Mensagem do ano para a literatura infantil

DILI_(2 ABR) 2018 560

A cada ano, abril chega celebrando datas especiais para o livro e a literatura infantil e juvenil: no dia 2, o Dia Internacional do Livro Infantil (DILI), em homenagem ao nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen; no dia 18, o Dia Nacional do Livro Infantil, em reconhecimento a Monteiro Lobato nascido nessa data e ainda o dia 23 de abril, quando são homenageados William Shakespeare e Miguel de Cervantes, na data da morte de ambos, com o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor.

Hoje, vamos falar do Dia Internacional do Livro Infantil com base numa pesquisa feita no jornal da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, de janeiro de 2018.

A cada ano e desde 1967, um representante nacional do International Board on Books for Young People (IBBY), entidade máxima da literatura infantil, patrocina uma mensagem para a comemoração da data, selecionando um escritor e ilustrador para criação do texto e imagem de um pôster, além de ficar encarregado da produção do material e divulgação para todos os demais representantes do IBBY no mundo.

Em 2018, o representante é a Letonia, país europeu banhado pelo Mar Báltico. O tema da mensagem é “O pequeno e grande num livro” e os criadores são a poeta, escritora e editora Inese  Zandere, que analisa o poder do livro infantil no imaginário das crianças, e o ilustrador Reinis Petersons. A sugestão é que mensagem criada para o Dia Internacional do Livro Infantil seja motivo de reflexão e estudo por parte dos professores e profissionais do livro.

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A mensagem

“O pequeno é grande num livro”

As pessoas são atraídas pelo ritmo e pela regularidade assim como a energia magnética organiza tiras de metal num experimento de física e assim como um floco de neve cria cristais da água. Num conto de fadas ou poema, as crianças apreciam repetições, refrães e motivos universais, porque eles podem ser reconhecidos de uma nova forma a cada vez – eles trazem regularidade ao texto. O mundo ganha, assim, uma bela ordenação.

Eu lembro até hoje como, quando criança, eu me esforçava para trazer justiça e simetria, direitos iguais para a direita e para a esquerda: se fazia uma batida na mesa, contava quantas vezes cada dedo se mexia para que os outros dedos não se ofendessem. Eu tendia a bater palmas, indo da mão direita para a esquerda. Mas, então, pensei que era injusto e aprendi a fazer da maneira oposta, da esquerda para a direita. Esse desejo instintivo pelo equilíbrio é engraçado, claro, mas mostra a necessidade de evitar que o mundo se torne desigual. Eu tinha a sensação de que eu era a responsável pelo equilíbrio de tudo.

A atração das crianças pelos poemas e histórias advém de sua necessidade de trazer regularidade ao caos do mundo. A partir da indeterminação, tudo se orienta em direção à ordem. Cantigas de ninar, cantigas populares, jogos, contos de fadas, poesia… todas essas formas de existência, organizadas de maneira rítmica, ajudam os pequenos a estruturarem sua presença nesse grande caos. Eles criam uma noção instintiva de que a ordem é possível no mundo e de que todo mundo tem seu espaço singular nele.

Tudo trabalha para esse objetivo: a organização rítmica do texto, as sequências de letras e a diagramação da página, a impressão do livro como um todo bem estruturado. O grande é revelado no pequeno e reproduzimos isso nos livros para crianças mesmo se não estamos pensando em Deus ou em fractais. Um livro infantil é uma força milagrosa que incentiva o desejo e a habilidade de ser dos pequenos. O livro incentiva a coragem de viver da criança.

Em um livro, o pequeno é sempre grande, de maneira instantânea, e não apenas quando se chega à vida adulta. Um livro é um mistério no qual algo inesperado pode ser descoberto ou, então, algo além de nosso alcance. Aquilo que os leitores de certa idade não conseguem apreender com o raciocínio permanece em sua consciência como uma marca e continua a agir mesmo se não completamente compreendido.

Um livro de imagem pode funcionar como um baú do tesouro em conhecimento e cultura até para adultos assim como crianças podem ler um livro de adulto e encontrar sua própria história, uma pista sobre sua vida em desenvolvimento. O contexto cultural forma as pessoas ao preparar o terreno para impressões que chegarão no futuro, assim como acontece com as experiências ruins pelas quais as pessoas terão que passar para se manter íntegras.

Um livro infantil significa o respeito pela grandeza do pequeno. Significa um mundo criado de novo a cada vez, uma seriedade bela e brincalhona sem a qual tudo, incluindo a literatura infantil, é apenas uma ocupação vazia.

Em resumo: o livro faz com que a criança intua que a ordem no mundo é possível e que todos têm um lugar singular nele. Tudo funciona para esse objetivo: a organização rítmica do texto, as sequências de letras, a diagramação da página, a impressão do livro como um todo bem estruturado. O grande é revelado no pequeno e nós reproduzimos isso nos livros infantis. O livro é um mistério no qual algo inesperado pode ser encontrado ou algo além de nosso alcance. O livro infantil significa respeito pela grandeza do pequeno. (Tradução do inglês de Mariana Elia).

Os criadores

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Inese Zandere nasceu em Dobele, Letonia, em 1958. Vinda de uma família de professores, Zandere se tornou poeta e escritora, além de ser editora da Liels um Mazs. Formada em filosofia pela Universidade da Letonia, ela já trabalhou como pesquisadora, editora e roteirista para diversos jornais, revistas, editoras e estúdios de cinema. Escreveu mais de 30 livros para crianças e jovens e, nos últimos 20 anos, se envolveu em projetos relacionados à literatura infantil e educação cultural.

Zandere é uma das fundadoras da premiação Annual Baltic Sea Region Jānis Baltvilks International Prize in Children’s Literature and Book Art. Seu livro Māsa un Brālis (Irmã e irmão, em tradução livre) ganhou o prêmio e foi selecionado para a lista de honra do IBBY 2008.

58fe0988a3fe2468196668Reinis Pētersons nasceu em 1981 e trabalha como ilustrador e animador gráfico em Riga, capital da Letonia. Estudou na Escola Superior de Arte Jana Rozentāls Riga e no estúdio de fotografia Andrejs Grants. Ele é formado no Departamento de Comunicação Visual da Academia de Arte da Letonia. Ao longo de sua carreira, Reinis ilustrou dezenas de livros infantis e jogos de tabuleiro.

Atualmente, ele trabalha no estúdio de animação Atom Art e dirigiu Ursus, um curta-metragem animado, vencedor de vários prêmios internacionais. Foi candidato ao Prêmio Hans Christian Andersen em 2014 e ao Prêmio Memorial Astrid Lindgren nos últimos cinco anos.

Aqueles que desejarem conhecer mais sobre o trabalho do IBBY, o link é http://www.ibby.org/awards-activities/activities/international-childrens-book-day/?L=0

O representante brasileiro é a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil: www.fnlij.org.br

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