“Um novo abraço”

Dois bonequinhos são abandonados e, para não serem jogados no lixo, decidem voltar para a loja de brinquedos a qual pertenceram. Um regresso praticamente impossível, cheio de desafios e surpresas do mundo da fantasia. O tema do novo livro de Henrique Vale, “Um  novo abraço”, porém, faz mais e também ajuda o leitor a pensar em muitos valores humanos e sociais, que são os desafios do mundo da realidade.

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A Editora é a pernambucana Cepe. A ilustradora é Luísa Vasconcelos, também de Recife. O autor é Henrique Vale, que mora em Belo Horizonte, e nos apresenta mais um de seus livros infantis, desta vez, com a história dos bonecos Dadinho e Trancinha “feitos de pano, grandes e desengonçados, com enchimento de bolinhas de isopor”. Ele era parecido com um guarda da rainha da Inglaterra, daí ser chamado de Soldadinho ou Dadinho. O nome dela era por causa de suas tranças azuis feitas de barbante. Trancinha vestia um casaquinho vermelho com um coração bordado no lado esquerdo, usava cinto e sapatos brancos.

Há muitos anos, eles viviam na casa de Clara, ora nos braços da menina; ora pendurados na parede da sala da casa. “Durante o dia, eles ficavam sem se mexer, voltados para a televisão. Mas, quando todos dormiam, era diferente. Pulavam no chão e dançavam até cansar. Como não conseguiam retornar para o prego que os suspendia na parede, ficavam sentados, como se estivessem caído e esperavam alguém colocá-los no lugar na manhã seguinte”. Os bonecos também tinham um companheiro nada agradável: o gato branco da vizinha, Chucão.

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A rotina era mais ou menos essa até o dia que a família de Clara se mudou e não pôde levar os dois para a nova casa, por isso deveriam ficar até o momento de serem descartados. “O novo apartamento é pequeno pra tanta tranqueira, disse a mãe, enrugando o nariz”. Dadinho ouviu a conversa e contou para a companheira:

_ “Trancinha! Trancinha! Acorda!

_ Hã? O que foi? Já anoiteceu? Eu adora dan… Ooooohhh… a boneca bocejava e esticava os braços.

_ Não chamei você para dançar. Estamos numa enrascada.

Trancinha puxou as tranças e perguntou nervosa:

_ Será que eu ouvi bem? Você disse que a gente está numa enrascada?

_ Ouviu bem sim. Dá uma olhada na sala.

A boneca virou a cabeça para um lado, depois para o outro.

_ Por que está tudo tão vazio? Cadê a televisão? A gente não vai mais ver os Muppets?

_ Não advinhou ainda? _ Dadinho estalou um tapa na parede.

_ A Clara mudou de casa e fomos abandonados.

_ Abandonados? Não!…

_ Vamos ser jogados no lixo…”

Daí em diante, os bonecos enfrentam só medo,  insegurança e principalmente o desafio de encontrarem um novo lar. Eles se lembraram da moradia na vitrine da loja, onde foram comprados: lá, quando “as crianças passavam, sempre paravam, mexiam e queriam levar a gente para casa”. Com essa lembrança animadora, os dois decidiram que o melhor mesmo era voltar para essa vitirine. Mas como?

Dois bonecos já velhos, sozinhos, sem recursos. Como eles conseguiriam sair daquela casa? E como chegariam até à loja e à saudosa vitrine? Prefiro deixar para o leitor encontrar as respostas com o livro nas mãos e curtindo cada aventura descrita pelo autor e tão bem desenhada pela ilustradora. Só posso garantir que eles conseguiram. Ufa!

Enquanto lia esse trecho do livro, eu me lembrei de muitos seres humanos, avôs e avós idosos, que também são abandonados em seus próprios lares, ou pior, também precisam encontrar uma nova casa para morar e só assim encontrarem os cuidados que precisam para continuarem suas jornadas. Se para um boneco já é muito triste ser abandonado, imagine para um humano que deu vida e tanto amor à família! Como deve ser o sentimento de abandono?

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Voltando à história, ao chegar à loja, os bonecos perceberam que “lá, tudo estava bem diferente do que se lembravam. Havia brinquedos demais! E a maioria era eletrônico, como robôs de diferentes tamanhos e formatos, carrinhos de controle remoto e bonecas falantes”.

_“Oi, pessoal. Quem sabe… talvez… teria um espaço na vitrine para a gente?

Os brinquedos os encararam.

_ Absolutamente, de jeito nenhum! Não tem lugar algum para vocês _ respondeu um robô, acendendo pequenas luzes no peito. Procurem outra vitrine.”

Era outra era de brinquedos. Rejeitados mais uma vez, os bonecos saíram em busca de outra vitrine. Esse é um novo desafio que precisavam enfrentar e que também prefiro deixar para o leitor conhecer com o livro nas mãos. Mas como histórias do bem são justas, o autor não deixou os bonecos abandonados e, em outra aventura, os conduziu para a companhia de um novo amigo. Clara ficou no passado. E quem chegou na história? O menino Gustavo que ao ver Dadinho e Trancinha mal acreditou que tinha ganhado um presente tão precioso para ele. Que bom!

O livro “Um novo abraço” tem 36 páginas, custa R$ 25,00 e pode ser adquirido na loja virtual da Cepe Editora, que você acessa no link https://www.cepe.com.br/lojacepe/um-novo-abraco

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Dia Nacional do Livro: 208 anos de histórias

29 de outubro é o Dia Nacional do Livro. A escritora infantojuvenil Camila Piva comenta sobre a importância do incentivo à leitura na data comemorativa à literatura nacional

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O Dia Nacional do Livro é uma homenagem à fundação da Biblioteca Nacional do livro criada em 1810 pela Coroa Portuguesa. Na vinda de D. João VI para o Brasil, milhares de peças da Real Biblioteca Portuguesa foram incluídas no acervo do país, formando o princípio da Biblioteca Nacional do Brasil. Ainda, em 1808, as terras brasileiras já editavam suas próprias obras graças à Imprensa Régia fundada pelo monarca, com o primeiro título editado no país sendo a poética “Marília de Dirceu”, do escritor Tomaz Antônio Gonzaga.

Uma memória tão recente e, ao mesmo tempo importante, para a cultura nacional, a data é um marco para o mercado literário do país. É o início de grandes mudanças na arte brasileira, com nomes como Álvares de Azevedo, José de Alencar, Castro Alves e muitos outros surgindo e criando as obras-primas da literatura brasileira. Desde então, as publicações brasileiras entram em crescimento, mas só viram o cenário mudar em 1925, com a fundação da Companhia Editora Nacional, por Monteiro Lobato. No século XXI, as publicações brasileiras chegam a mais de meio milhão por ano, segundo o Censo do Livro de 2010.

São 208 anos de história, cultura e arte em terras brasileiras, que culminam no incentivo à leitura e educação dos mais jovens. Camila Piva, autora das obras “Viva este livro” e “Quero ser uma Youtuber” (esta última escrita em conjunto com a estrela mirim Julia Silva) revela a importância das letras na vida das crianças e adolescentes, sempre contextualizando, se adaptando e evoluindo para integrar as mais diversas preferências da juventude no país.

“Precisamos incentivar a leitura, transformando o momento do leitor em um hábito. Através da literatura crianças, jovens e adultos, compreendem melhor seus sentimentos, desenvolvem empatia e senso crítico. Ler mais é uma das chaves para alcançarmos uma sociedade mais fraterna, justa e capaz de refletir sobre as diversas perspectivas humanas.”, revela a escritora Camila Piva.

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Vale comentar sobre os dois livros da autora. “Quero ser uma youtuber” (Editora Ciranda Cultural 160 páginas, R$ 14,90) traz a história de uma garota. Um diário. Um sonho. Ludmila, mais conhecida como Mila, é fã da Julia Silva e sonha em ser uma youtuber famosa. Mas ela vai descobrir que isso não é tão fácil quanto ela imagina. Com a ajuda da família e dos amigos, Mila vai em busca de seu sonho. Mas, entre brinquedos, novelas, desafios e gnomos, as coisas nem sempre saem conforme o esperado. Será que ela vai conseguir realizar seu sonho de ficar famosa?

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Em “Viva este livro” (Editora Ciranda Cultural, 128 páginas, R$ 29,90), Camila Piva escreve  mais do que momentos de criatividade e propõe uma grande aventura: uma viagem rumo ao eu do leitor. Ao realizar as ações, será possível conhecer mais sobre si, compartilhar emoções e sentimentos, encontrar a felicidade em pequenas coisas. Além de garantirem momentos lúdicos, as ações propostas aguçam a experimentação libertária do leitor.

Camila Piva (foto abaixo) nasceu em São Paulo. Atua como autora, designer, empresária e cursa psicanálise. Atualmente mora em Santana de Parnaíba com seu marido e sua gata (Craco). Ama livros e admira pessoas que acreditam no inacreditável. Tem como missão viver a vida de uma maneira leve e criativa, manifestando suas ideias e ideais com delicadeza pelo mundo. Acredita que todos nós somos únicos e especiais. Não existe no mundo sequer uma única pessoa igual à outra. Para ela, a vida é como um sonho, talvez, um grande game simulador em que a gente aprende jogando. O objetivo é aprendizado e compartilhamento. O equilíbrio entre o dar e o receber.

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Dicas de como ler para uma criança

imagem-entenda-o-projeto-2016Está em curso mais uma campanha muito aguardada por quem curte literatura infantil. A 7ª campanha do Itaú Social “Leia para uma criança”vai entregar gratuitamente para os brasileiros 1,8 milhão de coleções com duas edições exclusivas dos livros “Quero colo!” de Stela Barbieri e Fernando Vilela pela Edições SM e “Pedro vira porco-espinho” de Janaina Tokitaka pela Jujuba Editora. Os promotores providenciaram ainda edições acessíveis em braile e para outras deficiências.

Junto com os livros, anualmente, também recebemos um belo folheto com dicas sobre o valor da leitura para as crianças e a melhor forma de praticar essa leitura. Este ano, os folhetos trazem uma novidade sensacional: os promotores providenciaram uma análise de cada livro e apontam pontos importantes de cada história, além de sugerirem formas de leitura que permitem explorar mais do contexto das obras: personagens, ilustrações, temas etc.

Veja aqui algumas das dicas gerais preparadas pela campanha:

Histórias estimulam a criatividade – Ouvir histórias ajuda a criança a explorar melhor a criatividade e a imaginação, mostrando para ela um mundo de novas possibilidades.

Histórias ajudam a compreender o mundo – Por meio da leitura, a criança começa a nomear o mundo à sua volta, compreender as pessoas e conviver melhor com as diferenças.

Histórias facilitam o aprendizado – A educação muda o mundo. E ler para uma criança contribui para desenvolver atenção, concentração, memória e raciocínio.

O momento de leitura pode ser muito divertido para as crianças:

Procure ter em casa livros infantis com formatos, capas e tamanhos diferentes. E deixe tudo organizado em um lugar agradável e de fácil acesso. Assim, as crianças podem ver e pegar os livros sempre que quiserem.

Apresente para a criança livros de temas variados e de diferentes autores e ilustradores. Mostre também os diversos gêneros de literatura – como contos, fábulas e poesias. Descubra junto com a criança o tipo de livro de que ela mais gosta.

É importante deixar a criança livre para explorar o livro. Sentar em cima, bater na capa, morder, tudo isso faz parte da forma como ela interage com a obra.

É sempre legal conhecer o livro antes de começar a leitura. Assim, você consegue transmitir melhor o ritmo do texto e se prepara para lidar com possíveis dúvidas da criança sobre a história. Mas não se preocupe: existem vários jeitos de ler um livro, é só achar o seu.

Clique aqui para ler as dicas de como ler os dois livros da coleção deste ano e aproveite para se cadastrar e pedir os seus exemplares.

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“Procurando Saci”

Outubro marca a celebração de uma figura muito importante para a história cultural do país, o Saci Pererê, personagem popular brasileiro conhecido pela astúcia, esperteza e, claro, muitas travessuras. O Dia do Saci é 31 de outubro. Mas as comemorações começam antes em Belo Horizonte.

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O Espaço do Conhecimento UFMG juntamente com a Livraria da Rua e a Academia Mineira de Letras promovem o evento “Procurando Saci” e, através das atividades, unem arte e ciência. A curadora da programação é Marlette Menezes, artista visual e investigadora do Saci.

Ela explica que o personagem tem raízes muito mais antigas do que a imagem consolidada por Monteiro Lobato na década de 1920. O Saci, na verdade, remonta à tradição oral dos povos tupis-guaranis, que viviam no Sul do Brasil no século 18. A partir do encontro dessa cultura com as dos europeus que participavam das missões jesuítas, foi que surgiu o Saci.

“Procurando Saci” é puro movimento. É um esquema catalisador da estrutura de um pensamento para produções poéticas. Busca o diálogo, entre arte e ciência, e opera por meio de ações educativas, colaborativas, individuais ou coletivas, e relações do imaginário. Saci não sustenta paradeiro e manifesta(-se) em todo o território brasileiro.

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Programação Livraria da Rua  |  Dia 27/10

Endereço: Rua Antônio de Albuquerque, 913 – Belo Horizonte

Um espaço aberto a acontecimentos para todas as idades. Um espaço para leitura e para os livros. Um espaço para brincar e aprender.

10h30  |  Gesto Saci

Prática artística para professores, aberto para o público em geral, com a artista visual Marlette Menezes  e a contadora de histórias Walda Leão.

Um exercício da gestualidade como forma da apropriação dos sentidos, possibilidade de transformação e experiência poética.

12h  |  Assovio Saci

Show e oficina com Paulo Santos, cofundador do Grupo Uakti,  inspira o som por meio da música instrumental, produção lúdica e ressonância.

Livre |  Salto Saci

A amarelinha, o jogo, o movimento livre na possibilidade  de variação e ocupação do espaço urbano.

Entrada gratuita

Programação Academia Mineira de Letras  |  Dia 31/10

Endereço: R. da Bahia, 1466

Procurando Saci – Busca pensar o mito folclórico

18h – Poema Saci: Amanda Vital fará a leitura de fragmentos de “Urupês”, Monteiro Lobato, 1918.

18h30 – Manifesto Saci: Lívia Aguiar abre e lê o Manifesto Metamorfoseio Procurando Saci.

19h – Conversação Procurando Saci

Apresentação de abertura com o músico, compositor Paulo Santos, cofundador do Grupo Uakti e debates com:

Paulo Santos, músico, cofundador do Grupo Uakti

Gislayne Avelar de Matos (contadora de história, foco nas funções do conto, imaginário, educação)

Eneida Maria (doutora em Literatura Comparada, Semiologia, foco em Macunaíma)

Souza e Patrícia Kauark  (doutora em Epistemologia, foco em filosofia da ciência, filosofia transcendental e filosofia da mecânica quântica).

