A criançada não fica de fora

O Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana 2018 oferece muitas atividades para as crianças e adolescentes até o dia 22 de julho. Tem música, espetáculos circenses, teatro e oficinas, selecionados pela curadoria infantojuvenil. Em julho, está mais do que na hora de curtir Ouro Preto e a rica programação do Festival de Inverno.

Foto Tainara Torres

Foto/Divulgação: Tainara Torres

Um circo chega a Ouro Preto nesta quinta-feira, 12/7, às 16h, no adro da Igreja de São Francisco de Assis, com Los Circo Los e o espetáculo Versão Brasileira, que será apresentado também no dia 13/7, às 10h, no ICSA, em Mariana. Nos dias 13, 14 e 15/7, às 17h, é a vez do espetáculo Tamanho Família, com a mostra do Projeto Circo da Gente – OCA/Ufop, na estação ferroviária de Ouro Preto. Ainda no dia 14/7, Beatriz Myrrha traz o espetáculo Histórias de Felicidades, às 19h, no Centro de Convenções da Ufop (ingressos a R$10,00). Em 11/7, a Cia. Circunstância leva ao ICSA, em Mariana, o espetáculo De Mala às Artes, às 10h. No distrito de Lavras Novas, a Cia Curta Companhia apresenta o espetáculo O nariz que conta história, às 15h.

As oficinas selecionadas pela curadoria Infantojuvenil oferecem atividades especiais para esse público. Com Alice Giffoni, Bruna Melo, César Pereira, Dâmaris Fonseca, Pedro Mageste e Poliana Àvila, a oficina O que você quer saber sobre o corpo humano? acontece nos dias 11 e 12/7 na Escola Estadual Izaura Mendes, com foco nos porquês das crianças e no incentivo às descobertas. Tábatta Iori traz a oficina Criando com sombras, no dia 8/7, na Sala 35 da Escola de Minas (Praça Tiradentes), com iniciação ao teatro de sombras e a construção de enredos e cenários. Já Violeta Vaz Penna oferece a oficina Uma dança para você, de 9 a 11/7, na Tenda da Ufop, na estação ferroviária, com foco na dança para o público jovem. Em Ludi-cidade: o lúdico no espaço urbano, Carla Gontijo busca o diálogo entre a dança e a cidade, de 16 a 18/7, na Sala 35 da Escola de Minas, Praça Tiradentes, (inscrições a R$10,00). O Setor Educativo do Museu da Inconfidência oferece a oficina Ouro Preto – Paisagens psicodélicas, de 16 a 20/7, na Escola Estadual Dom Veloso, para crianças e adolescentes, com discussão sobre o movimento tropicalista e percepção visual do espaço de Ouro Preto.

Para conhecer e apreciar a exuberante natureza que cerca a histórica Ouro Preto, o Circuito Natureza oferece caminhadas nos dois principais parques da cidade. Crianças da rede pública de ensino visitam o Parque do Itacolomy nos dias 9 e 10/7, às 9h30; e o Parque Municipal das Andorinhas, nos dias 11 e 12/7, também às 9h30. As inscrições para as oficinas e para o Circuito Natureza são realizadas no site www.festivaldeinverno.ufop.br.

O espetáculo do grupo "PopLeko" fez o local ser contagiado por muita cor, música, alegria e brilho no dia da comemoração dos 307 anos de Ouro Preto, no último domingo - Foto/Divulgação: Marcelo Cardoso

O espetáculo do grupo “PopLeko” fez o local ser contagiado por muita cor, música e alegria no dia da comemoração dos 307 anos de Ouro Preto, no último domingo – Foto/Divulgação: Marcelo Cardoso

Para o 6º Encontro de Arte/Educação de Ouro Preto, nos dias 12 e 13/7, no Centro de Convenções da Ufop, são oferecidas 150 vagas, destinadas a profissionais da área e ao público interessado. O objetivo é discutir e analisar práticas da Arte/Educação dentro e fora do ambiente escolar, por meio de palestras, debates e comunicações.

