O mito do não escrever na educação infantil

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Janaína Spolidorio *

A fase da Educação Infantil, que chamamos de pré-escolar, divide especialistas e profissionais da área, além de também incluir nesta lista os pais das crianças, claro, em relação sobre o dever ou não dever estimular a escrita.

Algumas escolas estimulam a escrita precoce, desde dois ou três anos, estimulando-a como habilidade para o aluno e outras escolas banem totalmente a possibilidade de qualquer tipo de registro até pelo menos a turma de cinco anos.

Embora a opinião se divida de “oito a oitenta”, tudo fica dentro de um parâmetro um pouco de opinião pessoal, pois há quem defenda maior ludicidade e há os que defendam regular e alternar momentos de ludicidade com registro escrito. Claro que todos têm seus “porquês”, mas você já se perguntou qual deles estaria correto mesmo, do ponto de vista da criança?

Se estamos decidindo o que estimular, devemos levar em conta o aluno e não a visão própria que temos sobre o que deve e não deve fazer. Desta forma, encontrei nesta polêmica uma chance de escrever algo que realmente contribua para a reflexão, trazendo neste artigo quais são os benefícios de se estimular a escrita precoce no aluno.

A escrita precoce, para quem não conhece o termo, é a escrita das letras, sem intenção formal de alfabetização, ou seja, é o fato isolado de escrever letras convencionais que usamos no cotidiano, mas sem a preocupação de atribuir sons ou formar palavras. É praticamente a escrita pela escrita, como se fosse mesmo um desenho.

Este tipo de escrita envolve uma porção de estímulos diferentes, entre eles controle de pressão do lápis, desenvolvimento de coordenação motora fina, percepção visual, coordenação viso-motora, entre outros. Note que são muitos estímulos e se o aluno não tem estímulo na faixa etária de 3 a 5 anos, quando terá? Quanto tempo levará para que desenvolva estas habilidades?

O fato de estimular o registro da criança, incentivando a escrita precoce ativa no cérebro, em crianças entre 4 e 5 anos, o que chamamos de circuito de leitura. Se seu filho ou aluno têm dificuldade de leitura, possivelmente não teve o estímulo necessário à escrita nesta faixa etária. Depois, o processo de ativação é mais lento e falho, o que provoca a dificuldade.

Além deste fato, desenvolve-se ainda nesta idade, no córtex pré-frontal da criança, a atenção, o controle de impulso e a memória de trabalho, que contribuem, anos depois, para o sucesso escolar. Todo este cuidado com o escrever precocemente tem duas intenções específicas para o trabalho: a legibilidade e a velocidade.

A legibilidade é o fato de a letra ser legível. De nada adianta a criança “aprender sozinha” a letra e não conseguir traçá-la. A letra é um produto social e a criança não deve reinventá-la. Ela tem muito mais com o que se preocupar na escola do que o traçado das letras, que deve ser incentivado mostrando o movimento correto do traçado.

Traçar letras corretamente promove maior segurança. Se pedissem para você reinventar a roda o que você diria? Pois é, reinventar a escrita também é algo muito filosofal para uma criança em idade pré-escolar também.

A velocidade no escrever indica que o aluno se apropriou de forma automática da escrita. Isso é ótimo! Significa também que irá poder se dedicar ao que precisa, durante suas lições, sem precisar se preocupar com o traçado das letras. Isso diminui muito a carga cognitiva que ele tem que usar durante as lições, trazendo maior autoestima escolar.

Por fim, a escrita precoce é um processo que deve começar, minimamente, aos três anos de idade, com o registro de algumas atividades em exercícios próprios da idade, de preferência, com caráter até lúdico. A criança pode treinar fazer letras em caixas com areia, por exemplo, ou durante uma brincadeira simbólica, que é o “faz de conta”. Quanto maior o estímulo, menor o fracasso escolar.

Agora, depois da leitura deste texto, cabe a você, depois de ter o conhecimento dos benefícios que a escrita precoce pode trazer, avaliar sobre a necessidade ou não de ter registros nesta fase de aprendizagem e também sobre os motivos de tanto ouvirmos falar em fracasso escolar nas mídias.

Espero que tenha proporcionado uma boa reflexão.

* Pedagoga

“A reinventora de histórias”

De tanto ouvir histórias contadas por sua avó, a menina Heleninha as reinventa. Neste conto, ela recria uma das mais conhecidas histórias infantis. E surpreende.

 

CAPA“A reinventora de histórias”, de autoria de Marcia Mocellin, apresenta a menina Heleninha, que adora ler histórias com sua avó. Elas passam horas na biblioteca e se divertem muito. Ouvindo sua voz contar uma história bastante conhecida, Heleninha tem uma ideia: reinventar a história!

A autora narra, em uma linguagem apropriada ao imaginário dos pequenos, um misto de aventura, mistério e fantasia. Editado pela Libretos, o livro tem ilustrações de Suzel Neubarth.

Segundo a coordenadora editorial, Clô Barcellos, a obra valoriza o diálogo. “A crença na civilização e na cultura é o desejo que o livro traz ao mundo. Uma menina consegue provar que livros hipnotizam, na certeza de que têm o poder real de transformar até mesmo o comportamento mais inóspito. A personagem nos reconta que, sim, os livros podem mudar o mundo e devem ser compartilhados”, observa.

As pinturas de Suzel Neubarth acalentam as palavras, com movimentos suaves e cores harmônicas, instigando o olhar pelas páginas. Detalhes das pinceladas trazem dinamismo e energia às cenas, mas permitem também inestimável descanso para a alma contemporânea ao mesmo tempo em que produzem esperança no leitor.

Escrever sempre fez parte da vida profissional de Márcia Mocellin, mas foi contando e recontando histórias para seu filho Hugo que descobriu a paixão por escrever histórias infantis. É bióloga e trabalha na área de bioética desde 1996, onde encontrou a união das duas ciências pelas quais sempre teve muito interesse: as biológicas e as humanas.

Suzel Ko Freitag Neubarth, a ilustradora do lvro, é arquiteta e trabalha com gravuras, em especial a litografia. Fez algumas exposições e ilustra contos e crônicas em revistas, suplementos culturais, além de capas de livros. Vê na ilustração outra reinvenção da história escrita. Nessa, usou o desenho e a pintura. É casada e tem três filhas. Mora em Porto Alegre.

“Meu avô judeu”

O livro lançado pela Panda Books faz parte da coleção “Imigrantes do Brasil”.

MOCKUP1_Meuavojudeu-500x500Acaba de chegar às livrarias “Meu avô judeu”, de autoria de Henrique Sitchin e ilustrações de Ionit Zilberman, ambos de origem judaica. A obra lançada pela Panda Books é a 10ª da coleção Imigrantes do Brasil. A coleção propõe uma introdução à cultura dos povos que chegaram aqui, apresentando às crianças hábitos, costumes e tradições que influenciaram a cultura deste país tão heterogêneo.

Em “Meu avô judeu”, o menino Henrique narra as histórias que seu avô lhe contou sobre o povo judeu. Ao longo das conversas, o vovô relembra a pequena aldeia em que nasceu na Ucrânia e explica os motivos que levaram à perseguição de judeus ao longo dos tempos. O neto também aprende com o avô o significado dos rituais e celebrações judaicas, revelando a importância da preservação de suas crenças, costumes e tradições na família.

De acordo com o autor, é uma história autobiográfica. “Eu me inspirei na história real do meu avô Israel Sitchin, incluindo passagens muito vivas da minha infância e da relação que eu tinha com ele. Trago registros que ele me contava sobre a sua vida. Meu avô era a figura clássica do patriarca da família, e um homem muito bondoso e doce no trato com todos. Era o pacificador, o aconselhador de todos. O texto, por fim, é uma grande homenagem a essa figura tão emblemática da minha família e que, de certa forma, conta toda uma história relativa aos primeiros imigrantes judeus que chegaram ao Brasil”.

MOCKUP2_Meuavojudeu-500x500Durante a construção da obra, Henrique também consultou o seu pai, Elias Sitchin, para que o ajudasse com outras passagens da vida do avô. “Os relatos dele e as minhas memórias foram as minhas fontes de pesquisas. Quando concluí o livro, a primeira coisa que fiz foi enviar ao meu pai a primeira versão. Ele ficou muito emocionado com a leitura e, alguns dias depois, veio a falecer por complicações de saúde. Então, para mim, o livro, além de resgatar a memória do meu avô, é também a despedida do meu pai. Será uma memória marcante que levarei para sempre e que torna tudo ainda mais especial para mim”, ressalta Henrique.

