“As árvores invisíveis”

Neste sábado, 9/6, a partir de 9:00 horas, tem livro novo chegando no Parque Rosinha Cadar, no bairro Santo Agostinho, em  Beagá. É o dia do lançamento do aguardado “As árvores invisíveis”, selo da Páginas, ambos de Leida Reis: autoria e editora. Hoje, numa entrevista ao blog, a escritora conta tudo sobre o seu novo livro infantil que traz uma história de amor ao verde e ao meio ambiente.  

imagem do livro

Rosa Maria: “As árvores invisíveis” é o seu primeiro livro infantil, mas você já lançou outros livros para adultos. O que lhe atraiu na literatura infantil?

Leida Reis: Há muitos anos faço experimentações com textos para crianças. Cheguei a produzir duas histórias e submetê-las à leitura de especialistas e um delas começou inclusive a ser ilustrada. Mas eu não achei que estivessem prontos aqueles textos. Foi sempre um desafio escrever para os pequenos leitores. Amo livros infantis.

 

Leida Reis criou marcadores para o livro que contêm sementes naturais como forma de estimular as crianças a plantarem

Leida Reis criou marcadores para o livro, que contêm sementes naturais, como forma de estimular as crianças a plantarem

RM: Como foi a adaptação da linguagem?

LR: Estou acostumada à linguagem para adultos, mas com o trabalho na Páginas Editora passei a ler muito mais livros infantis, o que facilitou minha escrita para esse público. Não foi fácil, mas busquei o olhar, a percepção de uma criança de oito anos, como modelo, e arrisquei. Espero que o resultado agrade a todos os públicos, na verdade, inclusive o adulto. O livro foi lido por uma profissional muito competente, a quem agradeço as sugestões, e também pelo Daniel Munduruku, o escritor indígena doutor em Educação pela USP que nos ensina muito sobre a humanidade. Dele é o texto da quarta capa do livro.

 

RM: O que nos conta essas árvores?

LR: “As árvores invisíveis” são tudo o que nos cerca e não enxergamos, porque estamos muito acostumados a padrões. Sebastião é um menino negro, classe média, que ama as árvores da floresta, mas pela cidade vê apenas criaturas estranhas, sem cor e sem forma. Um sonho com um pajé e uma experiência com a avó, num trabalho voluntário, vão abrir os seus olhos para as árvores da cidade.

 

RM: Qual é a principal mensagem do livro?

LR: A principal mensagem é a do olhar e enxergar as coisas como são. Mas também chamo a atenção para o meio ambiente urbano, para as árvores da cidade, tão mal cuidadas e realmente invisíveis a todos nós.

 

RM: Como foi a produção?

LR: Fiz esse livro em poucos meses. Ao contrário das tentativas anteriores, este veio de uma ideia de falar das árvores, apareceu o Sebastião para viver essa história de amor com o verde e me foi passada uma ideia sensacional: a de colocar sementes nos marcadores de página, uma forma de estimular as crianças a plantarem. São sementes de ipê amarelo, ipê roxo, doados pela ONG Boi Rosado, e também de clotalária (planta que é uma arma biológica no combate à dengue) e também de cuité.  Também destaco o trabalho com a Mariana Tavares, que havia ilustrado “Aqui, ali e acolá…histórias em todo lugar”, da Sterlayni Duarte, lançado também pela Páginas Editora. Mariana colocou muita emoção na história, abrindo um novo leque. Foi o seu segundo livro e já a considero uma ilustradora madura.

 

RM: Após o lançamento, quais os demais passos do livro: alguma feira, evento literário ?

LR: “As árvores invisíveis” teve um pré-lançamento na Flipoços, onde a contadora de história e escritora Vanessa Corrêa fez contação de história para duas escolas locais e foi muito bom, pois percebi que as crianças estão atentas às questões envolvendo as árvores. Elas apontavam para as árvores na área externa da Urca, onde aconteceu o evento, e achei aquilo lindo. O lançamento acontece neste sábado, dia 9, num local também com árvores, o Parque Rosinha Cadar, das 9 às 13h. Ainda não tenho outros eventos previstos, exceto lançamento em Patrocínio, minha cidade, em agosto, mas com certeza marcaremos outros. Há possibilidade de uma apresentação no dia 17 deste mês, no Galpão Paraíso. E também faremos uma contação de história do livro na Festa Literária de Parati (Flip), em local a ser confirmado.

 

RM: Como fundadora e diretora da Páginas Editora, explica como é trabalhar acumulando também o papel de escritora?

LR: Na editora tenho muito trabalho, pois, como em todo empreendimento de pequeno porte, assumo muitas funções. Por isso escrever acaba ficando para os domingos e poucas horas de folga. Tenho, inclusive, batalhado um romance histórico que está comigo há 4 anos e ainda não tenho previsão de concluir. Mas sendo menor o texto para crianças, ainda que precise ser burilado bastante, a conciliação das atividades acaba sendo possível.

 

RM: Como o mercado está reagindo para a literatura?

LR: O espaço para a literatura continua restrito. O índice de leitura é baixo, cada vez mais prejudicado pela conjuntura, que obriga a todos a trabalhar mais horas e viver menos o ócio necessário para a arte (produção e consumo). Para quem chega ao mercado como editor ou como autor a exigência de divulgação e esforço para abrir espaços é muito grande. Acredito que fazemos, porque amamos a escrita e nosso prazer em ver crianças e adultos lendo, tendo contato com experiências de outrem, vivendo emoções com as histórias, aprendendo um pouquinho também, é muito, muito grande. Por isso a dedicação vale a pena. Mas o mercado não está fácil, apesar de as escolas hoje trabalharem mais a literatura do que há décadas.

 

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