“Quero ser uma youtuber”

Às vésperas da virada de mais um ano, o blog Conta uma História escolheu comentar sobre um livro, que está no mesmo tempo, e narra a decisão de uma jovem a poucos minutos de fazer seu pedido, à meia-noite, em pleno Réveillon. O desejo da personagem era de se tornar uma youtuber de sucesso.

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Tem muito adolescente sonhando em se transformar num ‘youtuber” e, quem sabe, até liderar audiências dentro do canal de vídeos Youtube. As duas escritoras de “Quero ser uma youtuber”, Júlia Silva e Camila Piva (na foto acima), conquistaram tal façanha e, através desse livro, revelam dicas preciosas para que outros jovens consigam o mesmo. As ilustrações descontraídas são de Camila Nogueira.

Júlia Silva tem 12 anos e é uma jovem muito comunicativa tanto que já atingiu dois milhões de seguidores. Ela começou a produzir vídeos para o Youtube com seis anos de idade. Pra muitos jovens, isso é irado! Camila Piva é estudante de Psicanálise e já lançou outros livros para o público jovem. Para ela, “a vida é como um sonho, talvez um grande game simulador em que a gente aprende jogando. O objetivo é aprendizado e compartilhamento. O equilíbrio entre o dar e o receber”.

A meu ver, é um pensamento certíssimo para quem se dedica à comunicação social. Mas, afinal, de que trata o livro lançado recentemente pela Editora Ciranda Cultural? “Quero ser uma youtuber” conta a história de Ludmila, mais conhecida como Mila, fã da Julia Silva, que sonha em ser uma youtuber famosa.

A autora Júlia Silva resume a história da seguinte forma:

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“Quero ser uma youtuber’ é um livro de ficção em que a divertida Mila, uma menina de 10 anos, escreve em seu diário sobre seu grande sonho: ser uma youtuber de sucesso. Para conseguir seguidores, Mila se inspira em sua youtuber favorita, Julia Silva, e inicia o canal fazendo vídeos sobre brinquedos, desafios, brincadeiras e cria até uma novelinha.

Apesar de muita dedicação, Mila percebe que o número de visualizações e de seguidores em seu canal nunca aumenta e ela não entende o motivo do sucesso não bater em sua porta. Mesmo com a ajuda inicial de sua melhor amiga, o apoio de sua família e dicas infalíveis da Julia Silva, Mila percebe que o caminho para ser popular na internet não é tão fácil como parece.

“Quero ser uma youtuber” reflete o desejo de muitas crianças, além de ser um alerta para os pequenos leitores e, também, para os pais, pois mostra como é importante a presença e o apoio dos responsáveis, afinal, quando se fala de internet, algumas situações podem ser até mesmo perigosas. Recheado de situações embaraçosas, engraçadas, desafiadoras e também de muito aprendizado, o livro possui uma linguagem descontraída e ilustrações cheias de criatividade e humor”, finaliza Júlia Silva.

Nessa busca de Mila, registrada na íntegra em seu diário, o leitor vai aprendendo sobre o caminho perfeito para ser um youtuber bem sucedido. Na narrativa desse diário, o dia 31 de dezembro, ela escreveu a seguinte decisão:

“Faltam só 7 horas para começar um novo ano! A Malu está no banho. A gente combinou que este ano vamos fazer um pedido à meia-noite em ponto! Um desejo pra se realizar no ano que está começando.

A grande questão é: o que vou pedir? É muita responsabilidade! Pensei em pedir uma cauda de sereia igual à da Júlia Silva, mas aí eu lembrei que não sei nadar! Então, achei que seria legal pedir pra aprender a nadar, mas não tenho piscina. Eu poderia até pedir uma piscina, mas meu pai vai acabar reclamando do preço da conta de água.

Bom, eu pensei numa coisa… será mesmo que daria certo? Seria coisa mais legal do mundo! A Malu disse que não tem erro! E aí? Peço ou não peço?

Eu sinto até um frio na barriga quando penso nisso! E dizem que quando dá frio na barriga é porque a gente quer muito, muito mesmo”!

Já era quase meia noite, quando a personagem decidida retoma o diário:

“Voltei! Contei pra Malu o que estou pensando em pedir. Ela me incentivou bastante! Disse que ia adorar que meu sonho se tornasse realidade. Só falta uma hora para meia-noite!”

Mas foi só às 23:50h que a menina registrou:

“Voltei só pra dizer que está decidido: Eu quero ser uma Youtuber”!!!

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Assim começa o livro. Acredito que as suas 159 páginas vão mesmo incentivar o leitor para a produção e compartilhamento de vídeos assim como ensiná-lo como fazer e se manter no canal Youtube. Logo no início do ano, a personagem começa a planejar seu novo projeto e o diário registra tudo a partir do dia 2/1 até o momento que Mila viraliza na internet, participa de um programa de TV e, então, realiza o seu sonha de ser uma youtuber reconhecida.

Painel de imagens

A outra autora do livro, Camila Piva, em seu site pessoal produziu um painel para o personagem Mila. O nome disso é um Moodboard. Mas o que é um moodboard? Ela explica: “é um painel com referências para representar visualmente um projeto, é também conhecido como painel semântico, ou seja, é um painel que tem o objetivo de ajudar na tradução da essência de um projeto, serviço, marca, produto etc.

É muito usado no ramo da moda, da decoração (de casas e de festas) e também nos trabalhos de gestão de marca, o branding. Também é uma ferramenta muito útil para escritores e roteiristas, que encontram no moodboard uma forma de enxergarem melhor a essência de seus personagens e de sua história. Resolvi começar a utilizar esta técnica nos meus próximos livros e para treinar um pouco, criei moodboards dos personagens do “Quero ser uma youtuber”. Veja abaixo só como ficou o da Mila:

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“Quero ser uma youtuber” custa R$ 24,90 e pode ser comprado nas livrarias virtuais e no site da editora, cujo link é: http://www.cirandacultural.com.br/produto/quero-ser-uma-youtuber-9887

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Literatura infantil

Adilson Miguel *

 

O gênero “literatura infantil” tem, a meu ver, existência duvidosa. Haverá música infantil? Pintura infantil? A partir de que ponto uma obra literária deixa de constituir alimento para o espírito da criança ou do jovem e se dirige ao espírito adulto? (…) Será a criança um ser à parte, estranho ao homem, e reclamando uma literatura também à parte? Ou será a literatura infantil algo de mutilado, de reduzido, de desvitalizado – porque coisa primária, fabricada na persuasão de que a imitação da infância é a própria infância?

 

Fora dos grupos especializados ou interessados no assunto, a expressão literatura infantil parece simples e autoexplicativa. Mas sabemos bem o grau de complexidade que está por trás dessas duas palavras e o tanto de problemas que uma análise séria a respeito desse gênero nos coloca. De saída, poderia perguntar qual termo é mais importante na expressão, literatura ou infantil. Entendo que o substantivo literatura deveria ter peso maior, justamente por ser essencial. No entanto, o adjetivo infantil modifica esse substantivo de uma maneira muito significativa, definindo o gênero por seu público, o que implica uma série de questões.

Parece que, ao qualificar um texto como “infantil”, o que fazemos é afirmar que se trata de algo limitado ou restrito. Basta notar que, quando nos referimos à literatura em geral – em tese, voltada para os adultos –, usamos apenas a palavra literatura, sem qualquer adjetivação. Por trás disso está a ideia muito frequente de que um texto infantil deve ser simples, sem grandes dificuldades de entendimento, tendo-se em vista que o seu destinatário não teria maturidade e esclarecimento para a fruição de materiais mais complexos, com recursos de linguagem sofisticados. Segundo esse modo de pensar, os escritos para criança serão sempre secundários ou inferiores. Mas será isso um fato? Os livros infantis são mesmo menores, incapazes de conter textos verdadeiramente literários?

A designação literatura infantil em geral é usada para se referir a coisas muito diferentes. Qualquer livro para crianças costuma ser compreendido nesse gênero, o que ajuda a aumentar a confusão e o preconceito. Creio, porém, que é correto dizer que a grande maioria dos livros destinados ao público infantil não é, nem de longe, literatura. Existem os títulos com propósito educativo, os livros-brinquedo, os livros ilustrados – que até trazem narrativas, mas não necessariamente literárias –, enfim, são inúmeras as possibilidades. Vale frisar que aqui não há nenhum juízo de valor, nem a intenção de estabelecer uma escala de importância com a literatura no topo. Um livro de imagens, por exemplo, pode ser criativo, ter qualidades artísticas, só que nunca será literatura, por uma simples razão: esta pressupõe a linguagem escrita.

O leitor infantil

Muito já se afirmou que a literatura infantil – que realmente pode ser chamada de literatura – deve ser capaz de agradar tanto à criança como ao leitor adulto. Por isso, comparar os gêneros de acordo com seus públicos, buscando descobrir qual é “mais literatura”, é um caminho inadequado que não ajuda a avançar na reflexão. O importante é ter claro que a literatura para criança é apenas diferente, não inferior à adulta. Ganhamos mais se pensarmos no leitor infantil e no que ele tem de específico.

Sabemos que a criança se relaciona com o livro e com os textos literários de maneira muito diversa de um adulto – sobretudo de como um adulto se relaciona com um texto infantil. Afinal, sua grande singularidade é o fato de ser um leitor em desenvolvimento. Por causa disso, obviamente, sua visão do mundo, da sua vida e também do texto literário é muito particular. E no caso da literatura, além do repertório cultural ainda em formação ou da falta de conhecimentos sobre o mundo – ou, em outros termos, além da dificuldade que o conteúdo pode representar –, a forma e o estilo também apontam para o tipo muito especifico de leitura que a criança pode fazer de uma narrativa literária [Peter Hunt, p. 135]. Nesse sentido, é importante tentar compreender que espécie de relação é essa que o leitor infantil estabelece com o texto literário, como interage com ele e como se apropria dele.

Por sua natureza, o texto literário tem um forte caráter subjetivo. Como carrega múltiplas significações, o natural – e desejável – é que os leitores possam chegar a diferentes interpretações. Segundo Peter Hunt, existe “uma considerável diferença entre o que uma criança pode perceber sobre o que é o texto e o que um adulto conclui que o texto deve ser. […] Ler ‘com competência’ – ou seja, de um modo que atenue as diferenças entre um leitor e outro – não é meramente uma questão de aquisição de conhecimento, mas de adquirir esquemas” [Peter Hunt, p. 147]. Em outras palavras, o texto literário pressupõe um “acordo” tácito entre leitor e autor. O leitor experiente é capaz de formar expectativas em relação ao texto com base no conhecimento de certos códigos e dos procedimentos literários e narrativos empregados. A criança, por sua vez, ainda não tem pleno domínio das regras do “jogo literário”, e por isso produzirá significados muito próprios a partir da leitura – o que não quer dizer que ela tenha uma capacidade menor, apenas trata-se de outra abordagem. Por ainda não ter preconceitos ou esquemas cristalizados na mente, o leitor iniciante tende a ser mais aberto e flexível diante de um texto inventivo, além de ter a habilidade natural de explorar ludicamente a linguagem. Por não recorrer ao instrumental conceitual clássico do leitor experiente, a visão e a percepção que a criança tem de um texto literário podem ser muito mais livres e abrangentes. Ela pode muito bem ser capaz de usufruir de recursos estilísticos e estéticos sem precisar identificá-los. [Peter Hunt, p. 135-147].

O fato é que a obra literária não carrega um sentido fixo e determinado que precise ser desvendado. O texto adquire significação justamente no ato da leitura, no momento em que o leitor interage com ele e o interpreta, conforme sua capacidade, suas referências, sua experiência de vida e de leitura. Por isso os significados sempre apresentam uma alta carga de pessoalidade, o que permite a uma obra literária alcançar leitores de diferentes níveis de desenvolvimento. Naturalmente, quanto mais experiência de vida e de leitura a pessoa tiver, mais profundo poderá ser o grau de compreensão e fruição do texto.

Práticas ruins

Entretanto, grande parte da produção atual de livros para criança ainda se apoia na ideia de que essas obras precisam facilitar as coisas para o jovem leitor, recorrendo a linguagem simples, sentidos claros, exclusão de determinados temas ou abordagens etc. O texto deve imprimir uma direção clara e não trazer lacunas para o leitor preencher; não se espera que provoque qualquer tipo de reflexão nesse leitor – aliás, parece haver o pressuposto de que criança e pensamento são instâncias incompatíveis. Ora, com concepções muito equivocadas, esse tipo de produção nega tanto a essência da literatura, como a da própria infância.

Um dos principais motivos desse desvirtuamento da literatura infantil está no caráter utilitário que tanta gente acredita que os livros para criança devem apresentar. Há uma expectativa de que as obras sejam úteis e sempre ensinem alguma coisa ao leitor – questões morais, comportamentais, de segurança etc. Os recursos estilísticos, nesses casos, têm pouca importância; a ênfase é toda colocada na narrativa e na análise temática, o que resulta em processos de leitura bastante simplistas. Via de regra, os textos escritos nesse registro são didáticos e diretivos, de modo a conduzir a criança a um ponto de chegada seguro. O excesso de controle limita as possibilidades de interação e acaba restringindo a capacidade de pensar da criança. A relação entre autor-adulto e leitor-criança é levada ao cúmulo da desigualdade.

Nesse sentido, a prescrição de faixa etária nas capas dos livros é outra prática que deveria ser superada por não contribuir para aproximar a criança de um texto literário. Por trás desse procedimento redutor, mais uma vez está o pressuposto errôneo de uma infância homogeneizada e a desconsideração da criança como indivíduo.

Criança como indivíduo

Não julgo sensato conceber a criança como uma criatura frágil e inocente, sempre necessitada de controle e facilitações. É lamentável que ela ainda seja vista como ser incompleto, incapaz de compartilhar sua experiência de vida com os adultos. A ideia de que certos assuntos devem ser evitados por não pertencer ao universo infantil representa uma concepção de infância antiquada e abstrata. Num certo sentido, os livros para criança funcionam como uma preparação para a vida que ela terá pela frente. Se eles não fizerem menção às questões e dificuldades do mundo real, de alguma maneira estarão sendo desonestos com esse leitor. [Peter Hunt, p. 60-61].

As narrativas literárias deveriam ser valorizadas justamente por sua abertura à interpretação, por sua capacidade de mostrar ao jovem leitor aspectos da humanidade que o façam pensar. Ao apresentar personagens complexos, inspirados em seres humanos reais e não em estereótipos improváveis, a literatura estimula o pensamento e a percepção do mundo com todos os seus problemas e contradições. Para Leyla Perrone Moysés, “a obra literária é sempre uma leitura crítica do real, mesmo que essa crítica não esteja expressa, já que a simples postulação de uma outra realidade coloca o leitor numa posição virtualmente crítica com relação àquilo que ele acreditava ser o real” [in Inútil poesia, p. 351]. Os paradoxos e as ambiguidades fazem parte da vida de qualquer pessoa. Por que excluí-los do universo infantil? A criança pensa, tem sentimentos, desejos e frustrações. A seu modo, ela também quer se conhecer, encontrar seu lugar no mundo. E não é subestimando-a ou desprezando sua individualidade que seremos capazes de ajudá-la.

* Consultor Editorial

*  * Texto originalmente apresentado no colóquio “Esses livros sem idade”, na Universidade Federal Fluminense, em outubro de 2012. Extraído da Revista Emília

 

A lenda de Papai Noel

Com essa lenda sobre Papai Noel, desejo aos leitores do blog um Natal de paz, harmonia, amor e muitos presentes também. Quem preferir também pode chamar a lenda de São Nicolau ou St. Nicolas ou Santa Claus ou Pai Natal.

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“Nicolau, filho de cristãos abastados, nasceu na segunda metade do século III, em Patara, uma cidade portuária muito movimentada. Conta-se que foi desde muito cedo que Nicolau se mostrou generoso.