Entrada gratuita

Dois lançamentos na agenda literária

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“A estranha casa do jabuti Cascudinho”

Através da Editora Letramento, o escritor Francisco Paiva de Carvalho lança o infantil “A estranha casa do Jabuti Cascudinho” ilustrado por Edmilson Cotrim, que está à venda por R$ 19,90 no link (https://grupoeditorialletramento.com/shop/pre-venda-a-estranha-casa-do-jabuti-cascudinho/)

Vou publicar aqui um pequeno resumo da história do livro, uma bonita fábula que procura valorizar e mostrar a importância da família e, acima de tudo, da verdadeira amizade.

“Após se distanciar de seus pais e irmãos, enquanto andavam pela floresta, o jabuti Cascudinho começa a ficar apavorado, ao sentir que estava perdido na escuridão da noite. Por sorte, Corisco, um tatuzinho bondoso que morava em uma toca ali por perto, vendo sua aflição, não pensou duas vezes e decidiu ajudá-lo. Começava assim uma verdadeira e eterna amizade. Bastante feliz e nutrindo um sentimento de profunda gratidão, o pequeno jabuti, surpreendendo até a si mesmo, sem muito pensar, resolveu atender ao pedido do novo amigo, que queria conhecer sua estranha casa”.

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“Cebolinha, Recuperação”

Cebolinha é a estrela da nova graphic novel da Mauricio de Sousa Produções e da editora Panini. Com roteiro e arte do quadrinista gaúcho Gustavo Borges, “Cebolinha – Recuperação” terá autógrafos com o autor, na Livraria Saraiva do Shopping Pátio Paulista (Rua Treze de Maio, 1947 – Bela Vista, SP), dia 24 de outubro, às 19h.

Na loja Monstra, em Pinheiros (Praça Benedito Calixto, 158 – 1ºandar – SP), Gustavo estará na companhia do editor Sidney Gusman, da Mauricio de Sousa Produções, no dia 25 de outubro, às 18h30, para um bate-papo.

A partir daí, o livro estará disponível na https://loja.panini.com.br/panini/produto/MSP-Grphic-MSP-Cebolinha-Recuperacao-Capa-Dura.aspx e nas principais bancas de jornal e livrarias de todo o País, em capa dura e brochura, por R$ 41,90.

A trama se passa durante o segundo semestre na escola e, no final desse período, Cebolinha acaba ficando de recuperação por focar em uma disputa com outro menino e por deixar, de lado, os estudos. Na releitura do clássico personagem de Mauricio de Sousa, Gustavo Borges enfatiza os planos infalíveis que o menino é mestre em arquitetar, mas seus problemas irão muito além da escola, trazendo outro tipo de aprendizado.

O selo Graphic MSP possibilita que autores brasileiros convidados reimaginem as clássicas personagens de Mauricio de Sousa em seus próprios estilos. Este é o 20º título do prestigiado selo e reúne as armações e aventuras do personagem, regado a muita diversão e emoção.

O valor da Pedagogia de Projetos para a literatura infantil – última parte

Cíntia Maria Basso *

Esse é um tipo especial de pesquisa-ação que também está preocupada com a melhora e transformação da prática social, sendo centrada em uma sucessão organizada de tarefas. Segundo Richter 1997, a Pedagogia de Projetos “… consiste em uma Investigação-Ação cuja ação social transformadora a realizar é (essencialmente) uma ação comunicativa. Esta pode se corporificar em diferentes linguagens e veículos; mas pretende operar alguma modificação no ambiente social abrangido pelo veículo da comunicação … é um ensino-baseado-em-tarefa … é um ensino centrado no aluno, processual em termos de todos os parâmetros de curso … a aquisição da linguagem se dá em bases interacionistas” … (p. 55, “não paginado”).

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) da Língua Portuguesa também mencionam o ensino por meio de projetos. Segundo os autores, “os projetos são excelentes situações para que os alunos produzam textos de forma contextualizada – além do que, dependendo de como se organizam, exigem leitura, escuta de leituras, produção de textos orais, estudo, pesquisa e outras atividades. Os projetos, além de oferecerem reais condições de produção de textos escritos, carregam exigências de grande valor pedagógico:

Podem apontar a necessidade de ler e analisar uma grande variedade de textos e portadores do tipo que se vai produzir: como se organizam, que características possuem ou quais têm mais qualidade …;

o exercício de o escritor ajustar o texto à imagem que faz do leitor fisicamente ausente permite que o aluno aprenda a produzir textos escritos mais completos, com características de textos escritos mesmo …;

… a necessidade de revisão e de cuidado com o trabalho se impõe, pois a legibilidade passa a ser um objetivo deles …;

… é possível uma intersecção entre conteúdos de diferentes áreas …;

… favorecem o necessário compromisso do aluno com sua própria aprendizagem” …  (1997,  p.70-73).

