“Como tudo começou”

Neste domingo, 27 de maio, de 10h30 às 13h, Sempre Um Papo lança o livro infantil da Autêntica Editora, de autoria de Silvana Gontijo. Crianças e seus acompanhantes podem conversar com a autora, comprar o livro e autografá-lo. Vai ser no Museu dos Brinquedos, em Belo Horizonte, que preparou um fim de semana especial para as crianças a começar pelo sábado com as brincadeiras “Se Essa Rua Fosse Minha”. Os eventos são gratuitos, mas a entrada está sujeita à capacidade do espaço.

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O Sempre Um Papo recebe a jornalista e escritora Silvana Gontijo para o debate e o lançamento do livro infantil “Como Tudo Começou – a Primeira Aventura da Turma do Planeta, lançamento da Autêntica Editora, ilustrado por André Ayres e Renan Motta Lima. O evento com debate e sessão de autógrafos acontece no dia 27 de maio (domingo), das 10h30 às 13h, no Museu dos Brinquedos, em Belo Horizonte.

Em Como tudo começou – A primeira aventura da turma do planeta, Silvana conta a história de uma comunidade que vive em uma cidade e descobre  o mundo mágico da Floresta do Beija-Flor Azul, onde aprendem a viajar no tempo por meio da música. É por meio dessa aventura que Silvana promete trazer ferramentas pedagógicas educativas para crianças e adolescentes por meio de diversão e entretenimento.

Trecho do livro e a autora

ViewImage.aspx “Quando olharam para trás, descobriram que a pista desaparecera depois da passagem de Silvia, a última da fila. Um a um, foram se dando conta de que estavam os seis suspensos no ar, no meio de um precipício altíssimo e dependendo inteiramente da memória de um jabuti com quase duzentos anos de idade. Era de arrepiar! Começava a soprar um vento que, se ficasse mais forte, os faria perder o equilíbrio e despencar lá embaixo. Binga percebeu, mas lembrou que não podia interferir.”

Além de escritora, Silvana Gontijo faz um monte de outras coisas legais: é diretora de arte, consultora de moda, desenhista industrial, cenógrafa, jornalista, roteirista… Quando a Silvana era pequena, vivia em contato com a natureza e com a arte brasileira e isso ajudou a descobrir o seu maior sonho: transmitir às crianças a importância da nossa cultura, assim como as histórias, os mitos, a música

A autora também está à frente do planetapontocom, uma organização que busca soluções para a educação de crianças e jovens por meio de experiências divertidas e prazerosas. A Turma do Planeta faz parte dessa ideia e traz incríveis personagens que viajam no tempo através da música e vivem grandes desafios ambientais, éticos, científicos e muito mais.

O livro tem 64 páginas, custa 39,80 e também pode ser comprado pela internet, inclusive, no formato ebook: Amazon, Apple, Google Play, Kobobooks

No formato livro de papel: Amazon, Cia dos Livros, Livraria da Folha, Livraria da Travessa, Martins Fontes e Saraiva .

Mais no museu

Incentivando adultos e suas crianças a ocuparem os espaços públicos como lugares de promoção do brincar livre, seguro e coletivo, o Museu dos Brinquedos promoverá mais uma edição do evento gratuito “Se Essa Rua Fosse Minha”, que levará atrações para todas as idades e gostos em uma manhã dedicada à diversão, neste sábado, 26 de maio.

A programação contará com espaço para piquenique e leitura; oficinas de construção de brinquedos, bambolê, brinquedos tradicionais; brincadeiras; asfalto que vira jardim; intervenções circenses, apresentação do Grupo de Percussão Batuque Salubre, composta por crianças a adolescentes do aglomerado do Morro das Pedras; e espetáculo do Mágico Julius encerrando as atividades.

Para garantir a segurança e tranquilidade, o quarteirão da Rua Cláudio Manoel (entre as Ruas Professor Moraes e Avenida Getúlio Vargas, no bairro Funcionários), estará fechado exclusivamente para o evento.

Se essa rua fosse minha... Oficinas, brincadeiras e apresentações culturais (93)

  • “Se Essa Rua Fosse Minha” – evento gratuito

Horário: 9h30 às 12h30

Local: quarteirão fechado da Rua Cláudio Manoel, entre a Rua Professor Moraes e Avenida Getúlio Vargas, no bairro Funcionários

Programação

9h30 às 12h30: Intervenções Circenses, oficinas de construção de brinquedos, oficina de Bambolê, brinquedos tradicionais e brincadeiras, camarim de palhaço, asfalto que vira jardim, espaço para Piquenique e leitura

11h30: Mágico Julius

12h30: Encerramento

  • Visitação ao Museu dos Brinquedos

Horário: 10h às 17h

Local: Av. Afonso Pena, 2.564, bairro Funcionários

Programação

10h às 17h: Exposição de brinquedos, brinquedoteca e pátio de brinquedos tradicionais

11h e 15h: Oficina de construção de brinquedos

11h30 e 15h30: Brincadeiras coletivas no pátio

Mais informações pelo telefone 31 3261-1501

Se essa rua fosse minha... Oficinas, brincadeiras e apresentações culturais (76)

Dia Mundial do Brincar

A programação do Museu dos Brinquedos para esse fim de semana, é especial pelo fato de se inserir na Festa Mundial do Brincar. No dia 28 de maio, uma das atividades mais antigas e importantes da sociedade é celebrada mundialmente: o brincar. Ao longo dos anos, a comemoração ganhou dias a mais na agenda e, atualmente, a prática é fomentada ao longo de uma semana durante o ano, da Semana do Brincar. Vários estabelecimentos se envolvem na e promovem ações para proporcionar diversão para crianças e adultos, afinal, não há limite de idade para uma boa brincadeira de corpo e alma.

Semana mundial dos contadores de histórias

Boca do Céu 2018 reúne contadores de histórias de vários lugares do mundo entre os dias 22 e 26 de maio. Em sua 8ª edição, o Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias) traz seis artistas internacionais, mais de 40 convidados brasileiros e cerca de 100 atividades distribuídas em vários  espaços culturais da cidade de São Paulo.

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Contadores de diferentes culturas se unem para celebrar as tradições orais de seus países na oitava edição do Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias), que acontece de 22 a 26 de maio na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Sesc Bom Retiro, no Auditório Ibirapuera, nas Fábricas de Cultura, na Cinemateca Brasileira e no Itaú Cultural, em São Paulo. A programação do evento tem cerca de 100 atividades gratuitas, entre espetáculos, oficinas, rodas de conversas e intervenções artísticas.

Com o objetivo de propiciar ao público diferentes formas de contato com a arte da narração oral, a programação está dividida em oito eixos temáticos, que refletem diferentes “urgências poéticas”. São eles: Percurso – processos de criação de contadores de histórias; Urgências poéticas em diferentes escutas: questões de acessibilidade; Urgências de encontros – festivais de contadores de histórias no Brasil; Urgências de pertencimento: raízes ameríndias na alma brasileira, Multiplicidade cultural – vozes de outros povos e Raízes africanas na alma brasileira e Urgências poéticas na Educação.

“O Encontro é estruturado a partir da Abordagem Triangular para o Ensino e Aprendizagem da Arte elaborada por Ana Mae Barbosa. “Isso significa, antes de mais nada, que a Arte Narrativa é considerada como fenômeno das culturas humanas que ocupa um lugar ao lado das Artes Visuais, Teatro, Música, Dança e artes midiáticas e multilinguísticas contemporâneas”, comenta a curadora Regina Machado.

Criado em 2001, o Boca do Céu é considerado o maior encontro de contadores de histórias do Brasil. A última edição do evento bienal, que ocorreu em 2016, ofereceu atividades com mais de 80 artistas nacionais e 9 contadores estrangeiros, e recebeu 10,3 mil pessoas ao longo de oito dias de programação.

A narradora portuguesa Ana Sofia Paiva utiliza a musicalidade na sua performance oral - Foto: Maria Otero - Divulgação

A narradora portuguesa Ana Sofia Paiva utiliza a musicalidade na sua performance oral – Foto: Maria Otero – Divulgação

Destaques da programação

Para trazer à tona todos esses temas, o Encontro fomenta uma pluralidade de vozes de sete países. Os convidados internacionais são Nacer Khémir (Tunísia), Charlotte Alston (Estados Unidos), Ana Sofia Paiva (Portugal), Mercedes Carrión (Peru), Malika Halbaoui (Marrocos) e Pépito Matéo (França). Já o time de artistas brasileiros é formado por André Gravatá, Cristino Wapichana, Daniel D’Andrea, Eric Chartiot, Marcus Borja, Marcelo D’Salete, Rosana Reátegui, Teatro Griô, Tião Carvalho, Vinícius Mazzon e muitos outros.

Um dos destaques da programação são as Noites de contos, que ocorrem no Sesc Bom Retiro, durante as quais artistas nacionais selecionados por meio de um edital e os narradores estrangeiros se apresentam para pessoas de todas as idades. Na terça-feira, 22 de maio, a estadunidense Charlotte Alston conta histórias tradicionais e contemporâneas africanas enquanto toca instrumentos como djembe, mbira, shekere ou a kora de 21 cordas. Já a portuguesa Ana Sofia Paiva narra histórias de dentro e fora de sua terra-natal, centrando-se na musicalidade da performance oral.

O francês Pépito Matéo é um dos mais representativos contadores da França e gosta de abordar temas como a morte e a velhice - Foto: Divulgação

O francês Pépito Matéo é um dos mais representativos contadores da França e gosta de abordar temas como a morte e a velhice – Foto: Divulgação

Na noite da quarta, 23 de maio, as atrações principais são a peruana Mercedes Carrión, uma das narradoras com mais tradição na cena oral, e o francês Pépito Matéo, um dos mais representativos contadores da França, ator e estudioso da Arte da Palavra, que constrói narrativas incluindo contos tradicionais e criando ambientes como um pronto-socorro ou uma prisão, falando de temas como a morte e a velhice.

A contadora-cantadeira, poeta slam e letrista de canções Malika Halbaoui, nascida no Marrocos, usa corpo e voz no espetáculo da quinta-feira, 24 de maio. O segundo convidado principal da noite é o contador, diretor de cinema e escritor Nacer Khémir, que apresenta as histórias contadas por sua mãe na infância e a cultura de seu país. Ele também é homenageado com uma mostra de seus filmes, que ocorre na Cinemateca Brasileira, de quarta-feira a domingo. No dia 27, Nacer participa de um debate sobre sua obra.

O mestre maranhense Tião Carvalho ensina danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê - Foto: Igor Costa - Divulgação

O mestre maranhense Tião Carvalho ensina danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê – Foto: Igor Costa – Divulgação

Outra atividade do encontro é a oficina Despertar através da cultura popular, em que o mestre maranhense Tião Carvalho ensina ao público uma série de danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê. O mini curso, que não demanda inscrições prévias, acontece durante todos os dias na Oficina Cultural Oswald de Andrade, às 8h.

A Oswald de Andrade também recebe, na quinta, 24 de maio, a tarde Danças, cantos e contos de culturas do mundo, em que grupos de várias nacionalidades são convidados para compartilhar suas histórias e ensinar danças e cantos tradicionais, sempre com foco na narrativa. Ao longo da semana, o espaço também sedia Rodas de conversa sobre os temas trazidos pela atual edição do evento. Dois convidados especiais para esses debates são o quadrinista e professor Marcelo D’Salete (autor do livro em quadrinhos Angola Janga) e o premiado escritor Cristino Wapichana, que desenvolve atividades e vivências culturais, educativas e recreativas sobre a cultura indígena.

Famílias e crianças têm espaço especial na programação. No sábado, 26 de maio, o Sesc Bom Retiro recebe Minha aldeia, do grupo Teatro Griô (Salvador/BA). Para aquecer os ouvidos do público infantil, a Trupe Alumiada (Campinas/SP) e a contadora Tâmara Bezerra (Fortaleza/CE) contam suas histórias antes do espetáculo.

Apresentação do Teatro Grio - Foto: Pedro Napolitano Prata - Divulgação

Apresentação do Teatro Grio – Foto: Pedro Napolitano Prata – Divulgação

O tema da acessibilidade na arte é uma grande preocupação do encontro. Na quarta-feira, 23 de maio, a Oficina Cultural Oswald de Andrade recebe o Questões de acessibilidade, três rodas de conversa, com participação do Grupo Mãos de Fada, Carla Mauch, coordenadora da ONG + Diferenças, Bruno Ramos, Thalita Passos e Patrícia Torres. Essa série de bate-papos e as sessões das Noites de contos no Sesc Bom Retiro terão tradução simultânea em Libras – Linguagem Brasileira de Sinais.

Celebrando o encerramento de mais uma edição do Boca do Céu, na sexta-feira, 25 de maio, o Auditório Ibirapuera recebe o espetáculo inédito Todo nó cego eu desato, preparado especialmente para o Encontro. O espetáculo reúne artistas convidados, músicos e contadores de histórias, além das crianças da Oca Escola Cultural, de Carapicuíba, com seus tambores e a narração de um romance da cultura popular brasileira.

Site do evento: www.bocadoceu.com.br

 

Contos de fadas x histórias reais: como as crianças aprendem mais?

Deena Skolnick Weisberg *

As crianças têm muito o que aprender. Pode se dizer que este é o propósito da infância: garantir às crianças um tempo protegido para que elas possam se concentrar em aprender como se comunicar, como o mundo ao seu redor funciona, que valores sua cultura considera importante e por aí vai. Dada a quantidade massiva de informação que as crianças precisam absorver, pareceria recomendado que eles passassem o máximo possível deste tempo engajadas em estudar seriamente as questões e problemas do mundo.

Ainda assim, qualquer um que já tenha passado tempo ao redor de crianças sabe que elas dificilmente têm a aparência de acadêmicos sérios e focados. Ao invés, as crianças passam muito do seu tempo cantando canções, correndo por aí, fazendo bagunça, isto é, brincando. Para além de participarem da grande alegria de descobrir como a estrutura do real funciona através de suas brincadeiras exploratórias, as crianças (como muitos adultos) também tendem a ser profundamente atraídas por jogos e histórias irreais. Elas fingem ter super poderes ou habilidades mágicas e imaginam interações com seres impossíveis, como sereias e dragões.

Por muito tempo, tanto pais como pesquisadores supuseram que esses “voos de fantasia” eram, na melhor das hipóteses, inofensivos episódios de diversão – talvez necessários para a descontração de quando em quando, mas sem qualquer propósito real. Na pior das hipóteses, alguns defendiam que tais momentos eram distrações perigosas da importante tarefa de entender o mundo real ou manifestações de uma confusão pouco saudável sobre a barreira entre realidade e ficção. Mas, agora, novos trabalhos no campo da ciência do desenvolvimento mostram que não apenas as crianças são plenamente capazes de separar realidade e ficção, mas também que a atração por situações fantásticas pode na verdade ser bastante útil para o aprendizado.

Eu me aproximei dessa perspectiva após testar diversas maneiras de ensinar novas palavras ao vocabulário de crianças da educação infantil na esperança de combater o déficit de linguagem que existe entre crianças de pré-escola de contextos sócioeconômicos altos e baixos. Para fazer meu estudo, minha equipe apresentou novas palavras de vocabulário ao longo de uma atividade de leitura compartilhada e depois reforçou os significados dessas palavras em sessões de brincadeiras tuteladas por adultos.

A intervenção foi bem sucedida e o entendimento das crianças das novas palavras melhorou – o que foi comprovado por testes feitos antes e depois da experiência. Mas o que foi mais interessante para nós foi a diferença entre os dois grupos de crianças deste estudo: aqueles cujas histórias descreviam temas realistas, como cozinhar, e aqueles cujas histórias descreviam temas fantásticos, como dragões. No começo do estudo, publicado em 2015 na revista Cognitive Development, as crianças sabiam menos sobre as palavras dos livros fantásticos, talvez, porque tais palavras eram mais desafiadoras. Mas vimos que o conhecimento lexical das crianças aumentou ao longo da intervenção e, nos pós-testes, elas sabiam tanto destas palavras quanto daquelas contidas nas histórias realísticas. Isso é, as crianças ganharam mais conhecimento das histórias fantásticas do que das realísticas.

Essa descoberta é surpreendente uma vez que confronta tudo que sabemos sobre aprendizado e transferência. Um grande montante da literatura na psicologia mostrou que quanto mais próximo o contexto de aprendizagem está do contexto onde a informação será usada, melhor. Isso sugere fortemente que livros realistas deveriam ajudar as crianças a aprender os significados das palavras melhor e reportá-los mais precisamente nos pós-testes. Mas nosso estudo mostrou exatamente o oposto: livros de fantasia, aqueles que eram menos próximos da realidade, permitiram que as crianças aprendessem melhor.

Em trabalhos mais recentes, nosso laboratório vem replicando este efeito. Um estudo em andamento está descobrindo que as crianças aprendem novos fatos sobre animais melhor, a partir de histórias fantásticas do que das realísticas. Outros pesquisadores, usando uma variedade de métodos e medidas, mostraram que representações de eventos aparentemente impossíveis podem ajudar as crianças a aprenderem. Por exemplo, crianças são mais preparadas para aceitar novas informações quando elas são surpreendidas – portanto, quando elas têm quebradas suas suposições sobre o mundo físico.

O que pode estar acontecendo? Talvez as crianças são mais engajadas e atentas, quando elas veem acontecimentos que desafiam seu entendimento de como o real funciona. Afinal, os acontecimentos nessas histórias fantásticas não são coisas que as crianças veem todos os dias. Então, talvez, elas prestem mais atenção, o que leva a mais aprendizado.

Uma possibilidade diferente – e mais rica – é que há algo sobre contextos fantásticos que é particularmente útil ao aprendizado. De tal perspectiva, a ficção fantástica pode fazer algo mais do que capturar o interesse das crianças melhor que a ficção realista. Em vez disso, a imersão em cenários onde elas precisam pensar sobre situações impossíveis podem engajar processamentos mais profundos, precisamente porque elas não podem tratar tais cenários como fariam com qualquer outra situação que encontram na realidade.

Elas precisam considerar cada evento com um olhar novo, perguntando se ele cabe no mundo da história e se ele se encaixa nas leis da realidade. Essa necessidade constante de avaliar a história pode gerar circunstâncias bastante próprias para o aprendizado.

Trabalhos futuros irão investigar todas essas possibilidades. Mas, por hora, é importante notar que nossas descobertas podem ter profundas implicações na educação. Mesmo que seja “somente” o fato de que crianças aprendem melhor em contextos fantásticos, porque tais contextos as ajudam a prestar mais atenção, nós podemos usar este fato para fazer melhores materiais didáticos que irão beneficiar todas as crianças.

*  Especialista da Universidade da Pensilvânia no Departamento de Psicologia

Artigo publicado originariamente no site Aeon

“A gota d’água”

Lançamento da Páginas Editora fala de resistência e coragem para as crianças.

Simone Prado (1)

Sábado, 19 de maio, a professora, contadora de história e escritora Simone de Almeida Prado, lança seu novo livro, dessa vez para crianças, “A gota d’água”, pela Páginas Editora. A história traz como personagem uma formiga que enfrenta vários desafios em sua jornada. Segundo a autora, é uma maneira lúdica para as crianças entenderem que não podemos desistir dos nossos objetivos mesmo que tenhamos obstáculos. Lançamento na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (antiga Luiz de Bessa), na Praça da Liberdade, de 9h às 12h.

Acostumada a inventar histórias, ela conta que a ideia surgiu há 22 anos. Nos momentos de lazer, comenta que ficava horas a procura de formigas e folhas no jardim. Desta forma, a inspiração veio quando precisava improvisar novas narrativas para fazer sua filha comer e começaram a se perguntar o que acontecia com as formigas quando as gotas d’água que caiam no quintal.

Aos poucos, o roteiro da trajetória de resiliência e coragem do personagem principal foi ganhando vida e as páginas do seu novo livro. “Com tudo isso, o objetivo foi de despertar também o interesse das crianças pela vida das formigas e sensibilizá-las sobre a necessidade de melhor usar os recursos naturais e cuidar na natureza”, conta Simone.

Escritora Simone de Almeida Prado

Escritora Simone de Almeida Prado

Os livros infantis sempre chamaram sua atenção, sobretudo, pelas ilustrações. Encantou tanto que decidiu estudar outras técnicas de ilustração. “Logo que comecei a dar aulas veio o vício pelos livros e seus desenhos, queria trazer a literatura para a arte”, ressalta a autora.  A escolha definitiva da técnica veio depois de participar do curso com a ilustradora Janains Toquinaka, em São Paulo.

Os personagens e imagens de “A gota d’água”, portanto, foram criados usando a colagem, com desenhos à mão, coloridos e, posteriormente, colados numa superfície para em seguida serem inseridos em programa de edição de imagens no computador. Dar vida a um livro infantil é um desejo antigo para Simone. Como professora, ela sempre quis aproximar as crianças dos autores e poder escrever e ilustrar “A gota d’água”  lhe deu esta oportunidade.

Simone de Almeida Prado é formada em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), é professora e contadora de histórias. É autora também de “Versos entre linhas, cores e pontos”, publicado em 2017.

As mudanças no Prêmio Jabuti deste ano

Prêmio Jabuti, em sua 60ª edição, anuncia mudanças voltadas ao leitor e ao mercado, entre elas a criação de uma nova categoria chamada “Formação de Novos Leitores”, facilidades para autores independentes e outro tratamento para ilustração e a literatura infantil. Mas nem todas as mudanças foram bem recebidas…

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O Prêmio Jabuti comemora 60 anos em 2018. A maior premiação literária do Brasil está com as inscrições abertas para todas as categorias , desde o dia 15 de maio e prosseguem até  28 de junho. Entre as novidades anunciadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Jabuti, estão uma nova categoria, dedicada a ações de incentivo à leitura, além de inscrições diferenciadas e mais acessíveis para os autores independentes, dentro do processo de democratização e inclusão do Prêmio Jabuti. Os finalistas de cada categoria serão anunciados pela CBL e a premiação ocorrerá no dia 8 de novembro, às 19h no Auditório do Ibirapuera.

O objetivo do Prêmio é incentivar a leitura entre os brasileiros e, nesse sentido, foi criada uma nova categoria que vai premiar ações, projetos e iniciativas que despertem e sustentem o interesse pela leitura, categoria denominada “Formação de Novos Leitores”. Em paralelo, os autores independentes ganham com as mudanças, não só pelo anúncio de uma inscrição mais barata exclusiva para quem não tem editora, mas também por que a entrega dos livros passa a ser realizada em formato digital (PDF) com exceção de algumas categorias técnicas, o que vai baratear o processo também para as editoras.

“Estamos atentos à evolução do mercado e consideramos ser muito importante atualizar a premiação para torná-la ainda mais democrática, ágil e inclusiva, prestigiando o mercado e aproximando-a do leitor. Mais do que nunca, nosso foco está voltado ao público final, em busca do nosso grande objetivo, que é a disseminação da leitura entre os brasileiros”, explica o presidente da CBL, Luís Antonio Torelli.

As categorias do Prêmio Jabuti foram reorganizadas em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Inovação e Livro. As categorias foram racionalizadas e qualificadas para que o Prêmio seja ainda mais abrangente e, dentro desse processo, foi criado o eixo “Ensaios”, substituindo os gêneros específicos. O livro físico, como objeto, também passa a ser mais valorizado neste processo, uma vez que um dos eixos, o “Livro”, é dedicado apenas a premiações que envolvem o produto físico, como “Projeto Gráfico”, “Capa”, “Ilustração” e “Impressão”, novidade que avaliará a qualidade do acabamento da obra. Para as categorias deste eixo, será necessária a entrega do livro físico. Para as demais, apenas em PDF.

Para prestigiar ainda mais os primeiros colocados de cada categoria, a partir de 2018 o Jabuti passa a ter somente um vencedor por categoria. E, por fim, haverá um grande vencedor (Livro do Ano) do Prêmio Jabuti, que poderá ser tanto de Ficção quanto de Não Ficção. Concorrem ao “Livro do Ano” todos os livros vencedores das categorias dos eixos “Ensaios” e “Literatura”.

Novidade da edição de 2017 do Prêmio, a categoria de “Histórias em Quadrinhos” foi mantida no formato do Prêmio e faz parte do eixo “Literatura”, junto a outras seis categorias: “Romance”, “Poesia”, “Conto”, “Crônica”, “Infantil e Juvenil”, “Tradução”.

Após a avaliação dos jurados, a CBL fará o anúncio dos dez finalistas de cada categoria e os primeiros colocados em cada categoria serão revelados somente no dia da cerimônia de premiação. Apenas a auditoria Ecovis Pemon terá acesso aos finalistas antes do anúncio. Os prêmios em dinheiro agora são maiores: R$ 100.000 ao “Livro do Ano” e R$ 5.000 ao ganhador de cada categoria individual. Os valores são entregues ao autor juntamente com a estatueta e a editora também recebe uma estatueta. No caso de mais de um autor, o prêmio em dinheiro é dividido igualmente entre eles.

O Conselho Curador é liderado pelo curador Luiz Armando Bagolin, filósofo, docente da Universidade de São Paulo e diretor da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016. Os quatro conselheiros são: Mariana Mendes, Tarcila Lucena, Pedro Almeida e Jair Marcatti. Cada categoria contará com três jurados responsáveis pela avaliação das obras. Os jurados poderão ser indicados pelo mercado editorial e a validação deles é feita pelo Conselho Curador.

Novo formato

Eixo Literatura: Romance, Poesia, Conto, Crônica, Infantil e Juvenil, Tradução e HQ.

Eixo Ensaios: Biografia, Humanidades, Ciências, Artes e Economia Criativa.

Eixo Livro: Projeto Gráfico, Capa, Ilustração e Impressão.

Eixo Inovação: Formação de novos leitores e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.

Valor das inscrições: R$ 285,00 para associados da CBL e R$ 327,00 para autor independente, ou seja, autor (Pessoa Física) que se autopublica e não está abrigado por nenhum selo de editora ou quaisquer Pessoas Jurídicas.

R$ 370,00 para associados de entidades congêneres. R$ 430,00 para não associados.

Em caso de coleção, os valores são: R$ 440,00 para associados da CBL; R$ 457,00 para autor independente; R$ 475,00 para associados de entidades congêneres; e R$ 515,00 para não associados.

Além do valor em dinheiro, todos os vencedores recebem a estatueta do Prêmio Jabuti. Grande Prêmio Jabuti: R$ 100.000.  Categorias em cada um dos quatro eixos: R$ 5.000.

Descontentamento

Logo após a divulgação do novo formato do prêmio, ilustradores consagrados e premiados manifestaram em suas páginas do Facebook ou em comentários o descontentamento com o atual tratamento dado à ilustração, até então, julgada como uma categoria independente e, agora, inserida junto com Projeto Gráfico, Capa e Impressão.  Também não agradou o fato do prêmio ter juntado literatura infantil com a juvenil até então avaliadas em categorias diferentes e de forma independente.

Renato Moriconi escreveu: “Absurda essa mudança no Prêmio Jabuti. Colocar ilustração numa categoria que avalia o produto físico, o acabamento, reforça a ideia de que no mundo do livro o conteúdo está ligado à palavra e reduz as artes visuais apenas a uma funcionalidade ornamental e técnica. É um pensamento contrário à produção contemporânea, especialmente em literatura infantil, aquela que mais explicitou a força da imagem na narrativa literária e que nesse novo Jabuti acabou sendo colocada no mesmo saco da literatura juvenil, que é outro absurdo cometido pelos responsáveis por esse novo prêmio.
Muito me espanta um posicionamento como esse ter vindo de um curador especialista em Estética e História da Arte”.  Ainda segundo ele, “Um prêmio que qualifica quadrinhos como literatura e ilustração como ‘acabamento’ é no mínimo contraditório.

“O livro visto como um produto e não como uma experiência. Um olhar fechado, limitante e violento, comentou a ilustradora Anabella López.

Regina Rennó também se manifestou: “A nova edição do Premio Jabuti menospreza o artista visual e a arte de contar em imagens. Sou ilustradora e artista plástica com muito orgulho e abomino essa atitude da CBL. A imagem é a linguagem sem fronteira!

E Marilda Castanha comentou: “Muito triste sim, Regina. Mas ao mesmo tempo estas mudanças (com toda indignação que ela trouxe) estão provocando conversas e discussões bem interessantes sobre tudo isto. A vontade é fazer deste ‘limão’ uma limonada…

Duas novidades da Turma da Mônica

A primeira novidade  se refere ao lançamento de uma coleção para falar de dinheiro com as crianças e a outra avisa que, a partir do dia 7 de julho, Mauricio de Sousa vai levar sua turma para um grande espetáculo, que vai percorrer todo o Brasil: o Circo da Mônica.

image003Mas qual o motivo de a Turma da Mônica ganhar uma coleção especial para tratar de dinheiro?

A educação financeira não é uma realidade no Brasil. Nas escolas, o assunto é pouco debatido e a situação não é diferente no ambiente familiar ou empresarial. Um levantamento realizado em abril deste ano, em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revelou que somente 44% dos brasileiros falam frequentemente sobre dinheiro com os membros da família. E que 39% só entram nesse assunto quando a situação financeira já está ruim. Além disso, a pesquisa também apontou que seis em cada dez brasileiros (58%) não gostam de dedicar tempo para cuidar das próprias finanças.

Por outro lado, uma série de estudos mostra que, quanto mais cedo se fala de dinheiro, mais chances os cidadãos têm de desenvolver consciência em relação aos seus hábitos de consumo. Para ajudar a reverter esse quadro, o Sicredi – primeira instituição financeira cooperativa do Brasil – lança, em parceria com a Mauricio de Sousa Produções (MSP), uma série especial de revistas em quadrinhos da Turma da Mônica com a temática “educação financeira para crianças”.

No total, serão seis edições, que seguem o conteúdo do Caderno de Educação Financeira e Gestão de Finanças Pessoais do BACEN: Nossa Relação com o Dinheiro; Orçamento Pessoal ou Familiar; Uso do Crédito e Administração das Dívidas; Consumo Planejado e Consciente; Poupança e Investimento; e Prevenção e Proteção. As primeiras três edições das histórias em quadrinhos circulam em 2018 e as outras três sairão em 2019.

Mauricio de Sousa ressalta a importância de tratar temas importantes como esse de forma lúdica e descontraída. “O projeto das revistas sobre educação financeira do Sicredi é mais um exemplo de como a Turma da Mônica colabora com a educação, por meio da simpatia e carisma dos personagens e suas histórias. Dessa forma, as crianças têm acesso à informação de maneira lúdica e prazerosa, diferente da obrigação de decorar um conteúdo, normalmente estranho à sua realidade e ao seu vocabulário”, aponta.

Superprodução Circo Turma da Mônica

TurmadaMônica2Maior espetáculo já produzido nos estúdios da Maurício de Sousa Produções, Circo da Turma da Mônica – O Primeiro Circo do Novo Mundo, já tem data para estrear: será no dia 7 de julho, em São Paulo, no Teatro Opus do Shopping Villa Lobos.

A temporada se estende por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Recife, Brasília, Curitiba, Natal, Fortaleza, Porto Alegre. As vendas já estão abertas por meio do site www.circoturmadamonica.com.br e nas bilheterias dos teatros.

hqdefaultCom supervisão geral de Mauricio de Sousa e participação mais que especial do eterno trapalhão Dedé Santana como mestre de cerimônia, além de Rodrigo Robleño, reconhecido internacionalmente por seu trabalho no espetáculo Varekai do Circo Du Soleil, o Circo da Turma da Mônica – O Primeiro Circo do Novo Mundo é um espetáculo que promete encantar e surpreender o público pela sua grandiosidade.

Quem está à frente como produtor e diretor geral é Mauro Sousa, que lidera a Mauricio de Sousa Ao Vivo, responsável por transformar as histórias em quadrinhos em experiências lúdicas, educativas e culturais. Com duração de 1h20 e 15 minutos intervalo, a classificação é livre, recomendada para maiores de 3 anos de idade.

Clássicos literários em edição moderninha

Editora Panda Books lança neste mês uma coleção especial dedicada aos jovens, “Os clássicos”, numa primeira fase, com quatro livros: “O cortiço”, de Aluísio Azevedo; “Memórias de um sargento de milícias”, de Manuel Antônio de Almeida; “Iracema”, de José de Alencar e “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

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Está mais fácil se preparar para os vestibulares se os concursos contêm em sua lista de leitura obrigatória obras que estão na coleção “Os Clássicos” lançada pela editora Panda Books. Clássicos da literatura nacional são obras-primas riquíssimas em conteúdo e linguagem, que ficaram marcadas na nossa história como importantes instrumentos de expressão cultural e crítica social. Mas, apesar de saber seu valor, tem muita gente que trava quando começa a ler algo escrito em outra época, cheio de palavras e expressões que já caíram em desuso. Agora, o leitor não tem mais que se preocupar com isso.

Já são quatro livros no catálogo: “O cortiço” (Aluísio Azevedo), “Iracema” (José de Alencar),” Memórias de um sargento de milícias” (Manuel Antônio de Almeida) e “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis). Todos eles trazem o texto integral do autor mais mapa de personagens, ilustrações, fotos, explicações e notas informativas que proporcionam uma boa carga de informação sobre a cultura da época em que o livro foi publicado e facilitam o entendimento do texto, traduzindo a linguagem rebuscada para aquela que até o leitor mais preguiçoso é capaz de compreender. A responsável por esse conteúdo extra é Fátima Mesquita, jornalista e escritora de livros infantis e infantojuvenis.

Quem lê a edição da Panda Books de “O cortiço”, por exemplo, não precisa desvendar o significado de expressões como “não bula!”. A explicação vem de mão beijada e é apenas um jeitinho de dizer “não enche!”

“Iracema” é recheada de informações sobre a cultura indígena tão explorada na obra de José de Alencar. Para chamar a atenção de adolescentes, Fátima Mesquita descreve os patuscos de “Memórias de um sargento de milícias” como “caras baladeiros que se amarravam em curtir a night”. Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, logo se revela que “terços de infantaria” nada têm a ver com reza e era, na verdade, o nome dado a um bando de soldados dentro de uma organização do exército.”

Os livros mostram-se ainda mais adaptados aos dias atuais ao se apropriar dos ícones de populares redes sociais e ferramentas da internet – Facebook, Twitter, Google e YouTube – para organizar as notas comentadas. Ao avistar o logo do Facebook, por exemplo, o leitor já sabe que encontrará imagens para contextualizá-lo na trama; quando surge o logo do Google, trata-se de uma sugestão de pesquisa; comentários curtos e bem-humorados são indicados com o passarinho do Twitter e a marca do YouTube indica sugestões de vídeos para o leitor assistir on-line.

Além do conteúdo exclusivo, a coleção preza pelo design diferenciado. Capas cheias de cores, diferentes estilos de ilustrações, um encarte com o mapa dos personagens e páginas com diagramação caprichosa contribuem para atrair o jovem e deixar a leitura ainda mais agradável. Os fãs da coleção podem aguardar novidades: a editora já estuda a escolha do próximo título.

Autores famosos

o cortiçoAluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em 1857, em São Luís. Atuou como jornalista, romancista, contista e caricaturista. Foi crítico impiedoso da sociedade e das instituições brasileiras. Criou o naturalismo no Brasil. É o autor de Casa de Pensão (1884) e O Mulato (1881). Faleceu em 1913, em Buenos Aires.

Aluísio Azevedo retrata as péssimas condições de vida dos moradores dos cortiços cariocas no romance “O cortiço” estrelado por dois imigrantes portugueses. A linguagem rebuscada do autor naturalista do século XIX é traduzida para os dias de hoje por meio das notas comentada. O livro custa R$ 42,90.

iracemaJosé de Alencar nasceu em 1829, no Ceará. Formado em direito, atuou como advogado, político, dramaturgo e escritor. Produziu clássicos romances urbanos, como Senhora (1875), regionalistas, como O gaúcho (1870), e históricos, como Guerra dos Mascates (1873). Morreu em 1877, no Rio de Janeiro.

Em “Iracema”, José de Alencar conta a história da fundação do estado do Ceará por meio da lenda de Iracema, a “virgem dos lábios de mel”. Nesta edição com o texto integral, a linguagem rebuscada do autor nacionalista do século XIX é traduzida para os dias de hoje por meio das notas comentadas. O livro custa R$ 37,90.

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIASManuel Antônio de Almeida nasceu em 1830, no Rio de Janeiro. Filho de uma família pobre, estudou medicina, enquanto pagava as contas trabalhando como escritor. Vítima de um naufrágio aos 31 anos, publicou o único romance, “Memórias de um sargento de milícias, clássico da literatura brasileira.

Neste romance, Manuel Antônio de Almeida conta as aventuras do anti-herói Leonardo, típico malandro. Com linguagem coloquial e narrativa envolvente, a obra, precursora do Realismo, é um retrato da sociedade carioca do século XIX. O livro custa R$ 39,90.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBASMachado de Assis nasceu em 1839, no Rio de Janeiro. É considerado um dos maiores nomes da literatura no Brasil, tendo escrito em praticamente todos os gêneros literários. Entre suas principais obras estão Dom Casmurro e Quincas Borba.

Nascido numa típica família da elite carioca do século XIX, Brás Cubas (de “Memórias póstumas de Brás Cubas”), escreve, do túmulo, suas memórias. A linguagem audaciosa e irônica do texto publicado em 1881 é traduzida para os dias de hoje por meio das notas comentadas. O livro custa R$ 46,90.