Uma das histórias mais conhecidas relata a de um comerciante falido que tinha três filhas e que, perante a sua precária situação, não tendo dote para casar bem as suas filhas, estava tentado a prostituí-las.

Quando Nicolau soube disso, passou junto da casa do comerciante e atirou um saco de ouro e prata pela janela aberta, que caiu junto da lareira, perto de umas meias que estavam a secar.

Assim, o comerciante pôde preparar o enxoval da filha mais velha e casá-la. Nicolau fez o mesmo para as outras duas filhas do comerciante, assim que estas atingiram a maturidade.

Quando os pais de Nicolau morreram, o tio aconselhou-o a viajar até à Terra Santa. Durante a viagem, deu-se uma violenta tempestade que acalmou rapidamente assim que Nicolau começou a rezar (foi por isso que tornou também o padroeiro dos marinheiros e dos mercadores).

Ao voltar de viagem, decidiu ir morar  em Myra, sudoeste da Ásia menor, doando todos os seus bens e vivendo na pobreza.

Quando o bispo de Myra da altura morreu, os anciões da cidade não sabiam quem nomear para bispo, colocando a decisão na vontade de Deus. Na noite seguinte, o ancião mais velho sonhou com Deus que lhe disse que o primeiro homem a entrar na igreja no dia seguinte, seria o novo bispo de Myra.

Nicolau costumava levantar-se cedo para lá rezar e foi assim que, sendo o primeiro homem a entrar na igreja naquele dia, se tornou bispo de Myra.

Nicolau faleceu em 6 de dezembro de 342 (meados do século IV) e os seus restos mortais foram levados, em 1807, para a cidade de Bari, em Itália. É atualmente um dos santos mais populares entre os cristãos.

Nicolau tornou-se numa tradição em toda a Europa. É conhecido como figura lendária que distribui presentes na época do Natal. Originalmente, a festa de S. Nicolau era celebrada em 6 de dezembro com a entrega de presentes.

Quando a tradição de S. Nicolau prevaleceu, apesar de ser retirada pela igreja católica do calendário oficial em 1969, ficou associado pelos cristãos ao dia de Natal, em 25 de dezembro. Surge, então, Papai Noel.

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A imagem que temos, hoje em dia, do Papai Noel é a de um homem velhinho e simpático, de aspecto gorducho, barba branca e roupa vermelha, que conduz um trenó puxado por renas, carregado de presentes e voa através dos céus, na véspera de Natal, para distribuir as prendas pedidas.

O Papai Noel passa por cada uma das casas de todas as crianças bem comportadas, entrando pela chaminé, e depositando os presentes nas árvores de Natal ou meias penduradas na lareira.

Esta imagem, tal como hoje a vemos, teve origem num poema de Clement Clark More, um ministro episcopal, intitulado de “Um relato da visita de S. Nicolau”, que este escreveu para as suas filhas.

Este poema foi publicado por uma senhora chamada Harriet Butler, que tomou conhecimento dele através dos filhos de More e o levou ao editor do Jornal Troy Sentinel, em Nova Iorque, publicando-o no Natal de 1823 sem fazer referência ao seu autor. Só em 1844 é que Clement More reclamou a autoria desse poema.

Hoje em dia, na época do Natal, é costume as crianças, de vários pontos do mundo, escreverem uma carta ao S. Nicolau, agora conhecido como Papai Noel, onde registram as suas prendas preferidas. Nesta época, também se decora a árvore de Natal e se enfeita a casa com outras decorações natalícias. Também são enviados postais desejando ‘Boas Festas’ aos amigos e familiares.

Há quem atribua à época de Natal um significado meramente consumista. Outros, vêem o Papai Noel como o espírito da bondade, da oferta. Os cristãos o associam à lenda do antigo santo, representando a generosidade para com o outro.”

“O reino de Zália”

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thumbnail_image016Para quem deseja conhecer bons livros para presentear no Natal, “O reino de Zália” é uma bela opção para os jovens. De autoria de Luly Trigo, Editora Seguinte, conquistou uma referência literária incontestável: foi escolhido como um dos melhores livros de 2018 pela Cátedra Unesco de Leitura Puc-Rio.

O júri desse prêmio é composto por um grupo de pesquisadores e especialistas em literatura infantil e juvenil, que seleciona os livros de qualidade e excelência lançados no último ano. Parabéns, Luly!

Leia a sinopse do livro

“Por ser a segunda filha, a princesa Zália sempre esteve afastada dos conflitos da monarquia de Galdino, um arquipélago tropical. Desde pequena ela estuda em um colégio interno, onde conheceu seus três melhores amigos, e sonha em seguir sua paixão pela fotografia.

Tudo muda quando Victor, o príncipe herdeiro, sofre um atentado. Zália retorna ao palácio e, antes que possa superar a perda do irmão, precisa assumir o posto de regente e dar continuidade ao governo do pai. Porém, quanto mais se aproxima do povo, mais ela começa a questionar as decisões do rei e a dar ouvidos à Resistência, um grupo que lidera revoltas por todo o país.

Para complicar a situação, Zália está com o coração dividido: ela ainda nutre sentimentos por um amor do passado, mas começa a se abrir para um novo romance.

Agora, comprometida com um cargo que nunca desejou, Zália terá de descobrir em quem pode confiar — e que tipo de rainha quer se tornar”.