Henrique Sitchin é  ator, contador de histórias, autor e diretor teatral com mais de vinte prêmios recebidos. É coordenador da Cia. Truks Teatro de Bonecos e do Centro de Estudos do Teatro de Animação de São Paulo. Com sua trupe, viaja pelo mundo, ensinando sobre o teatro de bonecos e apresentando peças.

image003A ilustradora Ionit Zilberman também se baseou nas suas raízes para fazer as ilustrações. “Nasci em Israel, morei em um vilarejo. Por essa razão, não foi difícil encontrar referências, internas e externas, para ilustrar os trechos do livro que se passam lá”.

Ionit Zilberman nasceu em Tel Aviv, em 1972. Aos seis anos, mudou-se para São Paulo. Formou-se em artes plásticas pela Faap e trabalha como ilustradora de livros infantis e já ilustrou mais de vinte livros.

“Meu avô judeu” traz ainda informações sobre o número de judeus no Brasil, pratos típicos, religião, além de um glossário com os tradicionais rituais judaicos.

A Coleção Imigrantes do Brasil resgata as origens e a cultura dos povos que ajudaram a construir a nossa própria história. Entre os livros lançados, encontram-se: Meu Avô Africano, Meu Avô Alemão, Meu Avô Árabe, Meu Avô Chinês, Meu Avô Espanhol, Meu Avô Grego, Meu Avô Italiano, Meu Avô Japonês e Meu Avô Português.

“Amigos nunca são demais”

Fábrica de Historinhas lança livro com Hello Kitty . Fãs da bonequinha vão poder comprar um livro personalizado.

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A Fábrica de Historinhas, plataforma de livros personalizados para crianças, anuncia sua nova versão do portal em que disponibiliza novos produtos e serviços. O catálogo foi ampliado e ganha um novo título, com a famosa personagem Hello Kitty, licenciada da empresa japonesa Sanrio, em “Amigos nunca são demais”.

Agora, quem acessar o site terá a opção de montagem do avatar, ou seja, a criança entra na história e de uma maneira ainda mais personalizada. A plataforma, criada pelo Clube de Autores e StoryTellme em 2016, busca modernizar a maneira com que a literatura é trabalhada para a criança, tornando-a personagem central ou uma das principais das histórias.

Hello Kitty em “Amigos nunca são demais”

hello-2Os adultos podem achar que fazer amizade na infância é fácil, mas alguns pais sabem que algumas vezes não é tão simples assim. Algumas crianças são tímidas ou tem um estilo mais fechado e sentem dificuldade em conquistar novos amigos. Neste livro, a Hello Kitty é apresentada em uma situação comum à vida de uma criança e de forma simples mostra como nasce uma nova amizade. A nova amiga é a menina que será caracterizada com nome e avatar e fará parte do enredo da história. Um exemplo sutil e divertido para crianças com idade entre 3 e 6 anos. O livro tem 20 páginas e custa R$ 64,90.

“Reformulamos as nossas entregas para possibilitar que pais, tios e avôs tenham mais opções na hora de presentear as crianças e para incentivar a leitura. Vale lembrar que criamos a Fábrica de Historinhas com o objetivo de inverter a lógica de se trabalhar histórias para crianças. Porque ao invés de deixá-las como meras espectadoras ou ouvintes de relatos envolvendo personagens, nós inserimos o próprio universo de cada criança”, explica Ricardo Almeida, presidente do Clube dos Autores. Segundo ele, as mudanças vieram por demanda do público e que deve tornar a prática mais acessível a todos.

Ao adquirir um livro da Fábrica de Historinhas, tanto em formato impresso quanto eletrônico, a criança estará trabalhando estímulos fundamentais à sua formação. Todas as histórias são originais e personalizáveis, sendo que a principal novidade está na possibilidade de montar um avatar nos novos livros.

360X300_lista2_round-corners_20180615_151757 “Com a reformulação do portal criamos novas possibilidades para garantir uma maior interação dos pais e das crianças. Agora será possível escolher a cor da pele, cabelo, roupa e acessórios em detalhe. O resultado é um número grande de combinações das características disponíveis para personalizar a criança que fará parte do enredo da história”, reforça Almeida.

Os livros podem ser encontrados no site www.fabricadehistorinhas.com.br.

A Fábrica de Historinhas surge de uma parceria entre o Clube de Autores e a StoryTellme para modernizar a maneira com que a literatura é trabalhada para crianças. Aqui, ao invés de deixá-las como meras espectadoras ou ouvintes de relatos envolvendo personagens com nomes inventados, nós inserimos o próprio universo de cada criança nas histórias.

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Por que nos esquecemos dos livros que lemos

Lembramos onde lemos aquela obra ou como era a capa. Mas costumamos ter mais dificuldade em evocar o argumento.

Aloma Rodriguez  *

 

É muito frequente lembrar os lugares onde lemos: na esteira da praia, à sombra das árvores; em um parque de diversões; em um apartamento minúsculo onde dava para ouvir o trem; na mesa da cozinha de casa. Mas é um pouco mais difícil se lembrar de qual livro foi lido em que lugar, quem era o autor ou o enredo. Mesmo que às vezes se lembre que tinha capa vermelha ou que era uma edição de bolso.

Ou seja, guardamos lembranças da sensação física da leitura, mas menos do que foi lido. “Quase sempre me lembro de onde estava e me lembro do livro. Lembro-me do objeto físico”, disse Pamela Paul, editora do New York Times Book Review, a Julie Beck em uma reportagem na The Atlantic. Ela continua: “Eu me lembro da edição, da capa e, geralmente, de onde comprei ou quem o deu para mim. O que não lembro —e isso é horrível— é todo o resto.”

“O que mais me lembro sobre a coleção de contos de Malamud O Barril Mágico é a luz morna do sol na cafeteria às sextas-feiras, onde eu o lia antes de ir para o colégio. Faltam os pontos mais importantes, mas já é alguma coisa. A leitura tem muitas facetas, uma delas pode ser a mistura indescritível, e naturalmente fugaz, de pensamento e emoção, e as manipulações sensoriais que ocorrem no momento e logo desaparecem. Quanto da leitura é, então, uma espécie de narcisismo, um marcador de quem você era e sobre o que estava pensando quando se encontrou com um texto?”, escreve Ian Crouch na The New Yorker sobre ler e esquecer o que se leu.

Há sortudos capazes de lembrar os enredos de filmes, séries e livros, mas para a maioria, como escreve Beck, é “como encher uma banheira, entrar nela e ver a água descer pelo ralo: pode deixar uma fina película na banheira, mas o resto não está mais lá”. Existem algumas razões científicas para explicar isso e têm a ver com a chamada “curva do esquecimento”, que é a velocidade com a qual nos esquecemos de algo, mais intensa durante as primeiras 24 horas depois que aprendemos alguma coisa, a menos que se faça uma revisão. Isso explicaria por que os livros lidos em um fôlego só, ou as séries devoradas em uma sentada, são esquecidos mais facilmente: não se pôs a memória da recuperação para trabalhar.

De fato, sabe-se que quem consome uma série assistindo um capítulo por semana ou um por dia se lembra dela melhor do que quem a vê inteira em um único dia. Ler um livro de uma só vez, às vezes, significa esquecê-lo mais cedo, porque só foi ativada a memória de trabalho, não há revisão. Em parte, sempre foi assim, mas de acordo com Jared Horvath, pesquisador da Universidade de Melbourne, citado por Beck, “a forma como se consome informação e entretenimento, hoje, mudou o tipo de memória que valorizamos”.

A memória de recuperação se tornou menos necessária em parte graças à internet, agora a memória de reconhecimento é mais importante, afirma Horvath. A possibilidade de ter acesso à informação significa que não é necessário memorizá-la. Está disponível na internet, a grande biblioteca global, mas também em alguns de seus predecessores, como livros, cassetes ou VHS. De fato, Sócrates já era contra o “uso das letras” como uma espécie de memória externa que dificultaria a memorização. Hoje conhecemos a relutância do filósofo contra a letra escrita, e todo o seu pensamento, graças aos diálogos de Platão, que foram registrados por escrito.

Em The Solitary Vice: Against Reading[O Vício Solitário: Contra a Leitura], a professora e ensaísta Mikita Brottman recupera este fragmento de O Tempo Redescoberto, de Proust, um grande explorador da confluência entre leitura e memória: “Um livro que lemos não permanece unido para sempre apenas ao que havia em torno de nós; continua fielmente unido também ao que éramos então e só pode ser sentido de novo, concebido, através da sensibilidade, através do pensamento, pela pessoa que éramos então”.

Brottman também cita as memórias de Azar Nafisi, Lendo Lolita em Teerã, onde o autor escreve: “Se um som pudesse ser guardado entre as páginas da mesma forma que uma folha ou uma borboleta, diria que, entre as páginas do meu Orgulho e Preconceito, o romance mais polifônico de todos… está escondido, como uma folha de outono, o som daquela sirene [antiaérea].” Essa relação com os livros lidos e às vezes esquecidos explica a existência das memórias bibliófilas. O livro de Brottman pertence, em parte, a esse gênero, e Lendo Lolita em Teerã, completamente. É um gênero que tem seu próprio acrônimo: Bob, book of books.

Pamela Paul mantém o seu diário de leituras desde os 17 anos e foi com base nele que escreveu My Life with Bob: Flawed Heroine Keeps Book of Books, Plot Ensues [Minha Vida com Bob: a Heroína Defeituosa Mantém o Livro dos Livros, a Trama Continua]. De acordo com um artigo no Financial Times, estamos em um bom momento para bibliomemórias. Lucy Scholes escreveu sobre o gênero: “A bibliomemória é um convite aberto para olhar as prateleiras da biblioteca de outra pessoa; uma oferta que eu, e claramente muitos outros, acho difícil recusar”. O capítulo do expurgo da biblioteca de Dom Quixote sempre foi lido como uma crítica literária mais ou menos camuflada e como uma declaração das fontes do Quixote, mas também é uma lista de livros lidos, ou seja, uma bibliomemória.

O desejo de registrar sua biblioteca essencial foi o primeiro impulso que levou Ismael Grasa a escrever La Hazaña Secreta [A Façanha Secreta], um livro que, entre muitas outras coisas, é um diário de leituras. Alberto Manguel cultivou o gênero com resultados brilhantes. Em Packin’ My Library [Encaixotando Minha Biblioteca], ele escreve que escritores e leitores sempre se perguntaram se a literatura tem algum papel na formação de um cidadão. Lucy Scholes responde que “em sua exploração da relação simbiótica entre vida e literatura, a bibliomemória parece ser um grito de guerra afirmativo”.

*   Colaboradora do jornal “El País”

Muito prazer, sou Ali e vou lhe ajudar na leitura

Microsoft está presente na Bienal e mostra aplicações de Inteligência Artificial ou IA dirigidas para a leitura: um assistente literário. Com esse produto, a empresa quer popularizar a IA e torná-la acessível para escolas, professores e alunos. E quando a Microsoft quer, ela faz acontecer.

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Rafael Farinaccio *

A 25ª edição da Bienal do Livro de São Paulo está acontecendo até domingo, 12/8, em São Paulo, e pela primeira vez, a Microsoft participa do evento. Para justificar essa aparição inusitada, a gigante da tecnologia está m0strando na feira um projeto que mistura a experiência de leitura com inteligência artificial (IA), mostrando o que pode ser o futuro do hábito de ler para as pessoas mais conectadas.

Já imaginou ter um assistente inteligente para ajudá-lo com suas leituras? Pois isso está cada vez mais próximo da realidade.

Nesta edição da Bienal, a Microsoft expõe o ALi, um Assistente Literário Inteligente capaz de interagir e responder perguntas dos visitantes sobre o livro “Vamos Pensar + um Pouco”, nova obra de Mario Sergio Cortella e Mauricio de Sousa. Criado com base em recursos de Inteligência Artificial da Microsoft, o ALi estará acessível por meio de um totem da Apek¸ fornecedora de tecnologia touchscreen de sensoriamento óptico, capaz de identificar pessoas e objetos.

Tencologia para todos

Experiências como o Assistente Literário Inteligente são fundamentais, pois mostram ao grande público que a IA já é uma realidade.

A ideia é que esse tipo de aplicação seja democratizado e que escolas, professores e alunos possam, num futuro não tão distante, desfrutar da tecnologia para ensinar e aprender mais e melhor. Nessa experiência, foi usado o livro de Cortella e Maurício de Sousa, mas a Inteligência Artificial pode aprender com qualquer obra.

