“Um novo abraço”

Dois bonequinhos são abandonados e, para não serem jogados no lixo, decidem voltar para a loja de brinquedos a qual pertenceram. Um regresso praticamente impossível, cheio de desafios e surpresas do mundo da fantasia. O tema do novo livro de Henrique Vale, “Um  novo abraço”, porém, faz mais e também ajuda o leitor a pensar em muitos valores humanos e sociais, que são os desafios do mundo da realidade.

untitled

A Editora é a pernambucana Cepe. A ilustradora é Luísa Vasconcelos, também de Recife. O autor é Henrique Vale, que mora em Belo Horizonte, e nos apresenta mais um de seus livros infantis, desta vez, com a história dos bonecos Dadinho e Trancinha “feitos de pano, grandes e desengonçados, com enchimento de bolinhas de isopor”. Ele era parecido com um guarda da rainha da Inglaterra, daí ser chamado de Soldadinho ou Dadinho. O nome dela era por causa de suas tranças azuis feitas de barbante. Trancinha vestia um casaquinho vermelho com um coração bordado no lado esquerdo, usava cinto e sapatos brancos.

Há muitos anos, eles viviam na casa de Clara, ora nos braços da menina; ora pendurados na parede da sala da casa. “Durante o dia, eles ficavam sem se mexer, voltados para a televisão. Mas, quando todos dormiam, era diferente. Pulavam no chão e dançavam até cansar. Como não conseguiam retornar para o prego que os suspendia na parede, ficavam sentados, como se estivessem caído e esperavam alguém colocá-los no lugar na manhã seguinte”. Os bonecos também tinham um companheiro nada agradável: o gato branco da vizinha, Chucão.

20181019111313741587a

A rotina era mais ou menos essa até o dia que a família de Clara se mudou e não pôde levar os dois para a nova casa, por isso deveriam ficar até o momento de serem descartados. “O novo apartamento é pequeno pra tanta tranqueira, disse a mãe, enrugando o nariz”. Dadinho ouviu a conversa e contou para a companheira:

_ “Trancinha! Trancinha! Acorda!

_ Hã? O que foi? Já anoiteceu? Eu adora dan… Ooooohhh… a boneca bocejava e esticava os braços.

_ Não chamei você para dançar. Estamos numa enrascada.

Trancinha puxou as tranças e perguntou nervosa:

_ Será que eu ouvi bem? Você disse que a gente está numa enrascada?

_ Ouviu bem sim. Dá uma olhada na sala.

A boneca virou a cabeça para um lado, depois para o outro.

_ Por que está tudo tão vazio? Cadê a televisão? A gente não vai mais ver os Muppets?

_ Não advinhou ainda? _ Dadinho estalou um tapa na parede.

_ A Clara mudou de casa e fomos abandonados.

_ Abandonados? Não!…

_ Vamos ser jogados no lixo…”

Daí em diante, os bonecos enfrentam só medo,  insegurança e principalmente o desafio de encontrarem um novo lar. Eles se lembraram da moradia na vitrine da loja, onde foram comprados: lá, quando “as crianças passavam, sempre paravam, mexiam e queriam levar a gente para casa”. Com essa lembrança animadora, os dois decidiram que o melhor mesmo era voltar para essa vitirine. Mas como?

Dois bonecos já velhos, sozinhos, sem recursos. Como eles conseguiriam sair daquela casa? E como chegariam até à loja e à saudosa vitrine? Prefiro deixar para o leitor encontrar as respostas com o livro nas mãos e curtindo cada aventura descrita pelo autor e tão bem desenhada pela ilustradora. Só posso garantir que eles conseguiram. Ufa!

Enquanto lia esse trecho do livro, eu me lembrei de muitos seres humanos, avôs e avós idosos, que também são abandonados em seus próprios lares, ou pior, também precisam encontrar uma nova casa para morar e só assim encontrarem os cuidados que precisam para continuarem suas jornadas. Se para um boneco já é muito triste ser abandonado, imagine para um humano que deu vida e tanto amor à família! Como deve ser o sentimento de abandono?

um-novo-abraço

Voltando à história, ao chegar à loja, os bonecos perceberam que “lá, tudo estava bem diferente do que se lembravam. Havia brinquedos demais! E a maioria era eletrônico, como robôs de diferentes tamanhos e formatos, carrinhos de controle remoto e bonecas falantes”.

_“Oi, pessoal. Quem sabe… talvez… teria um espaço na vitrine para a gente?

Os brinquedos os encararam.

_ Absolutamente, de jeito nenhum! Não tem lugar algum para vocês _ respondeu um robô, acendendo pequenas luzes no peito. Procurem outra vitrine.”

Era outra era de brinquedos. Rejeitados mais uma vez, os bonecos saíram em busca de outra vitrine. Esse é um novo desafio que precisavam enfrentar e que também prefiro deixar para o leitor conhecer com o livro nas mãos. Mas como histórias do bem são justas, o autor não deixou os bonecos abandonados e, em outra aventura, os conduziu para a companhia de um novo amigo. Clara ficou no passado. E quem chegou na história? O menino Gustavo que ao ver Dadinho e Trancinha mal acreditou que tinha ganhado um presente tão precioso para ele. Que bom!

O livro “Um novo abraço” tem 36 páginas, custa R$ 25,00 e pode ser adquirido na loja virtual da Cepe Editora, que você acessa no link https://www.cepe.com.br/lojacepe/um-novo-abraco

Capa_Umnovoabraco-380x520x3

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *