“Que amores de sons”

Lançamento da Editora do Brasil tem ilustrações belíssimas e uma história de amor.

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Ao abrir o livro de Alexandre Honrado e Penélope Martins, logo somos arrebatados pelas belíssimas imagens criadas pela ilustradora espanhola Nívola Uyá. À medida que folheamos, o texto dos autores nos envolve pela criatividade de uma personagem capaz de ouvir a natureza e os barulhinhos ao seu redor, os quais geram ricas onomatopeias.

“Era uma mulher que gostava de barulhinhos”…

Quando andava, seus passos eram assim: zzzzuuut, toc toc toc, toc toc toc zuc

Quando cantava, era assim: zuca bazaruca, zás cataprás

E quando cozinhava? Era assim que seu fogão fazia: crispiti flacti crispiti crect

Gostava de apanhar o “que andava caído e que a natureza já não usava”.

“Agarrou umas pétalas coloridas e pôs na cabeça. Mais uns raminhos de silva _ e pôs na cabeça. E umas folhas secas, uma cebola madura, meia melancia que estava na beira da estrada… Fez um penteado lindo. Olhou para a sua imagem numa pocita de água”.

Sentiu-se enfeitada e bonita.

No caminho, surge outro personagem que também gostava dos barulhinhos. Um homem nem “magro, nem gordo, nem bonito, nem feio”. Que cantava e batucava, escrevia poemas. E que num certo momento se encontrou com a mulher.

Feitos um para o outro. Mas como seria reunir duas pessoas de tantos sons e de tantas cantorias?

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De acordo com a autora, a utilização dos recursos onomatopeicos é uma forma de expressar a singularidade dos personagens sem se atentar apenas aos estereótipos e características físicas. “Nossos barulhinhos são nosso jeito de expressar ideias, de rir, de deixar a tristeza vir para fora, de contar nossas histórias. Nesse território do sentir, somos iguais: nem altos, nem baixos, nem velhos, nem moços; somos humanos”, acredita Penélope Martins.

Ela conta que a criação do personagem surgiu a partir da tentativa de descrever uma mulher que conheceu e que a tocou profundamente por sua forma particular de estar com no mundo. “A singularidade de cada um de nós. Senti-me observadora daquela estranha que me emocionara, por isso descrevi um homem a observando e mandei para o Alexandre Honrado (que é de Lisboa), com o desejo de que continuássemos a história do encontro dos personagens, cada qual ao seu modo e os dois dispostos a contemplar os pequenos milagres da vida”, detalha.

Para emoldurar a narrativa e contemplar a singela história de afeto, cenários deslumbrantes foram criados pela ilustradora Nívola Uyá. “Ela veio com um olhar poético, de largo horizonte, fundindo culturas e atravessando gerações. Nívola conseguiu, com suas imagens, colorir o som do vento percorrendo os cabelos daquela mulher já madura”, completa Penélope.

“Que amores de sons” tem 40 páginas, custa R$ 47,30 e pode ser comprado nas principais livrarias do Brasil.

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