5 livros, 5 temas essenciais

A consagrada escritora Telma Guimarães lança uma coleção de cinco livros infantis pela Editora do Brasil. A coleção “De todo mundo” contém “A bela jogada”, “Como é que se diz”, “O som de cada um”, “Todo mundo junto” e “A grande ideia”. De brinde, cada livro traz, no final, uma História em Quadrinhos (HQ) que complementa de forma divertida o tema abordado. Telma Guimarães comenta para o Blog Conta uma História sobre a origem da coleção e os temas abordados com humor e leveza e assim mostra como são importantes para o desenvolvimento humano.

A autora Telma Guimarães fala sobre os lançamentos: "Esperamos que os leitores gostem muito das histórias. E que possamos, todos juntos, ajudar a tornar o nosso mundo melhor!”

A autora Telma Guimarães fala sobre os lançamentos: “Esperamos que os leitores gostem muito das histórias. E que possamos, todos juntos, ajudar a tornar o nosso mundo melhor!”

“A ideia desta coleção começou com uma história sobre a nossa diversidade de falares. Foi o primeiro título, “Como é que se diz?”, que deu o “start” para os seguintes. Ele passou por mudanças, ajustes, enfim, até que ficou no ponto certo”, relata Telma Guimarães, a autora dos cinco livros da coleção “De todo mundo”.
“ O segundo título _ lembra Telma _  foi sobre sertanejo e rap. “Vejo algumas crianças mais abertas a tipos variados de músicas do que os adultos. Mas também, crianças têm lá suas preferências. Foi então que comecei a história: rap ou sertanejo? Como colocar isso num texto? Pronto, num show de talentos promovido pela escola. Daí para continuar o texto não foi tanto sofrimento. Aliás, um pouco sofrido para escrever o rap, outro tanto para o sertanejo. Mas eu curti pra caramba! Esse ficou intitulado “O som de cada um”.
“A história do gordinho que quer jogar futebol tem um pouco da minha própria história”, acrescenta Telma Guimarães. “Nunca fui muito de praticar esportes, preferia ficar sentada, escrevendo. Portanto, já tinha um bom começo. O restante, nada que algumas tardes matutando não resolvesse! Escrever e criar é assim, a gente pensa, repensa, escreve e reescreve, até que fique do jeito que a gente gosta. E da maneira que o leitor possa gostar também. O título ficou sendo “Bela jogada”.
Segundo a escritora, o livro “A grande ideia” surgiu ao lembrar que nas salas de aula, “sempre tem alguém que não quer dar lugar para o amigo. E daí vem os por quês dos menores ou dos mais tímidos. Isso, quando eles conseguem reclamar! Chegar ao final não foi difícil. Na verdade, é mais difícil começar e achar o tom certo!”
“Todo mundo junto” começou a partir da” leitura de uma publicação no jornal, tanto do Gil Sales, meu editor, como uma leitura que fiz. E do mesmo jornal! Era uma matéria sobre imigração. Ele mandou a matéria pra mim e seguimos conversamos um pouco sobre isso. Depois de algumas pesquisas,  arregacei as mangas e comecei o texto, falando  de crianças que vem de outros países para morar no nosso Brasil… E também de crianças que vem de outros estados. Migrantes, portanto. Uma professora para fazer os ajustes e apartes durante a aula, ora ajudando, ora questionando, e a história começou a fluir. Foi a mais demorada, até porque é indicada para leitores a partir do 5° ano”, comenta Telma Guimarães .
Ela explica ainda que os ilustradores foram escolhidos de forma bastante criteriosa por parte do editor e do editor de arte da Editora do Brasil. Traços variados, ilustrações modernas, com um lindo relevo na capa.
“Esperamos que os leitores gostem muito das histórias. E que possamos, todos juntos, ajudar a tornar o nosso mundo melhor!”

Conheça cada um dos livros

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“Como é que se diz?”

Criança parece que tem um radar para novidades, como mostra o livro “Como é que se diz?” de Telma Guimarães, com ilustração de Luciano Tasso, um lançamento da Editora do Brasil. Assim o radarzinho de Leo logo acendeu o alerta, quando um caminhão de mudança parou na frente da casa ao lado da sua. Novos vizinhos estavam chegando: um casal e duas crianças, cujas idades regulavam com a dele e de sua irmã, Helena. Leo ficou intrigado principalmente pelo jeito de falar da família, que usava umas palavras esquisitas, que ele nunca tinha ouvido, como piá e cusco.

Leo chamou a irmã e foram espiar o movimento mais de perto. Descobriram que o casal Ângelo e Aline e seus filhos, Paulinho e Mariana, vinham de outra região do país, por isso falavam daquele jeito diferente. Longe de estranharem, Leo e Helena viram na chegada dos vizinhos um mundo de possibilidades de brincadeiras, amizades, ricas trocas culturais e de experiências.

Com esse encontro de culturas, Telma aproveita para mostrar ao pequeno leitor que o jeito de falar varia de acordo com o lugar onde moramos. Que o Brasil é rico nessa diversidade de linguagem e que pode ser muito divertido aprender com essas diferenças. Foi o que perceberam Leo, Helena, Paulinho e Mariana ao descobrirem que mexerica também pode ser chamada de bergamota; que carrinho de rolimã é conhecido como carrinho de lomba e semáforo pode ser sinaleiro.

Acostumada a viajar pelo Brasil inteiro divulgando seus livros e falando sobre leitura, Telma sempre escuta palavras e expressões diferentes e típicas dos lugares por onde passa. Daí nasceu a ideia de fazer esse livro. “Pensava em tudo o que ouvi nessas andanças e como nossa língua é rica. E nada como um vizinho novo, vindo de outra região, para trazer, junto com o caminhão de mudança, algumas diferenças também no modo de falar”, conta a escritora.

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“O som de cada um”

Em muitas escolas é comum organizar todo ano um show de talentos, em que os alunos podem mostrar seus dons. Vale cantar, dançar, fazer malabarismos, mágica, contar piada, tocar um instrumento… Para organizar o evento na sua classe, a professora Cleusa começou a anotar as habilidades de cada estudante e percebeu que um deles não estava muito empolgado. Era Donaldo, que disse não saber fazer nada. A professora insistiu, queria saber se ele gostava de alguma coisa. Ele confessou que era fã de música sertaneja e foi alvo de gozações de colegas, que achavam esse gênero musical muito chato. Luciano logo anunciou que ia cantar um rap, um ritmo muito mais popular entre estudantes da turma, que aplaudiram prontamente a decisão do amigo.

Diante desse episódio de puro preconceito, a professora tomou uma decisão: trocar as atividades que cada aluno tinha se proposto a fazer. O que ia fazer mágica, contaria piada. O que ia cantar música sertaneja faria um rap. E o cantor de rap comporia uma música sertaneja… E Cleusa explicou: “Mudanças sempre fazem bem! Cada um de vocês tem habilidades diferentes e precisamos exercitá-las de várias maneiras. Tenho certeza de que o resultado vai ser bom e todos nós vamos curtir!”

Esse é o enredo de “O som de cada um”, de Telma Guimarães, com ilustrações de Carla Irusta, lançamento da Editora do Brasil. Essa narrativa estimulante desafia os limites, os rótulos e as dificuldades pessoas. A  ideia da escritora foi levar os leitores a refletirem sobre como apreciar ou, ao menos, respeitar algo diferente do que gostam. E a professora tem um papel fundamental como mediadora dessa reflexão. “Fiquei surpresa com os alunos desta história. Despiram-se de preconceitos e foram criativos. A professora, então, nem imaginava que seu próprio estilo musical também mudaria!”, afirma Telma.

Indicado para crianças entre 8 e 9 anos, o livro faz parte da coleção “De todo mundo”, que foi criada para tratar com leveza e humor temas importantes para o desenvolvimento humano.

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“Bela jogada”

Telma Guimarães parte de uma situação bastante comum entre as crianças para falar sobre preconceito, aceitação, respeito, trabalho em equipe e união no livro “Bela jogada, com ilustrações de Fabiana Salomão, lançamento da Editora do Brasil.

No campinho de futebol do clube, meninos e meninas começam a escolher os colegas para escalar os times. Nesses momentos, Cândido, que é meio gordinho, sempre acaba ficando de escanteio. Ninguém o escolhe. “Mas eu sou bom pra caramba no jogo!”, ele tenta argumentar. Mesmo assim, a turma não dá bola e, invariavelmente, Cândido fica no banco vendo os colegas disputarem a partida.

Certa vez, ele aproveitou o tempo para desenhar jogadas. O time de Ricardo estava perdendo feio, quando ele foi substituído. Viu os desenhos do Cândido, achou que o menino entendia mesmo de futebol e mostrou para os amigos. Então, eles resolveram chamar o garoto para o gol. E não é que, além de fazer grandes defesas, Cândido ainda comandou o time na reação, dando orientações de jogadas e mudanças de posição?

“Quem é bom observador, muitas vezes, consegue ver os erros nas jogadas, dar bons palpites. Acho que por isso comecei esse texto. Queria falar dos que nunca são chamados… sobre como também são importantes e como podem virar um jogo… às vezes, usando somente nosso lápis e papel!”, explica Telma.

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“A grande ideia”

“Às vezes a gente coloca uma ideia na cabeça e não atira de lá por nada no mundo. Mas por quê? Raquel é a menina mais alta da classe. Decidida e orgulhosa, ela acha que pode escolher qualquer carteira que quiser apenas porque é a mais alta, mas só até Luíza chegar e começar a questionar algumas dessas certezas. Como as garotas vão resolver esse impasse?”, indaga a autora.
De maneira graciosa, este livro questiona o tal do “porque sim”, que frequentemente não responde à pergunta nem justifica nada. Esta provocante história aborda temas como a teimosia e o desenvolvimento do pensamento crítico. A condução da narrativa é certeira e o final de “A grande ideia” vai supreender a todos”, acrescenta Telma Guimarães sobre mais este lançamento da Editora do Brasil ilustrado por Bruna Assis Brasil.

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“Todo mundo junto”

Imigração, uma importante questão do mundo contemporâneo, e o respeito às diferenças são temas abordados com muita sensibilidade no livro “Todo mundo junto”, de Telma Guimarães, com ilustração de Evandro Marenda, um lançamento da Editora do Brasil.

Na obra, Mirtes é professora de Geografia e se vê diante de um desafio: mediar a integração dos quatro alunos estrangeiros à turma do 5º ano. Vindos da Síria, da Bolívia, do Peru e de Angola, eles despertavam o riso dos colegas por causa do jeito de se vestirem, dos nomes e sotaques. A professora sentiu logo que esse comportamento fazia as crianças estrangeiras se sentirem mal. Então, tratou de criar um projeto para virar esse jogo, transformando a curiosidade das crianças em rico aprendizado e respeito pelas diferenças.

A autora teve a ideia de escrever este livro ao ler no jornal uma reportagem sobre crianças imigrantes. “Depois de ler mais sobre famílias que buscam melhores condições de vida aqui, neste enorme país, iniciei a história. O que parece começar com pequenos conflitos torna-se uma experiência muito enriquecedora, tanto para Mirtes, a professora, como para todos os seus alunos”, ela explica.

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