“A gota d’água”

Lançamento da Páginas Editora fala de resistência e coragem para as crianças.

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Sábado, 19 de maio, a professora, contadora de história e escritora Simone de Almeida Prado, lança seu novo livro, dessa vez para crianças, “A gota d’água”, pela Páginas Editora. A história traz como personagem uma formiga que enfrenta vários desafios em sua jornada. Segundo a autora, é uma maneira lúdica para as crianças entenderem que não podemos desistir dos nossos objetivos mesmo que tenhamos obstáculos. Lançamento na Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais (antiga Luiz de Bessa), na Praça da Liberdade, de 9h às 12h.

Acostumada a inventar histórias, ela conta que a ideia surgiu há 22 anos. Nos momentos de lazer, comenta que ficava horas a procura de formigas e folhas no jardim. Desta forma, a inspiração veio quando precisava improvisar novas narrativas para fazer sua filha comer e começaram a se perguntar o que acontecia com as formigas quando as gotas d’água que caiam no quintal.

Aos poucos, o roteiro da trajetória de resiliência e coragem do personagem principal foi ganhando vida e as páginas do seu novo livro. “Com tudo isso, o objetivo foi de despertar também o interesse das crianças pela vida das formigas e sensibilizá-las sobre a necessidade de melhor usar os recursos naturais e cuidar na natureza”, conta Simone.

Escritora Simone de Almeida Prado

Escritora Simone de Almeida Prado

Os livros infantis sempre chamaram sua atenção, sobretudo, pelas ilustrações. Encantou tanto que decidiu estudar outras técnicas de ilustração. “Logo que comecei a dar aulas veio o vício pelos livros e seus desenhos, queria trazer a literatura para a arte”, ressalta a autora.  A escolha definitiva da técnica veio depois de participar do curso com a ilustradora Janains Toquinaka, em São Paulo.

Os personagens e imagens de “A gota d’água”, portanto, foram criados usando a colagem, com desenhos à mão, coloridos e, posteriormente, colados numa superfície para em seguida serem inseridos em programa de edição de imagens no computador. Dar vida a um livro infantil é um desejo antigo para Simone. Como professora, ela sempre quis aproximar as crianças dos autores e poder escrever e ilustrar “A gota d’água”  lhe deu esta oportunidade.

Simone de Almeida Prado é formada em Artes Plásticas pela Universidade Estadual de Minas Gerais (UEMG), é professora e contadora de histórias. É autora também de “Versos entre linhas, cores e pontos”, publicado em 2017.

As mudanças no Prêmio Jabuti deste ano

Prêmio Jabuti, em sua 60ª edição, anuncia mudanças voltadas ao leitor e ao mercado, entre elas a criação de uma nova categoria chamada “Formação de Novos Leitores”, facilidades para autores independentes e outro tratamento para ilustração e a literatura infantil. Mas nem todas as mudanças foram bem recebidas…

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O Prêmio Jabuti comemora 60 anos em 2018. A maior premiação literária do Brasil está com as inscrições abertas para todas as categorias , desde o dia 15 de maio e prosseguem até  28 de junho. Entre as novidades anunciadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Jabuti, estão uma nova categoria, dedicada a ações de incentivo à leitura, além de inscrições diferenciadas e mais acessíveis para os autores independentes, dentro do processo de democratização e inclusão do Prêmio Jabuti. Os finalistas de cada categoria serão anunciados pela CBL e a premiação ocorrerá no dia 8 de novembro, às 19h no Auditório do Ibirapuera.

O objetivo do Prêmio é incentivar a leitura entre os brasileiros e, nesse sentido, foi criada uma nova categoria que vai premiar ações, projetos e iniciativas que despertem e sustentem o interesse pela leitura, categoria denominada “Formação de Novos Leitores”. Em paralelo, os autores independentes ganham com as mudanças, não só pelo anúncio de uma inscrição mais barata exclusiva para quem não tem editora, mas também por que a entrega dos livros passa a ser realizada em formato digital (PDF) com exceção de algumas categorias técnicas, o que vai baratear o processo também para as editoras.

“Estamos atentos à evolução do mercado e consideramos ser muito importante atualizar a premiação para torná-la ainda mais democrática, ágil e inclusiva, prestigiando o mercado e aproximando-a do leitor. Mais do que nunca, nosso foco está voltado ao público final, em busca do nosso grande objetivo, que é a disseminação da leitura entre os brasileiros”, explica o presidente da CBL, Luís Antonio Torelli.

As categorias do Prêmio Jabuti foram reorganizadas em quatro eixos: Literatura, Ensaios, Inovação e Livro. As categorias foram racionalizadas e qualificadas para que o Prêmio seja ainda mais abrangente e, dentro desse processo, foi criado o eixo “Ensaios”, substituindo os gêneros específicos. O livro físico, como objeto, também passa a ser mais valorizado neste processo, uma vez que um dos eixos, o “Livro”, é dedicado apenas a premiações que envolvem o produto físico, como “Projeto Gráfico”, “Capa”, “Ilustração” e “Impressão”, novidade que avaliará a qualidade do acabamento da obra. Para as categorias deste eixo, será necessária a entrega do livro físico. Para as demais, apenas em PDF.

Para prestigiar ainda mais os primeiros colocados de cada categoria, a partir de 2018 o Jabuti passa a ter somente um vencedor por categoria. E, por fim, haverá um grande vencedor (Livro do Ano) do Prêmio Jabuti, que poderá ser tanto de Ficção quanto de Não Ficção. Concorrem ao “Livro do Ano” todos os livros vencedores das categorias dos eixos “Ensaios” e “Literatura”.

