Livros também salvam vidas

Há algum tempo, médicos pediatras já receitam livros para o auxiliar no tratamento das crianças doentes. Agora, assustados com o constante aumento de doenças mentais graves na infância e até mesmo dos casos de suicídios, os pais, educadores e médicos buscam alternativas para socorrerem crianças e adolescentes. Este mês, será realizado um evento gratuito sobre Biblioterapia, ou seja, como tratar através dos livros.

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O médico pediatra Elzo Garcia Jr tem um blog e publicou uma matéria bastante objetiva, onde ela trata de “uma tragédia silenciosa em nossas casas”  http://elzogarciajunior.com.br/ha-uma-tragedia-silenciosa-em-nossas-casas/, afirmando que “nossos filhos estão em um estado emocional devastador. Nos últimos 15 anos, os pesquisadores nos deram estatísticas cada vez mais alarmantes sobre um aumento agudo e constante da doença mental da infância que agora está atingindo proporções epidêmicas”.

O médico apresenta as estatísticas:

1 em cada 5 crianças tem problemas de saúde mental;

aumento de 43% no TDAH foi observado (TDAH significa transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), um tipo de transtorno neurológico, que surge na infância;

aumento de 37% na depressão adolescente foi observado;

aumento de 200% na taxa de suicídio foi observado em crianças de 10 a 14 anos.

O que está acontecendo e o que estamos fazendo de errado?

Segundo o pediatra, as crianças estão sendo estimuladas e superdimensionadas com objetos materiais, mas são privadas dos conceitos básicos de uma infância saudável, tais como: pais emocionalmente disponíveis, limites claramente definidos, responsabilidades, nutrição equilibrada e sono adequado, movimento em geral especialmente ao ar livre, jogo criativo, interação social, oportunidades de jogo não estruturadas e espaços para o tédio.

Ainda segundo o pediatra, em contraste, nos últimos anos as crianças foram preenchidas com: pais indulgentes e permissivos que deixam as crianças ‘governarem o mundo’ e sem quem estabeleça as regras; o direito de obter tudo sem merecê-lo ou ser responsável por obtê-lo, sono inadequado e nutrição desequilibrada, vida sedentária, estimulação sem fim, armas tecnológicas, gratificação instantânea e ausência de momentos chatos.

“Se queremos que nossos filhos sejam indivíduos felizes e saudáveis, temos que acordar e voltar ao básico. Ainda é possível”, afirma o médico.

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Onde entra o livro

Para entender o papel relevante da leitura no equilíbrio emocional das crianças, vamos pensar no seguinte: “alguma vez, ao terminar de ler um determinado livro, você chegou ao fim daquela leitura com uma sensação de que ler aquilo simplesmente salvou sua vida”? Ou “alguma vez, a fala de algum personagem ou certa situação de um livro ajudou você a assumir uma decisão ou, então, a lidar com um problema ou dificuldade que lhe preocupava”?

“Se a sua resposta foi SIM para qualquer uma das questões acima, você não está sozinho e faz parte dos dois terços de educadores formais e não-formais, bibliotecários, autores, gestores e agentes de projetos de leitura, que ao menos uma vez na vida se inspiraram ou se livraram de alguma grande enrascada, graças a um livro que leram e o fizeram pensar”.

untitled 2Tanto as perguntas acima como as explicações para a resposta afirmativa são do Galeno Amorim, fundador do Blog do Galeno, jornalista e escritor. Ele é presidente da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, palestrante e consultor de políticas públicas do livro e leitura para organismos internacionais. Presidiu a Fundação Biblioteca Nacional e o Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe (Cerlalc/Unesco) e foi o responsável pela criação do Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), do Ministério da Educação e Ministério da Cultura. Até 2015, foi CEO da Árvore de Livros, startup digital, no Rio de Janeiro, do qual foi um dos fundadores. Galeno é autor de 17 livros, foi secretário de Cultura da cidade paulista de Ribeirão Preto e professor de Ética no Jornalismo (Universidade de Ribeirão Preto) e Políticas Públicas do Livro e Leitura (MBA na Fundação Getúlio Vargas/FGV e na Universidade Estadual Paulista/UNESP). Criou e dirigiu inúmeros programas e instituições ligadas à área, entre os quais o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL).

Galeno Amorim também está preocupado com a incidência de problemas mentais nas crianças e com a onda de suicídios praticados por crianças e adolescentes. Segundo ele, 846 adolescentes tiraram a própria vida, em 2016, no Brasil, e o suicídio já é a segunda maior causa de morte nesta época da vida.

“Na década de 1980, um estudo nos Estados Unidos dizia que essas mortes poderiam ocorrer por imitação. Isso reforçou a ideia de que não se podia falar sobre o assunto. Mais de 30 anos depois, contudo, a Organização Mundial da Saúde vai na direção contrária e diz que, sim, precisamos conversar sobre o suicídio”, acrescenta Galeno Amorim.

biblioterapia-300x300“Não é proibido falar, só não podemos falar de forma errada”, alerta o psiquiatra Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL). Segundo Galeno, a questão está presente em todos os estados brasileiros, em todas as classes sociais, na escola pública e na particular, em cidades pequenas e nas metrópoles. E tem tirado o sono de educadores, bibliotecários, agentes de projetos de leitura, enfim, com todo mundo que trabalha com adolescentes.

“Como eu percebo que há algo estranho?” “Quais os sinais aos quais tenho que ficar atento?” “Há algo que eu possa fazer para fazer para detectar, acolher e lidar com o problema?” “Como encaminhar e agir, de modo minimamente satisfatório, em cada caso?” Essas são algumas perguntas que os adultos, responsáveis por crianças e adolescentes mais se fazem.

Tendo em vista esta realidade, Galeno Amorim vai realizar um evento gratuito para mostrar como os livros e a leitura podem auxiliar educadores e as próprias crianças. A Jornada da Biblioterapia será realizada entre os dias 3 e 7 de julho, é totalmente online, com a participação de especialistas para orientarem como estão utilizando os livros para enfrentarem esse dilema e conseguindo alcançar resultados bastante satisfatórios. As inscrições estão abertas e podem ser feitas no link http://biblioterapia.org.br/depoimento?d=92184567

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