“Natalino”

Esse lançamento da Escrita Fina Edições, pertencente ao Grupo Editorial Zit, traz um emocionante conto de Natal escrito por Eliandro Rocha ao narrar a ansiedade de um menino, que ainda não conhece Papai Noel. As belas e originais ilustrações de Alexandre Rampazo conduzem o leitor a ‘enxergar’ outro ambiente natalino, bem diferente do que já estamos acostumados. Numa entrevista especial para o Blog Conta uma História, o ilustrador explica essa surpresa e analisa a força que a ilustração dá ao livro infantil.

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O Natal é um período carregado de emoções e a literatura nos conduz a interagir, compartilhar e vivenciar muitas delas. Entre tantas emoções uma parece ser insuperável: a expectativa das crianças pela chegada do Papai Noel com o presente que pediram. Ou o contrário: a tristeza de se sentirem esquecidas pelo bom velhinho.

O livro “Natalino” trata desse tema. Alexandre Rampazo, ilustrador do livro, explica que se trata de “uma história que acontece no Brasil com um personagem dentro de uma realidade carente de recursos, mas de muito afeto familiar”.

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A história do menino “Natalino” começa no dia de Natal.

“Ontem foi uma noite de muita ansiedade. À tarde, perguntei para minha mãe se, neste ano, Papai Noel viria nos visitar e trazer algum presente para mim e para meus dois irmãos. E, mais uma vez, ela contou a mesma história:

_ Ele não virá, meu filho! Temos muitos cachorros em casa e eles podem mordê-lo”.

O menino não gostou nada de ouvir essa resposta mais uma vez e pensou:

“Às vezes, tenho vontade de morder meus cães. Mas gosto deles”.

Qual criança não se sentiria assim, não é mesmo?

Já conhecendo essa alegação, o irmão mais velho de Natalino encontrou a solução:

_ “Pronto! Amarrei todos os cachorros nas árvores do quintal. Agora ele pode entrar _ disse triunfante o herói”.

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Caminho livre para Papai Noel.

Será? A mãe de Natalino sentiu-se muito triste. E Natalino, com um nome carregado de significados, continuou ansioso com a aproximação da noite de Natal.

Haverá um presente de Natal? Qual será o melhor presente de Natal? Será uma noite feliz para aquela família?

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“Natalino” é um livro delicado. Ao ler, fiquei feliz ao constatar que ele aponta uma solução criativa e otimista para manter o encanto do Natal dentro da família. A felicidade de Natalino vem de um caminho diferente, porém, capaz de alegrar a ele e aos irmãos.

O livro tem 48 páginas, custa R$ 29,80 e pode ser comprado na loja virtual Fokaki www.fokaki.com.br

A entrevista com o ilustrador

Alexandre Rampazo, formado pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, é ilustrador e autor de livros infantis. Durante muito tempo atuou como diretor de arte para publicidade e também desenvolveu capas de livros e projetos editoriais. Ilustrou alguns livros esporadicamente, mas somente a partir de 2007 começou a se dedicar integralmente à literatura infantil e tem seu nome associado aos principais prêmios destinados a este segmento. Foi uma vez finalista e de outra vez vencedor do Prêmio Jabuti, recebeu o Selo Altamente Recomendável da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e teve ilustrações selecionadas para o Catálogo FNLIJ da Feira de Bolonha, foi selecionado para o Prêmio da Bienal da Ilustração de Bratislava, além de conquistar o disputado Prêmio Cátedra Unesco de Leitura.

Alexandre Ramapazo: “Cada vez mais será entendido que autor da narrativa verbal e autor da narrativa visual se complementam” – Foto: Divulgação

Alexandre Ramapazo: “Cada vez mais será entendido que autor da narrativa verbal e autor da narrativa visual se complementam” – Foto: Divulgação

Rosa Maria: Como o ilustrador define técnicas e o tipo de desenho e criação para uma história? Como foi esse processo para o livro “Natalino”?

Alexandre Rampazo: Acredito que cada história pede um tipo de narrativa visual, que não é necessariamente a ilustração em si, mas o todo da narrativa, o conceito narrativo que irá permear a história, que passa pelo projeto gráfico, formato, etc… Em “Natalino”, queria uma atmosfera que contasse um pouco da realidade simples do protagonista e fosse percebida na escolha do papel, no tipo de tratamento da ilustração…

RM: Que tipo de ilustração mais agrada as crianças?
AR:
Não penso num “tipo de ilustração” que atraia mais ou menos uma criança leitora. Uma boa narrativa visual, uma boa história são caminhos pra cativar o pequeno leitor.

RM: Ao folhear “Natalino”, percebi que as cores e os desenhos não são nada convencionais com as imagens que costumamos associar ao Natal. Por quê?

AR: Porque a associação imagética que temos de Natal é totalmente estadunidense: cenário invernal, famílias abastadas… e é justamente o oposto da história do “Natalino”. Uma história que acontece no Brasil, com um personagem dentro de uma realidade carente de recursos, mas de muito afeto familiar.

RM: Você se inspirou em alguém especial para criar o menino, personagem da história?
AR:
Não e sim… Não é ninguém em especial, mas ao mesmo tempo é toda criança que tem um desejo de ser presenteada ou abraçada pela figura do Papai Noel e não tem esta oportunidade.

RM: Qual o peso que a ilustração tem para um livro infantil?
AR
: Estamos em um momento onde o ilustrador passou a ter uma relevância, a ilustração deixou de ser apenas decorativa. A narrativa visual ganhou mais peso e importância e a coautoria do ilustrador é reconhecida cada vez mais. Particularmente, em “Natalino”, o texto belo e generoso do Eliandro Rocha possibilitou que eu explorasse a narrativa ilustrada do livro e oferecesse algo além da narrativa verbal, como, por exemplo, explorar a possibilidade em narrar a história em dois tempos distintos. Cada vez mais será entendido que autor da narrativa verbal e autor da narrativa visual se complementam.

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