Novidade da edição de 2017 do Prêmio, a categoria de “Histórias em Quadrinhos” foi mantida no formato do Prêmio e faz parte do eixo “Literatura”, junto a outras seis categorias: “Romance”, “Poesia”, “Conto”, “Crônica”, “Infantil e Juvenil”, “Tradução”.

Após a avaliação dos jurados, a CBL fará o anúncio dos dez finalistas de cada categoria e os primeiros colocados em cada categoria serão revelados somente no dia da cerimônia de premiação. Apenas a auditoria Ecovis Pemon terá acesso aos finalistas antes do anúncio. Os prêmios em dinheiro agora são maiores: R$ 100.000 ao “Livro do Ano” e R$ 5.000 ao ganhador de cada categoria individual. Os valores são entregues ao autor juntamente com a estatueta e a editora também recebe uma estatueta. No caso de mais de um autor, o prêmio em dinheiro é dividido igualmente entre eles.

O Conselho Curador é liderado pelo curador Luiz Armando Bagolin, filósofo, docente da Universidade de São Paulo e diretor da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016. Os quatro conselheiros são: Mariana Mendes, Tarcila Lucena, Pedro Almeida e Jair Marcatti. Cada categoria contará com três jurados responsáveis pela avaliação das obras. Os jurados poderão ser indicados pelo mercado editorial e a validação deles é feita pelo Conselho Curador.

Novo formato

Eixo Literatura: Romance, Poesia, Conto, Crônica, Infantil e Juvenil, Tradução e HQ.

Eixo Ensaios: Biografia, Humanidades, Ciências, Artes e Economia Criativa.

Eixo Livro: Projeto Gráfico, Capa, Ilustração e Impressão.

Eixo Inovação: Formação de novos leitores e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.

Valor das inscrições: R$ 285,00 para associados da CBL e R$ 327,00 para autor independente, ou seja, autor (Pessoa Física) que se autopublica e não está abrigado por nenhum selo de editora ou quaisquer Pessoas Jurídicas.

R$ 370,00 para associados de entidades congêneres. R$ 430,00 para não associados.

Em caso de coleção, os valores são: R$ 440,00 para associados da CBL; R$ 457,00 para autor independente; R$ 475,00 para associados de entidades congêneres; e R$ 515,00 para não associados.

Além do valor em dinheiro, todos os vencedores recebem a estatueta do Prêmio Jabuti. Grande Prêmio Jabuti: R$ 100.000.  Categorias em cada um dos quatro eixos: R$ 5.000.

Descontentamento

Logo após a divulgação do novo formato do prêmio, ilustradores consagrados e premiados manifestaram em suas páginas do Facebook ou em comentários o descontentamento com o atual tratamento dado à ilustração, até então, julgada como uma categoria independente e, agora, inserida junto com Projeto Gráfico, Capa e Impressão.  Também não agradou o fato do prêmio ter juntado literatura infantil com a juvenil até então avaliadas em categorias diferentes e de forma independente.

Renato Moriconi escreveu: “Absurda essa mudança no Prêmio Jabuti. Colocar ilustração numa categoria que avalia o produto físico, o acabamento, reforça a ideia de que no mundo do livro o conteúdo está ligado à palavra e reduz as artes visuais apenas a uma funcionalidade ornamental e técnica. É um pensamento contrário à produção contemporânea, especialmente em literatura infantil, aquela que mais explicitou a força da imagem na narrativa literária e que nesse novo Jabuti acabou sendo colocada no mesmo saco da literatura juvenil, que é outro absurdo cometido pelos responsáveis por esse novo prêmio.
Muito me espanta um posicionamento como esse ter vindo de um curador especialista em Estética e História da Arte”.  Ainda segundo ele, “Um prêmio que qualifica quadrinhos como literatura e ilustração como ‘acabamento’ é no mínimo contraditório.

“O livro visto como um produto e não como uma experiência. Um olhar fechado, limitante e violento, comentou a ilustradora Anabella López.

Regina Rennó também se manifestou: “A nova edição do Premio Jabuti menospreza o artista visual e a arte de contar em imagens. Sou ilustradora e artista plástica com muito orgulho e abomino essa atitude da CBL. A imagem é a linguagem sem fronteira!

E Marilda Castanha comentou: “Muito triste sim, Regina. Mas ao mesmo tempo estas mudanças (com toda indignação que ela trouxe) estão provocando conversas e discussões bem interessantes sobre tudo isto. A vontade é fazer deste ‘limão’ uma limonada…

Duas novidades da Turma da Mônica

A primeira novidade  se refere ao lançamento de uma coleção para falar de dinheiro com as crianças e a outra avisa que, a partir do dia 7 de julho, Mauricio de Sousa vai levar sua turma para um grande espetáculo, que vai percorrer todo o Brasil: o Circo da Mônica.

image003Mas qual o motivo de a Turma da Mônica ganhar uma coleção especial para tratar de dinheiro?

A educação financeira não é uma realidade no Brasil. Nas escolas, o assunto é pouco debatido e a situação não é diferente no ambiente familiar ou empresarial. Um levantamento realizado em abril deste ano, em todas as capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), revelou que somente 44% dos brasileiros falam frequentemente sobre dinheiro com os membros da família. E que 39% só entram nesse assunto quando a situação financeira já está ruim. Além disso, a pesquisa também apontou que seis em cada dez brasileiros (58%) não gostam de dedicar tempo para cuidar das próprias finanças.

Por outro lado, uma série de estudos mostra que, quanto mais cedo se fala de dinheiro, mais chances os cidadãos têm de desenvolver consciência em relação aos seus hábitos de consumo. Para ajudar a reverter esse quadro, o Sicredi – primeira instituição financeira cooperativa do Brasil – lança, em parceria com a Mauricio de Sousa Produções (MSP), uma série especial de revistas em quadrinhos da Turma da Mônica com a temática “educação financeira para crianças”.

No total, serão seis edições, que seguem o conteúdo do Caderno de Educação Financeira e Gestão de Finanças Pessoais do BACEN: Nossa Relação com o Dinheiro; Orçamento Pessoal ou Familiar; Uso do Crédito e Administração das Dívidas; Consumo Planejado e Consciente; Poupança e Investimento; e Prevenção e Proteção. As primeiras três edições das histórias em quadrinhos circulam em 2018 e as outras três sairão em 2019.

Mauricio de Sousa ressalta a importância de tratar temas importantes como esse de forma lúdica e descontraída. “O projeto das revistas sobre educação financeira do Sicredi é mais um exemplo de como a Turma da Mônica colabora com a educação, por meio da simpatia e carisma dos personagens e suas histórias. Dessa forma, as crianças têm acesso à informação de maneira lúdica e prazerosa, diferente da obrigação de decorar um conteúdo, normalmente estranho à sua realidade e ao seu vocabulário”, aponta.

Superprodução Circo Turma da Mônica

TurmadaMônica2Maior espetáculo já produzido nos estúdios da Maurício de Sousa Produções, Circo da Turma da Mônica – O Primeiro Circo do Novo Mundo, já tem data para estrear: será no dia 7 de julho, em São Paulo, no Teatro Opus do Shopping Villa Lobos.

A temporada se estende por Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, Recife, Brasília, Curitiba, Natal, Fortaleza, Porto Alegre. As vendas já estão abertas por meio do site www.circoturmadamonica.com.br e nas bilheterias dos teatros.

hqdefaultCom supervisão geral de Mauricio de Sousa e participação mais que especial do eterno trapalhão Dedé Santana como mestre de cerimônia, além de Rodrigo Robleño, reconhecido internacionalmente por seu trabalho no espetáculo Varekai do Circo Du Soleil, o Circo da Turma da Mônica – O Primeiro Circo do Novo Mundo é um espetáculo que promete encantar e surpreender o público pela sua grandiosidade.

Quem está à frente como produtor e diretor geral é Mauro Sousa, que lidera a Mauricio de Sousa Ao Vivo, responsável por transformar as histórias em quadrinhos em experiências lúdicas, educativas e culturais. Com duração de 1h20 e 15 minutos intervalo, a classificação é livre, recomendada para maiores de 3 anos de idade.

Clássicos literários em edição moderninha

Editora Panda Books lança neste mês uma coleção especial dedicada aos jovens, “Os clássicos”, numa primeira fase, com quatro livros: “O cortiço”, de Aluísio Azevedo; “Memórias de um sargento de milícias”, de Manuel Antônio de Almeida; “Iracema”, de José de Alencar e “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis.

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Está mais fácil se preparar para os vestibulares se os concursos contêm em sua lista de leitura obrigatória obras que estão na coleção “Os Clássicos” lançada pela editora Panda Books. Clássicos da literatura nacional são obras-primas riquíssimas em conteúdo e linguagem, que ficaram marcadas na nossa história como importantes instrumentos de expressão cultural e crítica social. Mas, apesar de saber seu valor, tem muita gente que trava quando começa a ler algo escrito em outra época, cheio de palavras e expressões que já caíram em desuso. Agora, o leitor não tem mais que se preocupar com isso.

Já são quatro livros no catálogo: “O cortiço” (Aluísio Azevedo), “Iracema” (José de Alencar),” Memórias de um sargento de milícias” (Manuel Antônio de Almeida) e “Memórias póstumas de Brás Cubas” (Machado de Assis). Todos eles trazem o texto integral do autor mais mapa de personagens, ilustrações, fotos, explicações e notas informativas que proporcionam uma boa carga de informação sobre a cultura da época em que o livro foi publicado e facilitam o entendimento do texto, traduzindo a linguagem rebuscada para aquela que até o leitor mais preguiçoso é capaz de compreender. A responsável por esse conteúdo extra é Fátima Mesquita, jornalista e escritora de livros infantis e infantojuvenis.

Quem lê a edição da Panda Books de “O cortiço”, por exemplo, não precisa desvendar o significado de expressões como “não bula!”. A explicação vem de mão beijada e é apenas um jeitinho de dizer “não enche!”

“Iracema” é recheada de informações sobre a cultura indígena tão explorada na obra de José de Alencar. Para chamar a atenção de adolescentes, Fátima Mesquita descreve os patuscos de “Memórias de um sargento de milícias” como “caras baladeiros que se amarravam em curtir a night”. Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, logo se revela que “terços de infantaria” nada têm a ver com reza e era, na verdade, o nome dado a um bando de soldados dentro de uma organização do exército.”

Os livros mostram-se ainda mais adaptados aos dias atuais ao se apropriar dos ícones de populares redes sociais e ferramentas da internet – Facebook, Twitter, Google e YouTube – para organizar as notas comentadas. Ao avistar o logo do Facebook, por exemplo, o leitor já sabe que encontrará imagens para contextualizá-lo na trama; quando surge o logo do Google, trata-se de uma sugestão de pesquisa; comentários curtos e bem-humorados são indicados com o passarinho do Twitter e a marca do YouTube indica sugestões de vídeos para o leitor assistir on-line.

Além do conteúdo exclusivo, a coleção preza pelo design diferenciado. Capas cheias de cores, diferentes estilos de ilustrações, um encarte com o mapa dos personagens e páginas com diagramação caprichosa contribuem para atrair o jovem e deixar a leitura ainda mais agradável. Os fãs da coleção podem aguardar novidades: a editora já estuda a escolha do próximo título.