Unindo inteligência artificial ao universo da literatura, a aplicação é um convite para que todos os visitantes da Bienal possam experimentar uma interação com IA na prática, compreendendo como funciona uma tecnologia que está cada vez mais presente no nosso dia a dia por meio de diversos recursos.

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“A Microsoft assumiu o compromisso de democratizar a Inteligência Artificial e experiências como o Assistente Literário Inteligente são fundamentais, pois mostram ao grande público que a IA já é uma realidade e pode transformar muitas atividades do nosso dia a dia, como por exemplo a forma como interagimos com um livro”, afirma Daniel Maia, gerente de programas acadêmicos da Microsoft Brasil.

“Esse potencial pode ser explorado de muitas formas no contexto educacional, ajudando a tornar a realidade de professores e alunos muito mais produtiva, dinâmica e interativa, melhorando os resultados de aprendizagem”, conclui.

Futuro da educação

Outra atividade que a empresa está apresentando na Bienal é a Sala de 2030, com o conceito futurístico de uma sala de aula, com realidade virtual e Minecraft, mostrando o que está mudando e vai mudar para preparar os estudantes para o trabalho do futuro.

Além disso, teremos uma sala, no estilo “escape room”, para que os visitantes resolvam um mistério com a ajuda da Inteligência Artificial para desvendar o desaparecimento de uma professora.

A 25ª Bienal do Livro de São Paulo está acontecendo desde o dia 3 e prossegue até domingo, 12 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi, Avenida Olavo Fontoura, 1209, Santana. Mais informações no site oficial do evento.

*   Historiador e jornalista especializado em tecnologia

“Família Cuca na cozinha”

Esse livro é a realização profissional e um sonho de vida da chef Paula Weber, que administra o site e programa Pitadas e Palpites. Em sua dedicada carreira como chef, assumiu como missão o trabalho de ensinar e cultivar nas crianças o gosto de preparar os alimentos em família. O texto da história é de Paula Weber e as ilustrações de Aline Casassa.

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Mãe de dois filhos (hoje adultos), a conexão da chef com o público infantil remonta desde a época que estavam em idade escolar. Com sua formação em gastronomia, direcionou sua vocação quando teve a oportunidade de lecionar aulas de culinária na escola onde seus filhos estudavam. Dessa época até hoje, Paula não parou.

Ativa, a chef, que grava os episódios do seu programa Pitadas & Palpites com pequenos convidados que colocam a ‘mão na massa’, sentiu que precisava avançar mais um passo em sua jornada gastronômica. Foi com esse desejo que Paula iniciou o projeto que acaba de ser lançado pela Editora Bamboozinho: o livro “Família Cuca na cozinha”, que de forma didática e bastante divertida aproxima a culinária do universo infantil – linguagem que Paula domina como ninguém.

Lúdico e divertido, a história é construída em torno da Família Cuca, composta por cinco personagens: Papai Cuca; um homem muito antenado e tecnológico, Mamãe Cuca; uma mulher culta, que destaca seu amor pelos livros, Cuca filha; jovem adolescente que não tira os fones do ouvido, Cuca filho; apaixonado por games e, por último, Cuca bebê; que embora pequeno, tem o aprendizado aguçado ao ver os mais velhos executarem as tarefas.

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A narrativa começa quando a família, de estilo moderno e com vida bastante ativa, decidem, de forma unânime, partir para aventura diferente em um ambiente da casa até então pouco explorado: a cozinha. Tem início uma série de descobertas recheada de peripécias e grande aprendizagem.

A partir da decisão de preparar a refeição da Família Cuca em casa, a chef Paula Weber – que também é personagem no livro – torna-se a personagem que orienta a jornada de pais e filhos. Com a dificuldade da família para decidir o que vão cozinhar, a chef participa com sua primeira dica: planejamento. “O consenso familiar com relação aos pratos que serão preparados é fundamental e o início de todo processo. Esse entendimento é muito benéfico para a relação entre eles e um aprendizado para a garotada”, ressalta a criadora da história.

Como próximo passo, a chef destaca os ingredientes: checagem sobre todos os itens necessários, bem como as quantidades mencionadas em cada receita é um mundo de descobertas e, por que não, uma aula de matemática entre pais e filhos. “Pode parecer complicado, mas é muito simples fazer a leitura das medidas indicadas nas receitas. Família Cuca na Cozinha traz um glossário completo para descomplicar a leitura de todos”, comenta.

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ViewImage.aspxPorém, antes de partir para a prática, a chef Paula Weber complementa com a terceira dica, os utensílios. “Na checagem que a Família Cuca realiza na cozinha, ela conta para o leitor a relação de itens que não podem faltar para o manuseio dos ingredientes e o preparo da receita. Higiene e segurança no preparo do alimentos é o próximo tópico ilustrado pela chef. Paula conta que crianças na cozinha demandam uma atenção redobrada. “Cabelos presos, mãos limpinhas e o olhar atento dos pais quanto ao manuseio de objetos cortantes, por exemplo, são pontos que garantem o sucesso da empreitada familiar”, explica.

Na sequência, escritora e chef Paula Weber transita para o ponto que todo cozinheiro espera: o modo de fazer das receitas ensinadas para a Família Cuca. Em uma lição de liderança e identificação das capacidades de cada um, ela destaca a importância da figura do chefe e o alinhamento das tarefas realizadas em equipe. “Além da família, meu desejo é que o livro aproxime pessoas”, finaliza a chef Paula Weber.

Lançamentos da Bienal de São Paulo

1- Gibi “Khalil” mostra que todos somos iguais, independentemente da religião

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Khalil é um pré-adolescente brasileiro que adora jogar futebol e se divertir com os amigos do bairro. Descendente de árabes, o menino é muçulmano, e segue o que sua religião professa com bastante alegria. No entanto, nem todos os amigos entendem o que é o Islam. Outros, nem tão amigos assim, não perdem a oportunidade de ofendê-lo nos momentos de conflito, fazendo o uso de termos islamofóbicos, que tanto chateiam Khalil. Um acontecimento inesperado, porém, mostrará à turma que o preconceito religioso é uma grande cilada.

A ideia de falar sobre islamofobia para crianças e pré-adolescentes nasceu na Federação das Associações Muçulmanas do Brasil, que contou com o talento do roteirista Rogério Mascarenhas e da ilustradora marroquina radicada no Brasil, Malika Dahil, para transformá-la num gibi. É o lançamento mais especial que a entidade preparou para sua sexta participação na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que acontece até o dia 12 de agosto na capital paulista, no Centro de Convenções do Anhembi.

“O caminho que adotamos para combater estereótipos, preconceito e desinformação sobre o Islam é disseminar informações de qualidade”, explica Ali Zoghbi, vice-presidente da entidade. “E nada melhor do que utilizar a linguagem do gibi – tão popular e divertida – para abordar o assunto com crianças e pré-adolescentes”.

2- Adolescente mineira, de 16 anos, é autora de livro sobre multiculturalismo religioso

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Ana Clara Gonçalves Sampaio é uma adolescente mineira de 16 anos. Aos 14, ela recebeu, na escola, a proposta de participar de um debate sobre o Islam, o terrorismo e os estereótipos envolvendo o Islam e decidiu usar a rede social Twitter para pedir a muçulmanos e não muçulmanos que mandassem seus depoimentos para ajudá-la no trabalho escolar. Ana Clara decidiu reunir os depoimentos no formato de um livro, já que o conteúdo foi tão impressionante que desfez na menina e em sua turma da escola qualquer preconceito que havia contra o povo muçulmano.

A ideia do livro de Ana Clara chegou à Federação das Associações Muçulmanas do Brasil e a entidade decidiu apoiar o projeto, lançando a obra durante a 25ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, evento que está acontecendo na capital paulista. “Eu espero que esses 40 depoimentos e o desdobramento deles possam realmente mudar a imagem que as pessoas têm do Islam e dos muçulmanos porque essa experiência mudou minha vida”, diz a jovem autora.

Duas notícias sobre a série Harry Potter

1- Submarino leva lançamento com exclusividade para a Bienal 2018

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O mais novo objeto de desejo dos Potterheads está disponível com exclusividade no estande do Submarino, na Bienal do Livro de São Paulo, que acontece entre os dias 3 e 12 de agosto. Lançado este ano no Brasil pela editora Rocco, a versão ilustrada de “O Prisioneiro de Azkaban”, terceiro livro da série, será vendida no local por R$ 69,99. Com capa dura e sobrecapa, o livro ainda acompanha uma bandeira temática de brinde.

Vale contar também que o kit “O Encontro dos Clássicos”, que reúne as séries “Game of Thrones” e “O Senhor dos Anéis”, no valor de R$ 139,99, é outra exclusividade do estande. Para quem curte a coleção “Diário de um Banana”, o box completo com os 12 volumes, também será vendido unicamente no local por R$ 99,99.

2- Monte Carlo apresenta coleção com personagens e objetos Harry Potter

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A Jolie Monte Carlo lançou sua coleção Harry Potter. Tradicional joalheria brasileira, fundada em 1981, a Monte Carlo tem a Jolie como sua linha exclusiva de charms. São 13 charms de Harry Potter, desenvolvidos em prata, vidro e esmalte com inspiração nos personagens, feitiços e objetos mágicos.

Resultado de um licenciamento com a Warner Bros, os charms trazem as iniciais de Harry Potter, o próprio bruxinho jogando quadribol, o brasão das casas, o chapéu falante, a plataforma do trem mágico, o Pomo de Ouro, as relíquias da morte, o Vira-Tempo, as cores da Grifinória e os feitiços Expecto Patronum, Expelliarmus e Wingardium Leviosa. Estão à venda nas mais de 40 lojas da Monte Carlo e no e-commerce.

A literatura no ensino fundamental

Graça Gomes *

Graça Gomes: como despertar o interesse de alunos do ensino fundamental para a literatura?

Graça Gomes: como despertar o interesse de alunos do ensino fundamental para a literatura?

Este foi o ponto de partida para a criação do projeto Prêmio Literário do Ensino Fundamental:  www.premioliterario.com.br

Motivar jovens do 8º ano de escolas da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro para a criação literária não é tarefa fácil. Mas a produção de um Prêmio nos pareceu algo estimulante. Ainda mais para aqueles que gostam de desafios e percebem a oportunidade de colocar seu talento criativo num texto, aberto para tantos gêneros interessantes como cartas, contos, poesias, esquetes de teatro, rap, cordel, entre outros.

Para tornar a mensagem mais próxima do nosso público, recorremos à metodologia Design Thinking(utilizada em grandes empresas para a solução de problemas e motivação de funcionários) e baseamos a nossa abordagem no livro “Acredite”, de André Bello e Ana Helena Behring Bello. O livro traz o Design Thinking numa linguagem para jovens e tem como ponto central, o desenvolvimento de superpoderes que são: otimismo, criatividade e cooperação.

No otimismo, buscamos a superação dos alunos e professores que, muitas vezes, nas condições adversas de nossa cidade, tais como tiroteios, greves, falta de professores, e de melhores condições para a educação, não desistem. Na criatividade, o uso da leitura, da pesquisa, a troca com os colegas e, a escrita, como resultado final deste processo. A cooperação vem através do trabalho em grupo, muitas vezes difícil, mas que soma e faz crescer.

E agora a “cereja do bolo”, o tema: A Ética no Cotidiano. Este tema suscitou e suscita a observação, o senso crítico e a compreensão do seu entorno. A revisão de suas ações, de suas relações e a busca do sonho de ter um lugar melhor. A ética é a base de tudo!

Para esta empreitada, o maior apoio, estímulo e interesse deve vir dos professores de sala de aula e da sala de leitura, coordenadores e diretores que, também, devem “comprar esta briga”.

Não só os alunos se beneficiam deste processo, os professores têm a oportunidade de mostrar sua criatividade, pensando e repensando em novas formas e novas dinâmicas, e encarando este desafio em sala de aula.

E o prêmio?

– A edição de um livro impresso com os 30 textos selecionados, distribuído em toda a Rede Pública do Ensino Fundamental, com 2.000 exemplares.

– Um livro digital com todos os textos será disponibilizado no site do Prêmio Literário do Ensino Fundamental

– Entre outras premiações para alunos, professoras e escolas com maior pontuação.

* Coordenadora pedagógica, gestora cultural e especialista em educação à distância. Prêmio Literário do Ensino Fundamental