A incrível arte de ilustrar

O nome dele é Robson Araújo. Conhecendo o seu portfólio em robsonaraujoalvez.blogspot.com.br a gente descobre ser incontável o número de trabalhos já produzidos seja na literatura, nos livros didáticos ou nas inúmeras modalidades que ele também assina. Assim como parece ser difícil de explicar toda a beleza e criatividade de seus desenhos e ilustrações. Aliás, esse ilustrador que o blog apresenta hoje, numa entrevista muito especial, se define assim: “Me descrevo através do lápis; me defino através das cores”. Com vocês, Robson Araújo.

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Rosa Maria: Há quanto tempo você ilustra livros infantis?

Robson Araújo: Sou carioca e vim morar em Belo Horizonte, no final dos anos 80. No início dos anos 90, tive meu primeiro contato com o mundo editorial, comecei a ilustrar livros infantis e não parei mais.

 

RM: Para quais editoras já trabalhou?

RA: Muitas… Ática, Moderna, Paulus, Saraiva, Lê, Dimensão,Editorial do Brasil,Formato, Cortêz, Caligrafia, Rede Salesiana de Escolas, Escala Educacional, Multifoco, Positivo, Richmond, FTD… Tem mais, mas não lembro.

576981_Capa_Gdiario-de-bordo-do-almirante-negro_1RM: Quais dos seus trabalhos você destaca? Comente sobre eles.

RA: Muitos, mas entre eles tenho uma predileção pelo primeiro livro que ilustrei na vida, “Policarpo, o inseto desqualificado”, da Editora Formato, de autoria de Robinson Damasceno. Mas tem outro especial também e mais atual, “Diário de Bordo” com a história do “almirante negro”. Este livro conta a vida heróica do João Cândido, o almirante negro, eternizado na bela melodia de João Bosco.

RM: Que técnicas utiliza?

RA: A minha predileta é aquarela com acabamento em lápis aquarelado. Como eu trabalho também com didáticos, acabo finalizando em digital. São qualidades diferentes. Aprendi que artista que se preze, trabalha com qualquer técnica, como colagem e outras coisas. Eu não acho que o artista tenha que se prender a qualquer técnica. Já fiz trabalhos maravilhosos em papel ofício… rsrs…somos livres para isso.

 

RM: Como se sente diante do desafio da literatura infantil?

RA: Adoro desafios e quanto mais o autor é “chato”, mais me dedico a superar suas expectativas e pior  (ou melhor) é que sempre dá certo. Entro na cabeça do autor e sou sempre elogiado por isso.

Pags 6-77

RM: Quais os cuidados que um ilustrador deve ter ao trabalhar com uma história para crianças?

RA: Criança não é boba e, sendo assim, não se deve dar mole pra crianças. Elas são espertas e nos observam, nos copiam e nos tomam como exemplos. Não é diferente desenhar para elas. Pelo menos para mim é muito simples: é só você desenhar com a cabeça de uma criança.

DançadoCôco

RM: O que é mais exigido no seu trabalho?

RA: Prazos, sempre eles. Um livro é feito com vários profissionais e já briguei muito por causa disso, por que sempre pressionam o pobre do ilustrador que sempre acaba compensando o tempo dos que atrasam. Daí vem a pressão. Mas pressão é conosco mesmo!

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RM: E a principal recompensa?

RA: Sem pieguices, é na hora que a editora te manda o seu exemplar para a gente guardar no nosso portfólio. E saber que esse mesmo livrinho está sendo distribuído para milhares de crianças e elas estão curtindo a história e as ilustrações. Quem sabe, um dia, sai um artista daí? Outra recompensa: ser bem pago também me faz feliz.

 

19989533_10207596401743068_90324974893883394_nRM: Descreva sua trajetória profissional.

RA: Sou autodidata. Nunca estudei nada de especial, mal um cursinho técnico de desenho, daqueles bem questionáveis. Pra ganhar alguma grana na minha adolescência me submeti ao mundo da exploração artística e, muitas vezes, trabalhei a troco de umas camisas que eu criava as estampas. O cara ganhava uma grana boa, comprava carro e casa e me dava umas camisetas em troca, imagina. Mas depois a coisa foi mudando e finalmente tive a minha sonhada independência artística: trabalhei como auxiliar de arte-finalista (limpando os pinceis do artista, buscando um cafezinho, atendendo telefones…) Depois, revoltado com a exploração, fui pintar muros de jardins de infância, faixas de rua, até aprendi silk-screen. Mais tarde, através de uma grande amiga, que praticamente me adotou, consegui o meu primeiro contato profissional “artístico” e fui trabalhar na extinta “Páginas Amarelas”, como arte-finalista. Alguns anos depois, pedi demissão e saí do Rio para Beagá, onde tive a oportunidade de trabalhar na redação do jornal “Estado de Minas”. Assim, com meu trabalho publicado todos os dias, as portas foram se abrindo, entre elas, o mundo editorial, onde estou até hoje.

Amo desenhar. Desde que me alfabetizei, toda a minha vida foi baseada nas artes. Não é conversa quando se diz que um”artista vê o mundo de outra maneira. A arte é um vício e, quando acontece, não sai mais de dentro da gente. Me sinto orgulhoso de viver dela, de ter criado uma filha com dignidade apenas com minha arte. Todas as profissões são maravilhosas e tem seus valores, mas a arte é única. Houve uma época em que só os artistas perdiam para os imperadores em influência…

Terras do Rei

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