Festival Literário Pop

Existem muitos eventos literários, mas os dedicados exclusivamente a jovens praticamente não acontecem, daí a recente criação do Flipop (Festival Literário Pop) dedicado a uma faixa etária que felizmente está lendo muito.

64aca74d4aa4b33c3e05fd7e0231ef6e

FLIPOP é um festival criado pela Editora Seguinte em 2017, após sentir falta de um evento literário totalmente voltado para os leitores jovens. O objetivo é proporcionar uma experiência imersiva ao leitor YA (Young Adult), que poderá interagir diretamente com autores e leitores dos seus livros favoritos.

Não é um evento de estandes, mas sim um grande encontro com bate-papos, atividades, sessões de autógrafos e brindes exclusivos. FLIPOP 2018 será realizado de 29 de junho a 1° de julho,no Centro de Convenções Frei Caneca – 4º andar (Rua Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo). O evento terá a participação de mais autores, mais mesas e mais dias: serão três dias dedicados totalmente à literatura.

Jeff Zentner, autor de “Dias de despedida”, está confirmado no festival

                     Jeff Zentner, autor de “Dias de despedida”, está confirmado no festival

Dois grandes nomes internacionais foram confirmados: Jeff Zentner, autor de “Dias de despedida”, e Morgan Rhodes,  a autora da série “A queda dos reinos”,  assim como vários outros autores que participarão de palestras, atividades e sessões de autógrafos.

Os ingressos já estão disponíveis e a quantidade é limitada. O ingresso dá direito a participar das sessões de autógrafos e todos pagam meia: seja apresentando carteirinha de estudante (meia-entrada) ou doando um livro em bom estado (meia social). Inscreva-se e acompanhe o evento no site www.flipop.com.br

Morgan Rhodes, a autora da série “A queda dos reinos”, é outro nome confirmado

Morgan Rhodes, autora da série “A queda dos reinos”, é outro nome confirmado

A_QUEDA_DOS_REINOS_1365539968P

Fim de semana com muitas histórias

Em Belo Horizonte, neste próximo domingo tem projeto “Santa Leitura” na comunidade Sagrada Família e contação de histórias no Minas Shopping com o projeto “Era uma vez”.

Santa Leitura na Comunidade Sagrada Família.

26219513_10210436704466527_815097049253755168_nNo domingo, dia 10 de junho, a partir de 9h30, o projeto “Santa Leitura” estará na Comunidade Sagrada Família (Estrada Velha de Nova Lima, 365), no bairro Novo Taquaril. Para alegrar ainda mais o ambiente, o evento contará com a participação do contador de histórias, Pierre André, parceiro do projeto desde 2013.

O projeto tem o objetivo de despertar o interesse da criança pela leitura de uma maneira lúdica e bem democrática. Segundo a idealizadora, no projeto “Santa Leitura”, o livro é a estrela maior e a diversão é sempre garantida.

“Nossos encontros são sempre muito agradáveis, as crianças leem, interagem umas com as outras, eu leio para as crianças e com isso elas ganham mais cultura e autoestima. Além disso, levo bolo e refrigerantes e todos cantam parabéns para o aniversariante do mês”, completa Estella Cruzmel.

Os eventos são abertos ao público, com estrada gratuita. Interessados em realizar doações de livros podem entrar em contato através da página do projeto “Santa Leitura” facebook.com/LeituraNaPraca

“Era uma vez”

As contadoras de histórias Roberta Colen e Tatiane Moreira voltam ao Minas Shopping para mais uma edição do projeto “Era Uma Vez”, neste domingo (10 de junho), a partir das 14h, no Piso 1, em frente à Leitura. O projeto é fruto da parceria do Instituto Gil Nogueira (IGN) com o Minas Shopping para incentivar a leitura.

As histórias que serão apresentadas são “Eu tenho um pequeno problema, disse o Urso” e o “Pescador, o Anel e o Rei”. O primeiro conto fala da importância de ouvir, pois o urso tenta, diversas vezes, relatar o que ocorre com ele, mas os outros animais sempre o interrompem, até que surge uma mosca e ajuda o animal. Já a segunda história mostra um pescador simples, que tinha muita fé e alegria, e um rei que achava que podia mais que Deus. Inconformado com a fé e a alegria do pescador, o rei lhe deu uma tarefa e armou ao mesmo tempo uma cilada para que o pescador não conseguisse realizá-la.

As crianças e os responsáveis podem interagir com os contadores e desfrutar de momentos divertidos. Toda a programação é gratuita, com vagas limitadas.

Contadora de histórias capacitada pelo Instituto Cultural Aletria e graduanda em letras pelo Centro Universitário Claretiano, Roberta Cohen atua conscientizando sobre o autismo por meio da contação de histórias, brincadeiras e canções. Integra o grupo Filhas da Terra Contadoras de Histórias desde 2015 e o Projeto Ler é Viver, do Instituto Gil Nogueira, desde 2017.

Narradora de histórias desde 2012, quando iniciou o projeto “Semeando histórias” para atender creches da região leste de Belo Horizonte, Tatiane Moreira é arte-educadora e pedagoga, atuando como professora da rede municipal de Belo Horizonte. Em 2014, criou o grupo Filhas da Terra.

Minas Shopping – Avenida Cristiano Machado, 4000 – União – Belo Horizonte –
Telefone: (31) 3429-3500

“Heroínas”

Clássicos da literatura ganham da Editora Galera versão contemporânea dedicada aos jovens. Como ficaram as tradicionais histórias conhecidas por terem homens como heróis:

“Mosqueteiros”?

“Távola redonda”?

“Robin Hood”?

 

image005Em um mundo não tão distante, três mulheres escreviam suas próprias histórias. Daniela d’Artagnan, Marina Artiaga e Roberta Horácio têm algo em comum:  elas são heroínas, mas não dessas com super poderes. Dentro de suas próprias realidades, elas estão dispostas a ocupar seus lugares de  fala e a fazer a diferença no mundo.

Este mês está chegando às livrarias “Heroínas”, obra que dá uma outra roupagem a clássicos da literatura conhecidos por terem homens no papel principal. Nesta versão contemporânea e feminista, três autoras da nova geração da literatura nacional assinam os contos: Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares.

Em “Heroínas”, as mulheres são protagonistas e conseguem empunhar o escudo para defender os animais, enquanto precisam conciliar as provas do terceiro ano e os estudos para o ENEM. Esse é o caso de Daniela d’Artagnan no conto “Uma por todas e todas por uma”, de Laura Conrado. Nele, “Mosqueteiros” é uma conceituada ONG de defesa dos animais e as veterinárias voluntárias do projeto são apelidadas de “mosqueteiras”. Laura cresceu em uma chácara cheia de bichos e adora tomar conta deles, assim como sua mãe. Seu sonho é ser uma mosqueteira e após uma tentativa frustrada de entrar para a ONG, ela conhece Agnes, uma das voluntárias. E é assim que três mosqueteiras ganham a ajuda de mais uma mulher que não hesita em defender os animais.

A “Távola redonda” de Pam Gonçalves é organizada por Marina Artiaga, líder da comissão de formatura da escola pública Professor José Carlos Ramos. É ela que irá desembainhar sua espada para fazer a festa de fim do Ensino Médio acontecer, mesmo com o sumiço do dinheiro para o evento. A escola foi assaltada e o dinheiro que os pais haviam investido com tanto sufoco, desapareceu. Mas a coragem e o senso de justiça de Marina serão fortes aliados nessa missão.

O “Robin Hood” de Ray Tavares, na verdade, se chama Roberta Horácio, uma habilidosa hacker que invade sistemas para corrigir algumas injustiças. Entre outros crimes cibernéticos, ela desviou R$ 3 milhões de parlamentares, empresários e religiosos, incluindo o senador Arnaldo Nevada, aspirante ao cargo de Presidente da República. O dinheiro é sempre desviado para ONGs. O arco e flecha de Roberta são seu mouse e o teclado. Dessa forma, ela pode ajudar quem precisa sem deixar de pensar nas consequências dos próprios atos.

“Heroínas” é escrito por mulheres para que outras mulheres alcancem o seu protagonismo no dia a dia e percebam que juntas é possível salvar o dia.  Laura Conrado é jornalista, pós-graduada em Educação, Criatividade e Tecnologia. Vencedora do Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura em 2012, Laura é presença constante em eventos literários e escolas.

Pam Gonçalves é autora de “Boa Noite” e “Uma História de Verão”, escorpiana, nascida e criada em Tubarão/SC, se formou em Publicidade e Propaganda e atualmente divide seu tempo entre escrever, manter um canal no Youtube para inspirar as pessoas com recomendações de livros e dicas de escrita. E Ray Tavares tem 25 anos, é formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP e sonha em mudar a realidade do Brasil. Sempre amou ler, mas quando começou a escrever fanfics de McFLY aos 13 anos, apaixonou-se por criar histórias e nunca mais parou. Em 2017, publicou o seu primeiro livro pela Galera Record, “Os 12 Signos de Valentina”, que atingiu a marca de mais de 2 milhões de leituras no Wattpad.

“As árvores invisíveis”

Neste sábado, 9/6, a partir de 9:00 horas, tem livro novo chegando no Parque Rosinha Cadar, no bairro Santo Agostinho, em  Beagá. É o dia do lançamento do aguardado “As árvores invisíveis”, selo da Páginas, ambos de Leida Reis: autoria e editora. Hoje, numa entrevista ao blog, a escritora conta tudo sobre o seu novo livro infantil que traz uma história de amor ao verde e ao meio ambiente.  

imagem do livro

Rosa Maria: “As árvores invisíveis” é o seu primeiro livro infantil, mas você já lançou outros livros para adultos. O que lhe atraiu na literatura infantil?

Leida Reis: Há muitos anos faço experimentações com textos para crianças. Cheguei a produzir duas histórias e submetê-las à leitura de especialistas e um delas começou inclusive a ser ilustrada. Mas eu não achei que estivessem prontos aqueles textos. Foi sempre um desafio escrever para os pequenos leitores. Amo livros infantis.

 

Leida Reis criou marcadores para o livro que contêm sementes naturais como forma de estimular as crianças a plantarem

Leida Reis criou marcadores para o livro, que contêm sementes naturais, como forma de estimular as crianças a plantarem

RM: Como foi a adaptação da linguagem?

LR: Estou acostumada à linguagem para adultos, mas com o trabalho na Páginas Editora passei a ler muito mais livros infantis, o que facilitou minha escrita para esse público. Não foi fácil, mas busquei o olhar, a percepção de uma criança de oito anos, como modelo, e arrisquei. Espero que o resultado agrade a todos os públicos, na verdade, inclusive o adulto. O livro foi lido por uma profissional muito competente, a quem agradeço as sugestões, e também pelo Daniel Munduruku, o escritor indígena doutor em Educação pela USP que nos ensina muito sobre a humanidade. Dele é o texto da quarta capa do livro.

 

RM: O que nos conta essas árvores?

LR: “As árvores invisíveis” são tudo o que nos cerca e não enxergamos, porque estamos muito acostumados a padrões. Sebastião é um menino negro, classe média, que ama as árvores da floresta, mas pela cidade vê apenas criaturas estranhas, sem cor e sem forma. Um sonho com um pajé e uma experiência com a avó, num trabalho voluntário, vão abrir os seus olhos para as árvores da cidade.

 

RM: Qual é a principal mensagem do livro?

LR: A principal mensagem é a do olhar e enxergar as coisas como são. Mas também chamo a atenção para o meio ambiente urbano, para as árvores da cidade, tão mal cuidadas e realmente invisíveis a todos nós.

 

RM: Como foi a produção?

LR: Fiz esse livro em poucos meses. Ao contrário das tentativas anteriores, este veio de uma ideia de falar das árvores, apareceu o Sebastião para viver essa história de amor com o verde e me foi passada uma ideia sensacional: a de colocar sementes nos marcadores de página, uma forma de estimular as crianças a plantarem. São sementes de ipê amarelo, ipê roxo, doados pela ONG Boi Rosado, e também de clotalária (planta que é uma arma biológica no combate à dengue) e também de cuité.  Também destaco o trabalho com a Mariana Tavares, que havia ilustrado “Aqui, ali e acolá…histórias em todo lugar”, da Sterlayni Duarte, lançado também pela Páginas Editora. Mariana colocou muita emoção na história, abrindo um novo leque. Foi o seu segundo livro e já a considero uma ilustradora madura.

 

RM: Após o lançamento, quais os demais passos do livro: alguma feira, evento literário ?

LR: “As árvores invisíveis” teve um pré-lançamento na Flipoços, onde a contadora de história e escritora Vanessa Corrêa fez contação de história para duas escolas locais e foi muito bom, pois percebi que as crianças estão atentas às questões envolvendo as árvores. Elas apontavam para as árvores na área externa da Urca, onde aconteceu o evento, e achei aquilo lindo. O lançamento acontece neste sábado, dia 9, num local também com árvores, o Parque Rosinha Cadar, das 9 às 13h. Ainda não tenho outros eventos previstos, exceto lançamento em Patrocínio, minha cidade, em agosto, mas com certeza marcaremos outros. Há possibilidade de uma apresentação no dia 17 deste mês, no Galpão Paraíso. E também faremos uma contação de história do livro na Festa Literária de Parati (Flip), em local a ser confirmado.

 

RM: Como fundadora e diretora da Páginas Editora, explica como é trabalhar acumulando também o papel de escritora?

LR: Na editora tenho muito trabalho, pois, como em todo empreendimento de pequeno porte, assumo muitas funções. Por isso escrever acaba ficando para os domingos e poucas horas de folga. Tenho, inclusive, batalhado um romance histórico que está comigo há 4 anos e ainda não tenho previsão de concluir. Mas sendo menor o texto para crianças, ainda que precise ser burilado bastante, a conciliação das atividades acaba sendo possível.

 

RM: Como o mercado está reagindo para a literatura?

LR: O espaço para a literatura continua restrito. O índice de leitura é baixo, cada vez mais prejudicado pela conjuntura, que obriga a todos a trabalhar mais horas e viver menos o ócio necessário para a arte (produção e consumo). Para quem chega ao mercado como editor ou como autor a exigência de divulgação e esforço para abrir espaços é muito grande. Acredito que fazemos, porque amamos a escrita e nosso prazer em ver crianças e adultos lendo, tendo contato com experiências de outrem, vivendo emoções com as histórias, aprendendo um pouquinho também, é muito, muito grande. Por isso a dedicação vale a pena. Mas o mercado não está fácil, apesar de as escolas hoje trabalharem mais a literatura do que há décadas.

 

“Dom Quixote”

Quem não conhece o cavaleiro andante Dom Quixote e seu fiel escudeiro Sancho Pança?

Hoje vamos falar desse super clássico da literatura mundial que a Editora do Brasil acaba de transformar numa edição dedicada aos jovens. Originalmente intitulado “El ingenioso hidalgo Don Qvixote de La Mancha”, a obra foi criada pelo escritor espanhol Miguel de Cervantes Saavedra, que viveu de 1547 a 1616. Cervantes começou a escrever a história em 1580. O livro só foi publicado pela primeira vez em 1605, na cidade de Madri, com 126 capítulos. De lá até os dias atuais, centenas de novas edições foram lançadas constantemente no mercado literário.

Dom Quixote foi publicado em uma época de grandes transformações. Os romances de cavalaria que, até aquela época ocupavam um lugar de destaque na literatura popular, começaram a decair. Seguindo as inovações vigentes no contexto em que viveu, Cervantes satiriza este estilo literário, criando uma sátira das novelas medievais protagonizadas por cavaleiros heroicos. Enquanto Dom Quixote é um personagem sonhador e fantasioso, Sancho Pança atua como personagem contraste ao próprio Dom Quixote: é sério e realista.

capa_dom_quixote_de_la_mancha_2018.indd

O “Dom Quixote” lançado recentemente pela Editora do Brasil é a única versão bilíngue da obra e está apresentada em português e espanhol. A adaptação é das escritoras Telma Guimarães (português) e Andrea Viviana Taubman (espanhol). O livro tem 165 páginas literárias, sendo 109  e 22 capítulos no idioma português e as demais no espanhol. A história relata as aventuras reais ou imaginárias do fidalgo Alonso Quijano, Dom Quixote, que resolve montar um cavalo e se tornar um cavaleiro andante. Cria personagens, vilões e donzelas, ao longo da aventura, e envolve-se em várias confusões e conquistas com a ajuda de seu fiel escudeiro, Sancho Pança.

A editora defende mais essa adaptação, pois “é uma forma de  estimular alguém a saber um pouco mais da obra de um autor. Por meio do texto adaptado, é possível conhecer a essência de uma grande história que já inspirou muitas pessoas. Sendo assim, a adaptação existe não para resumir uma história clássica nem para substituir sua leitura na íntegra, mas para servir como primeiro contato, uma introdução ao universo desses textos _ consagrados por séculos, muitas vezes, diminuindo distâncias e aproximando o livro dos jovens leitores”.

De fato, essa adaptação tem tudo para envolver os jovens leitores no universo maior de Dom Quixote. O texto embala a leitura. Além disso, o lançamento tem um belo projeto gráfico, com páginas bem desenhadas, que também estimulam a leitura. As ilustrações são do espanhol Rafael Antón, que realiza seu sonho, acalentado há anos, de ilustrar as aventuras e o famoso romance de Cervantes.

“Procurei um um estilo expressivo com ênfase nas luzes e no ambiente das paisagens que acompanham as peripécias do famoso fidalgo Dom Quixote. Tentei plasmar não só os acontecimentos, mas as sensações que vivi nas minhas várias leituras do clássico”, explica o ilustrador.

As autoras

A escritora e tradutora argentina Andrea Viviana Taubman foi quem adaptou o texto para o espanhol: “Pedi permissão a Cervantes e avisei a todos que às origens, que estava partindo para a Espanha do século XVII”, conta. O encontro com o universo da obra foi pulsante para Andrea, que cresceu mergulhada na cultura hispânica.

“Participar desta grande aventura me fez perceber o quanto os provérbios de Sancho Pança e os conselhos de Dom Quixote estavam presentes no meu imaginário. Produzir esta adaptação foi delicioso, um retorno às origens, uma grande honra e tarefa de imensa responsabilidade”, relata Andrea.

Provérbios e conselhos são um destaque em “Dom Quixote”, por isso se tornaram um grato desafio para Telma Guimarães, que preferiu adotar os provérbios brasileiros mais assimilados pelos jovens e destacou um capítulo inteiro, “Dos conselhos de Dom Quixote ao seu escudeiro Sancho Pança”, para dar graça à sabedoria do cavaleiro andante. Além disso, a escritora priorizou um texto curto e bem objetivo. Da obra original, ela fez uma seleção de histórias mais interessantes para leitores a partir de 12 anos de idade.

Para chegar a esse entendimento, Telma leu 15 outras adaptações, além da obra integral, e se dedicou ao texto durante um ano. Por email, Telma Guimarães (foto) concedeu uma entrevista ao blog para explicar mais sobre mais esse trabalho. Importante comentar que a escritora e tradutora está comemorando 30 anos de carreira com uma extensa obra e rica colaboração para a literatura brasileira especialmente a infantil.

A entrevista

THV_7122

Rosa Maria: Do universo de Miguel Cervantes, quais foram as prioridades que trouxe para a adaptação deste Dom Quixote lançada pela Editora do Brasil?

Telma Guimarães:  As prioridades foram as passagens mais expressivas e icônicas da obra. Foi bem difícil escolhê-las! As que subtraí em nada alteram o entendimento do texto. Após  esses “cortes”,  lancei-me ao  trabalho de alinhavar as aventuras escolhidas  numa linguagem atual, sem prejudicar o ritmo da narrativa. É importante deixar o leitor curioso até o final! E um ritmo mais ágil, sem interrupções, o mantém mais atento!

RM: O que destaca da obra para os jovens leitores?

TG: Acho que o leitor vai se encantar com o desenrolar da amizade entre Dom Quixote e Sancho Pança. No início, um simples e fiel servidor. Aos poucos, Sancho Pança passa a ser conselheiro de Dom Quixote,  o ajudando e alertando.  Os famosos ditados de Sancho Pança foram adaptados para os nossos ditados mais populares. A uma teimosia de Dom Quixote, Sancho responde: “Quando a cabeça não pensa, o corpo padece.”

Quando Dom Quixote promete ao ajudante o governo de uma ilha, ele diz: “Quem espera sempre alcança e é isso que devo alcançar em breve: uma ilha!”  Ou quando Dom Quixote reclama que Sancho Pança não sabe assinar nem o próprio nome: “Assinar o meu nome, eu aprendi… Mas para tudo há remédio, a não ser para a morte! Ter a faca e o queijo na mão é o que me basta! Quando for governador, Deus me ajudará, pois Deus ajuda quem cedo madruga!” Creio que  a utilização de expressões nossas, do dia a dia, deixa a narrativa mais moderna e, em alguns momentos, mais engraçada ainda. Parece que estamos ouvindo Sancho Pança falar bem ao nosso lado.

RM: Como este clássico da literatura pode ser entendido nos tempos atuais?

TG: Acredito que o jovem leitor vai se encantar com as aventuras de Dom Quixote, que quer defender a todo custo os mais fracos e que num mundo idealizado por ele, entrega-se à suas próprias loucuras. São tantas as batalhas que nos são apresentadas nos dias de hoje. Como lutar contra elas? Com que armas? Será que, como Dom Quixote, também lutamos contra moinhos de vento? Como nosso cavaleiro, lutamos contra algo que não vemos? Ou somos como Sancho Pança, que só acredita no que vê? Podemos lutar utilizando palavras? Sim, é por isso que precisamos ler. E uma história como essa nos leva a olhar para nossa própria sociedade com um olhar mais crítico.

O livro custa R$ 56,80 e pode ser comprado nas livrarias virtuais ou no sete da editora https://www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/detalhe.asp?CODIGO=74250103211

 

“Adivinhas para brincar”

Livro brinca com o significado das palavras. Quem nunca brincou assim com os  amigos? Em nova obra da Panda Books, autoras reúnem adivinhas engraçadas e inusitadas para o leitor aprender brincando.

91guWMYuAfL

O que é, o que é: Salta, dá um espirro e vira pelo avesso. Qual é o bicho que anda com as patas? O que faz virar a cabeça?

Em “Adivinhas para brincar”, que acaba de ser lançado pela Panda Books, há muitos outros desafios! São mais de 70 adivinhas inéditas com animais, alimentos, objetos, partes do corpo humano e elementos da natureza para o leitor se divertir a valer com os amigos.

Além de divertidas, as adivinhações ajudam a criança a aprender a associar ideias e palavras. Dá para se divertir tanto em casa, no colégio, na rua, na sala de espera do médico, nas festas de aniversário, no parque etc.

Para o livro “Adivinhas para brincar”, as educadoras Josca Ailine Baroukh e Lucila Silva de Almeida criaram adivinhas próprias que podem mexer com a imaginação e a criatividade de adultos e crianças.

“Aprender brincando é o que propomos aos leitores. Fazemos com que ele pense, repense, tente resolver os enigmas e depois saia contando para os amigos e familiares o que descobriu com as adivinhas”, destaca Josca. A obra ainda conta com as divertidas ilustrações de Camila Sampaio, que dão um toque especial para as adivinhas.

MOCKUP_Adivinhasparabrincar1-500x500

 Adivinhas do livro

O que é, o que é?

Tem capa, mas não é super-herói

Tem folha, mas não é árvore,

Tem orelha, mas não é gente,

Não fala, mas conta tudo?

 

É de comer!

Uma casinha branca por dentro,

Verde por fora,

Trancada e inundada.

O que é?

 

Que animal será que é?

 O que é? O que é?

É verde e não é planta,

Fala e não é gente?

 

O que será que é?

Mesmo atravessando o rio,

consegue não se molhar, o que é?

 

Responda se da natureza souber…

O que é? O que é?

Respira sem pulmões,

Tem pés, mas não anda?

 

Está no corpo. Você sabe o que é?

O que é que vive batendo no céu?

MOCKUP_Adivinhasparabrincar2-500x500

As respostas

Fim

Coco verde

Papagaio

Ponte

Planta

Língua

As autoras 

image007Josca Ailine Baroukh nasceu em São Paulo e desde criança sempre gostou de brincar com as palavras. Estudou psicologia e logo percebeu que queria ser professora. Anos depois começou a trabalhar com outros educadores sempre conversando sobre a importância e o prazer da leitura e das brincadeiras. Hoje, visita escolas, conversa com crianças e professores e continua brincando com as palavras escritas e faladas.

Lucila Silva de Almeida nasceu em São Paulo e com seus pais, avós, seus outros cinco irmãos e vizinhos aprendeu muitos versinhos, parlendas e brincadeiras. Estudou pedagogia e adora ser professora. Gosta tanto de brincar que já escreveu um livro sobre isso para os adultos e sempre encontra professores para conversar sobre a importância do brincar na escola.

As duas também são autoras de “Parlendas para brincar” da Panda Books.

A ilustradora

Camila Sampaio nasceu em Minas Gerais e, quando era bem pequena, mudou com a família para São Paulo, onde vive até hoje. Estudou artes gráficas e letras e, apesar de ter experimentado outras profissões, não conseguiu fugir: se tornou ilustradora. O que mais gosta é de ilustrar livros para crianças. Adora dar cor e forma aos sonhos, às histórias, às piadas.

O livro tem 48 páginas e custa R$ 42,90.