“O outro lado da bola”

Autores fazem pré-lançamento de “O outro lado da bola” no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.

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Nesta quinta-feira, dia 31, os autores Alê Braga e Alvaro Campos participam do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em Belo Horizonte  para o pré-lançamento de “O outro lado da bola” no estande da Casa dos Quadrinhos, a partir das 15h. A graphic novel narra história de um craque do futebol e ídolo da seleção que resolveu se declarar homossexual depois do assassinato de um ex-namorado.

Na trama, o protagonista Cris vê sua vida pessoal e sua carreira virarem de ponta cabeça com a reação de colegas, patrocinadores e torcida.

“A ideia é mostrar um lado do esporte que existe de fato. E que reflete muito uma realidade do país que acreditamos que precisa mudar. Onde a impunidade sempre existiu, e a paixão pelo futebol sempre a mascarou. Obviamente, existem pessoas e organizações sérias no esporte. Mas outras…”, defendem Alê Braga e Alvaro Campos, que dividem a autoria do livro com o ilustrador Jean Diaz.

Os autores explicam como foi o processo de trabalho até chegar ao livro: desde a criação da história – assinada por dois autores – até a arte de Jean Diaz. Segundo eles, “o argumento inicial foi criado por Álvaro Campos. A partir daí, houve uma série de discussões com Alê Braga sobre a ideia principal até que a sinopse foi desenvolvida. Cada capítulo foi discutido em termos de conteúdo e um dos dois desenvolvia o roteiro e depois dividia com o outro, para comentários. A partir do texto fechado, começava a discussão com Jean sobre como ilustrar cada página”.

Com um tema tão polêmico como ainda é a homossexualidade no futebol, os autores analisam: “os xingamentos usados no estádio, contra adversários e árbitros, sempre foram machistas e relacionados à homossexualidade, e considerados absolutamente normais e corriqueiros. As crianças aprendem a xingar nos estádios, com palavras sempre ligadas à homossexualidade. Se hoje a sociedade recebe o tema de uma forma muito mais natural em diversas áreas profissionais, no futebol a situação parece estar décadas atrasada”.

thumbnail_9788501104687Mas não temem nenhuma retaliação pelo lançamento, pois “o livro é uma ficção. O clube é um time inventado, os jogadores, dirigentes, patrocinadores, são todos sem relação com a realidade. A história pode denunciar fatos que acontecem no esporte, mas não em algum local específico, ou com algum atleta em especial. Existem torcidas, clubes, dirigentes e atletas sérios e existem os que fazem do futebol um disfarce para o crime. Não acreditamos que haja qualquer retaliação, porque se alguém se sentir ofendido estará assumindo uma similaridade com a ficção. Esperamos que haja, ao contrário, uma reação positiva. O primeiro ídolo e o primeiro clube que encararem algo tão normal como a homossexualidade de um atleta, na nossa opinião, só terão um espaço muito positivo marcado na história do esporte e do país. Aliás, adoraríamos receber de clubes o apoio ao livro e às causas nele retratadas”.

Nas livrarias em junho pela Record, a HQ mostra, de forma bela e pungente, uma estrutura entranhada de preconceito e corrupção.

Alê Braga e Alvaro Campos

15h – estande da Casa dos Quadrinhos – FIQ 2018

Serraria Souza Pinto – Av. Assis Chateaubriand, 809, Belo Horizonte

Guerra da Síria na visão de um quadrinista

A Casa Fiat de Cultura realiza, nesta sexta-feira, um bate-papo com o premiado quadrinista italiano Zerocalcare. Ele vai relatar a sua experiência na guerra da Síria, que virou um livro em História em Quadrinhos traduzido para cinco idiomas.  A presença de Zerocalcare em Belo Horizonte está inserida na programação do Festival Internacional de Quadrinhos que começa hoje, 30/5, e vai até o dia 3 de junho, na Serraria Souza Pinto.

Zerocalcare, quadrinista italiano, se apresenta em Belo Horizonte para debater seu livro sobre a guerra na Síria - Foto: Divulgação

Zerocalcare, quadrinista italiano, se apresenta em Belo Horizonte para debater seu livro sobre a guerra na Síria – Foto: Divulgação

 

No dia 1º de junho, a Casa Fiat de Cultura realiza um bate-papo com o premiado quadrinista italiano Zerocalcare, que abordará o tema “História de uma resistência. Impressões sobre a Guerra na Síria”. O assunto faz referência à HQ “Kobane Calling – Ou como fui parar no meio da guerra na Síria”, lançada em 2016 pela Editora Nemo. Sucesso de vendas e crítica na Itália, a publicação foi traduzida para inglês, francês, espanhol, alemão e português e venceu o prêmio Micheluzzi na Napoli Comicon 2017 na categoria “Melhor História em Quadrinhos”. O bate-papo, que terá tradução simultânea, acontece das 18h às 19h30, com entrada gratuita e espaço sujeito à lotação (100 lugares).

A história que deu origem à HQ começa com uma viagem de Zerocalcare, em novembro de 2014, à fronteira entre Turquia e Síria, região que atualmente enfrenta um grande conflito político-social. Enviado por um jornal italiano, o quadrinista visita a região com o objetivo de chegar à cidade de Kobane, onde o povo curdo luta para conter o avanço do Estado Islâmico. O relato da viagem é publicado na revista “Internazionale” por meio de uma reportagem em quadrinhos em janeiro de 2015 e, com o retorno de Zerocalcare à Síria em julho do mesmo ano, uma série de relatos são publicados e posteriormente compilados na HQ “Kobane Calling – Ou como fui parar no meio da guerra na Síria”.

Neste livro, Zerocalcare produz uma reportagem de sinceridade pungente, um testemunho perturbador que transmite a complexidade e as contradições de uma guerra muitas vezes simplificada pela mídia internacional e pelos discursos políticos. Tudo isso com um tom extremamente bem-humorado e ao mesmo tempo tocante – a linguagem e o universo de um autor que sabe como ninguém representar as pessoas, o cotidiano, os medos e as aspirações de sua geração. “No começo, em minha partida para a fronteira turco-síria, não havia a intenção de fazer um livro. Eu viajei com a intenção de ajudar de alguma forma, levando medicamentos etc, para a resistência curda. Ao longo do tempo, transformei minhas impressões em um diário de viagem em quadrinhos e depois em um livro. Estamos falando de uma experiência que aconteceu há mais de dois anos, mas é muito importante que continuemos a falar sobre o que está acontecendo ali e o que tem feito a resistência curda para derrotar o Estado Islâmico”, comenta o quadrinista.

O evento é uma realização do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e da Casa Fiat de Cultura, com o patrocínio da Fiat Chrysler Automóveis (FCA), Banco Fidis, Fiat Chrysler Finanças, Fiat Chrysler Participações e Banco Safra, conta com o apoio do Consulado da Itália em Belo Horizonte, Fundação Torino Escola Internacional e Editora Nemo e tem o apoio institucional do Circuito Liberdade, Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), Governo de Minas e Governo Federal.

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Contexto histórico

Os curdos são um povo dividido em quatro países: Turquia, Síria, Iraque e Irã, e, em cada um desses países, sua identidade tem sido reprimida. Em 2011, durante a guerra civil síria, os curdos sírios proclamaram a autonomia de uma faixa de terra – Rojava ou Curdistão Sírio, dividida em três cantões: Afrîn, Kobane e Cizreuma – uma confederação democrática regida por um contrato social baseado na pluralidade étnica e religiosa, na democracia participativa, na emancipação feminina, na redistribuição da riqueza e na ecologia.

Porém, o avanço do Estado Islâmico na Síria chegou até Rojava. Muitos vilarejos foram ocupados e milhares de pessoas fugiram para evitar os massacres e raptos provocados pelo grupo radical. Enquanto isso, em Kobane, as Unidades de Proteção do Povo Curdo – as YPJ (formada por mulheres) e as YPG (mistas) resistem ao cerco do Estado Islâmico, apesar de terem menos armas e suprimentos.

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Zerocalcare

Michele Rech, conhecido como Zerocalcare, nasceu em Arezzo (Itália), em 1983. Depois de viver algum tempo na França, mudou-se para Rebibbia, um bairro popular de Roma, com o qual estabeleceu uma ligação muito forte – talvez inextricável. Sempre ativo nos movimentos e redes sociais, participa de várias edições do importante festival “Crack! Fumetti Dirompenti” e começa a fazer cartazes, capas de discos e fanzines.

Em 2011, lança sua primeira HQ, “La profezia dell’Armadillo” [A profecia do tatu] e, a partir daí, inicia uma longa parceria com a editora BAO. Seu blog, zerocalcare.it, torna-se em pouco tempo um site muito visitado, a ponto de, em 2012, ser indicado ao Prêmio Attilio Micheluzzi, na categoria Melhor Webcomic da Napoli Comicon, e ao Macchianera Award, como Melhor Desenhista – Cartunista.

Ainda em 2012, “La profezia dell’Armadillo” ganha o prêmio Gran Guingi da Lucca Comics & Games como Melhor História Curta. No mesmo ano, publica seu segundo livro, “Um polpo alla gola”. Em 2013 publica “Ogni maledetto lunedì su due”, uma coletânea das histórias do blog. Também nesse ano, faz “Dodici”, história do gênero zumbi-apocalíptico e uma declaração de amor por seu bairro, Rebibbia.

Em 2015, publica na revista “Internazionale” uma reportagem em quadrinhos sobre sua visita à fronteira turco-síria em apoio ao movimento de resistência curdo contra o Estado Islâmico, que deu origem à HQ “Kobane Calling”. O premiado livro vendeu mais de 400 mil exemplares na Itália e já foi traduzido para cinco idiomas.

Bate-papo com Zerocalcare: História de uma resistência. Impressões sobre a Guerra na Síria

1º junho de 2018 – 18h às 19h30

Palestra em italiano com tradução simultânea

Entrada gratuita, com espaço sujeito à lotação (100 lugares)

A HQ “Kobane Calling – Ou como fui parar no meio da guerra na Síria” estará à venda na Casa Fiat de Cultura por R$ 49,80.

“Tatu bom de bola”

Faltando menos de um mês para o maior evento futebolístico entrar em campo, o livro conta a história de um tatu que ama o esporte e sonha em estar na Copa do Mundo.

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A Editora Melhoramentos lança “Tatu Bom de Bola”. Em divertidos versos rimados, o autor Luís Pimentel traz aos pequenos leitores apaixonados por futebol a história de Artur, o determinado Tatu-Bola que sonha em tornar-se o novo craque da seleção brasileira.

Suas jogadas e dribles ganharam vida e cores pelas mãos da ilustradora Tatiana Paiva. E como o tatu dessa história não quer ser mascote, e sim brilhar nos gramados, fique sabendo que 

“Artur tem nome de craque

E não é de araque!

Tem jeito de quem faz bem feito

Que sabe matar no peito

Para alegrar o torcedor.

Com certeza esse gabola

Com artes de tatu-bola

Vai encantar o leitor”.

O livro foi ilustrado por Tati Paiva e tem 40 páginas.

O autor Luís Pimentel já escreveu um montão de livros para crianças, jovens e adultos. São mais de 50 títulos, por diversas editoras; no catálogo da Melhoramentos, ele tem o infantil  “Mundim perdido no mundão” e o juvenil “O matador de aluguel e outras figuras”.

Inventando para gente grande e gente pequena, entendeu que todas as histórias podem ser contadas para todos os leitores (os sonhos, a fantasia e a esperança são as mesmas em todas as fases da vida), mudando apenas o jeitão como se conta. Gosta de conviver com personagens que viajam pela imaginação sem tirar os pés da realidade, pois ela é fonte de alegrias, de angústias e também de inspiração, como esse tatu Artur, que transita entre as quatro linhas do gramado e os inúmeros caminhos da vida.

Tati Paiva, ilustradora, é paulistana e mora em São Paulo. Começou a desenhar desde menina; lápis e tintas sempre foram sua brincadeira predileta. Formada em Desenho Industrial/Comunicação Visual pela FAAP, trabalhou como designer gráfica e hoje passa os dias desenhando e contando estórias com suas ilustrações. É ilustradora free-lancer, gosta de usar técnica mista e sempre está experimentando novos coloridos.

Dia Mundial do Brincar

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O Dia Mundial do Brincar é comemorado em 28 de maio. Mas há quem se anime a organizar uma semana inteira em defesa desse direito assegurado por lei às crianças. Instituições e escolas brasileiras estão celebrando a data com muita festa e alegria para a meninada.

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O “World Play Day” é um evento conhecido como Dia Internacional do Brincar ou Dia Mundial do Brincar que é celebrado em mais de 40 países do mundo, inclusive  no Brasil. Este dia relembra que o brincar é um direito (artigo 31º da Convenção sobre os Direitos da Criança das Nações Unidas) e uma alegria essencial para pessoas de todas as idades.

O site português, “Calendarr”, destaca que “brincar traz vantagens como a diversão, a educação, o aumento da concentração, criatividade, exploração e convivência. Apesar do brincar ser uma das atividades mais comuns da infância, ela é muitas vezes negligenciada, com os pais a não terem tempo para os filhos, com a crescente urbanização e perda de locais de brincadeiras, assim como com a comercialização do brincar, com o crescimento dos videojogos. Em certos países, o brincar é até um ato interditado pelo trabalho infantil e pelo recrutamento de crianças para a guerra”.

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Como celebrar a data

No dia 28/5 ou, ao longo da última semana de maio (a Semana do Brincar), realizam-se atividades onde a palavra de ordem é uma só: brincar. Entre outras atividades pode-se:

Jogar jogos tradicionais ao ar livre

Brincar em parques infantis

Reunir pais, filhos e avós nos mesmos jogos

Incentivar brincadeiras nas escolas

Pegar nos brinquedos de criança

Fazer um piquenique com as crianças

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A data foi criada em 1999 pela International Toy Library (ITLA), na 8ª Conferência Internacional de Ludotecas em Tóquio, sendo celebrada pela primeira vez em 2000 e reconhecida no calendário da UNICEF. Foi escolhido o dia 28 de maio por esta data ser o dia de aniversário da ITLA, uma instituição que luta pela justiça para todos os cidadãos, em especial, as crianças.

A Aliança pela Infância, instituição surgiu na Inglaterra e nos Estados Unidos, em 1997, e chegou ao Brasil em 2001 com o objetivo com uma Carta de Princípios elaborada no início do movimento, que trata do tempo da infância, do que as crianças verdadeiramente necessitam e dos seus direitos mais essenciais. No Brasil, mais uma vez, ela promoveu, este ano, a Semana Mundial do Brincar, uma semana de mobilização para lembrar os adultos sobre a importância das brincadeiras para o desenvolvimento de nossos pequenos.

Dessa forma, educadores, pais, comunicadores, médicos e instituições privadas e governamentais promovem, todos juntos, uma semana com uma série de atividades, como brincadeiras abertas para a comunidade, palestras e ciclos de debates, que buscam valorizar e lembrar a importância do Brincar.

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“Esta semana é muito importante para a Aliança pela Infância, pois é uma mobilização que reúne diferentes atores como pais, educadores, médicos, comunicadores, instituições privadas, representantes de instituições governamentais, entre outros. Juntos, realizamos um conjunto de ações com o objetivo de ressaltar a importância do Brincar na sociedade. O foco  é lembrar os adultos sobre a necessidade de preservação e o respeito do tempo das crianças brincarem.  Cada vez mais vemos famílias que, por não poderem ter um tempo de qualidade com seus filhos, compram vídeos, jogos eletrônicos entre outras coisas e passam menos tempo ao lado deles”, declara a instituição em seu site.

Segundo a Aliança, brincar  é:

—  Atividade essencial com fim em si mesma

—  Instrumento de expressão e desenvolvimento da criança

—  Resgate cultural das brincadeiras de rua e vivências lúdicas

—  Fonte de aprendizado, transmissão de saberes e de educação para todos

—  Expressão cultural que promove encontros entre membros de gerações diferentes

—  Criador de vínculos sociais e de comunicação

—  Lazer e fonte de prazer

Aliança pela Infância no Brasil tem divulgado e incentivado a comemoração do Dia internacional do Brincar, desde sua criação. Para esta rede, o movimento que dissemina o Brincar é extremamente importante, pois acredita que as crianças precisam de tempo para ser crianças.

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11 maneiras de se tornar um escritor produtivo

Neal Cavanaugh *

Todos nós temos alguma história para compartilhar. E, quando colocamos isso por escrito, uma pessoa pelo menos, ao ler suas palavras, entenderá o que você está tentando dizer e isso irá gerar uma poderosa conexão.

Se é fácil? Não mesmo. Você precisa descobrir como colocar estas palavras para fora e desenrolar um emaranhado de pensamentos. Geralmente, um escritor (ou um aspirante a escritor) pode se deparar com um dia a dia de trabalho pouco produtivo: com uma grande parte do seu tempo encarando uma tela branca ou descobrindo novas formas de procrastinar (enquanto a inspiração não chega).

É claro que o talento normalmente está envolvido na boa execução da escrita, mas, quando o assunto é melhorar a produção em quantidade e qualidade, técnicas e hábitos básicos são fundamentais. Por isso, neste artigo, divido 11 maneiras para que você, de alguma forma, entre em um ritmo no qual as palavras fluam mais naturalmente.

1) Não lute contra o seu ritmo

Todos nós temos momentos em que atingimos o máximo de energia no dia. Você pode ser uma pessoa com hábitos matutinos ou alguém que trabalha melhor pela noite. Qualquer que seja o seu ritmo, não lute contra ele. Por isso, escreva quando você estiver no seu melhor momento.

2) Construa o hábito da escrita

Escritores aspirantes geralmente esperam até a famosa “musa” chegar. Mas, curiosamente, aqueles que escrevem para sobreviver não falam muito sobre inspiração: leia o que eles têm a dizer e você verá que o ditado “A inspiração é constituída por 90% de transpiração” é verdadeiro. É por isso que você precisa transformar a escrita em uma prioridade. Atenha-se a uma rotina e siga-a. O escritor William Faulkner costumava dizer: “Só escrevo quando a inspiração chega. Felizmente, ela chega às 9 da manhã todos os dias.”  O importante é construir um hábito e torná-lo parte de seu cotidiano. Mesmo que sejam apenas 30 minutos: durante este período, mantenha o foco.

3) Crie um espaço real (ou mental)

Alguns escritores juram ter um local especial para escrever. Um certo espaço ‘livre’ no escritório, sem pilhas de papéis acumuladas. Pode ser um café. Pode ser um cantinho na sua casa. Tudo que importa é que você goste de estar lá e que o local sinalize para o seu cérebro que é hora de começar a escrever. Já outros escritores insistem que qualquer local é perfeito para escrever. Não importa se o que você precisa é se desconectar do barulho, tráfego, celulares ou crianças: não dá pra esperar que o mundo pare porque você tem algo a dizer. Qual lado está certo? Os dois. O seu local especial de escrita está na capacidade de encontrar o silêncio interno. Prepare sua mente para escrever, e o resto vem depois. É tudo uma questão de encontrar algo que funcione para você.

4) Trace um caminho

Se situar é muito útil para definir um roteiro: saber quais passos você cumpriu hoje e onde gostaria de estar amanhã. Separe um tempo para rever o seu trabalho mais recente e estabeleça metas que você gostaria de alcançar ao final da sessão. Caso vá escrever um artigo, separe um tempo para pesquisar ou para dar uma olhada no que outras pessoas já falaram sobre o assunto. Seu foco são obras de ficção? Coloque a cabeça em um de seus personagens e descubra o que eles estão sentindo agora. Quando sentir que precisa parar, deixe preparada uma nota para si mesmo sobre em que ponto você parou e qual a direção que seu rascunho está tomando.

5) Decida se as distrações são amigas ou inimigas

Certifique-se de pensar como as distrações te afetam. Se você está sempre colado ao seu telefone, olhando notificações, pode ser uma boa ideia ativar o modo avião de seu celular e dar um descanso ao seu cérebro. Por outro lado, quando alguns escritores se veem presos em um mesmo trecho, mexendo repetidamente na mesma ideia, é importante fazer uma pausa. Navegue em sites de viagens e imagine suas próximas férias ou dedique alguns minutos para planejar a casa dos sonhos. Enfim, qualquer coisa que capture o suficiente da sua atenção para que você volte com ideias mais “frescas”.

6) Exercite a imaginação

Escrita livre: comece a escrever sobre qualquer coisa que venha a mente. Alguns minutos de escrita livre podem facilmente tirar a poeira e colocá-lo no ritmo, facilitando o que você está tentando fazer.

7) Mantenha blocos curtos de criatividade

Se você consegue encher páginas brancas durante horas, parabéns. Mas para a maioria das pessoas, impulsos curtos de criatividade são a norma. A única maneira de descobrir é experimentando. Tente escrever durante 15 minutos por vez com pequenas pausas no meio. Depois dê uma volta com o cachorro, olhe a correspondência e comece a escrever de novo. Se concentrar demais por muito tempo pode não tirar o que você tem de melhor.

8) Deixe as edições para mais tarde

Nós somos o nosso pior crítico. E nada pode arruinar mais o fluxo do nosso trabalho como as nossas críticas de gramática internas, por exemplo.  Especialmente quando estamos na etapa do rascunho inicial, você deve se importar somente em colocar as ideias no papel. Formatação, ortografia, gramática, template: tudo isso é importante, mas não tanto quanto ter algo interessante para dizer. A edição pode ser um exercício nada proveitoso e ainda fará com que você nunca chegue ao ponto desejado. Por isso, deixe fluir e volte mais tarde ao trabalho mecanizado.

9) Seja sua própria concorrência

Não se preocupe com o relógio ou com a concorrência. Uma das piores coisas que você pode fazer é comparar o seu trabalho inacabado com o produto final de uma super estrela. Por enquanto, são duas coisas completamente diferentes: não há comparação, só distrações que vão te atrasar.

10) Foque nas coisas pequenas

Cada pequena vitória ajuda a construir o seu caminho. Faça um diário do seu progresso, ou até mais simples, use um calendário para marcar as conquistas. Quando você conseguir, olhe pra isso de maneira proveitosa. Se estiver tendo um dia ruim, pergunte a si mesmo o porquê e veja se existe algo para aprender disso tudo.

11) Carregue suas ferramentas

Mantenha suas ferramentas à mão. Ter um caderninho ou um aplicativo como o Evernote é uma boa ideia. Você nunca sabe quando a inspiração irá surgir e você precisará anotar aquele pensamento (muitas vezes de forma inconsciente) que acabou de ter. Acima de tudo: quando algo bom vier à mente, escreva.

*  Neal Cavanaugh é especialista em conteúdo da Evernote

“Peixe-Amigo-Pássaro”

Uma história de afeto entre um menino e um peixe é o tema de lançamento da Páginas Editora nesse sábado.

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Como uma narrativa dirigida ao público infanto-juvenil, pais e professores, a escritora e especialista em educação Jalmelice Luz traz em seu novo trabalho uma história de afeto entre um menino e um peixe. O livro “Peixe-Amigo-Pássaro”, será lançado nesse sábado, 26 de maio, de 9h às 12h, em Belo Horizonte, no espaço Assim, doce!, no bairro Santa Efigênia, pela Páginas Editora. O artista plástico Alisson Damasceno é o ilustrador do livro.

A história trata da primeira experiência do protagonista, uma criança, com a morte. Tema que ainda é considerado tabu, por alguns setores da sociedade, a autora lembra que a abordagem é lúdica e criativa e o texto reflexivo, mas de fácil compreensão. “A perda do peixe-pássaro, de forma surpreendente, conduz o menino a outros lugares de afeto, de descobertas e de partilha de experiência de vida dentro da família, com amigos e colegas de escola”, explica Jalmelice.

jal luzDe maneira inusitada, a obra aborda ainda sobre a relação com os animais de estimação. Independentemente do animal e espécie, os bichinhos possuem um papel importante na vida dos seres humanos, em especial, das crianças e adolescentes. Segundo Jalmelice, a inspiração veio dessa compreensão e de experiências com sua filha.  “A interação, a presença em casa de animais pode transformar vidas e trazer uma bela mensagem de afeto”, acrescenta a autora.

Jalmelice Luz é uma escritora mineira, que vive em Belo Horizonte, autora do romance “Noites Pretas”, também pela Páginas Editora, coautora do livro “Mulheres de Minas: lutas e conquistas”. Revisora e editora de produções acadêmicas, a exemplo do livro Desafios da Gestão Escolar, de autoria da professora Jussara Paschoalino; edição dos dossiês temáticos: assimetria raciais no Brasil, gênero e reprodução humana assistida. Formada em jornalismo e Relações Públicas, é mestre em Educação e tem especializações nas áreas de comunicação e educação.

O escritor José Roberto Pereira é quem faz a apresentação do livro:

“João Camillo, personagem de “Peixe-amigo-pássaro”, de Jalmelice Luz, nos envolve e nos leva a participar de suas próprias descobertas vividas em uma das fases mais memoráveis de nossas vidas: a infância. Suas observações e vivências do cotidiano nos convidam a viver o tempo presente. A narrativa poética, enxuta e delicada do texto é um convite a desacelerar a vida corrida e observar o mundo em nossa volta; já que o tempo que subtrais coisas e seres é o mesmo que nos oferece oportunidades e descobertas”.

 

“Como tudo começou”

Neste domingo, 27 de maio, de 10h30 às 13h, Sempre Um Papo lança o livro infantil da Autêntica Editora, de autoria de Silvana Gontijo. Crianças e seus acompanhantes podem conversar com a autora, comprar o livro e autografá-lo. Vai ser no Museu dos Brinquedos, em Belo Horizonte, que preparou um fim de semana especial para as crianças a começar pelo sábado com as brincadeiras “Se Essa Rua Fosse Minha”. Os eventos são gratuitos, mas a entrada está sujeita à capacidade do espaço.

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O Sempre Um Papo recebe a jornalista e escritora Silvana Gontijo para o debate e o lançamento do livro infantil “Como Tudo Começou – a Primeira Aventura da Turma do Planeta, lançamento da Autêntica Editora, ilustrado por André Ayres e Renan Motta Lima. O evento com debate e sessão de autógrafos acontece no dia 27 de maio (domingo), das 10h30 às 13h, no Museu dos Brinquedos, em Belo Horizonte.

Em Como tudo começou – A primeira aventura da turma do planeta, Silvana conta a história de uma comunidade que vive em uma cidade e descobre  o mundo mágico da Floresta do Beija-Flor Azul, onde aprendem a viajar no tempo por meio da música. É por meio dessa aventura que Silvana promete trazer ferramentas pedagógicas educativas para crianças e adolescentes por meio de diversão e entretenimento.

Trecho do livro e a autora

ViewImage.aspx “Quando olharam para trás, descobriram que a pista desaparecera depois da passagem de Silvia, a última da fila. Um a um, foram se dando conta de que estavam os seis suspensos no ar, no meio de um precipício altíssimo e dependendo inteiramente da memória de um jabuti com quase duzentos anos de idade. Era de arrepiar! Começava a soprar um vento que, se ficasse mais forte, os faria perder o equilíbrio e despencar lá embaixo. Binga percebeu, mas lembrou que não podia interferir.”

Além de escritora, Silvana Gontijo faz um monte de outras coisas legais: é diretora de arte, consultora de moda, desenhista industrial, cenógrafa, jornalista, roteirista… Quando a Silvana era pequena, vivia em contato com a natureza e com a arte brasileira e isso ajudou a descobrir o seu maior sonho: transmitir às crianças a importância da nossa cultura, assim como as histórias, os mitos, a música

A autora também está à frente do planetapontocom, uma organização que busca soluções para a educação de crianças e jovens por meio de experiências divertidas e prazerosas. A Turma do Planeta faz parte dessa ideia e traz incríveis personagens que viajam no tempo através da música e vivem grandes desafios ambientais, éticos, científicos e muito mais.

O livro tem 64 páginas, custa 39,80 e também pode ser comprado pela internet, inclusive, no formato ebook: Amazon, Apple, Google Play, Kobobooks

No formato livro de papel: Amazon, Cia dos Livros, Livraria da Folha, Livraria da Travessa, Martins Fontes e Saraiva .

Mais no museu

Incentivando adultos e suas crianças a ocuparem os espaços públicos como lugares de promoção do brincar livre, seguro e coletivo, o Museu dos Brinquedos promoverá mais uma edição do evento gratuito “Se Essa Rua Fosse Minha”, que levará atrações para todas as idades e gostos em uma manhã dedicada à diversão, neste sábado, 26 de maio.

A programação contará com espaço para piquenique e leitura; oficinas de construção de brinquedos, bambolê, brinquedos tradicionais; brincadeiras; asfalto que vira jardim; intervenções circenses, apresentação do Grupo de Percussão Batuque Salubre, composta por crianças a adolescentes do aglomerado do Morro das Pedras; e espetáculo do Mágico Julius encerrando as atividades.

Para garantir a segurança e tranquilidade, o quarteirão da Rua Cláudio Manoel (entre as Ruas Professor Moraes e Avenida Getúlio Vargas, no bairro Funcionários), estará fechado exclusivamente para o evento.

Se essa rua fosse minha... Oficinas, brincadeiras e apresentações culturais (93)

  • “Se Essa Rua Fosse Minha” – evento gratuito

Horário: 9h30 às 12h30

Local: quarteirão fechado da Rua Cláudio Manoel, entre a Rua Professor Moraes e Avenida Getúlio Vargas, no bairro Funcionários

Programação

9h30 às 12h30: Intervenções Circenses, oficinas de construção de brinquedos, oficina de Bambolê, brinquedos tradicionais e brincadeiras, camarim de palhaço, asfalto que vira jardim, espaço para Piquenique e leitura

11h30: Mágico Julius

12h30: Encerramento

  • Visitação ao Museu dos Brinquedos

Horário: 10h às 17h

Local: Av. Afonso Pena, 2.564, bairro Funcionários

Programação

10h às 17h: Exposição de brinquedos, brinquedoteca e pátio de brinquedos tradicionais

11h e 15h: Oficina de construção de brinquedos

11h30 e 15h30: Brincadeiras coletivas no pátio

Mais informações pelo telefone 31 3261-1501

Se essa rua fosse minha... Oficinas, brincadeiras e apresentações culturais (76)

Dia Mundial do Brincar

A programação do Museu dos Brinquedos para esse fim de semana, é especial pelo fato de se inserir na Festa Mundial do Brincar. No dia 28 de maio, uma das atividades mais antigas e importantes da sociedade é celebrada mundialmente: o brincar. Ao longo dos anos, a comemoração ganhou dias a mais na agenda e, atualmente, a prática é fomentada ao longo de uma semana durante o ano, da Semana do Brincar. Vários estabelecimentos se envolvem na e promovem ações para proporcionar diversão para crianças e adultos, afinal, não há limite de idade para uma boa brincadeira de corpo e alma.

Semana mundial dos contadores de histórias

Boca do Céu 2018 reúne contadores de histórias de vários lugares do mundo entre os dias 22 e 26 de maio. Em sua 8ª edição, o Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias) traz seis artistas internacionais, mais de 40 convidados brasileiros e cerca de 100 atividades distribuídas em vários  espaços culturais da cidade de São Paulo.

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Contadores de diferentes culturas se unem para celebrar as tradições orais de seus países na oitava edição do Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias), que acontece de 22 a 26 de maio na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Sesc Bom Retiro, no Auditório Ibirapuera, nas Fábricas de Cultura, na Cinemateca Brasileira e no Itaú Cultural, em São Paulo. A programação do evento tem cerca de 100 atividades gratuitas, entre espetáculos, oficinas, rodas de conversas e intervenções artísticas.

Com o objetivo de propiciar ao público diferentes formas de contato com a arte da narração oral, a programação está dividida em oito eixos temáticos, que refletem diferentes “urgências poéticas”. São eles: Percurso – processos de criação de contadores de histórias; Urgências poéticas em diferentes escutas: questões de acessibilidade; Urgências de encontros – festivais de contadores de histórias no Brasil; Urgências de pertencimento: raízes ameríndias na alma brasileira, Multiplicidade cultural – vozes de outros povos e Raízes africanas na alma brasileira e Urgências poéticas na Educação.

“O Encontro é estruturado a partir da Abordagem Triangular para o Ensino e Aprendizagem da Arte elaborada por Ana Mae Barbosa. “Isso significa, antes de mais nada, que a Arte Narrativa é considerada como fenômeno das culturas humanas que ocupa um lugar ao lado das Artes Visuais, Teatro, Música, Dança e artes midiáticas e multilinguísticas contemporâneas”, comenta a curadora Regina Machado.

Criado em 2001, o Boca do Céu é considerado o maior encontro de contadores de histórias do Brasil. A última edição do evento bienal, que ocorreu em 2016, ofereceu atividades com mais de 80 artistas nacionais e 9 contadores estrangeiros, e recebeu 10,3 mil pessoas ao longo de oito dias de programação.

A narradora portuguesa Ana Sofia Paiva utiliza a musicalidade na sua performance oral - Foto: Maria Otero - Divulgação

A narradora portuguesa Ana Sofia Paiva utiliza a musicalidade na sua performance oral – Foto: Maria Otero – Divulgação

Destaques da programação

Para trazer à tona todos esses temas, o Encontro fomenta uma pluralidade de vozes de sete países. Os convidados internacionais são Nacer Khémir (Tunísia), Charlotte Alston (Estados Unidos), Ana Sofia Paiva (Portugal), Mercedes Carrión (Peru), Malika Halbaoui (Marrocos) e Pépito Matéo (França). Já o time de artistas brasileiros é formado por André Gravatá, Cristino Wapichana, Daniel D’Andrea, Eric Chartiot, Marcus Borja, Marcelo D’Salete, Rosana Reátegui, Teatro Griô, Tião Carvalho, Vinícius Mazzon e muitos outros.

Um dos destaques da programação são as Noites de contos, que ocorrem no Sesc Bom Retiro, durante as quais artistas nacionais selecionados por meio de um edital e os narradores estrangeiros se apresentam para pessoas de todas as idades. Na terça-feira, 22 de maio, a estadunidense Charlotte Alston conta histórias tradicionais e contemporâneas africanas enquanto toca instrumentos como djembe, mbira, shekere ou a kora de 21 cordas. Já a portuguesa Ana Sofia Paiva narra histórias de dentro e fora de sua terra-natal, centrando-se na musicalidade da performance oral.

O francês Pépito Matéo é um dos mais representativos contadores da França e gosta de abordar temas como a morte e a velhice - Foto: Divulgação

O francês Pépito Matéo é um dos mais representativos contadores da França e gosta de abordar temas como a morte e a velhice – Foto: Divulgação

Na noite da quarta, 23 de maio, as atrações principais são a peruana Mercedes Carrión, uma das narradoras com mais tradição na cena oral, e o francês Pépito Matéo, um dos mais representativos contadores da França, ator e estudioso da Arte da Palavra, que constrói narrativas incluindo contos tradicionais e criando ambientes como um pronto-socorro ou uma prisão, falando de temas como a morte e a velhice.

A contadora-cantadeira, poeta slam e letrista de canções Malika Halbaoui, nascida no Marrocos, usa corpo e voz no espetáculo da quinta-feira, 24 de maio. O segundo convidado principal da noite é o contador, diretor de cinema e escritor Nacer Khémir, que apresenta as histórias contadas por sua mãe na infância e a cultura de seu país. Ele também é homenageado com uma mostra de seus filmes, que ocorre na Cinemateca Brasileira, de quarta-feira a domingo. No dia 27, Nacer participa de um debate sobre sua obra.

O mestre maranhense Tião Carvalho ensina danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê - Foto: Igor Costa - Divulgação

O mestre maranhense Tião Carvalho ensina danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê – Foto: Igor Costa – Divulgação

Outra atividade do encontro é a oficina Despertar através da cultura popular, em que o mestre maranhense Tião Carvalho ensina ao público uma série de danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê. O mini curso, que não demanda inscrições prévias, acontece durante todos os dias na Oficina Cultural Oswald de Andrade, às 8h.

A Oswald de Andrade também recebe, na quinta, 24 de maio, a tarde Danças, cantos e contos de culturas do mundo, em que grupos de várias nacionalidades são convidados para compartilhar suas histórias e ensinar danças e cantos tradicionais, sempre com foco na narrativa. Ao longo da semana, o espaço também sedia Rodas de conversa sobre os temas trazidos pela atual edição do evento. Dois convidados especiais para esses debates são o quadrinista e professor Marcelo D’Salete (autor do livro em quadrinhos Angola Janga) e o premiado escritor Cristino Wapichana, que desenvolve atividades e vivências culturais, educativas e recreativas sobre a cultura indígena.

Famílias e crianças têm espaço especial na programação. No sábado, 26 de maio, o Sesc Bom Retiro recebe Minha aldeia, do grupo Teatro Griô (Salvador/BA). Para aquecer os ouvidos do público infantil, a Trupe Alumiada (Campinas/SP) e a contadora Tâmara Bezerra (Fortaleza/CE) contam suas histórias antes do espetáculo.

Apresentação do Teatro Grio - Foto: Pedro Napolitano Prata - Divulgação

Apresentação do Teatro Grio – Foto: Pedro Napolitano Prata – Divulgação

O tema da acessibilidade na arte é uma grande preocupação do encontro. Na quarta-feira, 23 de maio, a Oficina Cultural Oswald de Andrade recebe o Questões de acessibilidade, três rodas de conversa, com participação do Grupo Mãos de Fada, Carla Mauch, coordenadora da ONG + Diferenças, Bruno Ramos, Thalita Passos e Patrícia Torres. Essa série de bate-papos e as sessões das Noites de contos no Sesc Bom Retiro terão tradução simultânea em Libras – Linguagem Brasileira de Sinais.

Celebrando o encerramento de mais uma edição do Boca do Céu, na sexta-feira, 25 de maio, o Auditório Ibirapuera recebe o espetáculo inédito Todo nó cego eu desato, preparado especialmente para o Encontro. O espetáculo reúne artistas convidados, músicos e contadores de histórias, além das crianças da Oca Escola Cultural, de Carapicuíba, com seus tambores e a narração de um romance da cultura popular brasileira.

Site do evento: www.bocadoceu.com.br

 

Contos de fadas x histórias reais: como as crianças aprendem mais?

Deena Skolnick Weisberg *

As crianças têm muito o que aprender. Pode se dizer que este é o propósito da infância: garantir às crianças um tempo protegido para que elas possam se concentrar em aprender como se comunicar, como o mundo ao seu redor funciona, que valores sua cultura considera importante e por aí vai. Dada a quantidade massiva de informação que as crianças precisam absorver, pareceria recomendado que eles passassem o máximo possível deste tempo engajadas em estudar seriamente as questões e problemas do mundo.

Ainda assim, qualquer um que já tenha passado tempo ao redor de crianças sabe que elas dificilmente têm a aparência de acadêmicos sérios e focados. Ao invés, as crianças passam muito do seu tempo cantando canções, correndo por aí, fazendo bagunça, isto é, brincando. Para além de participarem da grande alegria de descobrir como a estrutura do real funciona através de suas brincadeiras exploratórias, as crianças (como muitos adultos) também tendem a ser profundamente atraídas por jogos e histórias irreais. Elas fingem ter super poderes ou habilidades mágicas e imaginam interações com seres impossíveis, como sereias e dragões.

Por muito tempo, tanto pais como pesquisadores supuseram que esses “voos de fantasia” eram, na melhor das hipóteses, inofensivos episódios de diversão – talvez necessários para a descontração de quando em quando, mas sem qualquer propósito real. Na pior das hipóteses, alguns defendiam que tais momentos eram distrações perigosas da importante tarefa de entender o mundo real ou manifestações de uma confusão pouco saudável sobre a barreira entre realidade e ficção. Mas, agora, novos trabalhos no campo da ciência do desenvolvimento mostram que não apenas as crianças são plenamente capazes de separar realidade e ficção, mas também que a atração por situações fantásticas pode na verdade ser bastante útil para o aprendizado.

Eu me aproximei dessa perspectiva após testar diversas maneiras de ensinar novas palavras ao vocabulário de crianças da educação infantil na esperança de combater o déficit de linguagem que existe entre crianças de pré-escola de contextos sócioeconômicos altos e baixos. Para fazer meu estudo, minha equipe apresentou novas palavras de vocabulário ao longo de uma atividade de leitura compartilhada e depois reforçou os significados dessas palavras em sessões de brincadeiras tuteladas por adultos.

A intervenção foi bem sucedida e o entendimento das crianças das novas palavras melhorou – o que foi comprovado por testes feitos antes e depois da experiência. Mas o que foi mais interessante para nós foi a diferença entre os dois grupos de crianças deste estudo: aqueles cujas histórias descreviam temas realistas, como cozinhar, e aqueles cujas histórias descreviam temas fantásticos, como dragões. No começo do estudo, publicado em 2015 na revista Cognitive Development, as crianças sabiam menos sobre as palavras dos livros fantásticos, talvez, porque tais palavras eram mais desafiadoras. Mas vimos que o conhecimento lexical das crianças aumentou ao longo da intervenção e, nos pós-testes, elas sabiam tanto destas palavras quanto daquelas contidas nas histórias realísticas. Isso é, as crianças ganharam mais conhecimento das histórias fantásticas do que das realísticas.

Essa descoberta é surpreendente uma vez que confronta tudo que sabemos sobre aprendizado e transferência. Um grande montante da literatura na psicologia mostrou que quanto mais próximo o contexto de aprendizagem está do contexto onde a informação será usada, melhor. Isso sugere fortemente que livros realistas deveriam ajudar as crianças a aprender os significados das palavras melhor e reportá-los mais precisamente nos pós-testes. Mas nosso estudo mostrou exatamente o oposto: livros de fantasia, aqueles que eram menos próximos da realidade, permitiram que as crianças aprendessem melhor.

Em trabalhos mais recentes, nosso laboratório vem replicando este efeito. Um estudo em andamento está descobrindo que as crianças aprendem novos fatos sobre animais melhor, a partir de histórias fantásticas do que das realísticas. Outros pesquisadores, usando uma variedade de métodos e medidas, mostraram que representações de eventos aparentemente impossíveis podem ajudar as crianças a aprenderem. Por exemplo, crianças são mais preparadas para aceitar novas informações quando elas são surpreendidas – portanto, quando elas têm quebradas suas suposições sobre o mundo físico.

O que pode estar acontecendo? Talvez as crianças são mais engajadas e atentas, quando elas veem acontecimentos que desafiam seu entendimento de como o real funciona. Afinal, os acontecimentos nessas histórias fantásticas não são coisas que as crianças veem todos os dias. Então, talvez, elas prestem mais atenção, o que leva a mais aprendizado.

Uma possibilidade diferente – e mais rica – é que há algo sobre contextos fantásticos que é particularmente útil ao aprendizado. De tal perspectiva, a ficção fantástica pode fazer algo mais do que capturar o interesse das crianças melhor que a ficção realista. Em vez disso, a imersão em cenários onde elas precisam pensar sobre situações impossíveis podem engajar processamentos mais profundos, precisamente porque elas não podem tratar tais cenários como fariam com qualquer outra situação que encontram na realidade.

Elas precisam considerar cada evento com um olhar novo, perguntando se ele cabe no mundo da história e se ele se encaixa nas leis da realidade. Essa necessidade constante de avaliar a história pode gerar circunstâncias bastante próprias para o aprendizado.

Trabalhos futuros irão investigar todas essas possibilidades. Mas, por hora, é importante notar que nossas descobertas podem ter profundas implicações na educação. Mesmo que seja “somente” o fato de que crianças aprendem melhor em contextos fantásticos, porque tais contextos as ajudam a prestar mais atenção, nós podemos usar este fato para fazer melhores materiais didáticos que irão beneficiar todas as crianças.

*  Especialista da Universidade da Pensilvânia no Departamento de Psicologia

Artigo publicado originariamente no site Aeon