“O sorriso do tamanduá”

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Neste recente lançamento da Chiado Editora, o leitor vai conhecer algumas curiosidades sobre os tamanduás, animais que vivem nas savanas e florestas, inclusive, no Brasil. A autora Luciane Coelho explica a espécie de um jeito muito especial:

“Eis o tamanduá… Bicho esquisito este, com um focinho alongado, uma língua comprida e sem dentes, você acredita? O tamanduá é banguela!!!! E tem mais, ele também não enxerga muito bem!

A história de “O sorriso do tamanduá” é narrada tendo em vista a busca da realização de um sonho do animal. Qual será este sonho? Vou dar uma dica: a gente sempre sonha em alcançar aquilo que não tem, não é mesmo? Sendo assim e se o leitor pensar um pouquinho vai descobrir qual é o sonho do  tamanduá.

Para ajudar nesta realização, a história registra outros personagens: um cachorro e animais habitantes da floresta, além de um menino e seu avô moradores de uma fazenda.

“A fazenda era um lugar muito perigoso, todos os animais sabiam disso, pois os seres humanos não eram lá muito confiáveis… Mas ele (o tamanuduá) tinha que arriscar e, além do mais, o cachorro dizia que gostava muito de morar lá e que o menino era seu grande amigo”.

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O tamanduá também comprovou que o cachorro estava mesmo  certo. O menino e seu avô fazendeiros eram pessoas diferentes, mas amigos. Tanto que foi lá que o tamanduá se encantou com o próprio sorriso. Tamanduá de tromba e sorrindo?

“E de repente o tamanduá se sentiu tão feliz que abriu o maior sorrisão, daqueles que contagiam todos a sua volta com uma alegria que ninguém sabe exatamente de onde vem, mas que todos desejam que nunca acabe…”

Qual será o motivo deste sorrisão? Será que o tamanduá conseguiu realizar o seu sonho?

Ah! Esqueci de contar: na fazenda, o exótico animal também teve suas qualidades reveladas pelo vovô:

“Você sabia que embora o tamanduá não tenha uma visão muito boa o seu olfato é quarenta vezes melhor que o nosso”?

“Os tamanduás têm uma língua muito comprida e pegajosa, por isso podem dar até cem lambidas por minuto!!! Com ela os tamanduás … conseguem comer milhares de insetos por dia!!!

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O vovô fazendeiro sabe cada coisa dos tamanduás! Durante a narrativa, ele foi só elogios ao bicho! Será que foi isso que provocou o tal sorrisão? Seria o sonho realizado ou o elogio dado?

Para o leitor descobrir outra façanha desse curioso personagem, vou contar aqui o apelido do bicho: papa-formiga. Será esse o inseto preferido do tamanduá?

Tem muitas coisas para o leitor descobrir. Por isso, convido para a leitura de “O sorriso do tamanduá”, que foi ilustrado por Marco André Malmann Medeiros. São 29 páginas de descobertas e aventuras.

Adesões à campanha “Presenteie com um livro”

Setor de licenciamento de marcas e personagens começa a estimular famílias a darem livros de presente de Natal e adere as campanhas como “Vem para Livraria” e “Presenteie com um Livro”.

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Com a crise do mercado editorial brasileiro, o segmento de produtos infantis também busca formas de estimular o consumidor a presentear as crianças com livros neste Natal, assim como outros setores fizeram recentemente. Centenas de pessoas também vêm usando as redes sociais para mostrar integração à iniciativa de comprar livros no Natal.

A Associação Brasileira de Licenciamento de Marcas e Personagens (ABRAL), que tem entre suas associadas empresas como a Maurício de Sousa Produções (MSP), a Disney, a Gloob, o Instituto Ayrton Senna e outras, aderiu às campanhas Vem para Livraria (#VemPraLivraria) e Presenteie com Livros (#Presenteiecomlivros), movimentos que cresceram desde que a livrarias Saraiva e Cultura entraram com pedido de recuperação judicial.thumbnail_image016

Marici Ferreira, presidente da ABRAL, esclarece que o projeto terá dois estágios: o primeiro deles é uma mobilização interna, no sentido de engajar os associados à causa; o segundo, ainda em estudo, é a ampliação individual das associadas em uma atuação ainda maior. “Não podemos ficar fora desta iniciativa”, justifica.

“O maior presente que podemos passar a nossos filhos é o amor à leitura. Ler pode ser divertido e gostoso. A presença de personagens conhecidos das crianças nos livros é uma maneira de estimular o interesse pela leitura e, assim, levá-las a se tornarem leitoras pela vida toda”, diz Mauricio de Sousa, o pai da Turma da Mônica. Mauricio de Sousa recebeu do UNICEF o título de escritor para crianças e é o único desenhista membro de uma academia de letras, a APL (Academia Paulista de Letras). Os livros licenciados da Turma da Mônica ultrapassam os 2 milhões de exemplares vendidos ao ano.

Cláudia Pessoa, escritora e editora da Sweet Books Brasil, acredita que “livros contam histórias que alimentam a alma das crianças e dos adultos, que fazem todos nós mergulharmos em um mundo de descobertas, aprendizado, imaginação e inocência. Podem transformar as crianças em adultos mais conectados com eles mesmos e sensíveis ao outro. Precisamos dos livros pra sermos pessoas melhores e, neste momento de crise do mercado editorial, eles precisam de nós. Há livros para todos os gostos. Vamos thumbnail_image001fazer uma lista bem grande e bonita e presentear a família e os amigos com livros neste Natal.

Up! Content Co., também associada da ABRAL, se engajou na iniciativa e reforça que quando se é criança, o mundo é um livro em branco. E uma das experiências mais enriquecedoras é ir a uma livraria escolher um livro novinho. Ele estimula a imaginação, ensina, diverte, faz rir, faz dormir, é o verdadeiro companheiro de uma criança. Segundo a empresa, “por isso, pensar no livro como um presente para uma criança, pode ter certeza que a vida dela ficará ainda mais colorida. Dê um livro de presente.

Já o Gloob tem um olhar sobre suas publicações, por exemplo, é o de trazer histórias e atividades que estimulem a capacidade cognitiva das crianças e tragam valores positivos que trabalhamos nos nossos conteúdos na TV, como amizade, companheirismo, coragem e respeito às diferenças. “Essa é uma indústria cuja relevância tem participação na construção da cultura nacional e no desenvolvimento das novas gerações.”

“Petrina”

                       Livro infantil usa a prosa poética para narrar a dura realidade do sertão.

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Recente lançamento o da Páginas Editora: o livro infantil “Petrina” escrito por Lindomar da Silva, que narra a luta da família da menina Petrina para sobreviver na dura realidade do sertão nordestino, tão castigado pela seca, onde “rios morrem de sede; animais morrem de fome; plantas morrem queimadas de sol”.

Petrina é a caçula da família e tem aquela felicidade ingênua das crianças que conseguem brincar e sorrir ainda que o cenário seja desolador. Ela “foi crescendo e se enchendo de vida sem sentir o cheiro de terra seca molhada de chuva”.

Com uma escrita que mistura prosa e poesia, “Petrina” é um convite à reflexão sobre a água, bem natural precioso para a vida, cuja escassez obriga muitas famílias a abandonarem suas casas rumo à cidade grande, enquanto outras permanecem à espera do milagre de um milagre.

Lindomar é formado em História e Filosofia e atua como diretor de escola da rede pública municipal de Belo Horizonte.

Informações e venda do livro: (31) 3412-5669

 

“Em algum lugar do mundo”

A todo o momento e em vários locais do mundo existem crianças cheias de fantasias e vivendo muitas emoções. Crianças imaginam, inventam, acreditam que tudo é possível. Por que não? Esse é o tema de “Em algum lugar do mundo”,   recente lançamento da Editora do Brasil, de autoria de Anna Claudia Ramos, que em entrevista ao Blog Conta uma História explicou como surgiu a ideia de escrever essa história e a contribuição que a mesma oferece às crianças, pais e educadores.

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Era uma vez, uma menina inventadeira, que sonhava ser escritora para poder criar muitos mundos e assim morar e viajar cada dia mais longe … Essa menina, de fato, se transformou na escritora Anna Claudia Ramos, a autora de “Em algum lugar do mundo” e de outras dezenas de livros infantis. Como era uma criança inventadeira cresceu com a sensibilidade de perceber outras crianças assim e ainda descobriu a importância de respeitar os sentimentos e projetos de vida mesmo se revelados na infância.

Anna Claudia escreveu “Em algum lugar do mundo” para dar voz às crianças e mostrar para todos como elas pensam e são capazes de planejar coisas incríveis. Nas 37 páginas do livro encontramos 26 personagens, que cabem em todos os cantos do planeta, com seus nomes universais, suas histórias, sonhos e desejos guardados no fundo de cada coração.

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“Neste momento, em algum lugar do mundo, há uma criança pensando no que acontece por dentro dela, em sua casa, sua família, sua escola, no local onde mora.

Muitos adultos nem imaginam que isso possa acontecer. Não entendem os silêncios das crianças. E, menos ainda, seus pensamentos.

Crianças adoram inventar coisinhas, são meio poetas, meio cientistas e, quase sempre, investigadoras.

É o caso da menina Yasmim. Gostam do nome? Ela quer ser investigadora para desvendar o que acontece quando as pessoas crescem. Outro personagem é Kenzo, que está criando um aspirador de pesadelos e um robô-espanta monstros e fantasmas para não ter mais sonhos ruins nem ter medo quando todos da casa estão dormindo. E Stéfano?

“Stéfano quer inventar a cura para a saudade e para as doenças que levam as pessoas queridas embora. Mas enquanto não consegue achar a solução, ficaria feliz em ter uma bola de cristal para prever o futuro, assim pelos menos a tristeza não pegaria ninguém de surpresa”.

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O que os pensamentos de meninos e meninas revelam, através do livro, é muita sensibilidade perante o lugar, as pessoas e o modo como vivem. Os inocentes projetos de vida revelam um jeito simples, sincero e espontâneo de ser e viver tal como se espera da infância. Indicado para crianças a partir de 8 anos de idade, “Em algum lugar do mundo” foi ilustrado pelo espanhol Jacobo Muñiz e faz parte da coleção Mil e uma Histórias, da Editora do Brasil. A coleção reúne  autores renomados, ilustrações encantadoras e narrativas cativantes. As obras refletem a cultura universal e a infância, mostrando a realidade de um jeito diferente, de modo a levar o pequeno leitor a pensar sobre suas atitudes e o mundo que o cerca.

O depoimento da autora

Anna Claudia Ramos é carioca, formada em Letras pela PUC-Rio e Mestre em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela atua como escritora e professora de Oficinas Literárias. Também viaja pelo mundo fazendo palestras sobre sua rica experiência com leitura, bibliotecas comunitárias e escolares e como escritora e especialista em literatura infantil/juvenil.

