência de 25 anos de trabalho, pesquisas e observações.

Heloísa Davino: “Acredito que temos todos os motivos para celebrar a nossa literatura infantil”

Heloísa Davino: “Acredito que temos todos os motivos para celebrar a nossa literatura infantil”

Rosa Maria: Como é atuar como consultora de literatura infantil?

Heloísa Davino: Maravilhoso! O encontro com educadores é sempre uma riqueza. Soma-se a isso a melhor literatura infantil que se pode ter e temos, pronto! É uma experiência extraordinária. Apresentar, trabalhar e ampliar este repertório de leitura de mundo e da palavra escrita, de temas, estilos, formas, produção de sentidos, das possibilidades de trabalhar – tudo tão múltiplo, diverso é mesmo inspirador. Não estou dizendo que seja fácil e sim, rico.

 

RM: Como seu trabalho pode ajudar as editoras?

HD: Considero que o principal apoio que posso dar é aproximar os educadores das editoras, dos seus produtos (conhecer para poder escolher, escolher por opção e não por falta de opção) e criar uma aproximação, um vínculo de comunicação e parceria. Normalmente é o que acontece, quando apresento e trabalho com os livros e diferentes editoras: defino referências bibliográficas, uso alguma informação contida em uma ferramenta digital(blog ou página do Facebook de editora), analiso os catálogos, faço resenha de livro e a defesa dele em rede social, realizo feira de livros ou encontro com autor, lançamento de livro ou sou convidada para realizar algum trabalho no espaço da editora ou em algum evento do calendário dela.

 

RM: E ao leitor?

HD: Quando realizo esses trabalhos acima, estou apoiando os leitores.

 

RM: Qual é o cenário da literatura infantil no Brasil? E em Minas?

HD: Esta é uma pergunta que contém muitos aspectos que podem ser observados. Não quero parecer simplória, mas vejo e quero sempre ver com muito bons olhos e acredito que temos todos os motivos para celebrar a nossa literatura infantil. Veja a riqueza de produção em quantidade e qualidade; o Brasil tem sido homenageado e é presença constante com a produção literária e escritores convidados nos grandes eventos literários internacionais; estão pipocando eventos literários (bienais, salões, seminários, colóquios, contação de histórias etc.) pelo país afora anualmente e crescendo… É o que sei e vejo em Minas e em vários outros estados. Com o advento da internet, essa rede certamente crescerá e chegará a todo canto do país.

 

 RM: Qual é o ponto fraco que pode ser corrigido através de uma consultoria?

HD: De que conceito estamos falando? Fraco em relação a que ou a quem? Eu penso e foco minha atenção e energia não na cultura da falta, mas na potência, nas possibilidades e experiências. Trabalhar com esse pensamento muda a relação com o trabalho, as pessoas, objeto de trabalho, com tudo. Essa é uma perspectiva positiva que, certamente, tem maior chance de gerar avanços. Essa construção de pensamento é um dos trabalhos mais poderosos que a consultoria pode realizar.

 

RM: O que você concorda e o que não concorda perante as práticas atuais de condução da literatura infantil?

HD: O positivo é ver o movimento pela busca do conhecimento do objeto de trabalho (mais estudos, mais pesquisas, mais trocas, mais criação, ampliação de repertório etc.). Fundamental! Por outro lado, ainda temos, em pleno 2018, velhas repetições (mesmos títulos, mesmos autores, mesmos temas etc.) e fórmulas prontas, que não criam ressonâncias e avanços, completamente desnecessárias. Esse é um aspecto que merece ser trabalhado.

 

RM: Quais são suas principais preocupações com o conteúdo que chega às mãos das crianças?

HD: Fico pensando por onde passam as escolhas, os critérios, as percepções, o conhecimento…

 

RM: Como os professores devem ser auxiliados?

HD: A começar por ouvi-los. Certamente eles têm muito a dizer, a solicitar, a sugerir. É preciso fomentar essa relação dialógica. Interagir para transformar. Esse pode ser um bom começo.

Há um elemento importantíssimo que não foi abordado e que gostaria de colocar: a ilustração. Não raro, em meus cursos, observo que, para uma grande maioria de educadores, a ilustração está presente meramente para “embelezar” o livro. O que não é bem assim. A ilustração vem como “outro texto” feito de imagens a ser lido, outra possibilidade de ampliar nossas ideias, conhecimentos, leitura de mundo e tem a força para nos instigar os sentidos, os desejos, nosso prazer em ler, nosso senso estético. Aponta para outras perspectivas aliando artes plásticas ou fotografia ou arte digital etc, às palavras. O trabalho do ilustrador é tão importante quanto do escritor. Ambos nos arrebatam, cutucam o imaginário e contribuem com o desenvolvimento intelectual do leitor. Eu sou uma apaixonada pelo trabalho dos ilustradores brasileiros e faço questão de colocar a ilustração como um item a ser trabalhado nos meus cursos.

***

Heloísa Davino começou a atuar como consultora na Biblioteca Infantil e Juvenil da Prefeitura de Belo Horizonte e, em seguida, foi professora de literatura infantil na rede particular de ensino. Um ano depois, vieram convites para trabalhos em editoras, palestras e oficinas em bienais e salões do livro, em grandes projetos de leitura como PROLER, Cantinho de Leitura (Minas e Goiás), Paixão de Ler etc, ou mesmo, a participação em seminários de educação como os AMAE Educando, Festival de Inverno Ouro Preto/Mariana e Seminário de Literatura do Vale do Aço.

Atualmente, Heloísa se dedica à consultoria em literatura infantil (cursos, oficinas, atendimentos individuais) com foco na formação de educadores que trabalham diretamente com a infância – os da educação infantil e ensino fundamental 1, bibliotecários, contadores de histórias, estudantes de Pedagogia e Letras. Ela está preparando a retomada na íntegra do Projeto Sempre Viva Leitura, iniciado em 2014 com os Piqueniques Literários e Varais de Poesias, e lançamento de um ou dois livros.

Mas houve um momento muito especial na carreira de Heloísa Davino e ela explica: “Preciso dizer que a literatura infantil e juvenil – aí me refiro à Pós graduação em Literatura Infantil e Juvenil da PUC/MG, de 1990 a 1992 , a primeira turma do Brasil – como um divisor de águas na minha vida. Mudou absolutamente  tudo. Saí do mecanicismo e ganhei o espaço da criação, da emoção, do imponderável, do mistério, o encontro comigo mesma. Tenho certeza que me tornei uma pessoa, uma profissional, muito melhor graças a essa literatura inspiradora e profundamente transformadora”, conclui a consultora.

“Desencantada”

O novo livro de Carina Rissi destinado aos jovens, quinto volume da série “Perdida”, tem várias datas de lançamentos para este mês em várias cidades. Em Belo Horizonte, será dia 10/3, às 16 horas, na Leitura do Pátio Savassi.

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Os mais de 400 mil exemplares vendidos fazem de Carina Rissi um grande fenômeno da literatura nacional. Vinda da publicação independente, hoje ela tem 11 livros publicados e uma carreira internacional com traduções para Portugal, Rússia, Ucrânia e Itália. “Perdida” foi a série que deu visibilidade à autora. Sofia, a protagonista do mundo atual que graças a um celular é transportada para o século anterior, ganhou o coração e os sorrisos de inúmeros fãs. O sucesso foi tão grande que Carina, enquanto escrevia outros livros, manteve a série “Perdida”, dando voz a outros personagens que a compunham. É o caso de “Desencantada”, que conta a história de Valentina Albuquerque.

A mãe de Valentina ainda estava viva quando o marido se envolveu com Miranda. Após a morte da mãe, Valentina fica devastada e se sente cada vez mais sozinha, principalmente porque a sua madrasta é uma megera. Certo dia, em um antiquário, ela conhece Navas, um capitão espanhol que está na cidade para fazer negócios. O “pirata” é desagradável, mal educado e atrevido, mas é por quem Valentina acaba se apaixonando. O destino parece decidido a dar um “empurrãozinho” ao casal e depois de uma confusão, os dois acabam noivos.

Em um passeio no navio do capitão Navas, Valentina é jogada ao mar. Ela não consegue ver o vulto que a empurrou, mas está certa de que não foi um simples acaso e está decidida a descobrir quem a quer morta.

“Eu estava ansiosa para que Valentina Albuquerque me contasse a sua história. Quando a vi pela primeira vez (em ‘Perdida’) eu soube que algo estava fora do lugar. Ela havia nascido para ser uma princesa, mas sua vida seguia pelo caminho oposto ao do “final feliz”. O que aconteceria com ela? Ficaria bem? Eu precisava saber. E estou tão feliz por ter tido a chance de escrever ‘Desencantada’, de me apaixonar por essa garota valente — e um certo espanhol pra lá de gato que tirou a nós duas do sério. Valentina se tornou uma das minhas personagens favoritas. Ela é muito inteligente, forte e corajosa, e tem um coração enorme”, conta Carina Rissi.

“Desencantada” chegou pela Verus e a autora sairá em turnê de lançamento por seis cidades.  A novidade desta vez será o lançamento ao ar livre, no Rio de Janeiro, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Na capital fluminense, Carina vai autografar em um “booktruck”, um trailer adaptado.

Carina Rissi nos cinemas

“Perdida” é a série de maior sucesso de Carina Rissi e os fãs também poderão conferir a história de Ian, Sofia e Elisa nos cinemas. “Perdida – o filme” terá Carina Rissi como co-roteirista. O longa será produzido pela Filmland, mesma produtora de “O vendedor de sonhos”, em parceria com a Warner Bros.

Em 2016, os direitos cinematográficos de “Procura-se um marido” também foram adquiridos. Desta vez, a produtora Framboesa Filmes será responsável pela adaptação.

Datas e locais de lançamento

3/3 – Saraiva Iguatemi Campinas  – 16h

4/3 – Teatro Maria Della Costa, SP – 15h

10/3 – Leitura Pátio Savassi, BH – 16h

11/3 – Lagoa Rodrigo de Freitas, RJ, 15h

17/3 – Leitura RioMar, Fortaleza – 16h

18/3 – Saraiva Shopping da Bahia, Salvador – 16h

Ler representa melhor qualidade de vida

Lorraine Vilela Campos *

A leitura é algo importante na vida do ser humano. Ler estimula a criatividade, trabalha a imaginação, exercita a memória, contribui com o crescimento do vocabulário e a melhora na escrita, além de outros benefícios. Há uma crença de que a grande oferta de meios eletrônicos, ainda na infância, tem afastado crianças e adolescentes da leitura. Afinal, celulares são mais populares que livros e permitem um acesso amplo a diferentes mídias, não é mesmo?

Na verdade,  jovens brasileiros estão lendo mais. Sim, o hábito da leitura cresceu nos últimos anos. De acordo com o último mapeamento feito pelo Ibope Inteligência e encomendado pelo Instituto Pró-Livro, o chamado Retratos da Leitura no Brasil, o número de leitores no Brasil ainda é bem inferior ao desejado, mas é de se considerar o aumento da busca por obras literárias.

Identificação

São vários os fatores que levam uma pessoa a ler, entre os quais estão:  o gosto pelo assunto; a curiosidade pelo tema; a indicação de alguma pessoa; estudos; a aparência do livro etc.

Entre os jovens, as adaptações de obras literárias para o cinema e a TV despertam a curiosidade pela obra original. Ao atrair a atenção de crianças e adolescentes para as telonas, muitos autores conseguem estimular a busca pelos livros que deram origem aos roteiros. Prova disso é o sucesso de vendas de títulos como Harry Potter, Senhor dos Anéis, Crepúsculo, Divergente, Diário de Um Banana, Diário de Uma Princesa e outros livros que foram adaptados para outras mídias.

Importância do incentivo

Quando uma pessoa começa a ler é comum que a iniciativa seja por influência ou mediação de alguém. Pais, amigos, professores ou até mesmo a indicação feita por ídolos podem ser os responsáveis por inserir a leitura na vida de crianças e adolescentes, por exemplo.