Autores famosos

o cortiçoAluísio Tancredo Gonçalves de Azevedo nasceu em 1857, em São Luís. Atuou como jornalista, romancista, contista e caricaturista. Foi crítico impiedoso da sociedade e das instituições brasileiras. Criou o naturalismo no Brasil. É o autor de Casa de Pensão (1884) e O Mulato (1881). Faleceu em 1913, em Buenos Aires.

Aluísio Azevedo retrata as péssimas condições de vida dos moradores dos cortiços cariocas no romance “O cortiço” estrelado por dois imigrantes portugueses. A linguagem rebuscada do autor naturalista do século XIX é traduzida para os dias de hoje por meio das notas comentada. O livro custa R$ 42,90.

iracemaJosé de Alencar nasceu em 1829, no Ceará. Formado em direito, atuou como advogado, político, dramaturgo e escritor. Produziu clássicos romances urbanos, como Senhora (1875), regionalistas, como O gaúcho (1870), e históricos, como Guerra dos Mascates (1873). Morreu em 1877, no Rio de Janeiro.

Em “Iracema”, José de Alencar conta a história da fundação do estado do Ceará por meio da lenda de Iracema, a “virgem dos lábios de mel”. Nesta edição com o texto integral, a linguagem rebuscada do autor nacionalista do século XIX é traduzida para os dias de hoje por meio das notas comentadas. O livro custa R$ 37,90.

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIASManuel Antônio de Almeida nasceu em 1830, no Rio de Janeiro. Filho de uma família pobre, estudou medicina, enquanto pagava as contas trabalhando como escritor. Vítima de um naufrágio aos 31 anos, publicou o único romance, “Memórias de um sargento de milícias, clássico da literatura brasileira.

Neste romance, Manuel Antônio de Almeida conta as aventuras do anti-herói Leonardo, típico malandro. Com linguagem coloquial e narrativa envolvente, a obra, precursora do Realismo, é um retrato da sociedade carioca do século XIX. O livro custa R$ 39,90.

MEMÓRIAS PÓSTUMAS DE BRÁS CUBASMachado de Assis nasceu em 1839, no Rio de Janeiro. É considerado um dos maiores nomes da literatura no Brasil, tendo escrito em praticamente todos os gêneros literários. Entre suas principais obras estão Dom Casmurro e Quincas Borba.

Nascido numa típica família da elite carioca do século XIX, Brás Cubas (de “Memórias póstumas de Brás Cubas”), escreve, do túmulo, suas memórias. A linguagem audaciosa e irônica do texto publicado em 1881 é traduzida para os dias de hoje por meio das notas comentadas. O livro custa R$ 46,90.

A comentarista dos livros, Fátima Mesquita, é jornalista e escritora de livros infantis e infantojuvenis. Publicou, entre outras obras, o Almanaque de puns, melecas e coisas nojentasA incrível fábrica de xixi, cocô e pum e Piratas – os personagens mais terríveis da história, todos pela editora Panda Books.

“Os contos de Mamãe Gansa”

untitled 3O Dia das Mães me faz lembrar da mãe mais famosa e antiga da literatura562031c7-6b23-4fa7-bc20-70b94bb95981 infantil: a Mamãe Gansa, uma figura usada como modelo de uma “mãe” que se reúne com filhos para narrar histórias. Foi assim que o escritor Charles Perrault a concebeu e Gustave Doré desenhou. O livro “Os contos de Mamãe Gansa” é muito antigo e, por isso, já tem várias edições no mercado. Reúne as mais tradicionais histórias, que vêm se perpetuando através dos tempos, e fazendo muitas gerações de crianças felizes.

 

Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa *

Charles Perrault, membro da Academia Francesa, nasceu em Paris no ano de 1628. Escritor e poeta, Perrault é considerado o Pai da Literatura Infantil. Deu-lhe, por assim dizer, o selo de qualidade que ela necessitava ao reunir em um livro histórias às quais deu o nome de “Histórias ou Contos de Tempos Idos Com Fundo Moral”, com o subtítulo “Contos da Minha Mãe Gansa”.

mother-goose_2_3A Mamãe Gansa, como ficou mais conhecida no Brasil, era personagem muito antigo no folclore europeu, a velha da aldeia que contava histórias mágicas para as crianças. Perrault, ao escrever seu livro, resolveu atribuir as histórias a essa figura já muito conhecida dos pequenos. Nenhum dos contos era original. Bastante conhecidos, passavam de geração em geração. Perrault deu-lhes o tratamento literário que fez de seu livro uma das obras-primas da literatura universal.

Gustave Doré nasceu em 1832, na cidade de Estrasburgo. Foi um dos maiores ilustradores de todos os tempos. 204 anos depois do seu nascimento aconteceu o que raramente acontece: a maturidade artística de um ilustrador coincidir com o súbito interesse de colecionadores por reedições, ilustradas, de obras-primas da Literatura Universal. Seu trabalho enriqueceu edições de obras-primas da literatura, como A Comédia, de Dante, Don Quixote de la Mancha, de Cervantes e muitos outros.

mamae gansaEm 1862, Stahl-Hetzel, editores em Paris, resolveram lançar, com o título Os Contos de Perrault, o livro de Perrault ilustrado por Doré. O que fez de “Os Contos da Minha Mãe Gansa” uma edição cobiçada até hoje (o livro leva a assinatura do filho de Charles, Pierre Perrault).

As gravuras de Gustave Doré descrevem de modo excepcional todo o espírito fantástico, absurdo e encantador dos contos de fada que até hoje intrigam, assustam e divertem as crianças e… os adultos que não desaprenderam a sonhar.

*  Professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.

“Canastra de Histórias” etc

Museu dos Brinquedos apresenta, em Belo Horizonte, atração especial de Dia das Mães na manhã e tarde deste sábado, 12 de maio. Destaque para o reconhecido trabalho de Bárbara Amaral, “Canastra de Histórias”, que chega ao Museu com uma versão especial para a data.

