“Dom Quixote”

Quem não conhece o cavaleiro andante Dom Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Pança?

Hoje vamos falar desse super clássico da literatura mundial que a Editora do Brasil acaba de transformar numa edição dedicada aos jovens. Originalmente intitulado “El ingenioso hidalgo Don Qvixote de La Mancha”, a obra foi criada pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra, que viveu de 1547 a 1616. Cervantes começou a escrever a história em 1580. O livro só foi publicado pela primeira vez em 1605, na cidade de Madri, com 126 capítulos. De lá até os dias atuais, centenas de novas edições foram lançadas constantemente no mercado literário.

Dom Quixote foi publicado em uma época de grandes transformações. Os romances de cavalaria que, até aquela época ocupavam um lugar de destaque na literatura popular, começaram a decair. Seguindo as inovações vigentes no contexto em que viveu, Cervantes satiriza este estilo literário, criando uma sátira das novelas medievais protagonizadas por cavaleiros heroicos. Enquanto Dom Quixote é um personagem sonhador e fantasioso, Sancho Pança atua como personagem contraste ao próprio Dom Quixote: é sério e realista.

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O “Dom Quixote” lançado recentemente pela Editora do Brasil é a única versão bilíngue da obra e está apresentada em português e espanhol. A adaptação é das escritoras Telma Guimarães (português) e Andrea Viviana Taubman (espanhol). O livro tem 165 páginas literárias, sendo 109  e 22 capítulos no idioma português e as demais no espanhol. A história relata as aventuras reais ou imaginárias do fidalgo Alonso Quijano, Dom Quixote, que resolve montar um cavalo e se tornar um cavaleiro andante. Cria personagens, vilões e donzelas, ao longo da aventura, e envolve-se em várias confusões e conquistas com a ajuda de seu fiel escudeiro, Sancho Pança.

A editora defende mais essa adaptação, pois “é uma forma de  estimular alguém a saber um pouco mais da obra de um autor. Por meio do texto adaptado, é possível conhecer a essência de uma grande história que já inspirou muitas pessoas. Sendo assim, a adaptação existe não para resumir uma história clássica nem para substituir sua leitura na íntegra, mas para servir como primeiro contato, uma introdução ao universo desses textos _ consagrados por séculos, muitas vezes, diminuindo distâncias e aproximando o livro dos jovens leitores”.

De fato, essa adaptação tem tudo para envolver os jovens leitores no universo maior de Dom Quixote. O texto embala a leitura. Além disso, o lançamento tem um belo projeto gráfico, com páginas bem desenhadas, que também estimulam a leitura. As ilustrações são do espanhol Rafael Antón, que realiza seu sonho, acalentado há anos, de ilustrar as aventuras e o famoso romance de Cervantes.

“Procurei um um estilo expressivo com ênfase nas luzes e no ambiente das paisagens que acompanham as peripécias do famoso fidalgo Dom Quixote. Tentei plasmar não só os acontecimentos, mas as sensações que vivi nas minhas várias leituras do clássico”, explica o ilustrador.

As autoras

A escritora e tradutora argentina Andrea Viviana Taubman foi quem adaptou o texto para o espanhol: “Pedi permissão a Cervantes e avisei a todos que às origens, que estava partindo para a Espanha do século XVII”, conta. O encontro com o universo da obra foi pulsante para Andrea, que cresceu mergulhada na cultura hispânica.

“Participar desta grande aventura me fez perceber o quanto os provérbios de Sancho Pança e os conselhos de Dom Quixote estavam presentes no meu imaginário. Produzir esta adaptação foi delicioso, um retorno às origens, uma grande honra e tarefa de imensa responsabilidade”, relata Andrea.

Provérbios e conselhos são um destaque em “Dom Quixote”, por isso se tornaram um grato desafio para Telma Guimarães, que preferiu adotar os provérbios brasileiros mais assimilados pelos jovens e destacou um capítulo inteiro, “Dos conselhos de Dom Quixote ao seu escudeiro Sancho Pança”, para dar graça à sabedoria do cavaleiro andante. Além disso, a escritora priorizou um texto curto e bem objetivo. Da obra original, ela fez uma seleção de histórias mais interessantes para leitores a partir de 12 anos de idade.

Para chegar a esse entendimento, Telma leu 15 outras adaptações, além da obra integral, e se dedicou ao texto durante um ano. Por email, Telma Guimarães (foto) concedeu uma entrevista ao blog para explicar mais sobre mais esse trabalho. Importante comentar que a escritora e tradutora está comemorando 30 anos de carreira com uma extensa obra e rica colaboração para a literatura brasileira especialmente a infantil.

A entrevista

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Rosa Maria: Do universo de Miguel Cervantes, quais foram as prioridades que trouxe para a adaptação deste Dom Quixote lançada pela Editora do Brasil?

Telma Guimarães:  As prioridades foram as passagens mais expressivas e icônicas da obra. Foi bem difícil escolhê-las! As que subtraí em nada alteram o entendimento do texto. Após  esses “cortes”,  lancei-me ao  trabalho de alinhavar as aventuras escolhidas  numa linguagem atual, sem prejudicar o ritmo da narrativa. É importante deixar o leitor curioso até o final! E um ritmo mais ágil, sem interrupções, o mantém mais atento!

RM: O que destaca da obra para os jovens leitores?

TG: Acho que o leitor vai se encantar com o desenrolar da amizade entre Dom Quixote e Sancho Pança. No início, um simples e fiel servidor. Aos poucos, Sancho Pança passa a ser conselheiro de Dom Quixote,  o ajudando e alertando.  Os famosos ditados de Sancho Pança foram adaptados para os nossos ditados mais populares. A uma teimosia de Dom Quixote, Sancho responde: “Quando a cabeça não pensa, o corpo padece.”

Quando Dom Quixote promete ao ajudante o governo de uma ilha, ele diz: “Quem espera sempre alcança e é isso que devo alcançar em breve: uma ilha!”  Ou quando Dom Quixote reclama que Sancho Pança não sabe assinar nem o próprio nome: “Assinar o meu nome, eu aprendi… Mas para tudo há remédio, a não ser para a morte! Ter a faca e o queijo na mão é o que me basta! Quando for governador, Deus me ajudará, pois Deus ajuda quem cedo madruga!” Creio que  a utilização de expressões nossas, do dia a dia, deixa a narrativa mais moderna e, em alguns momentos, mais engraçada ainda. Parece que estamos ouvindo Sancho Pança falar bem ao nosso lado.

RM: Como este clássico da literatura pode ser entendido nos tempos atuais?

TG: Acredito que o jovem leitor vai se encantar com as aventuras de Dom Quixote, que quer defender a todo custo os mais fracos e que num mundo idealizado por ele, entrega-se à suas próprias loucuras. São tantas as batalhas que nos são apresentadas nos dias de hoje. Como lutar contra elas? Com que armas? Será que, como Dom Quixote, também lutamos contra moinhos de vento? Como nosso cavaleiro, lutamos contra algo que não vemos? Ou somos como Sancho Pança, que só acredita no que vê? Podemos lutar utilizando palavras? Sim, é por isso que precisamos ler. E uma história como essa nos leva a olhar para nossa própria sociedade com um olhar mais crítico.

O livro custa R$ 56,80 e pode ser comprado nas livrarias virtuais ou no sete da editora https://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/detalhe.asp?CODIGO=74250103211

 

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