Um dado presente na pesquisa do Instituto Pró-Livro mostra que parte dos brasileiros não teve essa influência. Para essa parcela da população, a falta de alguém que contasse histórias na infância ou o incentivo para conhecer livros na adolescência fez com que tais pessoas se afastassem da literatura. Entre os não-leitores entrevistados, 83% disse não reconhecer o (a) influenciador (a) no seu hábito de leitura.

Entre os leitores entrevistados, 55% não reconhece quem foi o responsável pela influência na leitura. No entanto, essas pessoas buscaram por conta própria o contato com a literatura.

Novos hábitos

Independente de como surge um leitor, o importante é que o crescimento no interesse pela leitura existe. Influenciados por diversas pessoas e motivos ou lendo por conta própria, uma pessoa que lê sempre tem a ganhar.

A questão não é discutir o teor de qualidade  do que se lê, até porque qualidade é algo relativo e é importante respeitar os gostos pessoais de cada um. O ponto é o que a leitura pode fazer pela sociedade, mesmo que a passos lentos.

Com base no levantamento Retratos da Leitura no Brasil, é satisfatório o aumento de respostas positivas relacionadas ao hábito de ler. Para leitores assíduos, ler representa uma melhor qualidade de vida.

Sabendo dos benefícios que ler traz para as pessoas, que tal separar um tempinho para colocar em dia a sua leitura? Nada melhor do que se identificar com uma história, personagem ou estilo de escrita do autor enquanto se diverte lendo.

*  A autora é jornalista do site UOL Educação

“Maria Mudança”

A hora de mudar é toda hora. Livro de Manuel Filho, lançamento da Editora do Brasil, traz personagem que vive mudando o cotidiano em busca de uma vida melhor.

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O receio de mudar as coisas na vida pode tirar muita gente da zona de conforto. Desde uma peça da roupa a uma mudança de cidade ou de País, forçada ou não, a mudança sempre é motivo de questionamentos e receios. Mas no livro “Maria Mudança”, lançamento da Editora do Brasil, a personagem infantil, que dá nome ao título, nos mostra um outro lado: que as mudanças podem ser positivas e melhorar a vida de qualquer pessoa.

Tudo começou a mudar na vida de Maria ao fazer a lição de casa. A eletricidade acabou e ela teve de trocar de posição para que o raio de sol, que entrava pela fresta, pudesse iluminar o caderno e ela terminasse a tarefa. Desde então, Maria passou a mudar tudo e viu que uma mudança gerava outras, ganhando o apelido de Maria Mudança.

Ela percebeu que sua vida ganhava sempre um novo significado trazendo mais alegrias e não pensava duas vezes para trocar vasos e móveis de lugar, mudar o caminho da escola, as roupas, tudo. Até com mudanças simples, um novo cenário surgia em seu dia a dia, e sua vida ficava mais interessante.

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Um dia, Maria conhece o Sr. Anacleto, morador de uma casa cujo terreno era um amontoado de trastes. É aí, quando Maria passa a querer mudar até as pessoas.  O autor Manuel Filho observa que as mudanças de Maria têm seus cuidados. “Maria não é agressiva ao falar de mudanças. Se eu falar ‘vamos mudar isso em você’ estou sendo agressivo e posso te ofender. Quando a mudança é imposta ela é violenta. A Maria não, ela muda com carinho, experimentando, sugerindo, expandindo o horizonte”.

Assim, o livro desmitifica o receio que temos de mudar as coisas e dá a dica de que esse medo, muitas vezes, inibe a criatividade e pode ser superado desde criança. “Acho que, de maneira geral a gente tem medo de mudanças, só que o ‘não-mudar’ faz a gente ficar parado, acrescenta Manuel. “Mas as mudanças que produzi na minha vida, todas, sem exceção, foram muito positivas. E se essa mudança não estiver dando certo, mudo de novo. Eu não tenho medo de mudança”, completa.

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Projeto visual

Além das sugestões de mudanças, que fazem os leitores de todas as idades pensar sobre o assunto, o livro também atrai por sua concepção artística tão interessante quanto a temática. Numa época digital, é possível mostrar que as artes gráficas ainda têm muito espaço.

Autor do projeto gráfico, Celso Longo conta que o processo de produção é como um passeio por um círculo de cores que acompanham as mudanças de Maria. Enquanto a história avança entre os personagens, o passeio também avança na paleta, trocando de cores até o final. Assim, o projeto acompanha e marca a história de cada mudança da personagem sempre acompanhada com as belíssimas ilustrações de Veridiana Scarpelli, que usou das cores e dos desenhos para explicar o andamento de algumas cenas do livro.

“As ilustrações mostram as cenas descritas nos textos, como na parte da casa do Anacleto ou dos bilhetes que Maria deixava para ele.  São coisas que o próprio texto pede para a ilustração mostrar. É uma relação muito próxima entre a ilustração e o texto”, diz Veridiana.

Autor e ilustradora 

image002O autor Manuel Filho nasceu em São Bernardo do Campo, em 1968. Foi agraciado com o Prêmio Jabuti 2008 e possui mais de 40 livros publicados. Foi finalista, em 2013, do Prêmio Açorianos de Literatura. Recebeu, por cinco vezes, o selo de Acervo Básico da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ.  Tem livro lançado em braile pela Fundação Dorina Nowill, em 2012, e integra o projeto Literatura Viva, do Sesi.

A ilustradora Veridiana Scarpelli nasceu e mora em São Paulo. Formada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, em 2007 deixou de lado o desenho de objetos e móveis para fazer ilustrações. Já ilustrou livros, revistas e jornais. È autora do livro “O sonho de vitória”.

O livro tem 52 páginas e custa R$ 41,20.

2 de março: o aniversário de Ruth Rocha

Em São Paulo, a Editora Melhoramentos e a Livraria Saraiva comemoram o aniversário de 87 anos de Ruth Rocha, escritora de literatura infantil, com sessões de contação de histórias.

Ruth-Rocha

Em homenagem ao aniversário de Ruth Rocha, a Saraiva e a Editora Melhoramentos convidam crianças de todas as idades a participarem das Contações de História com os clássicos da autora. Serão quatro eventos com as obras “Quando Miguel entrou na escola” e  “O monstro do quarto do Pedro”, da Coleção Comecinho; e “O menino que quase virou cachorro” _ todos integrando a Coleção Ruth Rocha, 50 anos de carreira literária.

No dia 2 de março, a escritora comemora 87 anos de vida. Com meio século de carreira, mais de duzentos livros publicados e mais de 12 milhões de exemplares vendidos, Ruth Rocha assina sucessos que marcaram a infância de diferentes gerações.

As sessões de histórias  

3/3 – 16h – Saraiva Shopping Ibirapuera (Av. Ibirapuera, 3103, Indianópolis – Loja 145 – Piso Moema)

4/3 – 16h – Saraiva Shopping Higienópolis (Av. Higienópolis, 618, Higienópolis – Arco 326)

10/3 – 16h – Saraiva Shopping Morumbi (Av. Roque Petroni Jr., 1089, Jardim das Acácias – Luc 63 C-D-1 – Sala 2)

11/3 – 16h – Saraiva Shopping Center Norte (Travessa Casalbuono, 120, Vila Guilherme – Suc n.º 414)

A homenageada

Em mais de 50 anos dedicados à literatura, Ruth Rocha tem mais de 200 títulos publicados e já foi traduzida para 25 idiomas. Também assina a tradução de uma centena de títulos infantojuvenis, adaptou a Ilíada e a Odisseia, de Homero, e é co-autora de livros didáticos, como “Pessoinhas”, parceria com Anna Flora, e da coleção “O homem e a comunicação”, parceria com Otávio Roth.

Recebeu prêmios da Academia Brasileira de Letras, da Associação Paulista dos Críticos de Arte, da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, além do prêmio Santista, da Fundação Bunge, o prêmio de Cultura da Fundação Conrad Wessel, a Comenda da Ordem do Mérito Cultural e oito prêmios Jabuti, da Câmera Brasileira de Letras. Em 2008, Ruth Rocha foi eleita membro da Academia Paulista de Letras. No fundo, o que seus livros revelam é o profundo respeito e o infinito amor de Ruth Rocha pela infância, isto é, pela vida em seu estado mais latente. Pois, como ela mesma diz num de seus belos poemas, “toda criança do mundo mora no meu coração”.