O trabalho com a literatura infantil desenvolvido via projetos proporciona uma “vida cooperativa” no ambiente de sala de aula. A criança passa a viver com mais responsabilidades e autonomia, fazendo parte de um grupo que incentiva e provoca conflitos. Um ensino por projetos, portanto, “é permitir a crianças que construam o sentido de sua atividade de aluno. É aceitar que um grupo viva com suas alegrias, entusiasmos, conflitos, choques, com sua experiência própria e todos os lentos caminhos que levam às realizações complexas. Vida cooperativa da aula e projetos … Projetos referentes à vida cotidiana, projetos-empreendimentos, projetos de aprendizado, cooperativamente definidos, cooperativamente construídos, cooperativamente avaliados” … (Jolibert, 1994a, p.21).

Através da Pedagogia de Projetos, a criança antecipa e organiza o texto adequadamente, exigindo de sim mesma que leve a sua tarefa até o fim. Entretanto, por mais autônoma que seja, a criança não deixa de aceitar a ajuda que seus parceiros podem oferecer-lhe e vice-versa, adquirindo, desta forma, auto-estima e senso crítico. No ensino por projetos, a criança não age passivamente, ela “… conhece seus objetivos; aprende a planejar seu trabalho, que irá se estender por várias sessões; irá produzir um tipo de texto identificado desde o começo; engaja-se pessoalmente na escrita; tem necessidade de uma turma para confrontar e melhorar sua produção …” (Jolibert, 1999b, p.34).

Em um ensino por projetos destaca-se a produção coletiva e colaborativa do conhecimento, implicando em: a) organização, por parte do grupo, do que se quer escrever; b) o controle entre o que já está escrito e o que falta escrever; c) o acordo entre as crianças que fazem parte do grupo; d) a distribuição de tarefas e responsabilidades.

Portanto, em um ensino através de projetos, segundo Jolibert (1994a), “a vida cooperativa da sala de aula, e da escola, e a prioridade conferida à prática da elaboração e conduta de projetos explicitadamente definidos juntos permitem, de uma maneira exemplar, que a criança viva seus processos autônomos de aprendizado e se insira num grupo e num meio considerados como estrutura que estimula, que exige, que valoriza, que provoca contradições e conflitos e que cria responsabilidades. Fazer viver uma aula cooperativa é efetuar uma escolha de educador. Significa acabar com o monopólio do adulto que decide, recorta, define ele mesmo as tarefas e torna asséptico o meio. É fazer a escolha de um processo que leva a turma a se organizar, a dar-se as regras de vida e de funcionamento, gerir seu espaço, seu tempo e seu orçamento. Para conseguir tal empreendimento tem de: escolher, engajar-se, implementar, responsabilizar-se, regular, realizar, discutir, comentar, criticar, avaliar, viver (p.20-21).

Considerações finais

Acredito que a educação seja um espaço para descobertas obtidas através da participação e colaboração ativa de cada criança com seus parceiros em todos os momentos, possibilitando, assim, a construção de sujeitos autônomos e cooperativos.

É, portanto, através de um ensino por projetos, que a literatura infantil ganhará um sentido maior na vida das crianças. O confronto de opiniões, a motivação, as interações sociais e o trabalho cooperativo possibilitarão à criança condições que asseguram o caráter formativo das atividades, através de uma boa orientação do professor, tendo a finalidade de esclarecer aos alunos o que devem fazer, como devem fazer, por que e para que fazer tal atividade ou ler este ou aquele livro. Na literatura infantil, portanto, a criança aprende brincando em um mundo de imaginação, sonhos e fantasias.

*  Mestre em educação pela Universidade Federal de Santa Maria

**  O artigo foi editado

Literatura infantil nos primeiros anos escolares – Parte 1

Cíntia Maria Basso *

Ouvir e ler histórias é entrar em um mundo encantador, cheio ou não de mistérios e surpresas, mas sempre muito interessante, curioso, que diverte e ensina. É na relação lúdica e prazerosa da criança com a obra literária que temos uma das possibilidades de formarmos o leitor. É na exploração da fantasia e da imaginação que instiga-se a criatividade e se fortalece a interação entre texto e leitor. Quem de nós não lembra com saudades das histórias lidas e ouvidas quando crianças? Daquela historinha contada por nossos pais ao pé da cama antes de dormir? Ou daquela contada e interpretada pela professora nas primeiras séries do ensino fundamental?

Na interação da criança com a obra literária está a riqueza dos aspectos formativos nela apresentados de maneira fantástica, lúdica e simbólica. A intensificação dessa interação, através de procedimentos pedagógicos adequados, leva a criança a uma maior compreensão do texto e a uma compreensão mais abrangente do contexto. Uma obra literária é aquela que mostra a realidade de forma nova e criativa, deixando espaços para que o leitor descubra o que está nas entrelinhas do texto.

A literatura infantil, portanto, não pode ser utilizada apenas como um “pretexto” para o ensino da leitura e para o incentivo à formação do hábito de ler. Para que a obra literária seja utilizada como um objeto mediador de conhecimento, ela necessita estabelecer relações entre teoria e prática, possibilitando ao professor atingir determinadas finalidades educativas. Para tanto, uma metodologia baseada em um ensino por projetos é uma das possibilidades que tem evidenciado bons resultados no ensino de língua materna.

Um pouco de história

A literatura infantil divide-se em dois momentos: a escrita e a lendária. A lendária nasceu da necessidade que tinham as mães de se comunicar com seus filhos, de contar coisas que os rodeavam, sendo estas apenas contadas, não sendo registradas por escrito. Os primeiros livros infantis surgiram no século XVII, quando da escrita das histórias contadas oralmente. Foram obras de fundo satírico, concebidas por intelectuais que lutavam contra a opressão para estigmatizar e condenar usos, costumes e personagens que oprimiam o povo. Os autores, para não serem atingidos pela força do despotismo, foram obrigados a esconder suas intenções sob um manto fantasioso (Cademartori, 1994).

O início da literatura infantil pode ser marcado com Perrault, entre os anos de 1628 e 1703, com os livros “Mãe Gansa”, “O Barba Azul”, “Cinderela”, “A Gata Borralheira”, “O Gato de Botas” e outros. Depois disso, apareceram os seguintes escritores: Andersen, Collodi, Irmãos Grimm, Lewis Carrol, Bush. No Brasil, a literatura infantil pode ser marcada com o livro de Andersen “O Patinho Feio”, no século XX. Após surgiu Monteiro Lobato, com seu primeiro livro “Narizinho Arrebitado” e, mais adiante, muitos outros que até hoje cativam milhares de crianças, despertando o gosto e o prazer de ler (Cademartori, 1994).

Um mundo de imaginação

A criança que desde muito cedo entra em contato com a obra literária escrita para ela terá uma compreensão maior de si e do outro. Terá a oportunidade de desenvolver seu potencial criativo e ampliar os horizontes da cultura e do conhecimento, percebendo o mundo e a realidade que a cerca.

Poucas crianças têm o hábito de ler em nosso país. A maioria tem o primeiro contato com a literatura apenas quando chega à escola. E a partir daí, vira obrigação, pois infelizmente muitos de nossos professores não gostam de trabalhar com a literatura infantil e talvez desconheçam técnicas que ajudem a “dar vida às histórias” e que, conseqüentemente, produzam conhecimentos. Muitos não levam em conta o gosto e a faixa etária em que a criança se encontra, sendo que muitas vezes o livro indicado ou lido pelo professor está além das possibilidades de compreensão dela em termos de linguagem.

Uma história traz consigo inúmeras possibilidades de aprendizagem. Entre elas estão os valores apontados no texto, os quais poderão ser objeto de diálogo com as crianças, possibilitando a troca de opiniões e o desenvolvimento de sua capacidade de expressão. O estabelecimento de relações entre os comportamentos dos personagens da história e os comportamentos das próprias crianças em nossa sociedade possibilita ao professor desenvolver os múltiplos aspectos educativos da literatura infantil.

Experiências felizes com a literatura infantil em sala de aula são aquelas em que a criança interage com os diversos textos trabalhados de tal forma que possibilite o entendimento do mundo em que vivem e que construam, aos poucos, seu próprio conhecimento. Para alcançarmos um ensino de qualidade, se faz necessário que o professor descubra critérios e que saiba selecionar as obras literárias a serem trabalhadas com as crianças. Ele precisa desenvolver recursos pedagógicos capazes de intensificar a relação da criança com o livro e com seus próprios colegas.

Ao trazer a literatura infantil para a sala de aula, o professor estabelece uma relação dialógica com o aluno, o livro, sua cultura e a própria realidade. Além de contar ou ler a história, ele cria condições em que a criança trabalhe com a história a partir de seu ponto de vista, trocando opiniões sobre ela, assumindo posições frente aos fatos narrados, defendendo atitudes e personagens, criando novas situações através das quais as próprias crianças vão construindo uma nova história. Uma história que retratará alguma vivência da criança, ou seja, sua própria história.

Portanto, a conquista do pequeno leitor se dá através da relação prazerosa com o livro infantil, onde sonho, fantasia e imaginação se misturam numa realidade única, e o levam a vivenciar as emoções em parceria com os personagens da história, introduzindo assim situações da realidade.

*  Mestre em educação pela Universidade Federal de Santa Maria

**  O artigo foi editado

*** A segunda parte do artigo vai abordar a Pedagogia de Projetos aplicada à literatura

Clube Leitura com a Turma da Mônica

Assinantes deste clube, que pertence à rede de livrarias Leitura, em Belo Horizonte, poderão optar pelo recebimento de edições especiais, como adaptações de clássicos da literatura mundial e do folclore brasileiro, protagonizadas pelos personagens mais conhecidos do Brasil.

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Uma parceria inédita está movimentando o mercado editorial. Por meio de um acordo com a Maurício de Sousa Produções e a Editora Girassol, o Clube Leitura entregará edições premium de literatura com personagens da Turma da Mônica e também fará o pré-lançamento exclusivo de algumas novas edições previstas para 2018.

Os volumes, em capa dura, trazem histórias como clássicos da literatura mundial e do folclore brasileiro, protagonizados pela turminha mais querida do Brasil. Os títulos surpresa chegarão para os assinantes junto com brindes especiais e, no caso dos pré-lançamentos, antes mesmo das lojas, marcando um momento importante para o Clube Leitura.

banner 1 “A diversidade de títulos e gêneros literários é uma marca do Clube Leitura. Ao desenvolvê-lo, apostamos em um modelo amplo, que contemplasse diferentes faixas etárias, fazendo com que a leitura se torne um hábito compartilhado entre toda a família. Nesse sentido, nada mais representativo do que escolher a Turma da Mônica para a nossa primeira categoria. Os personagens criados por Maurício de Sousa encantam gerações há quase 60 anos e queremos, com esta iniciativa, que conquiste um número ainda maior de leitores”, afirma o gerente do Clube Leitura, Igor Mendes.

Karine Pansa, diretora da Editora Girassol, destaca a importância da parceria. “A Girassol tem a missão de levar a crianças e jovens leitores, livros que incentivem o interesse pela leitura e proporcionem momentos de aprendizado. Junto com o Clube Leitura estaremos ampliando esse momento e essa experiência.”

O Clube Leitura, lançado este ano pela rede de livrarias Leitura, conta também com outras opções de assinatura para o público infantojuvenil. No plano Clube Leitura Kids & Teens, as indicações são feitas pelas consultoras literárias Ana Maria Machado e Paula Pimenta. As sugestões das escritoras também integram o Clube Leitura Família, que conta, ainda, com indicações de Leila Ferreira e Menalton Braff para o público adulto. Os planos anuais contam com o primeiro mês grátis (apenas nos cartões de crédito e débito) e o frete é fixo em 10 reais para qualquer lugar do Brasil.

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O Clube Leitura

A Leitura, uma das principais redes de livraria brasileiras, com 70 lojas espalhadas em todo o país, lançou, há seis meses, o Clube Leitura – o primeiro clube de assinaturas criado por uma empresa do varejo em território nacional. O projeto, que marca o retorno do grupo ao universo digital, alia a tradição da marca mineira à inovação, ao oferecer opções de livros para todas as faixas etárias, estimulando, assim, o hábito da leitura em toda a família.

O Clube Leitura oferece as seguintes modalidades de assinatura: Clube Leitura Adulto, com obras indicadas pelos consultores Leila Ferreira e Menalton Braff; Clube Leitura Kids & Teens, com indicações de livros infantojuvenis de Ana Maria Machado e Paula Pimenta; Clube Leitura Família, que reúne as indicações dos quatro consultores, a partir de uma única assinatura – modelo pioneiro em todo o Brasil; e o Clube Leitura Turma da Mônica.

untitled 2O público pode escolher entre sete possibilidades de combinação, entre um ou mais livros ou diferentes faixas etárias. As assinaturas custam a partir de R$ 34,90 (mais frete) no Clube Leitura Kids & Teens (no caso de um livro mensal) e podem chegar a R$ 99,90 (mais frete), no caso da modalidade Clube Leitura Família, na opção completa, que compreende dois livros adultos e um livro infantil. Um mimo especial é enviado mensalmente, independentemente da modalidade escolhida.

Quem já é assinante, poderá ampliar o plano com a nova categoria Clube Leitura Turma da Mônica por um preço diferenciado: R$ 39,90/mês. Para novos assinantes, a assinatura custará 44,90/mês. As assinaturas podem ser feitas pelo site www.clubeleitura.com.br e em todas as lojas físicas da rede, em todo o Brasil, sendo que, na Livraria Leitura do Shopping Cidade, em Belo Horizonte, o primeiro kit está disponível para retirada imediata.

“O que é um homem?”

Aristóteles ao alcance das crianças. Sucesso na França, o livro infantojuvenil “O que é um homem?” integra a coleção “Chouette! Penser”, que estimula primeiros contatos com a filosofia.

 

imagemDepois de inúmeras tentativas de escrever um texto sobre a diferença entre os homens e os animais, um filósofo desabafa em voz alta: “Adoraria saber o que um cachorro, um gato ou um elefante diriam se tivessem de explicar por que os homens são superiores”. Eis que então surge na porta de sua casa um cão que fala e começa assim um divertido diálogo sobre filosofia no livro “O que é um homem?”, lançamento da Editora Galera Junior.

O filósofo está certo de que o homem é superior por ser o único capaz de falar e raciocinar. O cachorro, que se chama Léo, não se dá por vencido e rebate vários argumentos. Eles falam sobre a vida em sociedade, divisão do trabalho, aspectos da cultura e da natureza e sobre liberdade. Os capítulos também são preenchidos por  ilustrações, balões informativos e  frases de importantes pensadores como Aristóteles, Descartes, Epicuro e Hegel.

Aos poucos, durante a conversa entre os dois, Léo vai nos mostrar que a filosofia não é privilégio dos especialistas e sequer dos adultos. O livro faz parte da Coleção Chouette! Penser, da Editora francesa Gallimard. A coleção, idealizada pela filósofa Myriam Revault d’Allonnes, reúne pensadores, filósofos, escritores em torno de um projeto de fazer filosofia com crianças.

Cécile Robelin é autora de diversos artigos sobre história da literatura e didática; Jean Robelin publicou vários livros de filosofia política e social; o ilustrador Lionel Koechlin publicou cerca de quarenta obras ilustradas desde 1973.

No site da Saraiva, o livro é anunciado por R$ 29,90.

Ler é um processo muito difícil

Cenário da seca e luta do nordestino motivam projeto de leitura. Professora conta como desenvolveu projeto para incentivar o interesse dos alunos pela leitura e ainda debater questões locais do Ceará. Leia abaixo, o artigo dela.

 

Francisca Márcia dos Santos – Porvir *

 

Ler é um processo muito difícil. Encontramos em nossas escolas muitos estudantes resistentes que não acham graça na leitura. Oriundos de famílias não leitoras e fascinados pela internet, a maioria deles considera que a leitura é coisa de pessoas antigas, do século passado. Como educadora me vi diante desse desafio: ensinar a ler a quem já sabe ler.

Este foi o meu objetivo quando, diante de um grupo de alunos adolescentes que desconheciam a leitura como hábito ou até mesmo como uma forma de buscar novos conhecimentos, uma aluna me questionou por que há tantos preconceitos em relação ao nordestino em nosso país. Foi aí que tive a ideia de trabalhar com a turma a obra “O quinze”, da autora Rachel de Queiroz.

Em uma visita à sala de leitura da nossa escola, apresentei-lhes o livro, que de imediato chamou a atenção dos alunos. Resolvemos que toda semana tiraríamos um tempo de nossas aulas para conhecê-lo melhor. Assim teve início o círculo de leitura, que era baseado na necessidade de conhecer e valorizar os nossos antepassados, estudar a vida do cearense sofrido que não se deixou esmorecer pela seca, mas diante dela saiu à procura de sobrevivência para si e para sua família.

A obra “O quinze” veio para mim como um desafio. Além de incentivar o interesse pela leitura, eu queria mostrar para os alunos que era preciso conhecer a realidade histórica para entendermos o processo social, político e econômico que vivenciamos atualmente. Nossas aulas, a partir de então, tiveram como cenário a seca e a luta constante do nordestino.

As aulas se tornaram momentos de discussão e exposição de ideias sobre esse episódio que marcou nossa região. Para estabelecer uma relação com a obra, apresentei aos alunos um filme que leva o mesmo nome do livro. Quando indagados acerca do que viram e leram, eles apresentavam ideias mais elaboradas sobre os assuntos elencados. A imagem produz um efeito de sentido mais notável nos estudantes, sendo esta, aliada na hora de perceber se foi significativo nosso estudo sobre o tema proposto.

A partir desse estudo, desafiei os alunos a produzirem um álbum sobre a história, não só relatando o que liam ou assistiam, mas também deixando um comentário opinativo sobre o desenrolar dos fatos. Esta atividade foi uma produção coletiva que contou com a participação de quatro equipes, divididas nos seguintes tópicos: produção da biografia da autora, problemas sociais enfatizados na obra, contexto social em que se deram os acontecimentos e entrevistas com pessoas de nossa comunidade que tem algum grau de parentesco com os sobreviventes da seca de 1915.

É importante ressaltar que, em nossas observações para realizar esse trabalho, encontramos pessoas que nos relataram sobre outras secas e como suas famílias chegaram a nossa cidade fugindo delas. Outras também contaram como saíram daqui em busca de condições de vida no Amazonas, como bem retrata o personagem Chico Bento.

Alegro-me ao perceber que quando os estudantes estão engajados em desenvolver atividades como essas, que lhes oferecem oportunidades de buscar conhecimentos fora do ambiente escolar, eles se sentem mais ativos junto à comunidade. É notável a melhora na comunicação e na expressão de ideias. Eles puderam perceber que há uma certa ligação entre nós, cearenses globalizados, e aqueles flagelados pela seca tão bem retratado por Rachel de Queiroz. A diferença, às vezes camuflada, é que o preconceito só mudou de status.

Ver os alunos motivados em aprender mais sobre este momento histórico tão marcante me fez refletir sobre nossas escolhas como educadores. Muitas vezes, preocupados com o futuro e com os avanços tecnológicos, esquecemos de ensiná-los coisas simples de nossa gente.

 

*  O site Porvir é uma iniciativa de comunicação e mobilização social que mapeia, produz, difunde e compartilha referências sobre inovações educacionais para inspirar melhorias na qualidade da educação brasileira e incentivar a mídia e a sociedade a compreender e demandar inovações educacionais.