“Canteiro, músicas para brincar”

Combinação perfeita: livro e música.  A aprendizagem musical carrega a letra da canção, melodia, ritmo e ativa aspectos emocionais importantes. Cantar, dançar, tocar e brincar com a música são atividades ricas e com abordagens diferentes para o desenvolvimento do bebê.

Margareth Darezzo: cantar para a criança pequena torna-se uma atividade carregada de significado

Margareth Darezzo: cantar para a criança pequena torna-se uma atividade carregada de significado

Há 20 anos, o trabalho de Margareth Darezzo se desenvolve num ambiente cercado de bebês e mamães curiosas por suas histórias cantadas e interações divertidas. Em suas aulas, ela valoriza a linguagem musical e incentiva  que a criança desenvolva sua atenção ao escutar, passando a “conversar musicalmente” de diversas formas: cantando, tocando instrumentos, ouvindo músicas com ela… “O importante é que, ao longo do tempo, essa escuta vá se dando de maneira consciente, aperfeiçoando a escuta ativa dos bebês” , afirma Margareth.

O ideal é oferecer para o bebê oportunidades de escuta de sons variados pensando em uma integração sensorial. Vale lembrar que o ouvido do bebê é bem sensível, então o volume deve respeitar essa delicadeza. Os bebês não gostam de sons estranhos e fortes. Brincar com as propriedades do som:  altura (grave/agudo), duração (curto/longo), intensidade (forte/fraco) e timbres é muito adequado para graduar estímulos.

O som mais importante para um bebê é a voz da mãe, pai e/ou cuidado. Cantar para a criança pequena torna-se uma atividade carregada de significado. As músicas têm os passeios das notas na melodia se repetindo sempre em um mesmo ritmo, o que facilita para a criança memorizar e relacionar a um momento afetivo.

esse 1“Os bebês aprendem muito por estatística, repetição por preferências de quem cuida… o meio mais eficaz para levar sons, músicas, palavras e significados para a criança é pela presença do cuidador. Pesquisas mostram que áudio e vídeo não têm o mesmo impacto do que a troca humana, olhos nos olhos, toque e conversas”, afirma Margareth.

A importância disso para o desenvolvimento das crianças até os 3 anos de idade se dá pelas trocas ricas das conversas, do cantar e brincar tão essenciais nos primeiros anos de vida para a integração sensorial, que precede e viabiliza o desenvolvimento de aspectos afetivos, cognitivos e sociais.

Com vasta experiência e amor pelo que faz não poderia obter resultados diferentes, o CD Canteiro, recebeu o Prêmio Funarte de Música Brasileira no projeto de Formação para professores chamado “Semeando Jardineiros”. Esse CD deu origem ao livro “Canteiro, Músicas para brincar” que foi indicado ao prêmio Jabuti e recebeu o selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

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Seu primeiro livro “Canteiro, músicas para brincar” (foto acima) foi publicado pela Ática em 2011 e foi feito para compartilhar as atividades que desenvolve com as canções, tanto em sala de aula como em grupos particulares. “Como o repertório do CD independente tem músicas para várias idades, para o livro selecionamos 9 faixas do Canteiro mais 6 faixas novas , tudo voltado para a criança de 6 a 8 anos ler, ou leitura acompanhada a partir dos 3 anos”.

Em 2015 lançou seu segundo livro com CD “Quem vem lá”? Música e brincadeira para o bebê  publicado pela Melhoramentos, este livro traz canções para os 3 primeiros anos de vida. São momentos especiais como o acordar, dormir, banho, troca de fralda, aquisição de fala e brincadeiras. Ela propõe uma boa conversa “Neste livro tenho uma conversa com os pais, cuidadores ou educadores, num convite ao convívio amoroso e orientações de estímulo”, afirma a escritora.

esseO livro tem página dupla para a conversa com os responsáveis pela criança, outra página dupla com ilustrações para brincar com a criança e no final do livro tem sugestões de atividades para grupos. “Minha vida é linda! Vivo cantando com crianças e suas famílias, com alunos e professores, e desejo que continue assim”, resume Margareth.

A importância de trabalhar os sons na primeira infância faz com que a criança vá construindo um repertório de sons que funciona como ponte entre escuta e a fala, o que ocorre ainda nos primeiros meses de vida. Conforme os estímulos aos quais a criança é exposta, o balbucio pode assumir significado musical intencional.

Nessas trocas musicais entre balbucio, som, música e palavra são criados vínculos afetivos entre criança e música, outras crianças e todos que estão ali envolvidos. “O vínculo criando nessa fase reflete em sua personalidade para a vida toda, tenho alunos adultos que trazem seus filhos para as aulas por entenderem o valor que a música trouxe para suas vidas”, conclui Margareth.

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