Bárbara Amaral e o espetáculo sobre literatura brasileira - Foto: Divulgação

Bárbara Amaral e o espetáculo sobre literatura brasileira – Foto: Divulgação

O Dia das Mães está chegando e o Museu dos Brinquedos preparou uma programação especial para comemorar. No próximo sábado, dia 12, Bárbara Amaral, artista, narradora de histórias e arte educadora, vai retratar lendas, folclore, cantigas, danças, mitos e as parlendas por meio de músicas, rimas e brincadeiras populares. Ao longo do dia, as crianças ainda poderão participar de uma oficina para construir um presentinho para sua mamãe.

A “Canastra de Histórias” é inspirada na obra do historiador e antropólogo Luís Câmara Cascudo e Ricardo Azevedo e por trás de todo esse espetáculo, sua intenção é divulgar e valorizar a literatura oral brasileira, melhorar a relação entre crianças e adultos, e ainda trabalhar com diversos temas recorrentes em nossa sociedade, como natureza, diversidade, respeito, entre outros. A apresentação será na sede do museu, Av. Afonso Pena, 2564 em Belo Horizonte.

Além da programação especial de Dia das Mães, durante todo o horário de funcionamento do Museu (das 10h às 17h), é possível conferir a exposição histórica de brinquedos do acervo do Museu; exposição itinerante “Gambiogame – História e desafios dos jogos eletrônicos”; pátio de brinquedos e brincadeiras; oficinas de brinquedos tradicionais; e brinquedoteca.

Programação do sábado

10h às 16h: Exposição de brinquedos, brinquedoteca e pátio de brinquedos tradicionais.

11h e 15h: Oficina de produção de presente para a mamãe

11h30 e 15h30: Brincadeiras coletivas no pátio

16h: Canastra de Histórias, com Bárbara Amaral

17h: Encerramento

Aberto de segunda a sábado e nos feriados, das 10 às 17h, o Museu dos Brinquedos é apoiado pelo Instituto Unimed-BH e pela Companhia de Gás de Minas Gerais – Gasmig, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.  O ingresso custa R$ 24, com meia entrada, para permanência no local durante todo o horário de funcionamento.

Mais informações pelo site http://www.museudosbrinquedos.org.br/ ou telefones (31) 3261-3992 e 3146 9633.

O grande festival dos Quadrinhos

Belo Horizonte é sede de um Festival Internacional de Histórias em Quadrinhos que está entre os mais conceituados do mundo: a 10ª edição do FIQ-BH será realizada de 30 de maio a 3 de junho e tem entrada gratuita para o público. Os convidados internacionais são o britânico Dave McKean, a belga Flore Balthazar, a francesa Gauthier, a alemã Claudia Ahlering e os italianos Zerocalcare e Mario Alberti. A homenageada dessa edição do festival é a brasileira Érica Awano e os demais convidados nacionais são Eloar Guazzelli, Marcelo D’Salete, Dika Araújo, Rebeca Prado e Cris Eiko.

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O FIQ-BH é o maior evento da América Latina dedicado ao gênero dos quadrinhos e será realizado em Belo Horizonte de 30 de maio a 3 de junho de 2018, na Serraria Souza Pinto. Além das oficinas, a edição de 2018 contará com mesas redondas, bate-papos, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e atividades interativas. Todas as atrações têm entrada gratuita. O FIQ-BH é correalizado pelo Instituto Periférico e conta com os patrocínios da Oi e da Cemig, viabilizados por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

AwanoUma das presenças confirmadas no evento é a da homenageada da 10ª edição do FIQ-BH: Érica Awano (foto), profissional de destaque entre os quadrinistas brasileiros, com reconhecida projeção internacional. Formada em Letras e Literatura pela USP, Érica Awano começou a trabalhar profissionalmente com a minissérie em quadrinhos “Street Fighter Zero 3”, escrita por Marcelo Cassaro, parceria que se repetiu na premiada série “Holy Avenger”, título que durou 42 edições – na época, considerado o quadrinho nacional mais longevo para público adolescente – e “DBride”, publicada originalmente dentro da revista Dragon Slayer. As duas histórias são ambientadas em um cenário de jogo de RPG (Role Playing Game) chamado “Tormenta”, título para o qual a desenhista vem atuando também como ilustradora, tanto em capas como na criação visual de vários personagens e cenários.

Trabalho de Érica Awano

Trabalho de Érica Awano

Érica trabalhou para o mercado estadunidense e europeu em títulos como “Warcraft Legends”, série de mangá ambientado no famoso jogo “World of Warcraft” e “The Complete Alice in Wonderland”, roteirizada por Leah Moore e John Reppion, colorida por PC Siqueira. Em 2006, participou do álbum em comemoração aos 25 anos de “O Menino Maluquinho de Ziraldo”; em 2009, do álbum “MSP 50” em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, onde escreveu e desenhou uma história do Chico Bento; em 2016, “Memórias do Maurício”, ilustrando o relato do encontro e amizade com Osamu Tezuka, considerado por muitos como o pai do mangá moderno.

Série “GGWP” assinada por Érica Awano

Série “GGWP” assinada por Érica Awano

O trabalho mais recente no mercado brasileiro de Érica Awano é de 2017 na série “GGWP” produzida pela Riot Games do Brasil, baseada em relatos de jogadores em partidas de “League of Legends”.

Além da homenageada, também têm presença confirmada no FIQ-BH quadrinistas como a belga Flore Balthazar, a francesa Gauthier, o italiano Zerocalcare, Eloar Guazzelli, Marcelo D’Salete, Dika Araújo e Cris Eiko, responsável pela identidade visual do FIQ-BH 2018.