Anna Claudia foi responsável de 2009 a 2016 pelo Manual de participação dos autores da Flipinha.  Para conhecer mais a respeito dessa premiada escritora e seus livros, visite o site www.annaclaudiaramos.com.br

Anna Cláudia Ramos: “Eu sou feita de histórias”

Anna Cláudia Ramos: “Eu sou feita de histórias”

Aqui, a autora fala de seu novo livro:

“Em algum lugar do mundo” nasceu da minha vontade de falar sobre as crianças, porque eu acho que nem sempre os adultos respeitam os sentimentos das crianças. Tem muito adulto que não entende criança querer fica quieta, criança querer ficar sozinha… não respeita a dor da criança, seu sentimento.

Eu dediquei esse livro a Janusz Korcsak, que foi um médico pediatra polonês (1878-1942). Na Segunda Guerra Mundial, ele cuidou de muitos órfãos e morreu num campo de extermínio junto com as crianças. Foi essa pessoa que mais me ensinou o respeito à alma infantil. Ele tem um livro chamado “Quando eu voltar a ser criança” que me fez entender muito a infância. Tanto que eu dedico “Em algum lugar do mundo” a ele mesmo que nunca tenha me conhecido e nem vai me conhecer pelo fato de não estar mais aqui entre nós.

Eu queria mostrar esses sentimentos das crianças, os sonhos das crianças, e tudo nasceu, porque fui ouvindo falas de determinadas pessoas, algumas até adultas,que diziam: quando eu era criança, eu sonhava com isso; eu sonhava com aquilo. Aí, fui registrando algumas dessas histórias e inventando outras, mas todas a partir do meu olhar para o mundo, para as crianças, para o entorno e fui criando todos os personagens do livro. Os nomes dos personagens foram baseados numa grande pesquisa para que pudessem caber em qualquer lugar do mundo, quer dizer, representam nomes que existem em diversos lugares do mundo. Eu queria isso para que o maior número de crianças se sentisse representada”.

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A autora continua: “Acho que o ilustrador, Jacobo Muñiz, foi incrível. A minha maior preocupação era quem iria ilustrar esse livro, porque não queria legenda do texto, não queria que a ilustração mostrasse o que o texto já está falando. Eu também não fazia ideia do que poderia ser e o ilustrador foi incrível, porque ele criou cenários onde os personagens estão espalhados e só no final ele nomeia as crianças. Então, você tem vontade de voltar e começar a procurar essas crianças no livro para ver que história está sendo contada ali. Ele criou um livro dentro do livro e eu achei isso sensacional.

Dá para o leitor uma possibilidade imensa de leituras e, além disso, eu acho que vai colocar as crianças falando sobre o que elas sentem, uma vez que eu começo mostrando que os adultos nem sempre conseguem entender os silêncios ou os pensamentos das crianças e isso é muito verdade, por isso espero que esse livro desperte esse olhar nos pais, nos educadores, para que tentem entender cada vez mais aquela criança que está ali diante de cada um deles, porque cada um é extremamente singular, cada um tem as suas necessidades e a gente tem que aprender a entender, respeitar para poder educar de uma forma mais saudável.

Eu sou mãe de um casal. Meus filhos são totalmente diferentes um do outro. Fisicamente até que não, mas em termos de personalidade eles são muito diferentes. Então, eu tive que aprender a cuidar de cada um deles de um jeito muito singular. Eu gostaria que esse livro despertasse esse sentimento nos adultos”.

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“Presépio e outros contos de Natal”

Organizada por Luiz Ruffato, essa coletânea reúne grandes nomes da literatura brasileira.

 

c19ed3be-024b-466f-aea3-a6bb40e0e84aLançado pela SESI-SP Editora, o livro “Presépio e outros contos de Natal” trata dos momentos em que, em meio à alegria natalina, aparecem a solidão, a tristeza e outros dramas humanos.

Os 17 contos escolhidos para compor esta obra vão desde os clássicos de Machado de Assis e Lima Barreto a autores contemporâneos, como Marçal Aquino e Lygia Fagundes Telles. Com projeto gráfico especial, o livro traz, ainda, histórias de Carlos Drummond de Andrade, Mário de Andrade, Rachel de Queiroz e Rubem Braga.

Nesta obra, o leitor é desafiado a abandonar, por momentos, sua vida cotidiana para vivenciar os dramas propostos, exercitando assim, radicalmente, a empatia por meio do outro que existe do nosso lado, invisível, porém latente.

A coletânea com 160 páginas, organizada por Luiz Ruffato, procura resgatar o espírito reflexivo do Natal. Um momento de esperança em dias melhores alicerçado em histórias exemplares.

Luiz Ruffato é  jornalista, poeta, contista e romancista graduado em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). O livro Eles eram muitos cavalos, editado em 2011, é um grande sucesso que revelou o escritor e já foi publicado na França, Itália, Portugal, Alemanha, Colômbia e Argentina. Ele recebeu prêmios literários da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e Fundação Biblioteca Nacional.

“Presépio e outros contos de Natal” está em pré-venda na Amazon.

“Natalino”

Esse lançamento da Escrita Fina Edições, pertencente ao Grupo Editorial Zit, traz um emocionante conto de Natal escrito por Eliandro Rocha ao narrar a ansiedade de um menino, que ainda não conhece Papai Noel. As belas e originais ilustrações de Alexandre Rampazo conduzem o leitor a ‘enxergar’ outro ambiente natalino, bem diferente do que já estamos acostumados. Numa entrevista especial para o Blog Conta uma História, o ilustrador explica essa surpresa e analisa a força que a ilustração dá ao livro infantil.

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O Natal é um período carregado de emoções e a literatura nos conduz a interagir, compartilhar e vivenciar muitas delas. Entre tantas emoções uma parece ser insuperável: a expectativa das crianças pela chegada do Papai Noel com o presente que pediram. Ou o contrário: a tristeza de se sentirem esquecidas pelo bom velhinho.

O livro “Natalino” trata desse tema. Alexandre Rampazo, ilustrador do livro, explica que se trata de “uma história que acontece no Brasil com um personagem dentro de uma realidade carente de recursos, mas de muito afeto familiar”.

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A história do menino “Natalino” começa no dia de Natal.

“Ontem foi uma noite de muita ansiedade. À tarde, perguntei para minha mãe se, neste ano, Papai Noel viria nos visitar e trazer algum presente para mim e para meus dois irmãos. E, mais uma vez, ela contou a mesma história:

_ Ele não virá, meu filho! Temos muitos cachorros em casa e eles podem mordê-lo”.

O menino não gostou nada de ouvir essa resposta mais uma vez e pensou:

“Às vezes, tenho vontade de morder meus cães. Mas gosto deles”.

Qual criança não se sentiria assim, não é mesmo?

Já conhecendo essa alegação, o irmão mais velho de Natalino encontrou a solução:

_ “Pronto! Amarrei todos os cachorros nas árvores do quintal. Agora ele pode entrar _ disse triunfante o herói”.

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Caminho livre para Papai Noel.

Será? A mãe de Natalino sentiu-se muito triste. E Natalino, com um nome carregado de significados, continuou ansioso com a aproximação da noite de Natal.

Haverá um presente de Natal? Qual será o melhor presente de Natal? Será uma noite feliz para aquela família?

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“Natalino” é um livro delicado. Ao ler, fiquei feliz ao constatar que ele aponta uma solução criativa e otimista para manter o encanto do Natal dentro da família. A felicidade de Natalino vem de um caminho diferente, porém, capaz de alegrar a ele e aos irmãos.

O livro tem 48 páginas, custa R$ 29,80 e pode ser comprado na loja virtual Fokaki www.fokaki.com.br

A entrevista com o ilustrador

Alexandre Rampazo, formado pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, é ilustrador e autor de livros infantis. Durante muito tempo atuou como diretor de arte para publicidade e também desenvolveu capas de livros e projetos editoriais. Ilustrou alguns livros esporadicamente, mas somente a partir de 2007 começou a se dedicar integralmente à literatura infantil e tem seu nome associado aos principais prêmios destinados a este segmento. Foi uma vez finalista e de outra vez vencedor do Prêmio Jabuti, recebeu o Selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e teve ilustrações selecionadas para o Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha, foi selecionado para o Prêmio da Bienal da Ilustração de Bratislava, além de conquistar o disputado Prêmio Cátedra Unesco de Leitura.

Alexandre Ramapazo: “Cada vez mais será entendido que autor da narrativa verbal e autor da narrativa visual se complementam” – Foto: Divulgação

Alexandre Ramapazo: “Cada vez mais será entendido que autor da narrativa verbal e autor da narrativa visual se complementam” – Foto: Divulgação

Rosa Maria: Como o ilustrador define técnicas e o tipo de desenho e criação para uma história? Como foi esse processo para o livro “Natalino”?

Alexandre Rampazo: Acredito que cada história pede um tipo de narrativa visual, que não é necessariamente a ilustração em si, mas o todo da narrativa, o conceito narrativo que irá permear a história, que passa pelo projeto gráfico, formato, etc… Em “Natalino”, queria uma atmosfera que contasse um pouco da realidade simples do protagonista e fosse percebida na escolha do papel, no tipo de tratamento da ilustração…

RM: Que tipo de ilustração mais agrada as crianças?
AR:
Não penso num “tipo de ilustração” que atraia mais ou menos uma criança leitora. Uma boa narrativa visual, uma boa história são caminhos pra cativar o pequeno leitor.

RM: Ao folhear “Natalino”, percebi que as cores e os desenhos não são nada convencionais com as imagens que costumamos associar ao Natal. Por quê?

AR: Porque a associação imagética que temos de Natal é totalmente estadunidense: cenário invernal, famílias abastadas… e é justamente o oposto da história do “Natalino”. Uma história que acontece no Brasil, com um personagem dentro de uma realidade carente de recursos, mas de muito afeto familiar.

RM: Você se inspirou em alguém especial para criar o menino, personagem da história?
AR:
Não e sim… Não é ninguém em especial, mas ao mesmo tempo é toda criança que tem um desejo de ser presenteada ou abraçada pela figura do Papai Noel e não tem esta oportunidade.

RM: Qual o peso que a ilustração tem para um livro infantil?
AR
: Estamos em um momento onde o ilustrador passou a ter uma relevância, a ilustração deixou de ser apenas decorativa. A narrativa visual ganhou mais peso e importância e a coautoria do ilustrador é reconhecida cada vez mais. Particularmente, em “Natalino”, o texto belo e generoso do Eliandro Rocha possibilitou que eu explorasse a narrativa ilustrada do livro e oferecesse algo além da narrativa verbal, como, por exemplo, explorar a possibilidade em narrar a história em dois tempos distintos. Cada vez mais será entendido que autor da narrativa verbal e autor da narrativa visual se complementam.

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