A comentarista dos livros, Fátima Mesquita, é jornalista e escritora de livros infantis e infantojuvenis. Publicou, entre outras obras, o Almanaque de puns, melecas e coisas nojentasA incrível fábrica de xixi, cocô e pum e Piratas – os personagens mais terríveis da história, todos pela editora Panda Books.

“Os contos de Mamãe Gansa”

untitled 3O Dia das Mães me faz lembrar da mãe mais famosa e antiga da literatura562031c7-6b23-4fa7-bc20-70b94bb95981 infantil: a Mamãe Gansa, uma figura usada como modelo de uma “mãe” que se reúne com filhos para narrar histórias. Foi assim que o escritor Charles Perrault a concebeu e Gustave Doré desenhou. O livro “Os contos de Mamãe Gansa” é muito antigo e, por isso, já tem várias edições no mercado. Reúne as mais tradicionais histórias, que vêm se perpetuando através dos tempos, e fazendo muitas gerações de crianças felizes.

 

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa *

Charles Perrault, membro da Academia Francesa, nasceu em Paris no ano de 1628. Escritor e poeta, Perrault é considerado o Pai da Literatura Infantil. Deu-lhe, por assim dizer, o selo de qualidade que ela necessitava ao reunir em um livro histórias às quais deu o nome de “Histórias ou Contos de Tempos Idos Com Fundo Moral”, com o subtítulo “Contos da Minha Mãe Gansa”.

mother-goose_2_3A Mamãe Gansa, como ficou mais conhecida no Brasil, era personagem muito antigo no folclore europeu, a velha da aldeia que contava histórias mágicas para as crianças. Perrault, ao escrever seu livro, resolveu atribuir as histórias a essa figura já muito conhecida dos pequenos. Nenhum dos contos era original. Bastante conhecidos, passavam de geração em geração. Perrault deu-lhes o tratamento literário que fez de seu livro uma das obras-primas da literatura universal.

Gustave Doré nasceu em 1832, na cidade de Estrasburgo. Foi um dos maiores ilustradores de todos os tempos. 204 anos depois do seu nascimento aconteceu o que raramente acontece: a maturidade artística de um ilustrador coincidir com o súbito interesse de colecionadores por reedições, ilustradas, de obras-primas da Literatura Universal. Seu trabalho enriqueceu edições de obras-primas da literatura, como A Comédia, de Dante, Don Quixote de la Mancha, de Cervantes e muitos outros.

mamae gansaEm 1862, Stahl-Hetzel, editores em Paris, resolveram lançar, com o título Os Contos de Perrault, o livro de Perrault ilustrado por Doré. O que fez de “Os Contos da Minha Mãe Gansa” uma edição cobiçada até hoje (o livro leva a assinatura do filho de Charles, Pierre Perrault).

As gravuras de Gustave Doré descrevem de modo excepcional todo o espírito fantástico, absurdo e encantador dos contos de fada que até hoje intrigam, assustam e divertem as crianças e… os adultos que não desaprenderam a sonhar.

*  Professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.

“Canastra de Histórias” etc

Museu dos Brinquedos apresenta, em Belo Horizonte, atração especial de Dia das Mães na manhã e tarde deste sábado, 12 de maio. Destaque para o reconhecido trabalho de Bárbara Amaral, “Canastra de Histórias”, que chega ao Museu com uma versão especial para a data.

Bárbara Amaral e o espetáculo sobre literatura brasileira - Foto: Divulgação

Bárbara Amaral e o espetáculo sobre literatura brasileira – Foto: Divulgação

O Dia das Mães está chegando e o Museu dos Brinquedos preparou uma programação especial para comemorar. No próximo sábado, dia 12, Bárbara Amaral, artista, narradora de histórias e arte educadora, vai retratar lendas, folclore, cantigas, danças, mitos e as parlendas por meio de músicas, rimas e brincadeiras populares. Ao longo do dia, as crianças ainda poderão participar de uma oficina para construir um presentinho para sua mamãe.

A “Canastra de Histórias” é inspirada na obra do historiador e antropólogo Luís Câmara Cascudo e Ricardo Azevedo e por trás de todo esse espetáculo, sua intenção é divulgar e valorizar a literatura oral brasileira, melhorar a relação entre crianças e adultos, e ainda trabalhar com diversos temas recorrentes em nossa sociedade, como natureza, diversidade, respeito, entre outros. A apresentação será na sede do museu, Av. Afonso Pena, 2564 em Belo Horizonte.

Além da programação especial de Dia das Mães, durante todo o horário de funcionamento do Museu (das 10h às 17h), é possível conferir a exposição histórica de brinquedos do acervo do Museu; exposição itinerante “Gambiogame – História e desafios dos jogos eletrônicos”; pátio de brinquedos e brincadeiras; oficinas de brinquedos tradicionais; e brinquedoteca.

Programação do sábado

10h às 16h: Exposição de brinquedos, brinquedoteca e pátio de brinquedos tradicionais.

11h e 15h: Oficina de produção de presente para a mamãe

11h30 e 15h30: Brincadeiras coletivas no pátio

16h: Canastra de Histórias, com Bárbara Amaral

17h: Encerramento

Aberto de segunda a sábado e nos feriados, das 10 às 17h, o Museu dos Brinquedos é apoiado pelo Instituto Unimed-BH e pela Companhia de Gás de Minas Gerais – Gasmig, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.  O ingresso custa R$ 24, com meia entrada, para permanência no local durante todo o horário de funcionamento.

Mais informações pelo site http://www.museudosbrinquedos.org.br/ ou telefones (31) 3261-3992 e 3146 9633.