Em 1997, quando Belo Horizonte comemorou seu primeiro centenário, a capital foi sede de diversos eventos e homenagens. Um deles, em especial, chamou a atenção de todos, com convidados nacionais e internacionais de renome, transformando BH, pela primeira vez, no maior ponto de encontro latino-americano de HQs. Era a 1ª Bienal de Quadrinhos, realizada nos espaços nobres e históricos da Serraria Souza Pinto. A partir de 1999, rebatizado como Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), o evento configurou-se como referência obrigatória para os quadrinistas e hoje pode ser considerado o principal do gênero na América Latina.

O FIQ-BH é um espaço propício para o encontro de profissionais e a troca de experiências artísticas e pedagógicas relacionadas à linguagem da arte sequencial. Além das diversas atividades oferecidas, artistas acadêmicos convidados estimulam a capacitação de profissionais e incentivam formação de jovens quadrinistas. A edição mais recente do FIQ-BH, realizada em 2015, recebeu mais de 80 mil pessoas do Brasil e de outros países.

10º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ-BH)

Entrada gratuita – Informações: www.fiq.pbh.gov.br

“Alto, baixo, num sussurro”

Um livro para as crianças pensarem sobre a intensidade sonora. Através deste lançamento da Editora do Brasil, é possível compreender a importância do som e também do silêncio e suas diversas formas.

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Recebi o livro “Alto, baixo, num sussurro”, edição do professor. É um daqueles livros que nos surpreende por vários motivos: a originalidade, a sequência da narração, a pesquisa, a forma de tratar o tema e a beleza de cada página. Os autores Romana Romanyshyn e Andriy Lesiv são da Ucrânia e detêm os mais importantes prêmios mundiais da literatura infantil especialmente no quesito ‘ilustração’.

Eles abordam o mundo invisível dos sons e do silêncio, da audição e da surdez, e ainda tratam da importância de ouvir e escutar os outros. E também de entender mesmo sem usar palavras em “Alto, baixo, num sussurro”, 61 páginas, tradução de Flora Manzione.

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A cada página, surge um aprendizado, uma proposta de conversar com as crianças e conduzi-las a pensar e pesquisar mais sobre o tema. As ilustrações materializam o invisível mundo do som: anatomia humana do sistema auditivo, sons harmoniosos ou não, sons altos e baixos, a música, tipos de vozes masculinas e femininas, os sons do nosso corpo que os médicos escutam, os sons da nossa casa, os sons da rua, da natureza e dos animais, os sons dos idiomas, a língua dos sinais, os sons entre duas pessoas e seus sentimentos e o silêncio. Tudo isso é explicado no livro.

“No começo, tudo era silêncio. Mas depois tudo ficou barulhento. O Universo se encheu de sons”.

O som é invisível. Porém, atrai nossa atenção, nós o ouvimos e então o escutamos”.

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Um pouco mais adiante, lemos:

2418No mar de sonhos conhecidos e desconhecidos buscamos ordem e harmonia. É assim que nasce a música.” Nesta fase do livro, o leitor encontra uma rica oportunidade de entrar no mundo dos sons dos instrumentos musicais antigos e atuais, além das vozes e canções. “Graças à voz, podemos entender e nos comunicar com quem está perto de nós. E com a ajuda dela, você também pode fazer um milagre chamado canto”.

Se o livro trata de sons, também inclui a ausência dele. E os momentos de silêncio? “No silêncio podemos encontrar o que procurávamos há tempos e ouvir algo muito importante _ por exemplo, o som de dois corações batendo”.

“Alto, baixo, num sussurro” é um livro para se guardar e referência de pesquisa até mesmo para os adultos. Esse universo dos sons e do silêncio custa R$ 48,20 e está à venda nas principais livrarias e n o site da editora www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/detalhe.asp?CODIGO=74150105211

 

Livros infantis disparam boas conversas

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Fonte: novaescola.org.br

Os livros infantis estão entre os materiais mais usados em sala de aula na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Básico. E por uma razão importante: eles podem compor um universo de temas que o professor quer trabalhar com as crianças e ampliar seu vocabulário e compreensão. “O livro é um ‘disparador’ para que as crianças possam pensar sobre algumas coisas, como respeito, o outro e aquilo que é diferente”, diz Denise Tonello, orientadora educacional e pedagógica do 1º ciclo Ensino Fundamental 1 no Miguel de Cervantes, em São Paulo. Segundo ela, principalmente na faixa até o 3º ano, as histórias são importantes para trabalhar essa reflexão das crianças sobre vários assuntos.

Para o professor, tão interessante quanto as histórias que o livro conta é o que essa leitura trará para a turma. “A literatura ajuda no desenvolvimento da linguagem, na ampliação do vocabulário, além de despertar sentimentos, emoções, desenvolver a imaginação, a criticidade, proporcionar experimentar mundos novos de modo significativo e prazeroso”, afirma a professora Samantha Ishikawa, do Colégio Santa Maria. Nesse processo, durante ou após a leitura, é crucial ouvir as crianças, para que digam qual é o seu entendimento. “Às vezes, a gente se surpreende com o que elas enxergam naquela história”, afirma Denise. Ela reforça que as histórias são importantes, mas as crianças também precisam ver exemplos na vida real. “Não adianta pegar um livro bom, ler com os alunos e achar que já fez sua parte. É importante dar voz para a criança e perceber o que e como ela entende a história”.

O educador precisa estar ciente que não é uma questão de escolher o livro somente preso a ensinamentos moralizantes. “Trocar impressões, aguçar percepções, demorar-se em uma página, voltar e reler trechos provocadores são situações muito mais valiosas do que buscar mensagens, na maioria das vezes, reducionistas”, destaca Cristiane Tavares, mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e coordenadora do curso “Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica”, no Instituto Vera Cruz.

Nesse contexto, se o professor tem um tema claro de conversa que deseja puxar com a turma, vale questionar se a escolha do livro contempla o tema como estereótipo ou em suas sutilezas. “Via de regra os livros que disparam as melhores conversas com as crianças não são aqueles que necessariamente tratam do tema de forma direta”, pondera Cristiane. Um livro que foi programado para falar sobre preconceitos, por exemplo, pode sustentar e perpetuar estereótipos, mesmo que não intencionalmente.

“Ao escolher os livros, os professores preocupam-se muito com a linguagem explícita e com as imagens, se o livro é visualmente interessante e se o vocabulário é de fácil compreensão para a faixa-etária”, diz Samantha. Embora a preocupação seja legítima, outros cuidados devem ser tomados considerando o tema, a ampliação do vocabulário e os significados das palavras e as próprias interpretações que podem ser feitas a partir da leitura.

“Dependendo de como o livro surgiu, ele não vai ter um bom efeito, pois parte de um estereótipo”, defende Cristiane. “É melhor um livro que não tem essa conversa editorial, mas que foi escrito por um autor negro, por exemplo”. Samantha concorda e acrescenta que além de considerar a história de vida do autor, é interessante compartilhar esse conteúdo com os alunos após a leitura. “Além de se familiarizar com o autor, isso abre a possibilidade de compreenderem melhor a intencionalidade do professor com essa ação”, diz. A professora também indica que a forma como a linguagem é abordada no livro infantil é fundamental para o seu sucesso ou seu fracasso. “Por isso, é fundamental que o professor analise bem a linguagem apresentada pelo livro”.

Para Cristiane, a leitura compartilhada com crianças pode ser disparadora de boas conversas sobre os mais variados assuntos. “Mas conversar sobre livros é, antes de tudo, uma experiência estética. Na maioria das vezes, os não-ditos são extremamente significativos”, considera. Por esse motivo, a conversa pode estar baseada em outros elementos que não a mensagem em si. O ‘disparador’ pode estar nas ilustrações, na construção textual ou no próprio projeto editorial.

Além disso, Samantha destaca que, muitas vezes, é a partir das perguntas dos professores que os livros trazem essas boas conversas e os alunos percebem o que está nas entrelinhas. Para isso, é importante aguçar a curiosidade dos alunos em relação ao tema. Ela indica que é possível conversar antes da leitura sobre o título, imagens de capa e contra-capa e até mesmo o próprio conteúdo. A troca entre perspectivas dos alunos também é importante nesse processo. “Isso é fazer a predição, é envolver os alunos na tentativa de estabelecerem relações. Depois a história será contada e confirmarão ou não suas hipóteses iniciais”, diz.

A seguir selecionamos alguns livros indicados pelas entrevistadas desta reportagem. No entanto, sobre a lista de bons autores e livros, Cristiane acrescenta: “Uma lista é sempre uma lista – reduzida e incompleta, ponto de partida, nunca de chegada!”.

_b3f5ec4d5877838f9243ad82a5be0b5b1f32300a1. Dez bons conselhos do meu pai
João Ubaldo Ribeiro – Companhia das Letras
O livro elenca valores a partir dos conselhos que o pai do escritor lhe deu: seja verdadeiro, pense no que você faz, nunca seja medroso… Durante a leitura, o professor pode explicar a razão desses conselhos para as crianças e trabalhar a questão dos valores e da importância de ouvir os mais velhos.

 
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2. O Sol se põe na tinturaria Yamada

Claudio Fragata – Editora Pulo do Gato
Ao retornar à cidade na qual passou a infância, o senhor Yamada faz uma viagem ao tempo com o neto a partir de poesias e de uma velha cantiga. A partir da leitura, é possível trabalhar a relação afetiva com os livros, poesia, família, cotidiano e até com a própria escola.

 

c5eaa32f883. Roupa de brincar
Eliandro Rocha –  Editora Pulo do Gato
Indicado tanto para uma leitura compartilhada quanto para quem está começando a ler sozinho, a obra conta a história de uma menina que tinha como a melhor diversão o guarda-roupa da tia. É um livro para se trabalhar as relações familiares, fantasia e realidade, olhar infantil, brincadeiras, mudanças e superação.

 
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4. Maria vai com as outras
Silvia Orthof – Editora Ática
Maria era uma ovelha que sempre fazia o que as outras ovelhas faziam. E se uma ovelha faz algo que não deveria e as outras copiam? É um livro que faz a criança pensar por ela, o que é certo e o que é errado.

 

3733075. O pote vazio
Demi – Martins Fontes
O imperador busca um sucessor e decide distribuir sementes a todas as crianças, para que cultivem flores, dizendo que uma delas será escolhida. A história trabalha a questão do fracasso e da honestidade, com ilustrações e texto primorosos.

 

 
421367486. O reizinho mandão
Ruth Rocha – Salamandra
O personagem do título é um menino que vive dando ordens aos outros e só faz o que quer. É uma história para que o professor trabalhe a questão do coletivo, lembrando às crianças que em casa pode ser uma coisa, mas no dia a dia com o grupo e na escola é preciso dar espaço ao outro.

 

book1717. Valores para convivência
Esteve Pujol i Pons – Ciranda Cultural
Coletânea de contos que falam de respeito, justiça, desigualdade. A partir dos temas, o professor pode discutir com as crianças quais são os valores que consideram importantes em suas vidas.

 

 
1869928. O livro das virtudes para crianças
William J. Bennet – Nova Fronteira
Dois volumes com contos, em que cada história trabalha uma virtude. A leitura ajuda as crianças a reconhecer os bons valores.

 
85262360839. Não fui eu!
Brian Moses – Editora Scipione
É um livro para tratar a questão da honestidade, a partir da história do menino que não assume aquilo que fez.

 

 
03f6bd6e-1ece-4a96-9ad6-5169db3f106810. Pode pegar!
Janaína Tokitaka – Boitatá
A obra aborda de forma sutil a identidade do gênero a partir de uma questão muito presente desde o nascimento das crianças: existe roupa de menino e roupa de menina? O questionamento sobre os costumes culturais é feito a partir de dois coelhos, um de saia, batom e sapatinho de salto e de botas, calça e gravata.

 

untitled 211. Tenho medo
Ivar da Coll – Livros da Matriz
Eusébio não consegue dormir por ter medo dos monstros que se escondem em lugares escuros. Para se proteger dos perigos da noite silenciosa, ele conta com um amigo. A obra trata da confiança e da importância da amizade para vencer os medos – mesmo que sejam imaginários.

 
675362_minhas-duas-avos-1071260_m2_63640464757545073012. Minhas duas avós
Ana Teixeira – Pólen
O tema central é o das diferenças. A autora faz uma ponte, tanto no texto, quanto nas imagens do livro entre sua própria vida e a ficção. A história fala sobre duas mulheres muito diferentes, que vivem juntas em um universo lúdico.

 

bdff4e90-0a85-4c20-ae6c-fd60eabaf9e013. Vazio
Catarina Sobral – Ed. 34
Este é um dos títulos que não fica restrito à história escrita l – até porque se trata de um livro sem palavras. A partir de recortes, pinceladas, carimbos e garatujas, a autora cria uma fábula visual que permite vários níveis de leitura sobre o sentimento do vazio.

 
a2c7752b-6847-4c04-b655-d76fcc70a1bd14. Esperando a chuva
Véronique Vernette – Editora Pulo do Gato
Afinal, vai chover ou não? Nesse livro, a autora explora a necessidade do homem de se adaptar à força da natureza. O texto em primeira pessoa também ajuda as crianças a se identificar com os pensamentos da personagem.

 
image_3bd89c0e-1464-48ac-94b6-447589b22a64_grande15. Migrando
Mariana Chiesa Mateos – Ed. 34
Neste livro também sem palavras, a autora aborda um tema cada vez mais presente dentro das escolas: a imigração. A leitura pode ser iniciada pela capa ou contracapa: tem dois inícios com duas histórias de imigração paralelas que se cruzam em seu interior.

“Frio congelante”

Dupla de irmãos provoca confusão em mais um conto de fadas em novo livro da série “Era outra vez” da Editora Galera Júnior. A série best-seller do The New York Times, que faz uma releitura dos contos de fadas para ensinar às crianças a lidar com várias situações do dia a dia, chega ao seu sexto volume.

51Z28i1YvoL__SX321_BO1,204,203,200_Desde que se mudaram para a nova casa com os pais, os irmãos Abby e Jonah, de 10 e 7 anos, respectivamente, descobriram um mundo novo. É que o porão do novo lar guarda um espelho mágico que, vez ou outra, suga a dupla para dentro de um conto de fadas.

Nos cinco primeiros livros da série “Era outra vez”, os pequenos promoveram certa desordem nas histórias de Branca de Neve, Cinderela,Pequena Sereia,  Bela Adormecida e Rapunzel. Agora, em “Frio congelante”, eles vão se embrenhar pelo universo da Rainha da Neve.

Na última vez em que atravessaram o espelho mágico, Abby e Jonah tiveram problemas graves: os pais acordaram no meio da noite, ficaram preocupados ao não encontrarem a dupla em casa e os fizeram prometer que não chegariam perto do porão de madrugada. Os irmãos estão empenhados em manter-se na linha até o dia em que Príncipe, seu cachorro, desce as escadas correndo no meio da noite e acaba sugado pelo portal mágico.

Isso mesmo. Embora Abby e Jonah tivessem decidido ficar longe do espelho mágico, seu cachorrinho tinha outros planos. Príncipe entrou no mundo dos contos de fadas de focinho e… cauda! O que os dois podiam fazer a não ser ir atrás do bichinho de estimação?

Ao chegar ao reino encantado e congelante, logo perceberam que provavelmente tinham ido parar na história da Rainha da Neve. Mas essa Rainha da Neve era super malvada e transformou o cachorro em uma estátua de gelo. Agora eles precisam descongelar o amigo peludo e voltar para casa. Mas antes vão precisar escapar de um bando de ladrões, conduzir uma rena muito tagarela e tomar muito cuidado para não acabarem congelados também.

Ao cruzarem o espelho e aterrissarem num reino cheio de neve, os dois chegaram a pensar que estavam no cenário de “Frozen”, onde conheceriam as princesas Anna e Elsa. Mas Abby logo se lembra que os contos de fada acessados pelo portal são old school. Eles, na verdade, foram parar na trama da Rainha da Neve, conto original que inspirou o filme da Disney.

Trecho do livro escrito por Sara Mlynowski:

“Com a boca arredondada, parece que a Rainha da Neve vai jogar um beijo para o cão. Mas não é bem um beijo. Eu consigo ver o ar saindo de seus lábios. Como se fosse fumaça saindo de uma chaleira. Um pequeno tornado branco.

Príncipe levanta a pata para começar a correr.

Mas o beijo o atinge e ele desacelera, parecendo ter ficado tonto. A Rainha da Neve junta os lábios novamente, e outro tornado sai de sua boca.

– Estou com medo – diz Jonah, com a voz trêmula.” 

Sarah Mlynowski é autora de livros como “Feitiços & sutiãs”, “Sapos & beijos”, “Dez coisas que nós fizemos” e “Me liga”, todos lançados pela Galera. Nasceu em Montreal, no Canadá, mas hoje mora em Nova York. Mais sobre ela em sarahm.com