As mudanças no Prêmio Jabuti deste ano

Prêmio Jabuti, em sua 60ª edição, anuncia mudanças voltadas ao leitor e ao mercado, entre elas a criação de uma nova categoria chamada “Formação de Novos Leitores”, facilidades para autores independentes e outro tratamento para ilustração e a literatura infantil. Mas nem todas as mudanças foram bem recebidas…

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O Prêmio Jabuti comemora 60 anos em 2018. A maior premiação literária do Brasil está com as inscrições abertas para todas as categorias , desde o dia 15 de maio e prosseguem até  28 de junho. Entre as novidades anunciadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Jabuti, estão uma nova categoria, dedicada a ações de incentivo à leitura, além de inscrições diferenciadas e mais acessíveis para os autores independentes, dentro do processo de democratização e inclusão do Prêmio Jabuti. Os finalistas de cada categoria serão anunciados pela CBL e a premiação ocorrerá no dia 8 de novembro, às 19h no Auditório do Ibirapuera.

O objetivo do Prêmio é incentivar a leitura entre os brasileiros e, nesse sentido, foi criada uma nova categoria que vai premiar ações, projetos e iniciativas que despertem e sustentem o interesse pela leitura, categoria denominada “Formação de Novos Leitores”. Em paralelo, os autores independentes ganham com as mudanças, não só pelo anúncio de uma inscrição mais barata exclusiva para quem não tem editora, mas também por que a entrega dos livros passa a ser realizada em formato digital (PDF) com exceção de algumas categorias técnicas, o que vai baratear o processo também para as editoras.

“Estamos atentos à evolução do mercado e consideramos ser muito importante atualizar a premiação para torná-la ainda mais democrática, ágil e inclusiva, prestigiando o mercado e aproximando-a do leitor. Mais do que nunca, nosso foco está voltado ao público final, em busca do nosso grande objetivo, que é a disseminação da leitura entre os brasileiros”, explica o presidente da CBL, Luís Antonio Torelli.

As categorias do Prêmio Jabuti foram reorganizadas em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Inovação e Livro. As categorias foram racionalizadas e qualificadas para que o Prêmio seja ainda mais abrangente e, dentro desse processo, foi criado o eixo “Ensaios”, substituindo os gêneros específicos. O livro físico, como objeto, também passa a ser mais valorizado neste processo, uma vez que um dos eixos, o “Livro”, é dedicado apenas a premiações que envolvem o produto físico, como “Projeto Gráfico”, “Capa”, “Ilustração” e “Impressão”, novidade que avaliará a qualidade do acabamento da obra. Para as categorias deste eixo, será necessária a entrega do livro físico. Para as demais, apenas em PDF.

Para prestigiar ainda mais os primeiros colocados de cada categoria, a partir de 2018 o Jabuti passa a ter somente um vencedor por categoria. E, por fim, haverá um grande vencedor (Livro do Ano) do Prêmio Jabuti, que poderá ser tanto de Ficção quanto de Não Ficção. Concorrem ao “Livro do Ano” todos os livros vencedores das categorias dos eixos “Ensaios” e “Literatura”.

Novidade da edição de 2017 do Prêmio, a categoria de “Histórias em Quadrinhos” foi mantida no formato do Prêmio e faz parte do eixo “Literatura”, junto a outras seis categorias: “Romance”, “Poesia”, “Conto”, “Crônica”, “Infantil e Juvenil”, “Tradução”.

Após a avaliação dos jurados, a CBL fará o anúncio dos dez finalistas de cada categoria e os primeiros colocados em cada categoria serão revelados somente no dia da cerimônia de premiação. Apenas a auditoria Ecovis Pemon terá acesso aos finalistas antes do anúncio. Os prêmios em dinheiro agora são maiores: R$ 100.000 ao “Livro do Ano” e R$ 5.000 ao ganhador de cada categoria individual. Os valores são entregues ao autor juntamente com a estatueta e a editora também recebe uma estatueta. No caso de mais de um autor, o prêmio em dinheiro é dividido igualmente entre eles.

O Conselho Curador é liderado pelo curador Luiz Armando Bagolin, filósofo, docente da Universidade de São Paulo e diretor da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016. Os quatro conselheiros são: Mariana Mendes, Tarcila Lucena, Pedro Almeida e Jair Marcatti. Cada categoria contará com três jurados responsáveis pela avaliação das obras. Os jurados poderão ser indicados pelo mercado editorial e a validação deles é feita pelo Conselho Curador.

Novo formato

Eixo Literatura: Romance, Poesia, Conto, Crônica, Infantil e Juvenil, Tradução e HQ.

Eixo Ensaios: Biografia, Humanidades, Ciências, Artes e Economia Criativa.

Eixo Livro: Projeto Gráfico, Capa, Ilustração e Impressão.

Eixo Inovação: Formação de novos leitores e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.

Valor das inscrições: R$ 285,00 para associados da CBL e R$ 327,00 para autor independente, ou seja, autor (Pessoa Física) que se autopublica e não está abrigado por nenhum selo de editora ou quaisquer Pessoas Jurídicas.

R$ 370,00 para associados de entidades congêneres. R$ 430,00 para não associados.

Em caso de coleção, os valores são: R$ 440,00 para associados da CBL; R$ 457,00 para autor independente; R$ 475,00 para associados de entidades congêneres; e R$ 515,00 para não associados.

Além do valor em dinheiro, todos os vencedores recebem a estatueta do Prêmio Jabuti. Grande Prêmio Jabuti: R$ 100.000.  Categorias em cada um dos quatro eixos: R$ 5.000.

Descontentamento

Logo após a divulgação do novo formato do prêmio, ilustradores consagrados e premiados manifestaram em suas páginas do Facebook ou em comentários o descontentamento com o atual tratamento dado à ilustração, até então, julgada como uma categoria independente e, agora, inserida junto com Projeto Gráfico, Capa e Impressão.  Também não agradou o fato do prêmio ter juntado literatura infantil com a juvenil até então avaliadas em categorias diferentes e de forma independente.

Renato Moriconi escreveu: “Absurda essa mudança no Prêmio Jabuti. Colocar ilustração numa categoria que avalia o produto físico, o acabamento, reforça a ideia de que no mundo do livro o conteúdo está ligado à palavra e reduz as artes visuais apenas a uma funcionalidade ornamental e técnica. É um pensamento contrário à produção contemporânea, especialmente em literatura infantil, aquela que mais explicitou a força da imagem na narrativa literária e que nesse novo Jabuti acabou sendo colocada no mesmo saco da literatura juvenil, que é outro absurdo cometido pelos responsáveis por esse novo prêmio.
Muito me espanta um posicionamento como esse ter vindo de um curador especialista em Estética e História da Arte”.  Ainda segundo ele, “Um prêmio que qualifica quadrinhos como literatura e ilustração como ‘acabamento’ é no mínimo contraditório.

“O livro visto como um produto e não como uma experiência. Um olhar fechado, limitante e violento, comentou a ilustradora Anabella López.

Regina Rennó também se manifestou: “A nova edição do Premio Jabuti menospreza o artista visual e a arte de contar em imagens. Sou ilustradora e artista plástica com muito orgulho e abomino essa atitude da CBL. A imagem é a linguagem sem fronteira!

E Marilda Castanha comentou: “Muito triste sim, Regina. Mas ao mesmo tempo estas mudanças (com toda indignação que ela trouxe) estão provocando conversas e discussões bem interessantes sobre tudo isto. A vontade é fazer deste ‘limão’ uma limonada…

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