“O Diário de Myriam”

A Guerra da Síria, que sacudiu o mundo pelo sofrimento causado a tantas crianças, é descrita por uma delas. O que sentiu a menina Myriam no meio de tanto horror?

Myriam Rawick e seu diário sobre o que viveu na cidade de Aleppo - Foto: Thomas

            Myriam Rawick e seu diário sobre o que viveu na cidade de Aleppo – Foto: Thomas

Meninas, as pequenas escritoras, têm deixado importantes registros na literatura.

Há 70 anos, a menina judia Anne Frank passou anos escondida no Anexo Secreto tentando sobreviver à guerra de Hitler e lá escreveu “O diário de Anne Frank”, livro que emocionou leitores de todos os cantos do mundo.

Ainda é possível relembrar a Segunda Guerra Mundial pelos relatos registrados pelos olhos da pequena Ada em “A guerra que salvou a minha vida” e “A guerra que me ensinou a viver”.

Agora, é hora de conhecer “O Diário de Myriam”, outro lançamento da linha Crânio da DarkSide Books: uma garota síria, que sonha ser astrônoma, vê seu mundo girar após a eclosão de um conflito que ela nem mesmo compreende.

ViewImage.aspx 3 “Meu nome é Myriam, eu tenho 13 anos. Cresci em Jabal Saydé, o bairro de Aleppo onde nasci. Um bairro que não existe mais”.

“O Diário de Myriam” é um registro comovente e verdadeiro sobre a guerra civil Síria. Escrito em colaboração com o jornalista francês Philippe Lobjois, que trabalhou ao lado de Myriam para enriquecer as memórias que ela coletou em seu diário, o livro descortina o cotidiano de uma comunidade de minoria cristã que sofre com o conflito através dos olhos de uma menina.

“O Diário de Myriam” apresenta a perspectiva de uma menina que teve sua infância roubada ao crescer rodeada pelo sofrimento provocado pela guerra da Síria. Myriam começou a registrar seu cotidiano após sugestão da mãe, que propôs que ela contasse tudo que viveu para, um dia, poder se lembrar de tudo o que aconteceu.

O diário alterna as doces memórias do passado na cidade de Aleppo e os dias doloridos e carregados de incertezas. E é com a sensibilidade de uma contadora de histórias que ela narra a preocupação crescente de seus pais com as notícias na TV, as pinturas revolucionárias nos muros da escola, as manifestações contra o governo, a repressão, o sequestro de seu primo e, por fim, os bombardeios que destroem tudo aquilo que ela conhecia.

“O Diário de Myriam”, vencedor do Prêmio L’Express-BFMTV 2017 na categoria Ensaios, em votação feita pelos leitores, é aquele livro que fica mais próximo do coração de cada um, pois foi escrito de forma simples e verdadeira. Como os outros títulos da linha Crânio, o testemunho de Myriam faz um convite à reflexão do agora e estimula o leitor a entender e questionar o mundo que estamos construindo — além de ser um exercício de empatia pela dor do outro.

A guerra da Síria deixou mais de 400 mil mortos e transformou 5 milhões de pessoas em refugiadas ao longo dos últimos sete anos, impulsionando o maior deslocamento de pessoas no mundo após a Segunda Guerra Mundial. Myriam é apenas uma entre milhões de vozes que sofrem diariamente, mas suas palavras conseguem falar por muitas elas.

A menina e o colaborador

Myriam Rawick começou a escrever em seu diário aos oito anos de idade. Seus registros sobre a Guerra da Síria compreendem o período entre novembro de 2011 e dezembro de 2016. Refugiada em sua própria cidade, Myriam viu seu lar ser devastado e conta como Aleppo, uma das cidades mais antigas do mundo, foi destruída num piscar de olhos. Desde o fim das hostilidades em sua cidade natal, Myriam voltou para lá apenas uma vez. Ainda assim, algumas coisas continuam iguais: ela segue escrevendo sobre sua vida em seu diário.

Philippe Lobjois, o repórter de guerra francês, que ajudou a menina síria a editar seu livro

Philippe Lobjois, o repórter de guerra francês, que ajudou a menina síria a editar seu livro

Philippe Lobjois é um repórter de guerra francês e autor de diversos livros. Estudou ciências políticas em Paris e já cobriu o Conflito Karen, a Guerra do Kosovo e a Guerra do Afeganistão. Quando a Guerra da Síria eclodiu, ele decidiu ir até a cidade de Alepo, onde descobriu a história de Myriam. Após um mês vendo de perto o caos provocado pela guerra, ele conseguiu localizá-la e, juntos, trabalharam para revelar sua história ao mundo.

Crânio, a nova linha editorial de não ficção da DarkSide Books, estimula o leitor a entender e questionar o mundo que estamos construindo. Após desenterrar clássicos inesquecíveis e revelar novos fenômenos da literatura ‘dark’, a primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao terror e à fantasia amplia seus horizontes. O objetivo é trilhar novos caminhos, mostrando que ciência, inovação, história e filosofia podem ser tão surpreendentes quanto a mais criativa obra de ficção. Aqui tudo é real. E ainda assim, fantástico e muitas vezes assustador.

Assuntos delicados e surpreendentes são tratados com o respeito que merecem, com uma linguagem que aproxima o leitor. Devorar um título da série Crânio é aceitar um convite à reflexão do agora. O compromisso da linha editorial Crânio é publicar material minuciosamente selecionado. Livros assinados por especialistas, acadêmicos e pensadores em diversas áreas, dispostos a dividir experiências e pontos de vista transformadores que nos ajudem a entender melhor esse estranho e admirável mundo novo.

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