“Em algum lugar do mundo”

A todo o momento e em vários locais do mundo existem crianças cheias de fantasias e vivendo muitas emoções. Crianças imaginam, inventam, acreditam que tudo é possível. Por que não? Esse é o tema de “Em algum lugar do mundo”,   recente lançamento da Editora do Brasil, de autoria de Anna Claudia Ramos, que em entrevista ao Blog Conta uma História explicou como surgiu a ideia de escrever essa história e a contribuição que a mesma oferece às crianças, pais e educadores.

1

Era uma vez, uma menina inventadeira, que sonhava ser escritora para poder criar muitos mundos e assim morar e viajar cada dia mais longe … Essa menina, de fato, se transformou na escritora Anna Claudia Ramos, a autora de “Em algum lugar do mundo” e de outras dezenas de livros infantis. Como era uma criança inventadeira cresceu com a sensibilidade de perceber outras crianças assim e ainda descobriu a importância de respeitar os sentimentos e projetos de vida mesmo se revelados na infância.

Anna Claudia escreveu “Em algum lugar do mundo” para dar voz às crianças e mostrar para todos como elas pensam e são capazes de planejar coisas incríveis. Nas 37 páginas do livro encontramos 26 personagens, que cabem em todos os cantos do planeta, com seus nomes universais, suas histórias, sonhos e desejos guardados no fundo de cada coração.

2

“Neste momento, em algum lugar do mundo, há uma criança pensando no que acontece por dentro dela, em sua casa, sua família, sua escola, no local onde mora.

Muitos adultos nem imaginam que isso possa acontecer. Não entendem os silêncios das crianças. E, menos ainda, seus pensamentos.

Crianças adoram inventar coisinhas, são meio poetas, meio cientistas e, quase sempre, investigadoras.

É o caso da menina Yasmim. Gostam do nome? Ela quer ser investigadora para desvendar o que acontece quando as pessoas crescem. Outro personagem é Kenzo, que está criando um aspirador de pesadelos e um robô-espanta monstros e fantasmas para não ter mais sonhos ruins nem ter medo quando todos da casa estão dormindo. E Stéfano?

“Stéfano quer inventar a cura para a saudade e para as doenças que levam as pessoas queridas embora. Mas enquanto não consegue achar a solução, ficaria feliz em ter uma bola de cristal para prever o futuro, assim pelos menos a tristeza não pegaria ninguém de surpresa”.

3

O que os pensamentos de meninos e meninas revelam, através do livro, é muita sensibilidade perante o lugar, as pessoas e o modo como vivem. Os inocentes projetos de vida revelam um jeito simples, sincero e espontâneo de ser e viver tal como se espera da infância. Indicado para crianças a partir de 8 anos de idade, “Em algum lugar do mundo” foi ilustrado pelo espanhol Jacobo Muñiz e faz parte da coleção Mil e uma Histórias, da Editora do Brasil. A coleção reúne  autores renomados, ilustrações encantadoras e narrativas cativantes. As obras refletem a cultura universal e a infância, mostrando a realidade de um jeito diferente, de modo a levar o pequeno leitor a pensar sobre suas atitudes e o mundo que o cerca.

O depoimento da autora

Anna Claudia Ramos é carioca, formada em Letras pela PUC-Rio e Mestre em Ciência da Literatura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ela atua como escritora e professora de Oficinas Literárias. Também viaja pelo mundo fazendo palestras sobre sua rica experiência com leitura, bibliotecas comunitárias e escolares e como escritora e especialista em literatura infantil/juvenil.

Anna Claudia foi responsável de 2009 a 2016 pelo Manual de participação dos autores da Flipinha.  Para conhecer mais a respeito dessa premiada escritora e seus livros, visite o site www.annaclaudiaramos.com.br

Anna Cláudia Ramos: “Eu sou feita de histórias”

Anna Cláudia Ramos: “Eu sou feita de histórias”

Aqui, a autora fala de seu novo livro:

“Em algum lugar do mundo” nasceu da minha vontade de falar sobre as crianças, porque eu acho que nem sempre os adultos respeitam os sentimentos das crianças. Tem muito adulto que não entende criança querer fica quieta, criança querer ficar sozinha… não respeita a dor da criança, seu sentimento.

Eu dediquei esse livro a Janusz Korcsak, que foi um médico pediatra polonês (1878-1942). Na Segunda Guerra Mundial, ele cuidou de muitos órfãos e morreu num campo de extermínio junto com as crianças. Foi essa pessoa que mais me ensinou o respeito à alma infantil. Ele tem um livro chamado “Quando eu voltar a ser criança” que me fez entender muito a infância. Tanto que eu dedico “Em algum lugar do mundo” a ele mesmo que nunca tenha me conhecido e nem vai me conhecer pelo fato de não estar mais aqui entre nós.

Eu queria mostrar esses sentimentos das crianças, os sonhos das crianças, e tudo nasceu, porque fui ouvindo falas de determinadas pessoas, algumas até adultas,que diziam: quando eu era criança, eu sonhava com isso; eu sonhava com aquilo. Aí, fui registrando algumas dessas histórias e inventando outras, mas todas a partir do meu olhar para o mundo, para as crianças, para o entorno e fui criando todos os personagens do livro. Os nomes dos personagens foram baseados numa grande pesquisa para que pudessem caber em qualquer lugar do mundo, quer dizer, representam nomes que existem em diversos lugares do mundo. Eu queria isso para que o maior número de crianças se sentisse representada”.

4

A autora continua: “Acho que o ilustrador, Jacobo Muñiz, foi incrível. A minha maior preocupação era quem iria ilustrar esse livro, porque não queria legenda do texto, não queria que a ilustração mostrasse o que o texto já está falando. Eu também não fazia ideia do que poderia ser e o ilustrador foi incrível, porque ele criou cenários onde os personagens estão espalhados e só no final ele nomeia as crianças. Então, você tem vontade de voltar e começar a procurar essas crianças no livro para ver que história está sendo contada ali. Ele criou um livro dentro do livro e eu achei isso sensacional.

Dá para o leitor uma possibilidade imensa de leituras e, além disso, eu acho que vai colocar as crianças falando sobre o que elas sentem, uma vez que eu começo mostrando que os adultos nem sempre conseguem entender os silêncios ou os pensamentos das crianças e isso é muito verdade, por isso espero que esse livro desperte esse olhar nos pais, nos educadores, para que tentem entender cada vez mais aquela criança que está ali diante de cada um deles, porque cada um é extremamente singular, cada um tem as suas necessidades e a gente tem que aprender a entender, respeitar para poder educar de uma forma mais saudável.

Eu sou mãe de um casal. Meus filhos são totalmente diferentes um do outro. Fisicamente até que não, mas em termos de personalidade eles são muito diferentes. Então, eu tive que aprender a cuidar de cada um deles de um jeito muito singular. Eu gostaria que esse livro despertasse esse sentimento nos adultos”.

fb

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *