“O menino que virou caramujo”

Lindíssimo esse lançamento da Escrita Fina, de autoria de Alexandre Azevedo, que conta em poesia a infância do grande poeta brasileiro Manoel de Barros e bem do jeito que ele gosta… O livro foi ilustrado por Graça Lima.

 

14afa4d4-4086-480c-abfc-e332c0524915Manoel de Barros é um dos mais aclamados poetas da contemporaneidade. Nascido em Cuiabá, capital do Mato Grosso, ele viveu de 1916 a 2014. Quase, quase chegou aos 100 anos de idade. Modernista, lançou seu primeiro livro em 1937, mas só conheceu o sucesso após 60 anos de idade. Manoel de Barros criou uma maneira sua de escrever e fazer poesia. Num de seus poemas, ele afirma que “a poesia é a infância da língua”. Noutro, que “as coisas que não têm nome são mais pronunciadas por crianças”.

O poeta parecia se entender muito bem com o universo infantil tanto que sempre se utilizou dessa meninice em muitos dos seus poemas. Agora, Alexandre Azevedo retribui nos versos que assina para contar a história de vida de Manoel de Barros:

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“Era um menino que gostava de brincar / No fundo do quintal de sua casa… /

E, lá no fundo, bem no fundinho, / Era que sua imaginação ganhava asa!”

“Para ele, aquele pedacinho de chão / Era muito mais que um quintal,/

Era maior que o mundo inteiro / Muito maior que o pantanal!”

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“O menino que virou caramujo” mergulha no universo de insetos e pássaros, flores e árvores, liberdade e fabulação para buscar a trama de insignificâncias que deu origem à veia poética do menino que viria a ser poeta. No fundo de quintal, perdido na exuberância de um mundo de asas e folhas, o garoto apreende a exuberância onírica de borboletas e dálias, insetos e ipês. A descoberta de que rio é, para alguns, enseada e que o olhar de pássaro é diferente de olhar de cidade.

“Gostava mais dos insetos / Do que de helicóptero ou avião…/

Gostava mais de corrida de tartarugas / Do que de carros de competição!”

“Quando alguém corrigia os seus olhares / É que ele ficava triste de verdade…/

É que ele tinha um olhar de pássaro / E não aquele de gente da cidade!”

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Os versos de Alexandre Azevedo, autor de 120 livros, dialogam com os poemas do próprio Manoel de Barros. O livro a meu ver tem dupla missão: a de encantar os leitores com a beleza da poesia do autor e de certamente conduzi-los para os versos do poeta de “Meu quintal é maior do que o mundo” esse mesmo Manoel de Barros. As belas ilustrações de “O menino que virou caramujo” são de Graça Lima e transmitem com arte e beleza esse “quintal”, essa atmosfera da vida do poeta.

“Esse menino, na verdade, era mágico / Já que era dotado de muitos capazes…/

Por exemplo, interrompia o voo dos pássaros,/Botando um ponto final nas frases!”

“Quando os vaga-lumes acendiam / As luzes do seu quintal, /

Sentava-se na beirada do rio / À espera de um recital!”

A ideia de escrever “O menino que virou caramujo dessa forma nasceu da lembrança de uma conversa entre Alexandre de Azevedo e o próprio Manoel de Barros, que aconteceu há alguns anos. Na ocasião, os dois poetas se expressaram de forma bem parecida com o estilo poético desse lançamento.

O livro tem 48 lindas páginas, custa R$ 38,90 e está à venda na livraria virtual Fokaki no link www.fokaki.com.br

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