Semana mundial dos contadores de histórias

Boca do Céu 2018 reúne contadores de histórias de vários lugares do mundo entre os dias 22 e 26 de maio. Em sua 8ª edição, o Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias) traz seis artistas internacionais, mais de 40 convidados brasileiros e cerca de 100 atividades distribuídas em vários  espaços culturais da cidade de São Paulo.

Boca do Céu 2016 - 3

Contadores de diferentes culturas se unem para celebrar as tradições orais de seus países na oitava edição do Boca do Céu (Encontro Internacional de Contadores de Histórias), que acontece de 22 a 26 de maio na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Sesc Bom Retiro, no Auditório Ibirapuera, nas Fábricas de Cultura, na Cinemateca Brasileira e no Itaú Cultural, em São Paulo. A programação do evento tem cerca de 100 atividades gratuitas, entre espetáculos, oficinas, rodas de conversas e intervenções artísticas.

Com o objetivo de propiciar ao público diferentes formas de contato com a arte da narração oral, a programação está dividida em oito eixos temáticos, que refletem diferentes “urgências poéticas”. São eles: Percurso – processos de criação de contadores de histórias; Urgências poéticas em diferentes escutas: questões de acessibilidade; Urgências de encontros – festivais de contadores de histórias no Brasil; Urgências de pertencimento: raízes ameríndias na alma brasileira, Multiplicidade cultural – vozes de outros povos e Raízes africanas na alma brasileira e Urgências poéticas na Educação.

“O Encontro é estruturado a partir da Abordagem Triangular para o Ensino e Aprendizagem da Arte elaborada por Ana Mae Barbosa. “Isso significa, antes de mais nada, que a Arte Narrativa é considerada como fenômeno das culturas humanas que ocupa um lugar ao lado das Artes Visuais, Teatro, Música, Dança e artes midiáticas e multilinguísticas contemporâneas”, comenta a curadora Regina Machado.

Criado em 2001, o Boca do Céu é considerado o maior encontro de contadores de histórias do Brasil. A última edição do evento bienal, que ocorreu em 2016, ofereceu atividades com mais de 80 artistas nacionais e 9 contadores estrangeiros, e recebeu 10,3 mil pessoas ao longo de oito dias de programação.

A narradora portuguesa Ana Sofia Paiva utiliza a musicalidade na sua performance oral - Foto: Maria Otero - Divulgação

A narradora portuguesa Ana Sofia Paiva utiliza a musicalidade na sua performance oral – Foto: Maria Otero – Divulgação

Destaques da programação

Para trazer à tona todos esses temas, o Encontro fomenta uma pluralidade de vozes de sete países. Os convidados internacionais são Nacer Khémir (Tunísia), Charlotte Alston (Estados Unidos), Ana Sofia Paiva (Portugal), Mercedes Carrión (Peru), Malika Halbaoui (Marrocos) e Pépito Matéo (França). Já o time de artistas brasileiros é formado por André Gravatá, Cristino Wapichana, Daniel D’Andrea, Eric Chartiot, Marcus Borja, Marcelo D’Salete, Rosana Reátegui, Teatro Griô, Tião Carvalho, Vinícius Mazzon e muitos outros.

Um dos destaques da programação são as Noites de contos, que ocorrem no Sesc Bom Retiro, durante as quais artistas nacionais selecionados por meio de um edital e os narradores estrangeiros se apresentam para pessoas de todas as idades. Na terça-feira, 22 de maio, a estadunidense Charlotte Alston conta histórias tradicionais e contemporâneas africanas enquanto toca instrumentos como djembe, mbira, shekere ou a kora de 21 cordas. Já a portuguesa Ana Sofia Paiva narra histórias de dentro e fora de sua terra-natal, centrando-se na musicalidade da performance oral.

O francês Pépito Matéo é um dos mais representativos contadores da França e gosta de abordar temas como a morte e a velhice - Foto: Divulgação

O francês Pépito Matéo é um dos mais representativos contadores da França e gosta de abordar temas como a morte e a velhice – Foto: Divulgação

Na noite da quarta, 23 de maio, as atrações principais são a peruana Mercedes Carrión, uma das narradoras com mais tradição na cena oral, e o francês Pépito Matéo, um dos mais representativos contadores da França, ator e estudioso da Arte da Palavra, que constrói narrativas incluindo contos tradicionais e criando ambientes como um pronto-socorro ou uma prisão, falando de temas como a morte e a velhice.

A contadora-cantadeira, poeta slam e letrista de canções Malika Halbaoui, nascida no Marrocos, usa corpo e voz no espetáculo da quinta-feira, 24 de maio. O segundo convidado principal da noite é o contador, diretor de cinema e escritor Nacer Khémir, que apresenta as histórias contadas por sua mãe na infância e a cultura de seu país. Ele também é homenageado com uma mostra de seus filmes, que ocorre na Cinemateca Brasileira, de quarta-feira a domingo. No dia 27, Nacer participa de um debate sobre sua obra.

O mestre maranhense Tião Carvalho ensina danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê - Foto: Igor Costa - Divulgação

O mestre maranhense Tião Carvalho ensina danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê – Foto: Igor Costa – Divulgação

Outra atividade do encontro é a oficina Despertar através da cultura popular, em que o mestre maranhense Tião Carvalho ensina ao público uma série de danças populares, como ciranda de roda, bumba-meu-boi, tambor-de-crioula e maculelê. O mini curso, que não demanda inscrições prévias, acontece durante todos os dias na Oficina Cultural Oswald de Andrade, às 8h.

A Oswald de Andrade também recebe, na quinta, 24 de maio, a tarde Danças, cantos e contos de culturas do mundo, em que grupos de várias nacionalidades são convidados para compartilhar suas histórias e ensinar danças e cantos tradicionais, sempre com foco na narrativa. Ao longo da semana, o espaço também sedia Rodas de conversa sobre os temas trazidos pela atual edição do evento. Dois convidados especiais para esses debates são o quadrinista e professor Marcelo D’Salete (autor do livro em quadrinhos Angola Janga) e o premiado escritor Cristino Wapichana, que desenvolve atividades e vivências culturais, educativas e recreativas sobre a cultura indígena.

Famílias e crianças têm espaço especial na programação. No sábado, 26 de maio, o Sesc Bom Retiro recebe Minha aldeia, do grupo Teatro Griô (Salvador/BA). Para aquecer os ouvidos do público infantil, a Trupe Alumiada (Campinas/SP) e a contadora Tâmara Bezerra (Fortaleza/CE) contam suas histórias antes do espetáculo.

Apresentação do Teatro Grio - Foto: Pedro Napolitano Prata - Divulgação

Apresentação do Teatro Grio – Foto: Pedro Napolitano Prata – Divulgação

O tema da acessibilidade na arte é uma grande preocupação do encontro. Na quarta-feira, 23 de maio, a Oficina Cultural Oswald de Andrade recebe o Questões de acessibilidade, três rodas de conversa, com participação do Grupo Mãos de Fada, Carla Mauch, coordenadora da ONG + Diferenças, Bruno Ramos, Thalita Passos e Patrícia Torres. Essa série de bate-papos e as sessões das Noites de contos no Sesc Bom Retiro terão tradução simultânea em Libras – Linguagem Brasileira de Sinais.

Celebrando o encerramento de mais uma edição do Boca do Céu, na sexta-feira, 25 de maio, o Auditório Ibirapuera recebe o espetáculo inédito Todo nó cego eu desato, preparado especialmente para o Encontro. O espetáculo reúne artistas convidados, músicos e contadores de histórias, além das crianças da Oca Escola Cultural, de Carapicuíba, com seus tambores e a narração de um romance da cultura popular brasileira.

Site do evento: www.bocadoceu.com.br

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *