“Uma vida no coração”

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Falar da morte para as crianças é sempre delicado. A autora Julieta de Lucena Henriques Lima, entretanto, encontrou uma alternativa inteligente para contar a história de amor entre a vovó Lindaura e o neto Augusto e, assim, conduzir o leitor para o momento em que o personagem precisa ser informado da separação definitiva entre eles.

O livro “Uma vida no coração”, ilustrado por Virgínia Froes e lançado pela Cora Editora, em suas 49 páginas, conjuga texto e ilustrações para explicar como era o dia a dia entre avó e neto, destacar as lições de vida ou o conhecimento que o menino herdou e num compasso capaz de intrigar, por que é preciso descobrir aos poucos de quem o menino Augusto está falando e, ainda mais, por que aquele dia amanheceu tão diferente do costume da família.

A autora não fala de imediato que se trata da avó. Nem que ela morreu. A ilustradora, por sua vez, utiliza de ilustrações em preto e branco nas páginas em que o texto evidencia a ausência da avó, durante os relatos do neto, e só emprega cores nas ilustrações que narram os casos da fase em que ela estava viva.

“(Augusto) Correu para o jardim na expectativa de encontrá-la por lá, à sua espera. Sentia-se preparado para ouvir o que já estava acostumado:

_ Meu menino, já ganhei horas do meu dia! Levantei cedo e já aproveitei muito! Você é muito dorminhoco! Dá me um beijo e um abraço de bom dia!

Entretanto, ela não estava lá. E ele, então, pensou:

_ Que maravilha! Quem vai ganhar o dia hoje sou seu!”

O menino tinha 9 anos de idade e, desde os três anos, teve a companhia da avó que morava com a família dele. Ela lhe ensinou uma dinâmica de vida que, além do despertar cedo, ainda o ensinava a se alimentar corretamente e práticas saudáveis como cuidar das plantas e da horta, colher os ovos no galinheiro e as hortaliças, além de alimentar os animais da casa.

“Ele, atentamente, tinha seguido os conselhos e adiantado todos os deveres, que foram realizados com muito gosto. Todas as vezes que fazia suas tarefas, recordava que ela sempre lhe dizia que o maior bem que podemos ter na vida é o conhecimento:

_ O conhecimento ninguém tira da gente e, quanto mais conhecimento temos, mais descobrimos que precisamos saber mais.

Ouvindo isso, Augusto às vezes se inquietava e perguntava:

_ Mas o conhecimento não tem fim?

E ouvia a resposta:

_ Não. Sempre temos algo novo para aprender. E mesmo depois de aprender podemos ampliar esse aprendizado.”

untitledEmbora animado com o fato de que, naquele dia, tinha acordado primeiro do que a avó e, assim, conseguir iniciar as tarefas antes dela, o menino começou a perceber que tudo estava diferente: almoçou sem a avó e outra pessoa preparou seu lanche da escola. Mas onde estava o guardanapo? Esqueceram de colocar na lancheira. E o bilhete carinhoso, que ele sempre encontrava junto com o guardanapo? Vovó esqueceu de escrever?

Ao chegar à sua casa, a realidade começou a dar as caras. Até o momento de o menino conhecer a verdade. E como foi a reação dele? Augusto reagiu de uma forma muito bonita. Com base no conhecimento que sua avó lhe proporcionou e que a autora deixou florir estrategicamente em cada página do livro.

“Uma vida no coração” pode ser comprado por R$ 35,00 no site da Cora Editora: https://www.coraeditora.com/catalogo

 

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