“O outro lado da bola”

Autores fazem pré-lançamento de “O outro lado da bola” no Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.

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Nesta quinta-feira, dia 31, os autores Alê Braga e Alvaro Campos participam do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em Belo Horizonte  para o pré-lançamento de “O outro lado da bola” no estande da Casa dos Quadrinhos, a partir das 15h. A graphic novel narra história de um craque do futebol e ídolo da seleção que resolveu se declarar homossexual depois do assassinato de um ex-namorado.

Na trama, o protagonista Cris vê sua vida pessoal e sua carreira virarem de ponta cabeça com a reação de colegas, patrocinadores e torcida.

“A ideia é mostrar um lado do esporte que existe de fato. E que reflete muito uma realidade do país que acreditamos que precisa mudar. Onde a impunidade sempre existiu, e a paixão pelo futebol sempre a mascarou. Obviamente, existem pessoas e organizações sérias no esporte. Mas outras…”, defendem Alê Braga e Alvaro Campos, que dividem a autoria do livro com o ilustrador Jean Diaz.

Os autores explicam como foi o processo de trabalho até chegar ao livro: desde a criação da história – assinada por dois autores – até a arte de Jean Diaz. Segundo eles, “o argumento inicial foi criado por Álvaro Campos. A partir daí, houve uma série de discussões com Alê Braga sobre a ideia principal até que a sinopse foi desenvolvida. Cada capítulo foi discutido em termos de conteúdo e um dos dois desenvolvia o roteiro e depois dividia com o outro, para comentários. A partir do texto fechado, começava a discussão com Jean sobre como ilustrar cada página”.

Com um tema tão polêmico como ainda é a homossexualidade no futebol, os autores analisam: “os xingamentos usados no estádio, contra adversários e árbitros, sempre foram machistas e relacionados à homossexualidade, e considerados absolutamente normais e corriqueiros. As crianças aprendem a xingar nos estádios, com palavras sempre ligadas à homossexualidade. Se hoje a sociedade recebe o tema de uma forma muito mais natural em diversas áreas profissionais, no futebol a situação parece estar décadas atrasada”.

thumbnail_9788501104687Mas não temem nenhuma retaliação pelo lançamento, pois “o livro é uma ficção. O clube é um time inventado, os jogadores, dirigentes, patrocinadores, são todos sem relação com a realidade. A história pode denunciar fatos que acontecem no esporte, mas não em algum local específico, ou com algum atleta em especial. Existem torcidas, clubes, dirigentes e atletas sérios e existem os que fazem do futebol um disfarce para o crime. Não acreditamos que haja qualquer retaliação, porque se alguém se sentir ofendido estará assumindo uma similaridade com a ficção. Esperamos que haja, ao contrário, uma reação positiva. O primeiro ídolo e o primeiro clube que encararem algo tão normal como a homossexualidade de um atleta, na nossa opinião, só terão um espaço muito positivo marcado na história do esporte e do país. Aliás, adoraríamos receber de clubes o apoio ao livro e às causas nele retratadas”.

Nas livrarias em junho pela Record, a HQ mostra, de forma bela e pungente, uma estrutura entranhada de preconceito e corrupção.

Alê Braga e Alvaro Campos

15h – estande da Casa dos Quadrinhos – FIQ 2018

Serraria Souza Pinto – Av. Assis Chateaubriand, 809, Belo Horizonte

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