Programação

12 de julho

14h – O Festival de Inverno e o Encontro de Arte/Educação – Persistência e Resistência – Emerson de Paula e César Teixeira

14h30 – Teatro (Educação): (Contra guerrilhas poéticas) – Acevesmoreno Flores Piegaz e Flávio Gonçalves

16h – A Criatividade da Criança – Tiago Cruvinel e Jeanne Botelho

17h – Lançamento de livros

 

13 de julho

9h – Corpos Negros e infâncias: o teatro como resistência à invisibilização – Winny Rocha e Letícia Afonso

10h30 – Apresentação dos inscritos nos Grupos Temáticos

  1. Corpo, Som e Educação: Experimentos e Propostas
  2. Arte/Educação e Espaços Não formais – Mediação Flávio Gonçalves

14h – A Música em Cena: O Rap e o Funk na socialização da Juventude – Juarez Dayrell e Letícia Afonso

15h30 – Arte Indígena na Escola: da Opressão à Cosmopolítica – Tales Bedeschi e Christine Ferreira Azzi

17h – Lançamento de livros

O Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana – Fórum das Artes 2018 são uma realização da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), em parceria com a Fundação Educativa Ouro Preto (Feop) e as Prefeituras de Ouro Preto e João Monlevade.  Mais informações estarão disponíveis nos sites www.ufop.br e www.festivaldeinverno.ufop.br.

Outro espetáculo, "O nariz que canta história",  agitou crianças e adultos no Centro Cultural Bairro Piedade, em Ouro Preto – Foto/Divulgação: Outro espetáculo, "O nariz que canta história",  agitou crianças e adultos no Centro Cultural Bairro Piedade, em Ouro Preto – Foto/Divulgação: Patricia Milagres

Outro espetáculo, “O nariz que canta história”, agitou crianças e adultos no Centro Cultural Bairro Piedade, em Ouro Preto – Foto/Divulgação: Patricia Milagres

 “O nariz que canta história”

Puxa um pouco aqui e um tantinho mais acolá. Depois de alongamentos e muita concentração, a mágica acontece. Aos poucos, os artistas Hayslan Rodrigues e Tábatta Iori se transformam no Palhaço Custelinha e na Palhaça Giramunda, da Curta Companhia. Com muito humor e disposição, os palhaços apresentaram o espetáculo “O nariz que canta história”, que agitou crianças e adultos no Centro Cultural Bairro Piedade, em Ouro Preto.

Durante a apresentação, eles contaram a lenda marianense “Procissão do Miserere” que é “uma lenda regional que faz parte de uma memória coletiva. O palhaço dá uma nova perspectiva para esta história, traz algo mais cômico para o terror”, afirmam os artistas. O projeto, nascido em 2016, em Mariana e Ouro Preto, surgiu do desejo de Hayslan e Tábatta de trabalhar e estudar a arte da palhaçaria e a cultura popular com elementos como teatro e canto.

A história conta que uma senhora chamada Maricota passava os dias a vigiar a vida alheia pela janela de sua casa, na cidade de Mariana. Em uma noite de Sexta-Feira Santa, viu uma procissão se aproximar repleta de pessoas que escondiam seus rostos dentro de grandes capuzes. De repente, um dos integrantes foi até ela e pediu para que guardasse uma vela, que ele voltaria para buscar. Quando a procissão voltou, Maricota foi buscar a vela para devolver à figura misteriosa e levou um grande susto ao constatar que havia se transformado em osso humano. Com a surpresa, a senhora morreu de susto.

O estudante de 11 anos, João Vitor Sena Noé, assistiu à apresentação e a avaliou positivamente. “Foi muito legal e hilário. Acredito que a lenda possa ter sido real”. João, que faz aulas de teatro, conta que o espetáculo e os artistas são motivadores. “Antes, meus pais duvidaram do meu potencial para atuar. O projeto de teatro me inspirou e eventos como o Festival de Inverno são importantes e podem ser um incentivo para a minha família acreditar em mim”, declara.

Neste ano, o Festival de Inverno intensificou ações artísticas descentralizadas, com o objetivo de levar a programação a bairros mais periféricos das cidades. O artista marianense Hayslan Rodrigues vê nesses espaços distantes do centro a oportunidade de aprender e compartilhar experiências por meio da arte. “Percebo tudo isso como uma troca e não com o olhar colonizador de que ‘levamos arte a este lugar’. O que a gente traz em nosso trabalho é a cultura popular, que pertence à comunidade. A cultura popular é e sempre foi periférica”, destaca.

A artista Tábatta Iori vê o festival como oportunidade para a pesquisa e a experimentação da arte e reforça o papel das ações extensionistas. “Essa descentralização é muito importante e deve continuar nas próximas edições do festival. Também é necessário que  as comunidades tenham espaço para se manifestar artisticamente no evento. Os morros de Ouro Preto são muito ricos em cultura”, defende.

A moradora Vanessa Ferreira da Silva, do bairro Piedade, relata que intervenções artísticas raramente ocorrem no local e ressalta a necessidade de mais atividades. “Muito importante o artista ir até o público e mostrar que a comunidade tem valor. As crianças gostam muito, mas não têm oportunidade de prestigiar, pois muitas vezes as ações não chegam aqui”, conclui.

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